quarta-feira, 31 de março de 2010

«(...) ANTES QUE TODOS OS LIVREIROS SEJAM SUBSTITUÍDOS POR MÁQUINAS DE VENDING»

© rabiscos vieira
Não podendo estar fisicamente presente, como gostaria, Pedro Vieira noticiou a realização do Encontro Livreiro com um «rabisco» do livreiro Manuel Medeiros (criado originalmente para um artigo de Francisco Belard na revista LER) e o seguinte texto:
«esta tarde decorre o primeiro convívio livreiro na livraria Culsete, em setúbal, gizado pelo mítico manuel medeiros. aberto a livreiros, está claro, e a outros amantes de livros sem sentimentos de culpa. as palavras do manuel podem ser acompanhadas na internet no papel a mais e no chapéu e bengala. e saboreiem-nas, antes que todos os livreiros sejam substituídos por máquinas de vending.»
Obrigado Pedro.

segunda-feira, 29 de março de 2010

NÚCLEO FUNDADOR DO «ENCONTRO LIVREIRO»


Estiveram presentes e constituem o núcleo fundador deste Encontro Livreiro, conforme consta do Livro de Honra da Culsete:

CONVÍVIO LIVREIRO EM SETÚBAL
- ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO DE 2010 -
PELA RESPEITABILIDADE E CONTINUIDADE DO SECTOR LIVREIRO E DO SEU TRABALHO
- UM MANIFESTO CONTRA O FATALISMO! -

Manuel Pereira Medeiros (livreiro, Culsete, Setúbal), Luís Guerra (Assírio & Alvim), Fernando Bento Gomes (escritor), Cristina Rodriguez (tradutora), Artur Guerra (tradutor e professor bibliotecário), Gonçalo Mira (Quid Novi e blogger de «Orgia Literária»), Nuno Fonseca (escritor, crítico e blogger de «Orgia Literária»), Joaquim Gonçalves (livreiro, A das Artes, Sines), Dina Silva (Professora de Português), Adelino Abrantes (Penguin Books), José Augusto Soares Pereira (Livros do Brasil), António Almeida (ex-Editorial Verbo), Fátima Ribeiro de Medeiros (investigadora literária e professora), Hélia Filipa da Cruz Sampaio (leitora), Nuno Miguel Ribeiro de Medeiros (sociólogo), João Manuel Rodriguez Guerra (estudante), José Teófilo Duarte (designer gráfico), Francisco Abreu (editor, Esfera do Caos Editores), José Gonçalves (distribuidora HT - ausente por motivos de saúde, participou na preparação e divulgação).

Nota: compromissos diversos impediram a presença de, entre outros: Francisco Belard (jornalista/revista LER), Carlos Vaz Marques (jornalista/TSF), Damião Medeiros (blogger de «Papel a Mais»), Luís Filipe Cristóvão (Livrododia, Torres Vedras), Jaime Bulhosa (Pó dos Livros, Lisboa), Pedro Vieira (Irmão Lúcia / Almedina/Lisboa), Alexandra Vieira (Arquivo, Leiria), Helena Girão Santos (Fonte de Letras, Montemor-o-Novo), Sérgio Lavos (blogger de «Auto-retrato», Bulhosa/Lisboa), Sara Figueiredo Costa (blogger de «Cadeirão Voltaire»).
Fica, desde já, o convite a todos para o ENCONTRO anual, a realizar no dia 27 de Março de 2011, e a sugestão de se realizarem outros encontros em qualquer uma destas livrarias [um por trimestre, por exemplo, e para analisar um tema específico] e/ou em outras que se venham a associar ao ENCONTRO LIVREIRO.

UM RESUMO DO I ENCONTRO LIVREIRO

Manuel Pereira Medeiros, o livreiro velho, não quer que os seus sonhos morram. Para isso há que os lançar ao mundo. No último domingo do mês de Março de 2010, Manuel Medeiros encontrou a data ideal para aquilo que começou por ser pensado como um convívio livreiro e que acabou por se transformar antes em encontro. A diferença não é tão subtil quanto possa parecer. Convívio houve, mas houve muito mais do que isso neste encontro que, espera-se, seja o primeiro de muitos. A ideia era simples: reunir, para uma conversa, algumas pessoas das várias actividades ligadas ao livro. E houve escritores, editores, comerciais, tradutores, críticos, professores, investigadores, bibliotecários, livreiros...

O local de encontro não podia deixar de ser a Livraria Culsete, a casa de Manuel Medeiros em Setúbal. E a afluência, sem ser arrebatadora, foi mais do que suficiente e a prova disso é o vastíssimo leque de “profissões do livro” representadas.

