domingo, 10 de maio de 2015

PALAVRA-PASSE: COOPERAÇÃO Andreia de Azevedo Moreira

 

Do VI ENCONTRO LIVREIRO continuam a chegar-nos ecos, dos mais canónicos aos mais inesperados. ANDREIA DE AZEVEDO MOREIRA, que desde o II Encontro não perde pitada do que se passa, enviou-nos um texto onde o surpreendente e o inusitado convivem com reflexões e opiniões saídas do VI Encontro. Eis que acontece aquilo de que não estávamos à espera: o ENCONTRO LIVREIRO serve de mote a uma FICÇÃO que dá o salto da realidade para uma atmosfera quase surreal. No meio de uma sequência de peripécias por vezes delirantes é referido muito do que foi este VI ENCONTRO LIVREIRO. Desejamos que aprecie a prosa da Andreia e o seu amor aos livros e à leitura.
E.L.

 

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Nota prévia: Qualquer semelhança com a realidade não é coincidência. Trata-se de adaptação do que ouvi e experienciei no VI Encontro Livreiro, na Culsete, a 29 de Março de 2015 e nos dois encontros anteriores. Reflecte, igualmente, a percepção do que tenho testemunhado desde que ganhei a consciência do meu amor aos livros. Perdoem-me, por favor, a malandrice e qualquer omissão e/ou imprecisão que tenha cometido com esta ficção. Reforço: TRATA-SE DE FICÇÃO. Escrita em desacordo com o AO90.
A.A.M.

 
PALAVRA-PASSE: COOPERAÇÃO

Passaram cem dias desde que nos barricámos na Culsete. A temperatura aumentou. Os dias terminam luminosos mais tarde, onde outrora era escuridão. Perdemos, momentaneamente, o contacto com o Luís Guerra e com o Joaquim Gonçalves. Chegou-nos informação segura que, tal como nós, estão em luta noutras paragens livreiras. O tempo urge. O país está tomado pelos espectáculos “DUCHE-REALIDADE”. Enfiam pessoas em polibans. Desnudam-nas a troco de dinheiro. Uns banhos saem mais caros do que outros. A nudez é similar. Os telespectadores também se encontram despidos em casa. Têm frio, todavia, não o notam. Há manobras de hipnose subliminar durante as emissões. Basta ligar o aparelho e passar os olhos pelo écran luminoso, para se ficar agarrado. Assistimos incrédulos ao que aconteceu a vizinhos, familiares, amigos e amantes. Os olhos esvaziaram-se-lhes. As acções embruteceram condicionadas a comandos simples, emitidos por vozes estridentes que a Descultura selecciona para apresentar os programas. Não conhecemos quem se esconde por detrás da entidade. Ela sabe quem somos, o que acresce dificuldade à nossa demanda. Volta e meia envia homens munidos de câmaras, na tentativa de nos seduzir. Eles dizem-nos que o País merece assistir, a partir de dentro da Livraria, aos acontecimentos. Querem saber o que sentimos.
«Como é que se sente?»
«Como é que sente o que se passa?»
«O que é que sente?»
«Sente?»
É-nos solicitado à exaustão que expressemos sentimentos. Quanto mais viscerais, melhor. Não cedemos. Não somos parvos. Temos noção de que andam atrás destas estantes para as substituírem por mobiliário moderno, puffs, atapetarem a casa com cores garridas e pendurarem espelhos que nos acicatem a vaidade. Querem-nos confortáveis e que esqueçamos o que nos trouxe aqui, a 29 de Março de 2015. Era Domingo.
O Encontro estava marcado para as 15h00. É costume haver 30 minutos de espera, antes do início do debate. É o momento do abençoado moscatel, da banda sonora dos artistas voluntários e das trouxas de Azeitão para aqueles que não se contêm antes do lanche. Nesses minutos preparatórios evitamos a conversa. Deleitamo-nos com os mimos que a Fátima Medeiros, fazedora do encontro, nos prepara e vagueamos procurando o volume que nos acicata, naquele momento específico. Não há como preservar o sector se deixarmos de ouvir o chamamento. Soaram as 15h30. Iniciou-se o VI Encontro Livreiro.
Foi, então, entregue o Diploma Livreiro da Esperança ao Luís Alves. Reconheceu-se o herdeiro de quem muito fez: Luís Alves Dias. Exaltou-se a sua resistência, a persistência, o combate à censura. A coragem. É preciso muita para manter uma livraria aberta, no presente. E muito amor. Sobretudo, amor.
Necessitamos de dinheiro para estarmos na sociedade dita activa, para pagar contas. As vendas chegam mal para as das livrarias que a custo mantêm de portas abertas, quanto mais para um ordenado. Pensei: é justo que não possam receber um salário pelo que labutam? Não será. O que os move? Dinheiro não é com certeza.
Luís Alves esclarece que aos doze anos já o pai trabalhava ao balcão de uma livraria. Cresceu no meio dos livros, num amor amadurecido durante toda a sua existência. Passou-o nos genes aos filhos que continuam  ao leme do seu legado.
A Rosa Azevedo leu a missiva que o Luís Guerra nos fez chegar. Ficámos comovidos com as suas palavras de não desistente. O reencontro poderá tardar, sendo certo que se dará. Sentimos saudades. Que se acolham novos actores e se aceitem novos mundos, mas que não se fique a nossa devoção e gratidão à literatura, aos livros, às livrarias e aos livreiros. As palavras dele aninharam-se no nosso pensamento e aí ficaram. Partimos para as intervenções dos restantes de alma acrescentada, como acontece quando interagimos com os altruístas.
O que nos liga uns aos outros? Os afectos. O que fará renascer este mundo que hoje observamos vulnerável? Os afectos em movimento. Este, em especial, feito de cumplicidades em que nos encaramos como companheiros. Anónimos têm-nos trazido provisões. Os nossos escritores estão à porta da Culsete há 100 dias, como nós. Empunham cartazes do Pedro Vieira e do José Teófilo Duarte. Revezam-se. Partilham as suas ideias, trocam livros, leituras, conhecimento. O António Lobo Antunes também deu um salto a Setúbal e decidiu ficar até agora. Estendeu as mãos à Lídia Jorge, ao Gonçalo M. Tavares, à Patrícia Reis, à Helena Vasconcelos, ao Rui Zink, à Inês Pedrosa, ao Paulo Kellerman, à Inês Fonseca Santos, ao Paulo Moreiras, à Filipa Melo, à Filipa Leal, ao Pedro Guilherme Moreira, ao Paulo M. Morais, à Beatriz Hierro Lopes, ao Amadeu Baptista, ao Mário de Carvalho, à Andrea Zamorano, à Cristina Carvalho, ao Afonso Cruz, à Maria Teresa Horta, ao José Luís Peixoto, à Carla Pais, ao Gonçalo Naves, ao Alexandre Honrado, ao Possidónio Cachapa, ao Carlos Alberto Machado, ao António Mota, à Ana Maria Magalhães, à Isabel Alçada, à Maria Saraiva de Menezes, ao Mário Cláudio, ao Tiago R. Santos, à Dulce Maria Cardoso, ao António Manuel Venda, ao Valério Romão, à Catarina Barros, ao Nuno Costa Santos. São incontáveis os que se juntaram. Daqui não os consigo ver todos. Que me perdoem os que não alcanço, agora. Nomear é injusto. Há murmúrios em coro:
«As livrarias independentes não podem morrer.»
«As livrarias independentes não vão acabar.»
«As livrarias independentes são casas para quem ama os livros.»
O Fernando Dacosta, a Ana Wiesenberger e a Maria Clementina acenam-lhes emocionados. São os seus representantes cá dentro.
«É isto!» - Entusiasma-se o Nuno Seabra Lopes. - «A Acção!»
Ouvimos a reflexão que nos escreveu. A sua intervenção deu o mote ao encontro e foi pedra basilar para as conversas que se seguiram.
Penso com ele: A esperança anima-nos, contudo, não pode ser o que nos resta. Temos de ir além da palavra simples acolhida no peito, sem que as mãos reajam.
Sou leitora. Encaixo-me nas gentes do livro. Estou consciente de que todos somos importantes: escritores, leitores, livreiros, editores, dinamizadores culturais, bibliotecários. Órgãos num organismo-vivo. Pulsante. Liguei para casa. Relembrei-os do meu amor e disse que voltaria, assim me fosse possível. Os meus filhos choraram. Por vezes perguntam:
«Já salvaste os livros, mamã?»
Respondo que tento ajudar com o que me está a alcance. Peço desculpa. É, também, por eles que me barrico. Pela biblioteca que deixo e desejo aumentada até ao tecto, fomentando a continuidade das livrarias independentes às quais me afeiçoei. Carrego mais duas obras que espero poder acrescentar, caso esta revolução não me leve. Um de contos da Sophia, outro do D.H. Lawrence.
«É preciso nascer de novo.»
O título do livro do José Felicidade Alves, evocado por Fátima Medeiros e Luís Alves, perdura. Concordamos. Tem de haver abertura para ouvir. Reforçou o Nuno Seabra Lopes. Prosseguiu:
«Apresentemos publicamente as nossas iniciativas numa partilha em que criamos uma referencialidade, que possa ser um gerador de ideias. Um motor das nossas acções. Caminhemos para a concretização, mais do que para a idealização.»
«Muito bem!» - Gritámos o nosso entusiasmo.
Pela primeira vez encarei o digital sem o considerar “o inimigo”. Escutei o Nuno Fonseca discorrer sobre o facto de que quem é leitor há-de sê-lo para sempre e há-de ler sempre, seja qual for o formato. Não elegerá, necessariamente, um em detrimento do outro. Brinca com as incursões na literatura, à socapa, depois da hora de deitar. Relembra-nos a luz própria dos dispositivos electrónicos que facilita a leitura debaixo dos lençóis. O papel não será substituído. Como nos são insubstituíveis pais, avós, irmãos, amigos. A cada pessoa o seu lugar. A cada meio de leitura um modo de acolher a literatura, o conhecimento, a cultura, os conteúdos. Não esqueçamos a oralidade. Assim nos chegaram as histórias primordiais.
A Caroline Tyssen defendeu o que testemunha. Tanto os seus netos, como as crianças que visitam a Galileu, em Cascais, preferem o papel. Podem mexer nos livros, percorrer as lombadas nas estantes, jogar à brincadeira de os retirar e tornar a pôr entre os pares. O livro-objecto é estimulante. «O livro em papel não vai desaparecer.» - Está certa. Estamos todos. Repetimos o mantra, crentes.
É a extinção das livrarias independentes que tentamos travar. Concluímos que a competição é forte e, muitas vezes, desleal. Temos de pôr em prática estratégias que as coloquem, inequivocamente, nos mapas dos mundos novos. O Nuno Seabra Lopes apresentou-nos um par de ideias concretas. Recebemo-las atentos. A Fátima Medeiros ponderou algumas como novas abordagens para as Livrarias. Não se fecha às possibilidades que novos actores possam facultar à casa que fez nascer, há mais de 40 anos, com o seu Livreiro Velho Manuel. Foram os criadores destas reuniões anuais, continuadas na Culsete, hoje, graças à vontade da Fátima. Concebemos, então, que da troca de ideias entre indivíduos que dispõem de meios díspares e necessidades complementares, poderão surgir as sinergias necessárias para revitalizar estes redutos. Hoje, a tecnologia permite a cooperação entre pessoas em pontos longínquos do planeta. Usemo-la positivamente.
«Livros, nas livrarias!» - Clamaram, em uníssono, o José Gonçalves, o José Francisco e o Gonçalo Mira, três fortes presenças nos Encontros Livreiros, lembrando o Joaquim Gonçalves.
«Isto não fica assim!»
Uma espécie de furor percorre-nos, em simultâneo. A senha foi proferida. Acabaram as delongas. Sabemos o que fazer. A Rosa Azevedo retira o livro que acciona o balcão da Culsete. Tudo estremece. Os livros mais soltos caem das estantes. O Hugo Xavier ajuda o Pedro Bernardo a levantar-se. Caíra de Ipad na mão. Havia acabado de nos revelar o novo projecto de ambos, que animou os presentes por motivos diversos. Foi apanhado desprevenido pelo tremor das fundações. Há um mecanismo de suporte no prédio que permite que se mantenha de pé, com menos um bom bocado. A Rosa Azevedo confirma connosco: «Preparados?» Os nossos olhares são concordância. À volta do local sobre o qual planamos está o cordão humano. 
«ISTO NÃO FICA ASSIM!»
«ISTO NÃO FICA ASSIM!»
«ISTO NÃO FICA ASSIM!»
Os soldados da Descultura cercam-nos. Colocam uma quantidade inenarrável de assentos fofos e coloridos, perto dos manifestantes. Empurram-nos. Primeiro brandos, depois veementes. Alguns caem e sentam-se para, de imediato, se levantarem. Estamos orgulhosos. Nenhum de nós se sente confortável. Ninguém aceita acomodar-se e ser espectador do fim.

