sábado, 22 de maio de 2010

O «PROTESTO LIVREIRO» GERADOR DE UM «DEBATE LIVREIRO»?

Tropeçar, só por si, não é cair. E talvez não seja preciso ir mais devagar para que o debate continue de pé. Basta que ninguém o queira ao nível da conhecida Escola de Debate Portuguesa, que ao longo da sua longa existência tanto ilustrou o país. Como se sabe! E não se sabe apenas pelo permanente tempo de antena que tem na actualidade essa nossa excelente Escola nas televisões. Uma cultura de debate típica muito antiga!
Há por aí quem queira ler as Farpas? Não aquela coisa, interessante em si, mas que enganou muita gente «culta». Os livreiros conhecem o caso.
Uma livraria que de há muito tempo tem, como «património próprio», os volumes da última edição, a da Clássica Editora, terá muito gosto em receber algum leitor interessado nessa valiosa herança que nos deixou Ramalho Ortigão. Se lhe parecer que se trata de um leitor a quem valha a pena chamar a atenção para outras edições «patrimoniais», o livreiro até lhe vai propor a leitura de Lisboa no ano 3.000. Honra ao editor que desencantou tal preciosidade!
Concluamos, pois, por agora.
Há debate aberto. Só por isso, para um livreiro que não quer sentir-se uma excepção, como é óbvio, terá valido a pena a Feira do Livro de Lisboa de 2010 ter sido prolongada, como tantas outras vezes já foi, com estas ou aquelas razões, ao longo dos seus oitenta anos.
Já não vale a pena discutir mais a feira deste ano, embora sejam muito diferentes as situações de quem ganhou e de quem perdeu. Mas o debate livreiro pode ser que sim, que possa prosseguir, com tempo, interrogações e interesse por abrir caminho. O comércio do livro é um caso de vergonha nacional muito grave e há muito tempo!...
«O debate aceso das ideias pode tropeçar», mas, por favor, não o deixem cair. Não queiram merecer a acusão de «únicos responsáveis pelo declínio» de um debate há tantos anos esperado!
«Únicos responsáveis»!... E ainda mais do que a ouvir custa a crer que se diga isto! «Únicos»? Há as histórias de um lado. E as do outro?
Mas não dá para tropeçar. Dá é para debater muito a fundo as responsabilidades de todos. Se for para debater bem longe dos níveis de discussão praticados na Escola!

M. Medeiros

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