quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Encontro Livreiro - Lugar de Esperança


Faz hoje um mês que fizemos chegar ao Livreiro da Esperança o nosso Abraço de Parabéns! 

Entretanto, preparámos este cartaz, que reproduz a mensagem de parabéns e os nomes dos subscritores da «Carta Aberta de "Gentes do Livro"», e que ficará como documento e testemunho de que, em Novembro de 2011, aconteceu um extraordinário e genuíno Encontro Livreiro que lançou sementes de esperança no futuro.

Agora que, desde há dois dias, já está nas mãos do Sr. Jorge Figueira de Sousa, divulgamo-lo aqui no blogue e, para facilitar a sua leitura, vamos enviá-lo também por correio electrónico para todos os nossos contactos e para quem no-lo solicite através do nosso endereço: encontro.livreiro@gmail.com.

Aproveitamos para desejar Boas Festas e para relembrar que o III Encontro Livreiro se realizará na tarde do dia 25 de Março de 2012, em Setúbal. Um Bom Ano!

Encontro-Livreiro
Setúbal, 21 de Dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

«Porque encerram as livrarias em Portugal?»


{Sugerimos a leitura integral do texto «Livrarias - Onde vivem os livros», de Cristina Carvalho, que aqui reproduzimos apenas em parte, com a devida vénia à autora e ao PNETliteratura, onde foi publicado hoje}.


«Locais bem cheirosos, caos organizado, confusão harmoniosa, mesas e prateleiras, estantes e escadotes, pequenos balcões onde uma pessoa, um alguém aparece atrás de respostas claras para perguntas vagas "olhe, se faz favor, procuro este livro que se chama tal e tal, do autor tal, daquela editora…" e "um momento, vou ver se tenho, é só um instante!" e enquanto o alguém vai e vem, procura e encontra ou procura e não encontra, remexemos e afagamos com o olhar os livros ali à volta, "não tenho esse livro que procura, mas…já conhece este que chegou ontem?" diz, tirando dum caixote um exemplar ainda sem destino de exposição, mas que decerto irá para o primeiro plano que a sua novidade lhe confere.


Conheço belas livrarias em belas cidades portuguesas, espaços de requintado de bom gosto, de atraentes novidades, sempre na “crista da onda” com profissionais preocupados, atentos e diligentes. Também sei - todos sabemos – do esforço que é feito para as conservar na sua digna condição. Lá se fazem encontros e se organizam conversas com escritores e autores variados, lá se confraterniza em tertúlias, lá se toca música, lá convivem as crianças em atividades de fim-de-semana, lá se passam filmes, lá se vai vivendo uma esperança de sobrevivência cultural. Também sei – todos sabemos – do encerramento de muitas livrarias, uma dor difícil de imaginar. E porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou tornar a perguntar: Porque encerram as livrarias em Portugal?

Vou perguntar mais uma vez: Porque encerram as livrarias em Portugal?

[...]
 
Uma livraria é um altar de vários cultos. Uma velha (antiga) livraria é um espaço de uma dignidade incomparável na venda livros novos ou manuseados (alfarrabista). Numa boa e antiga livraria, daquelas que por essa Europa fora, em tantas vilas e cidades, são preservadas e conservadas como uma preciosa jóia duma enorme família, os leitores e amantes de livros encontram e têm garantida a paz.

É uma pena, uma dor, é algo que nos fica entalado na garganta cada vez que sabemos de mais alguma que fecha ou que tem de fechar a sua porta. E, geralmente, fá-lo silenciosamente. Fecha e está fechada! É algo que parte para sempre. Não podemos fazer nada! Imagino, posso imaginar as pessoas que as fizeram nascer ou que nelas trabalharam e investiram o seu gosto pessoal, que marcaram essas lojas com o seu estilo, que “serviram” os nossos interesses de leitura e de saber.

[...]

VIVAM AS PEQUENAS LIVRARIAS DAS CIDADES GRANDES!

Adeus, pequenas livrarias de sempre, para sempre na memória!

