sábado, 10 de dezembro de 2011

«Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?»


LIVROS-EL: do princípio ao fim



Livro ELectrónico é bom para ler?
Quem diz que sim levanta o braço!
Agora quem diz que não!

Livro em papEL é bom para ler?
Quem diz que sim?
Quem diz que não?

«As vendas líquidas de e-books cresceram para cerca de 50 milhões de euros em Janeiro de 2011, face aos 23 milhões de euros do mesmo período de 2010. A venda de livros de capa dura caiu de cerca de 40 milhões de euros em Janeiro de 2010 para 35 milhões no mesmo período de 2011. Títulos de capa mole caíram 30% no mesmo período». http://oml.com.pt/blogs/category/e-book/

Fora do contexto, uma citação não vem servir de resposta, vem só trazer uma chave para…
De quantos milhões de livros com «el» de livro de papel ou de livro electrónico se alimentou a leitura de Janeiro de 2010 a Janeiro de 2011?
A meu ver, para um livreiro que, lendo esta citação e o mais do antes e depois dela, queira pôr-se a discutir, a sós com os seus botões, o futuro da sua profissão, é esta uma bem melhor pergunta.

E não há que discutir esse outro assunto: «livros em papel condenados a desaparecer»?
Os e-books a precipitarem-nos no puro passado em que eles, grande malvadez!, fizeram desaparecer os livros em pergaminho & c.ia.

Em boa hora uma crónica honrosa de um dos melhores cronistas portugueses actuais, Onésimo Teotónio Almeida, escrita e aqui lida entre nós em cima do acontecimento 
(«Na primeira página do New York Times desta manhã»), traz o tema a um blogue como este do Encontro-Livreiro que por sinal até dá pelo nome de «ISTO NÃO FICA ASSIM!».
E não deixei de prestar atenção ao sentido dos comentários que suscitou.

Já noutros sítios e por várias vezes, tal como o do futuro das livrarias, este assunto do futuro do livro em papel surgira a meus olhos ou ouvidos no discurso de Onésimo Teotónio Almeida.
Futuros um e outro para nós muito importantes, sem dúvida, numa hierarquia dos muitos temas que têm de ocupar - e digamos que também preocupar - quem vive dedicado ao Mundo dos Livros e da Leitura.

Muito importantes!
E por isso é tão mais gratificante este vir ter connosco de Onésimo Teotónio Almeida quanto, sendo ele um intelectual de reconhecida autoridade, a sua reflexão nos parece e aparece como uma muita dedicada e até preocupada atenção.
Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?
Sem querer dar trabalho, mas apenas numa hipótese de gosto de comunicar com quem tem prazer e interesse em debater estes temas.

M. Medeiros

1 comentário:

  1. Meu caríssimo Manuel:
    Quando li aquele artigo, surgido curiosamente na primeira página do NYTimes, rejubilei e teclei logo aquela nota alegre a partilhá-lo. Mas não sou irrealista nem, sobretudo, bruxo. Não faço ideia de em que lado da balança vão continuar a crescer as estatísticas. Se calhar o e-book vai aumentar ainda mais as vendas. Se isso significar que mais gente vai passar a ler, óptimo. Se se tratar apenas de mudar de suporte, fico com pena porque gosto à brava de livros de papel. E por inúmeras razões. Sei que há milhares, milhões de resistentes, todavia não sei se o gosto do livro-papel morrerá com eles e as gerações vindouras passarão a desde cedo a habituar-se e a tomar gosto ao e-book, como as gerações a seguir aos papiros fizeram em relação aos livros de papel encadernado.
    Entretenho-me com a ideia de que o telefone não deu cabo das cartas, a rádio não deu cabo dos jornais, nem a TV matou a rádio. Espero só que a analogia seguinte entre e-book e livro papel caia nesta categoria e passem a coexistir pacificamente os dois, quer dizer, que não seja uma sequência análoga ao computador, que matou a máquina de escrever, ou o e-mail que está quase a matar definitivamente a carta. No caso da máquina-de-escrever, não vejo razão para saudades. Só o eliminar do ruidoso bater do teclado dá para saudar o computador. Quanto à eventual morte do livro-de-papel, desejo sinceramente nunca ter de chegar a ter saudades.
    Confesso que mais nada sei sobre o assunto.
    Um grande abraço do
    onésimo

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