terça-feira, 19 de julho de 2011

cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura

ENCONTRO-LIVREIRO-L.GUERRA

12 De Julho.2011

CHAPITÔ

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

SESSÃO DE 13 DE JULHO.2011

SOCORRO, ONDE ESTÁ O MEU LIVREIRO?

Caro amigo Luís Guerra.

Espero que a sua dedicação à realização do Encontro-Livreiro em Setúbal e em cada ano no último domingo de Março e que sob a sua batuta já vai para a 3.ª edição no próximo ano de 2012, lhe proporcione uma noite inspirada para falar sobre um dos nossos temas de referência: o lugar do livreiro e da livraria independente no desenvolvimento da leitura no nosso país e as perspectivas de entendimento e convergência das Gentes do Livro para a abertura de novos horizontes, como resultado de uma intensa reflexão sobre as problemáticas que a todos nos dizem respeito.

Se lhe for possível recolha-me opiniões fundamentadas e inteligentes que me tirem desta sensação de que muito do que por aí se diz sobre o futuro do livro releva de um conservadorismo evidente quando nos pomos a pensar em que o ponto de partida correcto é a reflexão crítica sobre o evoluir da necessidade e dos hábitos de leitura na sociedade em construção.

Muito lhe agradecerei a si e a todos os que me convencerem de que estou errado, se realmente errado estou: alguma fuga ao presente e portanto alguma alma de profetas, como os define Espinosa, tenho sempre sentido, ao longo dos anos, da parte dos sapientes do nosso futuro livreiro.

Catastrofismo é o tom mais comum nas profecias. Tratemos mas é de construir este presente, o nosso presente, de modo a que dele nasça o melhor futuro, qualquer que ele seja. Viver o que está em acontecimento é que dá a correcta perspectiva do futuro. Fugir a construir presente pode ser cómodo, pois depende mais de imaginar do que de saber.

Que importa que acabe ou não o livro em papel, se a leitura se desenvolver? Que importa que se extinga a fauna e a flora que se alimenta do livro, quando visto, redutoramente e simplesmente, como um suporte e um negócio, se a escrita e a leitura forem cada vez mais comuns e proporcionarem um entendimento do mundo e da condição humana dignos de mais respeito do que aquele que hoje temos uns pelos outros e sobretudo por «eles»?

Amigo Guerra,

Sabe muito bem quanto gostaria de estar consigo e com todos, mas preciso de aprender quanto a sucessão nos traz a riqueza das novas gerações.

Francamente lhe digo:

Estou por acreditar em que os merceeiros de livraria, por mais respeito que tenha pelos merceeiros, mas os de mercearia, cada vez têm menos hipóteses e que cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura.

Diga-me depois se concorda comigo e mais alguém consigo. E faça-me o favor de a todos os participantes no serão sobre o futuro dos livreiros levar a minha saudação de livreiro velho, uma saudação de quem espera que as iniciativas das Gentes do Livro que vão acontecendo afastem de vez as profecias catastrofistas.

MM

Mensagem de Manuel Medeiros, o escritor Resendes Ventura, o Livreiro Velho, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

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