Não nos calam cá em cima. Não os amordaçam lá em baixo. O cordão de gente é tão longo que nos comunicam, via rádio, ter chegado a Sines, a Coimbra, a Leiria, ao Porto, a Faro, a Vila Real, a Guimarães. Ao ser referido o nome da sua cidade, o Duarte Pereira da Snob emociona-se. Avistamos, contentes, o Miguel de Carvalho da Alfarrabista do Adro de Baixo, a Carla Simões e a Alexandra Vieira da Arquivo Bens Culturais e o Ricardo Ribeiro da Sr.-Teste. É desta. Não tenho medo com a Rosa Azevedo e a Fátima de Medeiros nos comandos. O destino é o VII Encontro antecipado em 264 dias. O estado da arte impeliu-nos a fazê-lo. Todas as livrarias independentes do país foram accionadas revelando o que, até então, não passava de suspeitas. As livrarias voam. Salvam-nos. Porém, tal como os super-heróis, necessitam de quem lhes cuide da humanidade e queira bem, apesar das fragilidades inerentes.
O VII Encontro Livreiro deu-se no meio do Oceano Pacífico. Mais de duas dezenas de livrarias portuguesas sobrevoaram o bote salva-vidas de Pi Patel e aterraram na ilha de Robinson Crusoe. Em terra corria, há muito, o boato da nossa chegada. Os ilhéus simularam o cordão humano que deixámos em Portugal. Por todos os Continentes havia réplicas das mãos dadas. Umas por solidariedade, outras por identificação. Descemos das livrarias. Houve quem não tivesse querido continuar. Saltaram quando o voo ainda era raso. Outros afazeres, outras prioridades, outros amores. Ninguém os criticou. Precisamos de vontade para resistir a todos os contratempos e de capacidade de adaptação. Avisto o Luís Guerra. Corro para ele num abraço. Depois, juntamo-nos ao colectivo. Nesta ilha não há líderes ou chefes, nem há isolamento. O oceano é menor do que a nossa força. Temos livros no lugar das mãos.

