segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

«Porque encerram as livrarias em Portugal?»


{Sugerimos a leitura integral do texto «Livrarias - Onde vivem os livros», de Cristina Carvalho, que aqui reproduzimos apenas em parte, com a devida vénia à autora e ao PNETliteratura, onde foi publicado hoje}.


«Locais bem cheirosos, caos organizado, confusão harmoniosa, mesas e prateleiras, estantes e escadotes, pequenos balcões onde uma pessoa, um alguém aparece atrás de respostas claras para perguntas vagas "olhe, se faz favor, procuro este livro que se chama tal e tal, do autor tal, daquela editora…" e "um momento, vou ver se tenho, é só um instante!" e enquanto o alguém vai e vem, procura e encontra ou procura e não encontra, remexemos e afagamos com o olhar os livros ali à volta, "não tenho esse livro que procura, mas…já conhece este que chegou ontem?" diz, tirando dum caixote um exemplar ainda sem destino de exposição, mas que decerto irá para o primeiro plano que a sua novidade lhe confere.


Conheço belas livrarias em belas cidades portuguesas, espaços de requintado de bom gosto, de atraentes novidades, sempre na “crista da onda” com profissionais preocupados, atentos e diligentes. Também sei - todos sabemos – do esforço que é feito para as conservar na sua digna condição. Lá se fazem encontros e se organizam conversas com escritores e autores variados, lá se confraterniza em tertúlias, lá se toca música, lá convivem as crianças em atividades de fim-de-semana, lá se passam filmes, lá se vai vivendo uma esperança de sobrevivência cultural. Também sei – todos sabemos – do encerramento de muitas livrarias, uma dor difícil de imaginar. E porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou tornar a perguntar: Porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou perguntar mais uma vez: Porque encerram as livrarias em Portugal?

[...]
 
Uma livraria é um altar de vários cultos. Uma velha (antiga) livraria é um espaço de uma dignidade incomparável na venda livros novos ou manuseados (alfarrabista). Numa boa e antiga livraria, daquelas que por essa Europa fora, em tantas vilas e cidades, são preservadas e conservadas como uma preciosa jóia duma enorme família, os leitores e amantes de livros encontram e têm garantida a paz.

É uma pena, uma dor, é algo que nos fica entalado na garganta cada vez que sabemos de mais alguma que fecha ou que tem de fechar a sua porta. E, geralmente, fá-lo silenciosamente. Fecha e está fechada! É algo que parte para sempre. Não podemos fazer nada! Imagino, posso imaginar as pessoas que as fizeram nascer ou que nelas trabalharam e investiram o seu gosto pessoal, que marcaram essas lojas com o seu estilo, que “serviram” os nossos interesses de leitura e de saber.

[...]

VIVAM AS PEQUENAS LIVRARIAS DAS CIDADES GRANDES!

Adeus, pequenas livrarias de sempre, para sempre na memória!

Cristina Carvalho, Livrarias - Onde vivem os livros», PNETliteratura


Sem comentários:

Enviar um comentário