domingo, 11 de setembro de 2011

Agora imagina um mocinho de quinze anos a ler este soneto nas suas noites de ler muito pela noite dentro, em um fim de mundo de silêncios...

«Homem! Homem! mendigo do Infinito»

Açores, S. Miguel, Ponta Delgada:
1842 - o nascimento a 18 de Abril / 1891 - o suicídio a 11 de Setembro.

I
JOSÉ BRUNO CARREIRO
ANTERO DE QUENTAL
Subsídios para a sua biografia
2.ª Edição
Instituto cultural de Ponta Delgada
Página 17:
«Lia muito, lia sempre e lia tudo», diz o seu condiscípulo Raimundo Capela (…). Outro contemporâneo, o Visconde de Faria e Maia, diz que era «ávido pela leitura» (…). Em 1887, na Carta Autobiográfica, ao descrever a sua entrada aos dezoito anos para o «grande mundo do pensamento e da poesia», Antero aludirá às «caóticas leituras» a que então se entregava, devorando (…).

II
Como encontraste ANTERO DE QUENTAL?
Para muitos, também para mim, os Sonetos como primeira aproximação a Antero.
Verão de 1951, quinze anos, férias na aldeia, um vizinho empresta-me os SONETOS.
Podes ler comigo, por favor, os dois versos finais do soneto intitulado de AMARITUDO?

O que será velhice e desalento,
Se isto se chama aurora e juventude?

Leio isto hoje, já velho, e…
Pois!, a velhice!…
Agora imagina um mocinho de quinze anos a ler este soneto nas suas noites de ler muito pela noite dentro, em um fim de mundo de silêncios, à luz do candieiro de petróleo…

III
Leste o que deixei escrito no post anterior?:
Os sessenta anos sobre esse verão e esse ano e esse Setembro é que espero não fiquem por aqui, porque…
A vida, com efeito, como se vê e poderá ver, faz-nos estas pequenas espantosas coincidentes marcações…
É!
É isso mesmo!
Uma atenção para mais sessenta anos sobre aquele 11 de Setembro, para mim tão doloroso quão respeitado, o do Banco da Esperança, em 1891.
Comecei a ler Antero, o nosso Santo Antero, quando se cumpriam sessenta anos sobre o seu último dia, um último dia sobre que tentarei pedir-te que nos detenhamos. Temos uma descrição pormenorizada. O último dia de vida de Antero de Quental sempre e cada vez mais a interrogar-me sobre a sua grandeza e a lição que ele é. Não apenas pela obra. Ele, como ser humano excepcional. A sua presença no seu tempo e para todos os tempos.
11 de Setembro de 1891. Em 1951 tinham passado sessenta anos. Mais sessenta e estamos em 2011.
Como achas que juntos podemos melhor assinalar os 120 anos sobre a morte do nosso Antero?

L. V.


[Texto originalmente publicado no blogue «Chapéu e Bengala» com o título: «"LIA... LIA... LIA" - Ler Antero, o nosso grande Antero!»]

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