Carcavelos, 10 de Maio de 2015.
Andreia Azevedo Moreira
(Escreleitora)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

23 de ABRIL–DIA MUNDIAL DO LIVRO

 

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Hoje é 23 de Abril, dia escolhido pela UNESCO para celebrar o livro.
Visite uma livraria, uma biblioteca pública ou regresse à sua biblioteca pessoal.

domingo, 12 de abril de 2015

Ainda o VI ENCONTRO LIVREIRO: Tempos Interessantes

Como já dissemos, Nuno Fonseca, numa das suas intervenções no VI E.L., fez a leitura de um texto expressamente escrito para aí ser lido, tendo a sua leitura reforçado o debate. É esse texto que hoje publicamos.

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Tempos Interessantes

Intervenção no 6º Encontro Livreiro, lida perante os meus pares, durante as conversas da tarde, num momento em que, por motivos de acaso e estro, se discutia a realidade do fenómeno do livro electrónico e os seus efeitos no sector do livro.

Por vezes, e talvez em grau maior do que com muita gente, pergunto-me sobre o futuro, sobre como virá a ser aquilo que ainda não se transformou. Este exercício especulativo não precisa de ficar restricto aos domínios ficcionais ou do academismo criativo. Por vezes pode e deve ser tentado por todos nós.

A primeira coisa que devemos ter em mente é que não se pode pensar o futuro sem conhecer uma parte significativa do passado e sem ter uma visão sólida do presente. Neste momento, há cerca de 20 anos que temos internet. Mais concretamente, os livros digitais também circulam desde o seu início, e o seu percurso, nos últimos anos, tem sido notório. Por outro lado, há 6 anos que foi feita uma tipografia portátil para venda directa de modelos livres de livros ao consumidor (a famosa expresso book machine). É verdade que este aparelho parece ter caído no esquecimento, mas relembremos que também o livro digital passou por muitos anos de relativa obscuridade até atingir o estado presente. Pode ser que o seu advento seja igualmente lento e que ainda venha a ter um papel importante no negócio dos livros.

A questão não é muito diferente da do papel da gasolina Vs. electricidade no mundo dos transportes (salvaguardando as devidas diferenças) - e todos sabemos que apesar de todas as razões e argumentos, continuaremos num sistema baseado em combustíveis fósseis durante muito tempo, porque essa é a vontade dos principais agentes do sector.
Hoje não há gente disposta a abrir mão do livro físico, e a desconfiança e não aposta no livro electrónico são realidades com que vivemos. Isto é algo que afecta em maior ou menor grau todos os agentes do sector do livro. Curiosamente, são os dois intervenientes menos valorizados no sistema actual que mais tem beneficiado e investido nele: os autores e os leitores. Nas relações que se estabelecem entre os vários actores desta peça, autores e leitores, por razões diferentes, são hoje os menos valorizados e mais abusados dentro do sistema da edição física. O mundo virtual possibilitou não só uma certa democratização dos meios de produção em causa, como também da distribuição do livro (e de outros produtos conexos) e da informação em geral. De repente, os autores deixaram de ser obrigados a um interlocutor/mediador privilegiado na sua relação com os leitores e o mundo (e vice-versa). Os leitores passaram a ter formas de ligação e influência sobre a produção e os meios literários. Veja-se por exemplo o papel da Crítica literária e a sua completa irrelevância no que toca ao seu valor promocional para as editoras, principalmente se comparada com a disseminação de opiniões/comentários/exposições nos blogues e redes sociais.

Aos poucos, estes intervenientes que eram eminentemente passivos dentro do velho sistema, passaram a ter um papel muito mais activo e em certos aspectos, mais eficaz. Mas, e está aqui o paradoxo, o que tem sucedido simultaneamente é um retrocesso claro em certos aspectos dos seus papéis, que reverteram claramente para características antigas. Neste sentido, o papel do autor contemporâneo alterou-se atavicamente para modelos de há quase 150 anos: ter dinheiro e /ou posição social são cada vez mais condições normais para se poder exercer com sucesso e relevância uma carreira de escrita; e também se observa que o empenho individual e sem apoios de outros agentes na promoção de si e da sua obra voltou a encontrar sede no actual sistema, pois é cada vez maior o desinvestimento na promoção e no marketing dos autores, e cada vez maior a necessidade de chamar os leitores para participar nesta mudança.

Mas se abro os olhos perante isto é principalmente para relembrar que tudo irá evoluir. O sector do livro é essencialmente sui generis por causa das diferentes evoluções temporais dos seus elementos. No sector do livro anda-se a destempo, a vários tempos, por vezes até a contratempo, mas o sentido é sempre o da mudança e o da valorização, má ou boa, do presente. O futuro parece cada vez mais condicionado pela evolução da natureza da informação e já não tanto pela sua disseminação. Daí estes pequenos sobressaltos que temos assistido em torno do livro digital e do papel das redes sociais no meio.  Os dados financeiros ou mercantis, macro ou micro culturais, sobre os livros, circulam cada vez mais de forma massificada, tendendo para formas públicas. Tanto autores como leitores têm sido os principais fomentadores destas pulsões, enquanto os restantes intervenientes tendem a contrariá-los. E no entanto, o caminho faz-se. Penso que a livre e pública informação de todos os dados referentes ao livro é um caminho inevitável e que todos devem ponderar.

Pode-se discorrer muito sobre tudo isto que o futuro continuará a ser filho apenas de si próprio, mas como pais no presente, temos o dever de olhar em volta, identificar estas tendências e ponderar sobre elas. Se por um lado, os intervenientes e instituições do sector apresentam estas pulsões antagónicas, por outro a verdade é que vivemos uma espécie de época de ouro, moderna e massificada, no que toca ao livro - nunca houve tanto livro em circulação, nem tantos autores, nem tantos leitores, editores, livreiros, nem tanta gente envolvida nos seus processos; se pensarmos nas possibilidades de uma distribuição democratizada, fora de mãos especulativas e gestionárias - e os meios aí estão à vista; se pensarmos, mais à frente ainda, num mundo onde o virtual, o simulacro, tende para invadir o real colonizando-o, passando a fazer parte do dia-a-dia… então acho que as próximas décadas ameaçam vir a ser, no mais profundo significado chinês, muito interessantes.

Nuno Fonseca

2015.03.29

terça-feira, 7 de abril de 2015

NOVOS MUNDOS, NOVOS ATORES: A ALTERAÇÃO RADICAL NO MUNDO DO LIVRO / PALAVRAS QUE VOS DEIXO

Continuando a viver o clima do VI ENCONTRO LIVREIRO, publicamos agora o texto do VI ENCONTRO, da autoria de Nuno Seabra Lopes, que despoletou o debate riquíssimo que se seguiu à sua leitura. Obrigado Nuno por tão importante contributo!

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NOVOS MUNDOS, NOVOS ATORES: A ALTERAÇÃO RADICAL NO MUNDO DO LIVRO

Não é recente o tema dos novos atores. Nem nova é a reação de achar que, tal como para os autores, será demasiada a importância que se atribuiu à «categoria». Nem é tanto pelo culto da juventude, mas mais o sebastiânico culto da promessa, do jovem que irá fazer o que os outros, já instalados, não foram capazes de fazer: a esperança como substituto da ação; algo demasiado habitual por cá.