Este primeiro encontro foi, contudo, e como bem sublinhou o anfitrião, uma preparação para a conversa que se queria ter. Discutiu-se muito, concordou-se e discordou-se, mas quando a hora de partir chegou a sensação era a de que se tinham levantado as questões para a discussão a sério. A que viria – e virá – a seguir. Porque «isto não fica assim!»

Havendo gente de tantas actividades diferentes, o primeiro problema identificado foi o de que trabalham todos de costas voltadas uns para os outros. Hoje em dia edita-se muito mais livros com tiragens mais reduzidas e há, consequentemente, menos capacidade de exposição para cada título. Há uma rotatividade enorme de livros nas livrarias, o que faz com que os leitores acabem por não ter capacidade para os ver a todos. Os livros ficam uns meses nas livrarias e são logo devolvidos, o que faz com que as vendas, segundo um dos presentes, não representem um lucro para o editor, porque este vê a factura paga com os livros que anteriormente enviara. Entra-se assim num ciclo vicioso que acaba por ser prejudicial para todos.

Os livreiros – e aqui falamos dos poucos livreiros a sério que existem – sofrem a sufocante concorrência que vem de várias direcções: hipermercados, feiras do livro incessantes, grandes cadeias de livrarias, etc. Muitos destes, se não todos, arranjando forma de contornar a lei do preço fixo, deixando de mãos atadas os livreiros.

Assim, a primeira grande questão que surge é: como regularizar esta situação e como colocar livrarias a trabalhar em conjunto – e não contra – com editoras. Vieram à baila exemplos de Espanha, de França, de Inglaterra. Devemos ou não olhar para estes modelos? A nossa realidade, o nosso mercado, permite a comparação?

A segunda grande questão levantada prende-se com os índices de leitura. Em Portugal lê-se pouco e, muitas vezes, lê-se mal. O problema vem de trás, de uma iliteracia tardia e que ainda hoje nos envergonha. Então, o que se pode fazer para combater isto, para pôr as pessoas a ler, para ensinar as pessoas a ler (bem)?

O governo lançou o Plano Nacional de Leitura, mas isso chega? Está a ser bem feito? Qual o papel que o Plano atribui às livrarias? Há alguns resultados visíveis, mas são muito insuficientes. É preciso motivar as crianças para a leitura desde o berço, mas, mais do que incentivá-las, é preciso formar os pais, que muitas vezes – por mais revoltante que isso seja - são um obstáculo para a formação dos filhos enquanto leitores e, consequentemente, enquanto pessoas mais cultas, mais inteligentes, melhores. Porque todos acreditamos que ler (bem) é fundamental para a formação do indivíduo.

E para que haja muitos e bons leitores é preciso que haja bons escritores, bons editores, bons livreiros. E que estes trabalhem em conjunto. Assim voltamos à primeira discussão e percebemos que está tudo ligado.

É preciso pôr as pessoas que não lêem a ler. É preciso pôr as pessoas que lêem a ler melhor. É preciso pôr as pessoas que lêem bem a discutir. É preciso que todos, em conjunto, pensem em estratégias de promoção da leitura eficazes e duradouras. E é para isso que deverão servir estes encontros. Para que aqui os “especialistas” se encontrem, troquem ideias, saiam daqui pessoas mais intervenientes, capazes de uma mediação e de uma acção em prol do aumento dos índices de leitura mais eficaz, isto é agentes mais capazes de ajudar na mudança que todos precisamos de operar.

Foi ainda aflorada a questão dos tradutores, muitas vezes pouco respeitados e mal pagos, sendo os verdadeiros profissionais frequentemente preteridos e substituídos por outros de duvidosa formação, que aceitam remunerações incompatíveis com o trabalho do técnico de tradução competente, o que prejudica a qualidade das obras traduzidas e vai interferir com a recepção das mesmas, afectando a sua procura.

Não podemos ficar parados a ver o que acontece. Não podemos esperar que outros o façam. Temos todos de nos mexer. De nos unir. De chamar mais um ou dois.

Isto não fica assim!

Gonçalo Mira

UMA FRUTUOSA TROCA DE IMPRESSÕES







O TEXTO QUE DÁ O PONTAPÉ DE SAÍDA

Em busca do maravilhoso país da leitura, aportou hoje a Setúbal o «Encontro Livreiro», dando assim cumprimento ao sonho de um velho livreiro, que sempre desejou ver os profissionais do livro «viajar num mesmo barco para o país da leitura».