Cristina Carvalho, Livrarias - Onde vivem os livros», PNETliteratura


«Há uma luz, ao fundo do túnel! Estás a vê-la?»



{Sugerimos a leitura integral do texto «Natal dos Livros», do nosso Livreiro Velho, publicado hoje mesmo no Chapéu e Bengala}

 - Há uma luz, ao fundo do túnel! Estás a vê-la? Parece que algo de bom a crise vai trazer: melhores leitores, melhores leituras.
- Bons conselhos, Livreiro Velho?
- Não será bem o que estás a pensar, julgo eu. Estás supondo que te venho com uma lista de títulos, como duas vezes por ano os jornalistas culturais gostam de fazer, uma no verão – as leituras de férias – outra no Natal – os livros que hás-de oferecer?
- Não me digas que desaprovas!
- Também não é bem isso… Deixemos as listas para tu as fazeres a teu gosto e discernimento.
- Então?

 [...]

Mas deixa-me continuar:
3.º – Vê se consegues dar uma volta por uma boa livraria que te ofereça diversidade e qualidade. Com calma.
Boas livrarias, essas? Oh! Por favor! Também tu, não! Seria de mais! Boas livrarias essas, onde há muito à vista e pouco para ver? Por favor!…
Uma hora tranquila numa boa livraria. E vais ver que, no que te digo, há uma forte razão a favor de quem sabe o que escolhe. Depois dizes-me se encontraste ou não um livro «mesmo, mesmo…»?
4.º – Já agora, para acabar: como vai a crise levar as pessoas a ler mais e a escolher melhor os seus livros?
Mais esta semana para vermos, nas livrarias também,  como vai a crise dos bolsos, a real, e a outra, a crise das cabeças, a psicológica, aquela com que, para mais facilmente nos conformarmos com o jugo, políticos e financeiros nos atacam, a culpar-nos dos seus desmandos, guerras secretas e surdas, ambições desmedidas de poder e dinheiro, onde os crimes em águas turvas são dos tais que de vez em quando vêm ao de cima.

- E será que ler mais e melhor nos vai ajudar a resistir à crise?
- Há quem pense que…
Queres ver? Por acaso ou de propósito, guardei aqui sobre a mesa para te pedir que releias agora, nesta quadra, umas palavras que sublinhei.
Penso que também as leste na altura, mas nada se perde em  as relermos por boa introdução a esta última semana do «Natal dos Livros».

Ora, o problema do colapso económico, da provável redução dos nossos luxos, pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor ( George Steiner, «A Necessidade de Ler», revista Ler, n.º 100, Março de 2011, pág. 31).

L. V.


domingo, 11 de dezembro de 2011

«Livros-EL: do princípio ao fim» - devido destaque para o imediato e substantivo comentário de Onésimo Teotónio Almeida

Meu caríssimo Manuel:
Quando li aquele artigo, surgido curiosamente na primeira página do NYTimes, rejubilei e teclei logo aquela nota alegre a partilhá-lo. Mas não sou irrealista nem, sobretudo, bruxo. Não faço ideia de em que lado da balança vão continuar a crescer as estatísticas. Se calhar o e-book vai aumentar ainda mais as vendas. Se isso significar que mais gente vai passar a ler, óptimo. Se se tratar apenas de mudar de suporte, fico com pena porque gosto à brava de livros de papel. E por inúmeras razões. Sei que há milhares, milhões de resistentes, todavia não sei se o gosto do livro-papel morrerá com eles e as gerações vindouras passarão a desde cedo a habituar-se e a tomar gosto ao e-book, como as gerações a seguir aos papiros fizeram em relação aos livros de papel encadernado.
Entretenho-me com a ideia de que o telefone não deu cabo das cartas, a rádio não deu cabo dos jornais, nem a TV matou a rádio. Espero só que a analogia seguinte entre e-book e livro papel caia nesta categoria e passem a coexistir pacificamente os dois, quer dizer, que não seja uma sequência análoga ao computador, que matou a máquina de escrever, ou o e-mail que está quase a matar definitivamente a carta. No caso da máquina-de-escrever, não vejo razão para saudades. Só o eliminar do ruidoso bater do teclado dá para saudar o computador. Quanto à eventual morte do livro-de-papel, desejo sinceramente nunca ter de chegar a ter saudades.
Confesso que mais nada sei sobre o assunto.
Um grande abraço do
onésimo
11 de Dezembro de 2011 12:42

sábado, 10 de dezembro de 2011

«Ainda há esperança para as livrarias tradicionais.»