Mas não venho cá para me lamentar.

Bem sabemos que, durante muito tempo, o novo representava o mais bem formado e capacitado, e que − no tempo em que o mercado ainda o permitia − muitas vezes a experiência era também sinónimo de acomodação, de perda de criatividade e de outros crimes capitais; mas, quando à experiência se alia o conhecimento, a criatividade e tantas outras coisas, é somente sinal de fazer melhor, de ter memória e respeito pelo que já resultou e tempo passado a aprender o que os outros ensinaram – ninguém sabe tudo; permanência é também existência de arquitetura de conhecimentos com base em amizades e afinidades, algo essencial num mundo que funciona cada vez mais em rede.

Por isso não gosto de falar de novos ou de novidades, sejam elas livreiras ou profissionais. Prefiro falar de pessoas, de capacidades, de inteligência, de vontade de mudar e de abertura para ouvir, independentemente da idade ou da permanência neste mercado.

Um pequeno parêntesis para dizer que é bem mais fácil ser-se novo − uma página em branco com tudo para ganhar − mas difícil, e melhor, é termos a nossa própria experiência como limites e perceber diariamente formas de nos ultrapassarmos.

Mas, este sim um facto irreversível, este mundo é novo.

Venho hoje com um propósito: o de fazer com que estas palavras de arranque não estabeleçam só o mote para este encontro, mas também proponham uma ação para o futuro.

Começo então por dizer que algo no título desta apresentação está tremendamente bem (e não fui eu a dar o título): “novos mundos”, no plural. Deixamos há uns tempos agora de falar do mundo do livro para falarmos de um sistema de mundos não do livro, mas dos conteúdos para a leitura, cujo suporte primordial é ainda o livro. Temos hoje planetas a morrer ou que permanecem iguais mas outros novos e em ebulição vulcânica, só para manter a metáfora.

Deixando de eufemismos: vivemos ainda entre um batalhão de licenciados indiferenciados para a profissão − há mais de uma década com salários baixos − debruçado num balcão livreiro, e entre editoriais especializados que já perceberam que daqui a 20 anos estarão no mesmo lugar ou despedidos. Todos os anos ainda surgem os mesmos casais que sonham com projetos culturais e miúdos com dois anos de fraca experiência a julgar saber tudo o que precisam para vingar.

Mas à parte desse “negócio habitual”, e fora da tradicional cadeia de produção do livro, as coisas mudaram radicalmente, em particular na cadeia da comunicação, ou seja, na forma essencial de dar a conhecer e convencer os leitores a comprarem os livros.

Se o final da corrida muda, isso altera o essencial, pois uma livraria já não tem de se limitar ao que produz por cá, nem um editor ao que se vende aqui. O mercado já não tem de ser a tragédia «daquilo que é». Foi na comunicação e comercialização que se deu o principal da revolução digital, aquele que pulverizou fronteiras – exceto culturais e linguísticas −, e o que gera fenómenos tremendos e destrói projetos históricos antes sustentados – jornais, revistas. Mas este facto é irrecusável: temos hoje muito mais gente e valor no negócio, em particular se compararmos com mercados restritos como o do Portugal livreiro; outro facto: não estamos preparados e vemos esse dinheiro a escoar por tantos novos sítios diferentes. Exemplo, o advento do leitor-autor tão típico do mundo digital, que leva primeiros leitores e não leitores para o âmbito da escrita vanity e fomentam negócios de serviços editoriais como a Chiado. Apesar de tudo não nos devemos aborrecer com estes fenómenos que, apesar do posicionamento mais do que dúbio, atraem a prazo para o mundo do livro pessoas que antes estariam de fora.

Regressando ao tema e evitando o jargão da economia, gestão e marketing (a minha primeira versão deste texto...), relembro que, se antes um leitor queria um livro de História de Portugal, lia num jornal a crítica e ia a uma livraria, onde na estante respectiva, encontrava o livro de referência que necessitava. Hoje a mesma pessoa já não irá não direcionado da mesma forma na necessidade, ele irá fazer uma busca por factos na Internet e irá ser condicionado nas respostas não por quem quer promover e vender livros, mas pelos sites e motores que querem promover vendas cruzadas e publicidade. Ou seja, será distraído com informação genérica (como as explicação wikipédia do que procuramos), direcionado para blogs e sites que promovem não a categoria mas um produto específico ou um tema. Ou seja, a Internet não nos ajuda a encontrar o produto certo ou de referência, mas abre-nos tremendamente o leque de opções sobre o tema, desvia e condiciona as opções por relevância comercial de outros negócios ou outra. Assim, as pessoas não só encontram hoje livros diferentes como também os consomem de forma muito diferente, relacionando e referenciando livros não com outros livros, mas com posts, comentários de facebook, sites, séries, documentários e outras fontes de informação diferenciadas, alterando a percepção do que lemos e o caminho de leitura a seguir.

Por já não precisarmos deixámos de seguir as categorias de forma canónica e agora passamos a procurar informação na Internet sobre os factos que nos interessam. Exemplo: «Morte de Maria Antonieta / croissants»; em vez de termos de lá chegar por: «História da França / Revolução Francesa». A busca de informação é hoje mais específica e já não incide sobre as categorias – única forma que antes tínhamos para lá chegar, mas sobre os factos.

Assim, onde antes poderíamos ser levados a comprar um livro, hoje podemos ficar por um site de informação genérica que está a gerar riqueza seja pela publicidade, seja pela venda de outros produtos como aplicações, espetáculos, músicas, revistas, etc. Já não procuramos livros numa livraria, mas numa mega-store digital que nos está a vender tudo de tudo. Os inputs de oferta misturam-se, apresentam-se como um delta do Nilo onde podemos ir dar à bela e terrível histórica da biblioteca de Alexandria como a uma oferta de férias no gigantesco porto naval de Port Saïd, junto ao canal do Suez.

O mais importante a reter nisto é que se retêm clientes constantemente nesta «loja», e faz-se negócio. Tudo pode ser vendido em toda a parte e os conteúdos pertencentes aos livros estão em toda a parte. Tal como a Amazon já vende detergentes e bolachas, os textos dos livros estão hoje repartidos e adaptados em artigos, posts, guiões, vídeos, postais, filmes, músicas, etc. Podemos chegar à mesma informação – a diversos níveis – com diferentes percursos mais ou menos satisfatórios. E são tudo meios de gerar riqueza com o mesmo negócio, i.e., vender a quem quer saber a informação ou distração por conteúdos de que necessita, apesar dos resultados diferentes.

Hoje quase todos estamos envolvidos neste sistema e existe infinitamente mais valor a circular, neste espaço onde parte das fronteiras ruiu. Se a forma como se conhece e se chega ao livro mudou, e isso significa uma alteração radical do processo, vemos então a mudança de conceitos de base onde, por exemplo, os nichos deixam de ser descritos pelas categorias padrão (história de Portugal) ou pelos segmentos tradicionais (professores universitários com mais de 45 anos), mas sim perfilados por construções coerentes de tipologias de negócio – pardon my french − (ou seja segmentar por público interessado em genealogia europeia, que usa o Ancestry.com frequentando um ecossistema digital fechado onde poderemos inserir uma loja ou comunicação com impacto total).