A bordo, e sob a hospitaleira recepção do livreiro Manuel Medeiros, o também escritor Resendes Ventura, viajam todos quantos puderam e quiseram corresponder ao seu apelo para que com ele passassem a tarde deste último domingo de Março, conversando, convivendo, entre livros e saboreando um moscatel da região, com o seguinte traje obrigatório, segundo reza o convite: «interesse em participar e boa disposição!»

Desejamos que a este porto acorram editores, tradutores, livreiros, vendedores, distribuidores, bibliotecários, professores, blogues, comunicação social, mas também leitores que queiram conviver, conhecer e trocar ideias com aqueles que fazem do livro a sua actividade diária, alguns a actividade e paixão de uma vida inteira.

Do autor ao leitor, muitas são as mentes e as mãos que fazem do livro uma das mais extraordinárias criações humanas e transformam cada livro editado num renovado acontecimento.

É ambição de quem deu os primeiros passos deste empreendimento, pôr todas estas pessoas, comummente vistas como individualistas e sempre à procura de alijar responsabilidades e «sacudir a água do capote», a conversar sobre as formas de se darem ao respeito e, desse modo, dignificarem as suas profissões e o livro.

Essencial ao desenvolvimento cultural do país e ao progresso, o livro, no formato actual ou em quaisquer outros que o futuro nos ofereça, exige de nós uma atitude mais responsável e mais interventiva. Não nos podemos quedar pela crítica destrutiva e lamurienta.

A situação actual do livro, das livrarias, da edição, da distribuição, das bibliotecas, das escolas, da leitura, merece a reflexão atenta de todos e a adopção de medidas e sobretudo de atitudes que contrariem a opinião acrítica e a formatação de um gosto dominante que prima pelo efémero, pelo fugaz e pelo superficial.

Não se pretende encontrar, e muito menos crucificar, «culpados» dos males que atormentam o mundo do livro e da leitura. Se os há somos todos nós, quando não somos profissionais competentes na actividade que desenvolvemos. E uma actividade que visa, em última instância, a leitura, mais exigente se torna com os seus profissionais. Choca, por exemplo, ver profissionais do livro que fogem da leitura como o diabo da cruz!

Há que mudar atitudes e procedimentos e é já com um novo espírito que este Encontro Livreiro deve acontecer: reunindo em vez de dividir; ouvindo em vez de impor; convivendo em vez de continuar de costas voltadas; metendo as mãos na massa em vez de estar à espera que outros resolvam o que a nós cabe resolver; tomando consciência de que todos somos poucos para a árdua tarefa de fazer da leitura um desígnio nacional crucial para o progresso e para a nossa identidade e maioridade cultural.

O país futuro que ambicionamos e que queremos ajudar a construir assenta o seu progresso no desenvolvimento cultural, na leitura e numa verdadeira articulação entre política cultural e educação.

Os participantes no I Encontro Livreiro, constituindo-se como fundadores e impulsionadores destes Encontros, estabelecem a sua realização anual, fixando que o II Encontro Livreiro terá lugar, no mesmo local, no dia 27 de Março de 2011, mantendo o seu carácter aberto.

Será criado um blogue, com a designação de «Encontro Livreiro», onde, para além da publicação, entre encontros, de notícias e textos relevantes relacionados com o Livro em Portugal, se divulgarão textos, propostas e outros documentos que surjam durante a realização de cada Encontro. Em cada sessão anual será designado um grupo de três elementos que se responsabilizará, no ano seguinte, pela manutenção do blogue.


Luís Guerra
Setúbal, Livraria Culsete, 28 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

«TEM DE SER UM BRINDE! TODOS EM CONJUNTO!»




COMEÇAM A CHEGAR OS PARTICIPANTES






À ESPERA

                                       I Encontro Livreiro, Culsete - Setúbal, 28-III-2010 (Foto de Luís Guerra)

PREPARANDO O LIVRO DE HONRA PARA AS ASSINATURAS


CONVITE

O convite parte, com muito gosto, do livreiro da Livraria Culsete. Os amigos do ramo livreiro e todos os que se consideram como «gentes do livro» são convidados e convidam-se uns aos outros, para um convívio na tarde do domingo, dia 28 deste mês de Março de 2010, com o único objectivo de nos encontrarmos e conversarmos descontraidamente, saboreando um Moscatel de Setúbal.
O velho livreiro crê que passarmos juntos uma tarde numa simples livraria conversando sobre o que mais nos interessar e agradar é uma forma simpática de prestigiarmos o nosso trabalho e afirmarmos a sua importância no mundo do livro e da leitura.
*Traje obrigatório: interesse em participar e boa disposição!

Setúbal, 4 de Março de 2010

Manuel Pereira Medeiros