quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Entra-se, olha-se em volta, pega-se na peça, revira-se, apalpa-se, cheira-se e...

Que a Leya eram pérolas a porcos, parece-me mais ou menos pacífico para a vox leitora, para a doutrina oficial da secretaria-destado-da-cultura e até mesmo para a jurisprudência desportiva.

“Cada um é pró que nasse” e Paes do Amaral deve ter nascido a pensar que os livros tinham quatro rodas e davam guito em 24 horas de Le Mans. Lá como cá, corre por desporto e por conta do "accionista". E sai sempre a ganhar. Os livros, os autores e os leitores “fuckim”, como diria outro grande mecenas da cultura pimba.

Afinal a culpa não é bem dele, mas muito mais de quem se lhe vendeu assim tão mal, tão sem defender os autores que tinha no portfólio.

Isto do lado do fornecedor. Do lado do consumidor, este devia saber que, dar o cartão de crédito à morte e pagar à cabeça, não augura nunca nada de bom. Nem podia. E-books e “mp3zes” compram-se automaticamente na net, os livros em papel compram-se calmamente nas livrarias. Com prateleiras e pessoas por trás delas. Em dias de sorte, algumas até sabem ler, sorriem ao passarmos e conhecem mesmo os autores mais obscuros.

Entra-se, olha-se em volta, pega-se na peça, revira-se, apalpa-se, cheira-se e, em certos casos, crava-se o desconto. Não tem nada que enganar. E só se paga à saída.

José Xavier Ezequiel, 11/outubro/2011

[Texto que nos foi enviado pelo amigo José Xavier Ezequiel, a quem agradecemos, como comentário à situação descrita AQUI.]

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