Independentemente da dimensão do nicho, o segredo reside na capacidade de recriar um circuito de negócio com base na ligação de pontos existentes e funcionais (para acesso de informação, encaminhamento de clientes, processo de venda e retorno).

E é isso que temos de radicalmente novo nestes tempos; são essas as novas pessoas que constituem este ecossistema e que trazem a novidade. O mercado já não é um percurso único e difícil, que passa pelo que dá ou pelo acesso a boa localização, por exemplo, mas sim pela seleção das pedras onde iremos assentar o nosso negócio.

Uma livraria local – em Setúbal, Chaves ou Portalegre – não tem de ser só uma livraria local a vender por proximidade livros que, mais cedo ou mais tarde, um Continente ou uma Bertrand poderá fornecer com mais força, condições e marca. A livraria em Chaves pode ser também a livraria especializada em território, património e natureza da Europa, que existe online e que congrega e fornece não só para todo o país como para o portefólio de produtos de qualidade que represente, trabalhando para faculdades e institutos nacionais e internacionais, apoiando ações locais espalhadas e algumas dinâmicas empresariais como casas de turismo rural ou empresas de animação cultural que levam caminhantes a fazer treking ou escalada e que podem sugerir a venda de livros de rotas, monografias sobre esse território ou outros livros.

E este é só um mísero exemplo do que hoje é possível fazer.

É importante pensar nesta nova forma de se trabalhar em rede de gerar negócio de forma transversal. O que para nós é fácil, para outro pode ser impossível e gerador de riqueza, e hoje é possível colocar os dois em diálogo. O mundo de sinergias empresariais permite cruzar hoje campos inimagináveis e, quando se está aberto a colaborar, descobrem-se mercados e caminhos que não tínhamos pensado. Por isso, olhemos para estes os «novos» não como os novos que estamos habituados mas como os novos que são para este negócio e apresentemo-nos também como novos a eles, abertos a ideias e com vontade de trabalhar e de ajudar.

Por tudo isso, venho propor um acrescento a este espaço de diálogo.

Vejo esta iniciativa não só como um espaço de conversa, mas também como uma possibilidade para gerar ideias, algo que já antes tem acontecido. Proponho assim criar neste âmbito um espaço para a apresentação pública de ideias e novos projetos. Se cada interessado apresentar o que faz, e o que procura, pode ser que haja alguém do outro lado que possa ter a solução. Pode ser que uma nova editora de livros náuticos encontre a livraria que se quer especializar no tema, ou conheça alguém associado a uma empresa de venda de velas que está interessada em fazer um livro para eles. Pessoalmente, seria um motivo de interesse adicional.

Obrigado pela atenção.

Setúbal, 29/03/2015, VI Encontro Livreiro

Nuno Seabra Lopes

 

Depois deste texto tão inspirador e que nos lança para novos projetos e desafios, transcrevemos agora a mensagem que Luís Filipe Guerra, impossibilitado de comparecer no VI E.L., enviou e que foi lida por Rosa Azevedo. Lamentamos que Luís Guerra, connosco desde o I E.L., não tenha podido envolver-se mais este ano. Esperamos que seja um afastamento temporário e que rapidamente possamos voltar a contar com a sua preciosa colaboração e envolvimento nos próximos Encontros.

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PALAVRAS QUE VOS DEIXO

Sou um orgulhoso fundador do movimento das gentes do livro que dá pelo nome de Encontro Livreiro. Recordo hoje os nomes do pequeno núcleo inicial: Manuel Pereira Medeiros, Luís Guerra, Fernando Bento Gomes, Cristina Rodriguez, Artur Guerra, Gonçalo Mira, Nuno Fonseca, Joaquim Gonçalves, Dina Silva, Adelino Almeida Abrantes, José Augusto Soares Pereira, António Almeida, Fátima Ribeiro de Medeiros, Hélia Filipa da Cruz Sampaio, Nuno Miguel Ribeiro de Medeiros, João Manuel Rodriguez Guerra, José Teófilo Duarte, Francisco Abreu, José Gonçalves (ausente por motivos de saúde, participou na preparação e na divulgação).

O Encontro Livreiro nasceu na livraria Culsete, em Setúbal, no dia 28 de Março de 2010, mas tem andado por aí e gosta de deixar sementes que deem rebentos que possam dar novas sementes, que possam dar rebentos que possam dar novas sementes... e assim sucessivamente. Os primeiros rebentos nasceram em Trás-os-Montes – onde cresceram e se multiplicaram em Vila Real (Traga-Mundos), Macedo de Cavaleiros (Poética), Bragança (Rosa D’Ouro) e, no domingo passado, em Valpaços (Livraria Dinis) – e no Porto, onde brotaram num jardim feito de livros, a Lello do livreiro Antero Braga, a mui antiga e bela livraria da invicta e do mundo. Da equipa de “resistentes” a Norte, quero ainda destacar Dina Ferreira (Poetria), um exemplo de visão e de persistência de uma livreira que ama os livros, a poesia, o teatro.

Acompanhei muito de perto o seu crescimento até bem próximo dos cinco anos, que ontem se cumpriram. Parabéns a você! E lembro, com alguma nostalgia, o brinde inicial (vão lá ver ao Isto Não Fica Assim!). E lembro ainda, feliz, os meses da gravidez e da esperança, os primeiros dias, as primeiras noites, os primeiros meses e anos, os primeiros e trémulos passos, primeiro a necessitar do amparo de uma ou mais mãos, adquirindo aos poucos cada vez mais autonomia.

É um movimento que não gosta de chefes nem de líderes e que desde o início se quis o mais informal e livre possível. Mas, para funcionar e avançar, foi recorrendo a uma “comissão executiva” oficiosa constituída por Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro Medeiros (Culsete – Setúbal), Joaquim Gonçalves (A das Artes – Sines), António Alberto Alves (Traga-Mundos – Vila Real), Sara Figueiredo Costa (Cadeirão Voltaire), Rosa Azevedo (Estórias com Livros) e eu próprio. Claro que no início este núcleo era ainda mais reduzido. Convém referir que alguns destes elementos foram sendo cooptados à medida que chegavam ao Encontro Livreiro e que há outros amigos, que me desculparão por não os nomear, que sempre estiveram muito próximos.

Por razões de ordem muito pessoal, em Novembro passado – por ocasião do Dia da Livraria e do Livreiro, “rebento” que nasceu da relação entre o Encontro Livreiro e a Fundação José Saramago e da vontade do seu director, o meu amigo Sérgio Letria, mas que precisa de um maior envolvimento dos livreiros, o que não se conseguiu satisfatoriamente até à edição de 2014 – decidi que era chegado o momento de me afastar. Nessa altura comuniquei a minha decisão à Fátima, desde sempre a livreira da Culsete mas agora a solo depois da partida do Livreiro Velho, e pedi-lhe o grande favor de a transmitir aos restantes amigos. Ao mesmo tempo, entreguei-lhe as “chaves” do blogue «Isto Não Fica Assim!» e da página do Encontro Livreiro no facebook, que tomei a liberdade de criar logo a seguir ao I Encontro e onde podem encontrar os textos, as imagens, a história deste inédito movimento das gentes do livro.

