sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A REVOLTA DAS FONTES (VI)

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«BRILHANTE» E «MAGNÍFICO»

Registado ontem às 17:15, só à noite pude ver este comentário, aqui no ISTO NÃO FICA ASSIM!, no qual imediatamente sublinhei e não gostaria de sublinhar só para mim estas palavras:

«Estou a divulgar amplamente o "comunicado" brilhante do Jaime Bulhosa, que sucintamente diz tudo o que é essencial»;

«E deixo também os meus parabéns à Isabel Castanheira pelo magnífico trabalho e legado que a todos nós vai inspirando (…)».

Adjectivos de aplaudir e voltar a aplaudir, por bem empregues: «brilhante» e «magnífico».

Entretanto, este receio que sempre tenho da facilidade com que nos blogues se pode passar ao largo dos comentários...

É evidente que li também os outros comentários e vir aqui em post sublinhar este, não é para dizer que se podem dispensar os «comentários». De quem preferir e quando for preferível, o meu voto é de que apareçam entre nós, os que andamos neste barco, muitos comentários. Bem precisamos. Mas…talvez os postes tenham mais impacto. Talvez… Mesmo sendo simples comentários e não mais do que isso, como no meu caso neste momento.

Terei razão?
Por exemplo, neste mesmo comentário de Sandra Simões (podia também ser um dos outros)…
Vamos reler…

Para além das referências que sublinhei, aos textos de Jaime Bulhosa e Isabel Castanheira e à sua ampla divulgação, a divulgação a que também e no mesmo dia vem juntar-se o http://blogtailors.com/, não se está a ver que muito mais longe vai este comentário?
Quero crer que finalmente e em colectivo se vai tocando nos pontos nevrálgicos.
Ainda bem!

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«DE LAMÚRIAS»

«ATÉ SE RIEM»

E este prazer de o celebrado livreiro Antero Braga, em amizade e solidariedade, nos trazer uma sua posição que imediatamente vem lembrar a que tomou numa entrevista que deu por altura da Feira do Livro do Porto?!

A situação económico-financeira está num ponto, feliz-infelizmente, que só os tolos e os loucos é que podem agora dar-se ao luxo de rir.

Evidentemente que também as crianças, esse nosso único futuro, a não ser que pertençam ao enorme grupo daquelas que a morte por fome e outras horrorosas condições de vida todos os dias nos obriga a ter vergonha da nossa impotência perante a iniquidade... Só para dizer que não se duvida de que as nossas lamúrias têm de ir para mais longe e com muita gente que por aí anda pior do que nós.

Acho que o meu lugar é o do lado dos loucos.

Acho porquê?

É assim um bocado..., podia passar à frente, mas se hoje não me arriscar a dizer o que penso, mesmo que tenha de arrepender-me num incerto amanhã, o bocado de estupidez ainda é maior, total.

Estou de acordo em que não é com lamúrias que os problemas se resolvem. Aquela das Selecções da juventude sempre a recordo com gosto: «Rir é o melhor remédio».

E agora aqui vai a razão fundamental de sentir que dizer o que penso «é assim um bocado…».

De mim para mim já venho há tempos a esfregar as mãos pelo novo mundo que está a germinar no meio da podridão. Começamos a saber que as finanças se ocultaram no conceito de economia, para a dominar em vez de servir. Que a rentabilidade a que chegou o dinheiro dá pelo nome de usura, uma actividade desde sempre considerada crime e que absorveu até limites de loucura o valor das coisas. Não há já «inter pares» o cuidado de evitar dizer publicamente que as leis estão mal feitas, que não há neste nosso mundo políticos que sejam líderes à altura. E mais e mais, mais, mais, mais… Não vai ser o meu tempo? Não vou na tristeza que infunde ler o final de A Criação do Mundo de M. Torga.

Não posso evitar este sentimento de confiança no processo da evolução que numa visão de longo prazo foi sempre positivo. As grandes crises! Cheio delas, o processo de evolução geológica, biológica, histórica!

Não me ponho a esfregar as mãos, porém, nem por ódio aos ricos nem por amor aos pobres. Uns certamente mais coitados do que outros, mas todos nós o quê, perante o nosso passado e o nosso futuro? Sei que o meu lugar neste mundo cão é absolutamente insignificante e que tudo o que eu sinta, pense, diga ou faça em nada altera a realidade. Nem preciso de ir a nenhum espelho para perceber que esta é a maneira realista de olhar para o meu umbigo.

Riam-se os ricos, enquanto o alfinete não lhes fura o balão. Eu já vi e fez-me baixar a cabeça em aprendizagem de pesada lição.

Chorem os pobres, pois o grito nem sempre nem para sempre se pode negar à dor. Não era para aqui, pois não? Pouco protocolar. Ou condizente com a natureza humana que também nós trazemos para a livraria diariamente e donde, está é verdade, depende muito do que fazemos e ambicionamos fazer? «Um livreiro não vende livros, vende muito mais…».

Deixem-me dizer quanto aprecio estas palavras:

«Compro, vendo e pago, daí que nada temo»;

E quanto respeito a sabedoria das que se lhe seguem:

«Na vida nada é eterno. Aguardar o futuro é o melhor. Grandes impérios também caem, a história prova isso.»

Mas não nos conformemos, nem nos sujeitemos, nem deixemos que os tolos ignorem que amanhã alguém se vai rir deles. Digo tolos como quem diz gente perigosa, arrogante e má, uma estirpe difusa não só entre os que governam, mas também entre os governados.

Será que me distanciei demasiado e indiscretamente do que nos diz respeito?

Talvez seja o caso, por isso vou sair e já volto com outro casaco. Até porque é meu desejo que muita gente venha ao palco e assim me retarde uma nova entrada.

M. Medeiros - Culsete

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