Ainda há esperança para as livrarias tradicionais. Sempre que vou à Madeira, como fiz na semana passada, não posso deixar de ir à Livraria Esperança, bem no centro do Funchal (Rua dos Ferreiros, 119 e 156, há uma sede e uma sucursal, em frente uma da outra, a sucursal é bem maior que a sede), que é uma das maiores livrarias do mundo: tem 106 000 livros expostos em 1200 metros quadrados. Guiou-me pela velha mansão, onde de modo labiríntico, se expõem as capas de todos os livros (muitos pendurados de forma curiosa nas paredes, de modo que alguns têm de ser "pescados" com uma cana), o feliz proprietário, o Senhor Jorge Figueira de Sousa, que fez 80 anos a 21 de Novembro. A livraria remonta a 1886 e foi do avô e do pai. Como o Senhor Sousa e a sua esposa, que lá continuam a trabalhar todos os dias, não têm filhos, foi criada uma Fundação, com participação dos empregados, para assegurar o futuro da livraria. O proprietário não se esqueceu de me mostrar o belo tecto da sala onde estão os livros de história e a vista para os telhados o Funchal da sala dos livros de Direito. Os livros de divulgação científica estão ao subir das escadas, quem vai da história para o direito.

A eficiência é garantida e pude testá-la. 
[...]
Enquanto estiver o Senhor Sousa à frente da Esperança, há esperança de os encontrar pois cada livro vendido é imediatamente reposto com pedido à editora. Isto é o "Darwin aos Tiros" só deixa de haver quando se vender o último e a editora não tiver nem mais um para mandar. Só assim se consegue manter a maior livraria de fundos portuguesa.

Muitos parabéns Senhor Sousa! Por sua causa é sempre um gosto ir ao Funchal. 
[...]

«Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?»


LIVROS-EL: do princípio ao fim



Livro ELectrónico é bom para ler?
Quem diz que sim levanta o braço!
Agora quem diz que não!

Livro em papEL é bom para ler?
Quem diz que sim?
Quem diz que não?

«As vendas líquidas de e-books cresceram para cerca de 50 milhões de euros em Janeiro de 2011, face aos 23 milhões de euros do mesmo período de 2010. A venda de livros de capa dura caiu de cerca de 40 milhões de euros em Janeiro de 2010 para 35 milhões no mesmo período de 2011. Títulos de capa mole caíram 30% no mesmo período». http://oml.com.pt/blogs/category/e-book/

Fora do contexto, uma citação não vem servir de resposta, vem só trazer uma chave para…
De quantos milhões de livros com «el» de livro de papel ou de livro electrónico se alimentou a leitura de Janeiro de 2010 a Janeiro de 2011?
A meu ver, para um livreiro que, lendo esta citação e o mais do antes e depois dela, queira pôr-se a discutir, a sós com os seus botões, o futuro da sua profissão, é esta uma bem melhor pergunta.

E não há que discutir esse outro assunto: «livros em papel condenados a desaparecer»?
Os e-books a precipitarem-nos no puro passado em que eles, grande malvadez!, fizeram desaparecer os livros em pergaminho & c.ia.

Em boa hora uma crónica honrosa de um dos melhores cronistas portugueses actuais, Onésimo Teotónio Almeida, escrita e aqui lida entre nós em cima do acontecimento 
(«Na primeira página do New York Times desta manhã»), traz o tema a um blogue como este do Encontro-Livreiro que por sinal até dá pelo nome de «ISTO NÃO FICA ASSIM!».
E não deixei de prestar atenção ao sentido dos comentários que suscitou.