Deixem-me que refira uma das iniciativas que mais acarinhei, a atribuição do diploma Livreiros da Esperança, e que recorde aqui os nomes dos livreiros já homenageados: Jorge Figueira de Sousa (Esperança – Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira (Galileu – Cascais), Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro Medeiros (Culsete – Setúbal), Antero Braga (Lello – Porto) e ainda o Livreiro da Esperança de 2015, Luís Alves Dias (Ler – Lisboa), nome que já tinha sido referido em conversas com a Fátima anteriores à minha saída e ao seu falecimento em 23 de Janeiro deste ano e que depois vi confirmado no Isto Não Fica Assim! Um abraço, bem rijo e amigo, ao filho, o livreiro-editor-livreiro Luís Alves.

Se me permitem, quero também deixar uma palavra em memória e em homenagem à vida de um outro livreiro que nos deixou no mesmo mês de Janeiro deste ano, António André (Lácio – Lisboa), a quem me ligam boas recordações e que, no meu modesto entender, mereceria um maior reconhecimento público. Sabem, por exemplo, que nos deixou um livro de poemas intitulado Entrevero? Sei da sua existência mas confesso que não o tenho nem o li ainda. Se alguém me fizer chegar um exemplar ficarei muito agradecido. Pagando, claro! Mas o seu poema maior, e esse tive o privilégio de o ler repetidas vezes, chamou-se “Lácio, Campo Grande, 111”! Que agora se continua a “ler devagar”, na voz do José Pinho e do Pedro Oliveira. Boas leituras, que devagar se vai ao longe!

E por falar em livreiros e em livrarias, no último encontro lancei um apelo que parece ter caído em saco roto: para quando a criação de um movimento próprio de livrarias independentes? E neste conceito cabem livrarias com décadas de experiência e outras, novas e novíssimas e com novos modelos, que estão a nascer ou a dar os primeiros passos. Continuo a achar que faz sentido, que faz falta, que é urgente, muitíssimo urgente. Pelo país fora há (ainda há) mais de duas dezenas de livrarias que podiam animar e dar corpo a um movimento que comece por criar uma “rota de livrarias independentes” que funcionem a partir de uma grande cumplicidade entre si, mas também – e isto parece-me fundamental – que crie uma cumplicidade nova entre autores, editores, livreiros e leitores. E, se o meu grande amigo Joaquim Gonçalves me permite, ele que o criou e dinamizou e que, quase sempre sozinho, tem vindo a desmascarar manhas e artimanhas de vários Golias, sugiro um nome para este movimento: “Livros, é nas Livrarias!”.

Meus caros amigos livreiros, não fiquem a observar na bancada ou atrás do balcão. Não esperem que outros resolvam os vossos problemas. Não se olhem como concorrentes, que não são. Conversem, conheçam-se, troquem ideias, definam objectivos comuns, promovam iniciativas próprias que circulem pelas vossas livrarias, de norte a sul. Livreiros do meu país, uni-vos!

Não posso deixar de mencionar e de registar os nomes de Pedro Vieira, José Teófilo Duarte e Manuel Rosa pela preciosa e desinteressada colaboração na criação dos cartazes e dos diplomas.

Desejo ao Encontro Livreiro aquilo que desejo a cada um dos meus três filhos, todos já na maioridade: que continue o seu caminho, agora sem a minha presença e zelo diários, e sem os constrangimentos que mesmo o amor de um “pai” e de uma “mãe” acabam por implicar. Evitando a rotina e a repetição de procedimentos e de vícios, e possibilitando novas escolhas, novos caminhos, novos objectivos, novos intervenientes, novos actores.

Tenho a consciência de ter dado o máximo – como gosto, aliás, quando me envolvo nas coisas – e de ter feito o melhor que pude e que sabia. Saí antes que viesse a sentir que isto fica assim. Cabe às gentes do livro fazer com que, afinal, isto não fique assim.

São estas as palavras que vos deixo. Obrigado pela vossa compreensão e, o que para mim é o mais importante, pela vossa amizade.

Envolvo todos (e vejo agora os rostos e os olhares, um a um) com um abraço apertado dado a cada um de vocês.

Até sempre!

Luís Guerra

Margem Sul, 29 de Março de 2015

 

 

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O VI ENCONTRO LIVREIRO FOI ASSIM

 

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Passada uma semana sobre o VI ENCONTRO LIVREIRO, vamos começar a apresentar a partir de hoje algumas fotos, o texto do Encontro, da autoria de Nuno Seabra Lopes, e outros depoimentos que ajudaram a construir o Encontro e a enriquecer o debate.
Diga-se desde já que este VI Encontro correu muito bem. Ao final da tarde somávamos propostas concretas e muito válidas e ainda trouxemos connosco várias opiniões que nos ajudarão a repensar as questões da leitura e do livro.

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Enquanto esperavam que o E.L. começasse, a Clementina e o Fernando não resistiram e começaram a ler. Como nós gostamos disso!

Iniciámos o VI E.L. entregando com muito prazer o diploma Livreiros da Esperança 2015 a Luís Alves Dias, na pessoa do seu filho, Luís Alves, editor e atual gerente da Livraria Ler, que assegura a continuidade do projeto livreiro iniciado pelo nosso homenageado. Luís Alves agradeceu a homenagem, evocou o pai e recordou alguns momentos passados na livraria ao lado dele. Foi, como sempre, um momento de diferentes emoções.

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Aproveitamos para agradecer publicamente a José Teófilo Duarte a feitura do diploma, belissimamente concebido e que muito agradou a todos, em especial ao destinatário. Aproveitamos ainda para voltar a agradecer a Pedro Vieira a elaboração do cartaz de promoção do Encontro, que oferecemos a todos os participantes, transformado em marcador de livros.

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Passou-se de seguida à segunda parte do Encontro Livreiro. Nuno Seabra Lopes leu o seu texto (será publicado amanhã neste blogue) e imediatamente se iniciou o debate, vivo e espontâneo e muito participado, tendo um dos presentes, Nuno Fonseca, trazido também um texto sobre o tema proposto que, em devido tempo,leu aos presentes.

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Quanto aos participantes, vieram de muitos lados, prontos a ouvir e a dialogar. Sendo o Encontro Livreiro um movimento feito por pessoas, a partir delas, das suas ideias e da sua vontade se constroem os nossos percursos. Sabendo nós que sem pessoas o E.L. não existiria, foi com alegria que voltámos a encontrar participantes que aparecem desde o primeiro, o segundo, o terceiro Encontros. São a sua base, o seu corpo, a sua continuidade.

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Tivemos o prazer de voltar a receber, como acontece desde 2013, ano em que foi a Livreira da Esperança, Caroline Tyssen, atenta, entusiasta e irreverente como sempre.

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Várias pessoas apareceram pela primeira vez, aumentando, assim, o nosso movimento. De leitores a escritores, de livreiros a editores, passando por bibliotecários, de diversa gente dos livros se constituiu o grupo dos novos deste VI Encontro Livreiro. Gostaríamos de destacar alguns desses novos participantes, pela sua simbologia: Duarte Pereira (Livraria Snob, Guimarães), Fernando Dacosta (escritor), José António Calixto (bibliotecário), Pedro Bernardo (editor). A diversidade continua a ser uma constante entre os participantes do E.L.

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Já o VI E.L.ia a mais de meio quando Hugo Xavier e Pedro Bernardo tomaram a palavra para nos falarem de uma nova proposta editorial que se abrirá a várias parcerias, sendo uma delas com as livrarias. Desde já saudamos essa iniciativa. Sobre essa apresentação contamos dar-vos elementos daqui a alguns dias.

