sábado, 15 de dezembro de 2012

Bons Encontros! Boas Leituras! Boas Festas!



DIA DE NATAL
25 de Dezembro
DIA DAS LIVRARIAS
30 de Novembro

Mas, tal como é Natal sempre que um Homem quiser, 

Dia das Livrarias é sempre que um Leitor quiser.

NÃO ESQUECER NUNCA

Todos os dias são bons para visitar uma livraria, 
um lugar de muitos encontros. 
Não permita que as livrarias se transformem numa
 «espécie em vias de extinção».

BONS ENCONTROS! BOAS LEITURAS! BOAS FESTAS
!

são os votos do
Encontro- Livreiro


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Anda por aí na nossa sociedade uma pandemia a empobrecer-nos de bons leitores.

Livrarias independentes? Significando pequenas livrarias com carácter tão tradicional como o das mercearias que fecharam arruinadas pela invasão das grandes superfícies?
Há neste caso das livrarias um factor que exige atenção: o comércio do livro foi desde sempre muito prejudicado, e sob vários aspectos, ao ser entendido e entender-se a si próprio nessa boa qualidade de comércio lojista praticamente igual ao da mercearia. O específico não contou o suficiente para, inclusive, a livraria ser devidamente rentável e avançar por esse país dentro, acompanhando a alfabetização. Ao evoluírem as pessoas não se recusam a ler, pelo contrário. Algo falhou.
Há ou não um específico carácter da livraria que possa servir de ponto de partida para uma afirmação de que, ao contrário das mercearias, as livrarias independentes continuarão a ser necessárias?
O que se pode avançar, como análise teórica e prática, para chegar sobre o futuro a um olhar que se não queira nem catastrofista nem utópico?
O futuro das livrarias independentes só pode ser assegurado por leitores e livreiros com bons níveis de leitura.
Neste momento?
Não vale a pena fugir ao que se vê e se sabe.
Em estado embrionário apenas, uma tomada de consciência da exigente competência do livreiro.
Mais embrionário ainda o movimento de solidarização dos livreiros, sendo que esta é decisiva para a sobrevivência de cada um. O «cada um por si e deus por todos» continua firme, mas seria fatal não o vencer e rapidamente.
E quanto aos leitores?
Ou muito me engano ou estamos numa situação muito crítica com a nossa massa crítica. Venha cada um dizer-nos o que consigo se passa.
Os nossos leitores categorizados não estão a conseguir ler quase nada, salvo raras excepções. Porquê? Anda por aí na nossa sociedade uma pandemia a empobrecer-nos de bons leitores. Excluo os que podemos de algum modo reconhecer como intelectuais? Pelo contrário, é sobretudo a eles que desejo encarecidamente pedir resposta à pergunta: «o que se passa convosco». Ninguém melhor do que os intelectuais sabe o que deve ler, mas do que lhe anda a escapar não sabe só ele. É impossível no que se lê e se ouve não perceber as falhas.
A crise vai melhorar a situação? Lembremo-nos daquela entrevista de Beata Cieszynska e José Eduardo Franco a George Steiner que a Ler publicou no seu n.º 100:

O problema do colapso económico pode ter consequências muito boas. Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor.


L. V.,
Papel a Mais

... e porque uma livraria não existe sem livreiros


Amanhã [texto publicado ontem no blogue da Pó dos Livros] é o Dia das Livrarias e porque uma livraria não existe sem livreiros:

Livreiros?... Quando digo “livreiros” não me refiro às pessoas que casualmente ou temporariamente vão vendendo livros um pouco por toda a parte (sem qualquer tipo de desconsideração para com estas). Os livreiros, e eu conheço alguns, são aqueles que adoram livros, conhecem muitos livros e lêem outros tantos, mas são sobretudo aqueles que, por passarem tanto tempo manuseando livros, se começam a confundir com eles. São como os casais, cujo fácies, após tantos anos de casamento, se assemelha. – Estão a ver? Um livreiro é praticamente um livro, ou melhor, bocadinhos de muitos livros. Não dos novos, os de quinze minutos de fama, mas daqueles com folhas amareladas, fechadas que se abrem com uma faca especial e que fazem comichão no nariz, do pó que levantam. Daqueles que as traças (mais conhecidos por peixinhos-de-prata) sabem que são melhores para alimento, ou que, como dizia George Orwell, os tais onde as moscas azuis escolhem para morada eterna. Os livreiros, porque já não se vendem, só raramente se encontram nas prateleiras das livrarias. Porém, quando os encontramos, dificilmente passamos sem os consultar. Se os abrimos a surpresa é grande: cheios de histórias para contar, deles, dos outros e dos livros. Pode ser uma pequena estória, um diálogo que ouviram, um poema que leram, um aforismo muito antigo, lido e repetido em tantos livros que deixou de ter dono e passou a ser deles. Normalmente são cultos, não tanto pelo que lêem, embora leiam muito; mas muito mais pelo que ouvem. - Só provavelmente num confessionário ou num bar se ouve mais. Os livreiros são aqueles que melhor têm a noção da futilidade ou da importância dos livros. Sabem que os livros também são uma mercadoria que se compra e se vende e de que eles próprios, livreiros, fazem parte. Os livreiros são livreiros porque têm uma dupla finalidade, uma delas é pública, a outra é, muito secretamente, pessoal. A pública é a de vender livros, incentivar a leitura e divulgar o livro, fazendo-o ao partilhar com os outros as suas próprias leituras, organizando tertúlias, eventos literários, cursos, etc. A outra, como dizia um editor meu conhecido, no fim da sua vida: «Eu errei sucessivamente de profissão, o que eu queria era estar junto dos livros para poder ler o que me apetecesse.»

