segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

«Faço um "mea culpa". E assino-a agora aqui, em editorial.»

«Confesso que a primeira vez que recebi a "Carta Aberta das 'Gentes do Livro'" pensei que seria mais uma das muitas iniciativas louváveis que se eclipsariam em poucos dias ou semanas. Talvez fosse pela expressão "gentes do livro", por vezes utilizada sem sentido. Recebi uma, duas vezes, e acabei sempre por adiar, deixando para depois o que devia ter feito no primeiro dia. Faço um mea culpa. E assino-a agora aqui, em editorial. Porque, ao contrário de outras, esta carta aberta veio a revelar-se uma sólida e genuína lição de solidariedade, uma homenagem sentida de centenas de livreiros, editores, escritores, bloggers, críticos, tradutores, jornalistas, professores (e tantos outros), um gesto que nos deve comover - a lista pode ser consultada em encontrolivreiro.blogspot.com. "Jorge Figueira de Sousa continua firmemente no seu posto e é para todos nós, 'gentes do livro', um exemplo de vida e uma figura que muito honra a classe profissional dos livreiros portugueses, por vezes tão esquecida, não obstante o lugar central que ocupa no que deveria ser um fundamental desígnio nacional: a promoção do livro e da leitura", lê-se na missiva enviada para a Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros, Secretaria de Estado da Cultura e Governo Regional da Madeira.
Jorge Figueira de Sousa, livreiro da Esperança (Funchal), fez 80 anos a 21 de novembro, e os signatários da carta aberta gostavam de ver o seu esforço reconhecido publicamente pelo Estado. Nada de mais justo para quem, longe de pensar em protagonismos, tem desenvolvido um trabalho notável e perseverante. A história da Esperança, fundada em 1886, é uma saga familiar que vem do tempo do seu avô, Jacintho Figueira de Sousa, passou pelo pai, José Figueira de Sousa, e continua com este homem que garante levar "165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus". Tem hoje perto de 106 mil livros, expostos em 1200 metros quadrados, neste que é "o primeiro estabelecimento comercial no Funchal e na Madeira a vender exclusivamente livros". Preocupado com o futuro, o livreiro madeirense constituiu há pouco a Fundação Livraria Esperança "para que exatamente ninguém possa querer acabar com isto", afirmou à agência Lusa, "e destina-se a distribuir livros às crianças da Madeira e Porto Santo para difundir hábitos de leitura".»

João Pombeiro
, in «Editorial», Ler, Dezembro de 2011, nº 108, p. 2.

1 comentário:

  1. que bom, é bom vermos outros que não nós (adoro dizer nós!) a perceber o sentido do movimento encontro livreiro. parabéns a todos!

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