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Ainda houve tempo para beberricar o Moscatel de Setúbal e provar algumas das especialidades da doçaria regional. Os persistentes lá foram uma vez mais jantar choco frito.

Em 2016 cá estaremos de novo. Estamos já a desenhar o VII ENCONTRO LIVREIRO.

 

 

sábado, 28 de março de 2015

O VI ENCONTRO LIVREIRO é já amanhã, dia 29, a partir das 15:00 h

 

encontro livreiro

É já amanhã, 29 de março, a partir das 15:00 horas, que vai acontecer na livraria CULSETE,em Setúbal, o VI ENCONTRO LIVREIRO, encontro anual das "gentes do livro".
O Encontro Livreiro tem dois momentos:
- Entrega do diploma Livreiros da Esperança 2015 ao livreiro Luís Alves Dias, da Livraria Ler.
- Apresentação do texto do Encontro, «Novos mundos, novos atores - a alteração radical no mundo do livro», por Nuno Seabra Lopes, seguido de debate e troca de ideias entre todos os presentes.

Traje obrigatório: interesse em participar e boa disposição.

Aparece.Todos juntos somos mais fortes na defesa da leitura e do livro.

Amanhã a esta hora espero que digas connosco: EU FUI!

quarta-feira, 25 de março de 2015

faltam poucos dias para o VI Encontro Livreiro

É já este Domingo o VI ENCONTRO LIVREIRO na livraria Culsete.

Nesse dia todos os caminhos vão dar a Setúbal e à Avenida 22 de Dezembro, 
onde a partir das 15 horas daremos início ao Encontro.

Vamos entregar com muito prazer o DIPLOMA LIVREIROS DA ESPERANÇA ao saudoso Luís Alves Dias, da Livraria Ler, na pessoa do seu filho e actual gerente da livraria, Luís Alves.

Vamos falar acerca da presente situação do livro, partindo do texto do 
Encontro, este ano a cargo de Nuno Seabra Lopes, tendo como título NOVOS MUNDOS, NOVOS ATORES, A ALTERAÇÃO RADICAL NO MUNDO DO LIVRO. Espera-se o contributo de todos os presentes para o seu aprofundamento.

O ENCONTRO LIVREIRO é um espaço de reflexão e troca de ideias, mas também de convívio feito em torno dos livros, pelo que o Moscatel de Setúbal e outras preciosidades da região, como as tortas de Azeitão, não poderão faltar.

O ENCONTRO LIVREIRO é feito por todos aqueles que vivem em torno dos livros, todos aqueles que não entendem a sua vida sem livros, as gentes do livro, dos livreiros aos leitores, passando por editores, ilustradores,
escritores, comerciais do livro, designers de comunicação, alfarrabistas, encadernadores, académicos, professores, bibliotecários, tradutores, jornalistas culturais e todos os outros.

Há que pensar nas questões do mercado do livro. Quem melhor do que nós para o fazer?

O ENCONTRO LIVREIRO defende e promove a dignidade de todas estas actividades defendendo e promovendo a leitura e por conseguinte o livro nas suas diferentes formas.

A questão da leitura interessa a todos. Por isso o ENCONTRO LIVREIRO é para todos.
O evento facebook pode ser visto aqui.


sexta-feira, 20 de março de 2015

VI ENCONTRO LIVREIRO – Eu vou!


VOU AO VI ENCONTRO LIVREIRO PORQUE, depois de abrir a Traga-Mundos em Vila Real em 2011, foi no espaço da Culsete em Setúbal que fui encontrar o alento para continuar, junto da força e ensinamentos de Fátima e Manuel de Medeiros, e da visão e afectos de Luís Guerra. E fui retornando nos anos seguintes, colhendo mais exemplos dos livreiros homenageados.

António Alberto Alves
Livraria Traga-Mundos, Vila Real

segunda-feira, 16 de março de 2015

VI ENCONTRO LIVREIRO – Eu vou!


Eu vou ao VI ENCONTRO LIVREIRO porque há poucas coisas na vida mais interessantes do que  livros e poucos sítios melhores para falar deles do que a CULSETE e poucas coisas mais persuasivas do que o Moscatel de Setúbal.

Gonçalo Mira

sábado, 14 de março de 2015

VI ENCONTRO LIVREIRO – Eu vou!

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"Como Livro sério que sou, e aproveitando o facto de o Sr. Fonseca ter a bondade de me transportar para o efeito (ele anda sempre com livros por todo o lado), tenho a dizer que estou muito feliz em poder participar como espectador no evento do dia 29 deste mês na Culsete, o VI ENCONTRO LIVREIRO. Não é todos os dias que tantas e tão boas pessoas falam de mim e dos meus familiares e amigos. É muito satisfatório que demostrem assim a nossa importância e que falem de tudo o que a nós se refere.
É verdade que nós, os livros, somos seres únicos e diversificados, e que muitos são os problemas que nos cabem, mas também o são as alegrias que proporcionamos. Ouvir falar de tudo isto é sinal de preocupação, afecto e também a melhor forma de resolver as questões que nos assolam.
Assim sendo, lá estarei na Culsete à hora prevista (15 h), para passar uma excelente tarde. Sê-lo-á certamente, como já o sei de anos anteriores (sim, porque o Sr. Fonseca acha que eu sou daqueles que se leem devagarinho e repetidas vezes - valha-me o santo homem).
E se alguém nos quiser fazer companhia, ainda melhor: lá nos encontraremos!"

[Nuno Fonseca]

quarta-feira, 11 de março de 2015

VI ENCONTRO LIVREIRO – Eu vou!

 

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Eu vou ao VI ENCONTRO LIVREIRO porque não gosto de lamúrias, não gosto de ficar parado a pensar como tanta coisa está mal e eu sem nada fazer. Porque sei que se as soluções para o mercado dos livros forem encontradas entre quem ama os livros será bem melhor do que se for por quem não os ama; algo que tem acontecido demasiadas vezes.
Vou porque acredito e por causa do moscatel, dos amigos e das tortas de Azeitão, claro, mas isso eu não confesso porque estou de dieta.

Nuno Seabra Lopes

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terça-feira, 10 de março de 2015

Olh’à publicidade!

 

VI ENCONTRO LIVREIRO
29 DE MARÇO DE 2015
CULSETE, 15 HORAS

Entrega do diploma LIVREIROS DA ESPERANÇA a LUÍS ALVES DIAS

Debate e troca de ideias em torno do tema NOVOS MUNDOS, NOVOS ATORES
A ALTERAÇÃO RADICAL NO MUNDO DO LIVRO

A Rosa, o Nuno, o Luís, a Fátima, o Gonçalo e muitos outros estarão à vossa espera.

 

encontro livreiro

 

 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Março, mês de Encontro Livreiro

 

encontro livreiro

 

Já chegámos a março, mês da mulher, da poesia, do teatro, da Juventude.
Já chegámos a março, mês do ENCONTRO LIVREIRO. O VI Encontro Livreiro.
Como sabe, este ano as conversas vão ter um denominador comum, o tema do Encontro, Novos Mundos, Novos Atores, a Alteração Radical no Mundo do Livro, que será introduzido por Nuno Seabra Lopes e aprofundado por quem quiser intervir.
Venha ter connosco à Culsete.
Venha provar o  Moscatel de Setúbal.
Venha falar de livros.
Traje obrigatório: interesse em participar e boa disposição!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

EI-LO, FINALMENTE, O CARTAZ DO VI ENCONTRO LIVREIRO

 

encontro livreiro

 


Aqui está ele, com o traço inconfundível do Pedro Vieira (obrigado, amigo!), o cartaz do VI ENCONTRO LIVREIRO, a realizar na Culsete, em Setúbal, no próximo dia 30 de março, às 15 horas.
Agora é reproduzi-lo e espalhá-lo pelos quatro cantos do mundo dos livros e dos leitores.
Com ele divulgamos também o tema do texto do Encontro, a cargo de Nuno Seabra Lopes:

NOVOS MUNDOS, NOVOS LEITORES – A ALTERAÇÃO RADICAL NO MUNDO DO LIVRO.