Já noutros sítios e por várias vezes, tal como o do futuro das livrarias, este assunto do futuro do livro em papel surgira a meus olhos ou ouvidos no discurso de Onésimo Teotónio Almeida.
Futuros um e outro para nós muito importantes, sem dúvida, numa hierarquia dos muitos temas que têm de ocupar - e digamos que também preocupar - quem vive dedicado ao Mundo dos Livros e da Leitura.

Muito importantes!
E por isso é tão mais gratificante este vir ter connosco de Onésimo Teotónio Almeida quanto, sendo ele um intelectual de reconhecida autoridade, a sua reflexão nos parece e aparece como uma muita dedicada e até preocupada atenção.
Podemos, para este nosso convívio, pedir a Onésimo Teotónio Almeida, um pouco mais do seu observar e reflectir sobre estes nossos assuntos?
Sem querer dar trabalho, mas apenas numa hipótese de gosto de comunicar com quem tem prazer e interesse em debater estes temas.

M. Medeiros

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Este é um daqueles casos em que a uma culpa se deve aplicar a consagrada fórmula: «feliz culpa!».


O que lemos na LER é «UMA SÓLIDA E GENUÍNA LIÇÃO DE SOLIDARIEDADE»

1
Ver:
- « Ler, Dezembro de 2011, nº 108, p. 2: João Pombeiro, in ‘Editorial’».
- http://encontrolivreiro.blogspot.com/

2
Se não me curvasse em muito respeito perante o que vem escrito na primeira pessoa por João Pombeiro no editorial da revista Ler – Livros & Leitores deste mês de Dezembro de 2011, perderia todo o direito de voltar a manifestar o meu empenho nas causas do livro, da leitura, das livrarias e dos livreiros. Esse direito prezo-o.
Este é um daqueles casos em que a uma culpa se deve aplicar a consagrada fórmula: «feliz culpa!».

3
A esta referência de João Pombeiro à homenagem que umas centenas de pessoas quiseram para o «Livreiro da Esperança», Jorge Figueira de Sousa, na feliz passagem dos seus oitenta anos, ajustam-se inteiramente estas palavras que dela copiei para título deste post: «uma sólida e genuína lição de solidariedade». Estamos de acordo, creio eu, todos os que subscrevemos a «Carta Aberta».

4
Genuína, porque não parte da cena final.
Esperara para ver, como sabemos que outros fizeram (embora não se possa  saber).  
Acabando por ver que era «um gesto que nos deve comover», fazia-lhe referência, respeitando, sim,  mas em estilo de repórter, não neste, tão pessoal e genuinamente solidário. 

5
Sólida, porque se afirma como desconfiança antes de vir ao convencimento. Nada mais comovente para quem à partida se arrisca a lançar uma qualquer iniciativa cuja eficácia depende da pura liberdade de outras pessoas do que este reconhecimento de quem partiu da desconfiança.

6
Daí vem uma comovente e sólida lição:
vale a pena acreditar, porque são muitos mais do cremos os que preferem o melhor.
Em muitos casos e causas bastaria que…  

7
Comovente, disse. Mas o mais comovente é João Pombeiro, na sua responsabilidade de director da Ler, vir apresentar-se como testemunha de que na iniciativa transpareceram, acima de qualquer outro sentir, um empenho e um gosto muito humanos  em que o Sr. Jorge Figueira de Sousa se surpreendesse e se sentisse feliz com este modo de festejarmos os seus anos, nós, todos os que de um ou outro modo nos entendemos como «Gentes do Livro», não querendo agora discutir o conceito, e que assim quisemos, por nossa assinatura numa carta, levar-lhe o nosso respeito, carinho e reconhecimento.

8
No dia 21 de Novembro de 2011, a meio da tarde, a voz do livreiro Jorge Figueira de Sousa, o Livreiro da Esperança, como já foi e será definitivamente distinguido, era, de facto,  a de uma pessoa feliz, de uma felicidade espontânea, transparente, simples e natural. Nenhuma melhor compensação seria tão preciosa para quantos acrescentámos um bocadinho de alegria à festa que sempre seria a passagem do seu 80.º aniversário. De novo estamos de acordo, creio eu, todos os que…

9
João Pombeiro, director da Ler: «uma genuína e sólida lição» de um criador de opinião com responsabilidades no Mundo do Livro.
Aprendida por a quem ela chegou e deve chegar?
Aprendida para levar a quê?