Tema abrangente, permitindo um grande leque de reflexões, pareceres e opiniões, vai, certamente, levar a interessantíssima troca de ideias.
Vá já pensando no que tem a dizer sobre as questões que o tema suscita e surpreenda-nos no dia 29.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

LUIS ALVES DIAS, O LIVREIRO DA ESPERANÇA 2015

Este ano o Encontro Livreiro resolveu homenagear não só um grande livreiro, Luís Alves Dias (1932 - 2015) da livraria Ler em Campo de Ourique, Lisboa, como também a continuidade dada ao seu projecto pelo seu filho, Luís Alves, que herdou do pai a resistência e dedicação aos livros, sendo, além de livreiro, também editor.




Luís Alves Dias começou a trabalhar em livraria na Aillaud & Lello da Rua do Carmo quando tinha apenas 13 anos. Aí se apaixonou pelos livros e pelo trabalho de livreiro. Foi essa, segundo palavra suas, a sua universidade. Aí conheceu grande parte dos intelectuais que frequentavam os   meios livreiros naquele tempo. Em 1959 foi trabalhar para a Livraria do Diário de Notícias, no Rossio, e em 1963 integrou o grupo que fundou o Centro do Livro Brasileiro, compatibilizando o trabalho de livreiro com as encomendas de livros para o Brasil.

Em Fevereiro de 1970 abre ao público a livraria Ler e aí viverá um longo historial de luta contra a censura. Muita gente, de muitos lados, aí acorria para comprar os livros apreendidos que sempre soube esconder, não sem alguns riscos.

A Ler, que nunca deixou de ser considerada pelos moradores de Campo de Ourique como uma livraria de bairro, dada a proximidade com as pessoas que ali viviam, viu, com o passar dos anos, a sua influência espalhar-se a toda a cidade tornando-se uma livraria de referência em Lisboa, um exemplo de resistência e persistência a seguir. Foi também uma livraria com um forte papel social, ajudando muitos que não conseguiam comprar os livros a ter, ainda assim, acesso à leitura.

Luís Alves Dias foi um exemplo de persistência e verticalidade. A Livraria Ler foi e continua a ser um sinal de esperança, “uma pequenina luz bruxuleante / não na distância / aqui no meio de nós”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

LIVREIRO DA ESPERANÇA 2015

 

Luis Alves Dias

Luís Alves Dias em fevereiro de 2011

Desde 2012, o movimento ENCONTRO LIVREIRO homenageia os livreiros portugueses através do diploma LIVREIROS DA ESPERANÇA. Trata-se do reconhecimento das gentes do livro do papel de uma classe profissional fundamental no desenvolvimento da leitura.
Em 2015 o ENCONTRO LIVREIRO vai homenagear o livreiro LUÍS ALVES DIAS da livraria LER, de Campo de Ourique, Lisboa.
A decisão de entregar este diploma a Luís Alves Dias foi tomada logo após o V ENCONTRO LIVREIRO. Não queríamos que fosse uma entrega póstuma, mas o destino atraiçoou-nos.
Luís Alves Dias fundou a Ler em fevereiro de 1970, há precisamente 45 anos. Mas a sua morte não compromete o projeto da livraria, que continua bem viva sob a batuta do filho do livreiro, o editor Luís Alves.
Luís Alves Dias vem, assim, prolongar a lista de LIVREIROS DA ESPERANÇA, juntando-se a Jorge Figueira de Sousa (Livraria Esperança, Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira (Livraria Galileu, Cascais), Antero Braga (Livraria Lello, Porto) e Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros (Livreiro da Esperança Especial Culsete - 40 Anos, Setúbal).
No próximo dia 29 de março, venha ao VI ENCONTRO LIVREIRO aplaudir o trabalho de Luís Alves Dias.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O VI Encontro Livreiro está a chegar

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(Rosa Azevedo, Nuno Medeiros e Nuno Fonseca, no V Encontro Livreiro)
É já no próximo 29 de março, exatamente daqui a dois meses, que se vai realizar o VI ENCONTRO LIVREIRO.
Vamos todos voltar a Setúbal, à Livraria Culsete, para passar uma tarde diferente de domingo, debatendo ideias sobre questões relacionadas com a problemática do livro e da leitura.
O ENCONTRO LIVREIRO não é apenas um encontro de livreiros. É antes um encontro de todas as gentes do livro, do leitor ao investigador, passando pelo editor, pelo livreiro, pelo tradutor, pelo designer gráfico, pelo revisor, pelo ilustrador, pelo bibliotecário, pelo autor, pelo agente literário, enfim, por todos os que trabalham e vivem na esfera do livro.
Haverá no início do Encontro, às 15 horas, o habitual apontamento musical e o moscatel de Setúbal marcará como sempre o clima de convívio.
Em breve anunciaremos o nome do livreiro a quem será atribuído o diploma LIVREIRO DA ESPERANÇA 2015, uma singela homenagem deste movimento àqueles que dedicaram uma vida a promover o livro e a leitura, continuando as suas livrarias a ser espaços de resistência e persistência cultural.
Iniciando o VI ENCONTRO LIVREIRO um novo lustro, sentiu o núcleo fundador necessidade de fazer alguns ajustes. Assim, o debate far-se-á em torno de uma temática comum que será introduzida pelo chamado texto do Encontro, que em breve estaremos em condições de divulgar.
Portanto, já sabe: Em março todos os caminhos vão dar a Setúbal, à Culsete, ao VI ENCONTRO LIVREIRO.
Contamos consigo!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO, UM DIA DE FESTA.


O Dia da Livraria e do Livreiro é um dia de festa! 
Festa da livraria! Festa do livreiro! Festa do leitor!

BOA(S) FESTA(S)!





Quando alguém está numa leitura e levanta os olhos como se estivesse a apreender com muito mais Quando alguém intensidade o que acaba de ler, é esse o momento em que esse alguém fica totalmente envolvido, como se pensasse: «isto é meu, isto tem a ver comigo». Cada um tira da leitura o que necessita. 

José Saramago


LIVREIRO DA ESPERANÇA 

Há homens que são capazes 
duma flor onde 
as flores não nascem. 
Outros abrem velhas portas 
em velhas casas fechadas há muito 
outros ainda despedaçam muros 
acendem nas praças uma rosa de fogo. 
Tu vendes livros quer dizer 
entregas a cada homem 
teu coração dentro de cada livro.

Manuel Alegre, Praça da Canção, 1965






MAIS INFORMAÇÃO: Dia da Livraria e do Livreiro    ADESÕES: dialivrarialivreiro(arroba)gmail.com

Com a adesão devem ser enviados dados e foto da livraria e descrição da iniciativa específica do Dia da Livraria e do Livreiro. Este ano, como o dia 30 é domingo, poderão os livreiros, se assim o entenderem, alargar os festejos a toda a semana anterior.