Livreiro Velho

[Publicado ontem no Chapéu e Bengala]

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

«Faço um "mea culpa". E assino-a agora aqui, em editorial.»

«Confesso que a primeira vez que recebi a "Carta Aberta das 'Gentes do Livro'" pensei que seria mais uma das muitas iniciativas louváveis que se eclipsariam em poucos dias ou semanas. Talvez fosse pela expressão "gentes do livro", por vezes utilizada sem sentido. Recebi uma, duas vezes, e acabei sempre por adiar, deixando para depois o que devia ter feito no primeiro dia. Faço um mea culpa. E assino-a agora aqui, em editorial. Porque, ao contrário de outras, esta carta aberta veio a revelar-se uma sólida e genuína lição de solidariedade, uma homenagem sentida de centenas de livreiros, editores, escritores, bloggers, críticos, tradutores, jornalistas, professores (e tantos outros), um gesto que nos deve comover - a lista pode ser consultada em encontrolivreiro.blogspot.com. "Jorge Figueira de Sousa continua firmemente no seu posto e é para todos nós, 'gentes do livro', um exemplo de vida e uma figura que muito honra a classe profissional dos livreiros portugueses, por vezes tão esquecida, não obstante o lugar central que ocupa no que deveria ser um fundamental desígnio nacional: a promoção do livro e da leitura", lê-se na missiva enviada para a Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros, Secretaria de Estado da Cultura e Governo Regional da Madeira.
Jorge Figueira de Sousa, livreiro da Esperança (Funchal), fez 80 anos a 21 de novembro, e os signatários da carta aberta gostavam de ver o seu esforço reconhecido publicamente pelo Estado. Nada de mais justo para quem, longe de pensar em protagonismos, tem desenvolvido um trabalho notável e perseverante. A história da Esperança, fundada em 1886, é uma saga familiar que vem do tempo do seu avô, Jacintho Figueira de Sousa, passou pelo pai, José Figueira de Sousa, e continua com este homem que garante levar "165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus". Tem hoje perto de 106 mil livros, expostos em 1200 metros quadrados, neste que é "o primeiro estabelecimento comercial no Funchal e na Madeira a vender exclusivamente livros". Preocupado com o futuro, o livreiro madeirense constituiu há pouco a Fundação Livraria Esperança "para que exatamente ninguém possa querer acabar com isto", afirmou à agência Lusa, "e destina-se a distribuir livros às crianças da Madeira e Porto Santo para difundir hábitos de leitura".»

João Pombeiro
, in «Editorial», Ler, Dezembro de 2011, nº 108, p. 2.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os salvadores do livro?

Na primeira página do New York Times desta manhã um artigo sobre o backlash, espécie de contra-ataque reactivo das editoras a ver se conseguem deter o triunfo rompante e impante do e-book [‘Selling Old-Style books by Their Guilded Covers’]. Estão agora a esmerar-se no lado livro-objecto-de-estimação e as capas, bem como todo o aspecto estético, ganham importância fundamental, já que no conteúdo, mesmo sendo idêntico tanto na edição electrónica como na de papel, perdem para a competição, o cada vez mais apelativo e-book.

Infelizmente isso fará subir o preço porque as capas de alguns vão ser quase objets d'art, no entanto as editoras prometem, na maioria dos casos, não exagerar. É só mesmo fazer com que o comprador goste de ter um livro que dê consolo ao manuseio e para que se olha com afecto.

O artigo continua numa página interior, tomando-a quase toda. Termina com uma citação de Julian Barnes que, ao aceitar em Londres o Man Booker Prize pelo seu livro mais recente The Sense of an Ending, já em português, O Sentido do Fim, que ainda não comprei mas vou mesmo comprar porque o homem lê-se com gosto, disse: Aqueles de vocês que já viram o meu livro, provavelmente concordarão que é um belo objecto. E se o livro físico, como se lhe tem agora chamado, vai resistir ao desafio do e-book, terá de ter um aspecto digno de se comprar e de se guardar.

Pois é isso aí. Quer dizer: agora é que vai fazer sentido aquele aviso da cultura anglo-americana: Don’t judge a book by its cover.

Eu, que continuo a resistir ao e-book, leio e rejubilo com esta notícia. No meio de tantas más, para além da descida da taxa de desemprego nos States, esta não pode deixar de me afagar pelo menos tanto como o sol que me entra pela janela nesta outonal e plácida manhã de domingo, de evocar aquele belo poema de Roberto de Mesquita, um dos únicos alegres dessa melancólica alma cativa.

4 do Dezembro de 2011

Onésimo Teotónio Almeida


sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

«Ataques em curso e em força às livrarias»


«A REVOLTA DAS FONTES

Nesta Época de Natal/2011 o ataque em força «dos mercados» à sobrevivência das livrarias independentes é um repolho que não se acaba de «desembrulhar». Tantas são as fitas e os laços!
Que os coelhos, as galinhas e os porcos se alegrem, que há-de haver uma folhinha de couve para cada um, apesar da crise.
[...]
Quanto a mim, eu volto. Pelo menos desejo voltar. Porque, se a revolta partir das fontes, pode confiantemente dizer-se que isto não fica assim.

L. V.


Ler texto, na íntegra, em Chapéu e Bengala.


«olhó livro! olhólivrinho! é pó meninepámenina!»

«[...]
O texto é surripiado ao Cadeirão Voltaire e serve perfeitamente.
Referências ainda no ENCONTRO LIVREIRO, que nos chamou a atenção para o assunto.
O original é da nossa amiga Isabel Castanheira, com quem nos solidarizamos e que, apesar de ter fechado a sua livraria, continua a alimentar o seu blogue CAVACOS DAS CALDAS.»


Joaquim Gonçalves, in Livreiro de Sines.

«Vale a pena ler [...] e pensar um bocadinho nas consequências das feiras do livro-cogumelo [...]»

«Vale a pena ler o texto assinado por Isabel Castanheira, que há bem pouco tempo teve de fechar as portas da Livraria 107, nas Caldas da Rainha, e pensar um bocadinho nas consequências das feiras do livro-cogumelo, que aparecem em cantos e recantos das cidades, com preços impossíveis de garantir nas livrarias e tantas vezes criadas pelas mesmas entidades que hão-de lamentar, não tarda nada, que essas livrarias tenham tido de fechar as portas.»

Sara Figueiredo Costa, in Cadeirão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Assim não há livraria que aguente!

[A REVOLTA DAS FONTES VII]


«Hoje ao abrir o meu email deparei com uma mensagem com origem na ACCCRO, a divulgar a realização de uma Feira do Livro promovida pela Associação Olha-te.

Agradeço a informação mas não posso deixar reflectir sobre a mesma.


- fechei a Loja 107 no final de Setembro deste ano, porque a concorrência não me permitia a realização de um volume de vendas que me permitisse fazer frente ao volume de despesas.


Sempre paguei os meus impostos, sempre cumpri os meus deveres para com os meus empregados, sempre paguei as quotas à Associação Comercial.

[...]

E isto depois de assistir a movimentos de pesar pelo fecho da minha Livraria. Que veracidade existirá nessas atitudes?

A principal responsabilidade cabe às Editoras / Distribuidoras que participam nestas acções, em concorrência directa com quem exerce o comércio livreiro no seu dia a dia.

Nada tenho contra as Associações que prestam o seu serviço cívico. Também presto voluntariado em associações de carácter humanista.

[...]

Assim não há livraria que aguente!

[...]

Mas a mim, ainda me dói muito o fecho da minha Livraria....»


E há que divulgar, divulgar, divulgar...

Referências:
Cadeirão Voltaire
Livreiro de Sines
Chapéu e Bengala