Jaime Bulhosa - Pó dos Livros

DIA DAS LIVRARIAS - 30 DE NOVEMBRO


Numa organização da Associação de Livrarias de Espanha, que conta com o apoio do Colégio de Escritores desse país, assinala-se no dia 30 de Novembro o Dia das Livrarias.

A Fundação José Saramago, em parceria com o movimento Encontro-Livreiro, transporta esta ideia para Portugal e convida todos os livreiros a associarem-se a ela, fazendo do dia da morte de Fernando Pessoa um dia de vida, para que as livrarias se encham de visitantes, contrariando a tão real crise que leva tantos a temer o fecho iminente desses espaços de cultura.

Todos os livreiros estão convidados!

Na página da Fundação José Saramago, em http://www.josesaramago.org, e no blogue do Encontro-Livreiro, em http://encontrolivreiro.blogspot.pt, apresentaremos os nomes de todas as livrarias que se associarem a esta ideia, bastando para o efeito enviar um e-mail de adesão para os seguintes endereços info.pt@josesaramago.org e encontro.livreiro@gmail.com.

Deixamos, em seguida, o texto da Associação de Livrarias de Espanha, um manifesto que acolhemos como documento orientador para este que queremos que seja o primeiro de muitos Dia das Livrarias, e um cartaz da Fundação José Saramago com um texto do Escritor, que sintetiza os princípios que nos guiam, e que disponibilizamos para que os que assim o entenderem o coloquem nos seus espaços, físicos e virtuais.

Todos os dias são bons para visitar uma livraria.
Não permita que as livrarias se transformem numa «espécie em vias de extinção»!

A todos um abraço!

Manifesto da Associação de Livrarias de Espanha

Cartaz Dia das Livrarias [1]  PDF - JPG
Cartaz Dia das Livrarias [2]  PDF - JPG

Livrarias que nos comunicaram adesão e participam na difusão deste evento:

Culsete - Setúbal
http://chapeuebengala.blogspot.pt/2.html
Assírio e Alvim - Lisboa  
http://livrariasassirio.blogspot.pt/
GATAfunho, loja de livros - Lisboa  
https://www.facebook.com/pages/GATAfunho-loja-de-livros/176437035760394
A das Artes - Sines 
http://adasartes.blogspot.pt/
Traga-Mundos - livros e vinhos, coisas e loisas do Património Mundial - Vila Real
http://www.traga-mundos.blogspot.pt/
Letraria - Miraflores
https://www.facebook.com/pages/Letraria/153863654641975?ref=ts&fref=ts
Livraria Esperança - Funchal
https://www.facebook.com/
Fonte de Letras - Montemor-o-Novo
http://fontedeletras.blogspot.pt/ 
Pó dos Livros - Lisboa
http://livrariapodoslivros.blogspot.pt/
Círculo das Letras - Lisboa
http://livrariacirculodasletras.blogspot.com/
Livraria Arquivo - Leiria
http://www.arquivolivraria.blogspot.com/
Livraria Pátio de Letras - Faro
http://leyanopatiodeletras.blogspot.pt/
Livrarias Leya - Lisboa, Aveiro, Massamá, Porto, Coimbra, Alcochete, Viseu, Funchal
http://www.leya.com/gca/index.php?id=118
Sítio do Livro - livraria online
http://www.sitiodolivro.pt/pt/livraria/
Livraria da Universidade Católica - Lisboa
http://www2.ucp.pt/site/custom/template/ucptpl_livrhome.asp?SSPAGEID=1513&lang=1
Livraria In Folio - Angra do Heroísmo
http://www.facebook.com/infoliolivraria
Livros e Companhia - Marinha Grande
www.facebook.com/livros.e.companhia
Livraria Escriba - Cova da Piedade, Almada
http://www.livrariaescriba.pt
Livraria Lello / Prólogo Livreiros - Porto
Livraria Ler - Lisboa
https://www.facebook.com/pages/Livraria-Ler/194305687279372?ref=ts&fref=ts 
Livrarias Leya - online
http://www.leyaonline.com

Livraria Letra Livre - Lisboa
http://www.letralivre.com 
O Bichinho de Conto - Óbidos
http://www.obichinhodeconto.pt/
Livraria Poetria - Porto
http://www.livrariapoetria.com/
Ler Devagar - Lisboa
http://www.lerdevagar.com/
Tertúlia de ebooks - online
http://tertuliadeebooks.com
Cumes Literários - Lisboa
http://www.cumesliterarios.pt/site/
Paperzone - Lisboa 
www.paperzone.pt
PNETlivraria - online
http://www.pnetlivraria.pt



Faz favor de entrar!



30 de Novembro é o nosso dia, o Dia das Livrarias.

É também um dia de todos os leitores, dos que nos visitam frequentemente e dos que só de vez em quando podem aparecer.


Um dia em que as portas abertas das livrarias são um convite à simpatia mútua entre os livreiros e um público apreciador da função das livrarias numa sociedade que se quer mais culta através da leitura.

As livrarias estão abertas para difundir o livro e a leitura.

No Dia das Livrarias, entrar numa livraria é simultaneamente um acto de culto ao livro e uma tomada de consciência de quanto a ele devemos.

A livraria guarda o segredo dos livros que são nossos.


Faz favor de entrar!


Livreiro Velho [Adaptação do espanhol (http://www.diadelaslibrerias.es/). Também em Chapéu e Bengala.]

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

E neste caso coincide ser Dia das Livrarias a 30 de Novembro.



Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se. 
A morte-merdeira não tem atenuantes. A puta infame tem quanto muito coincidências. E neste caso coincide ser Dia das Livrarias a 30 de Novembro. 
Acho que sei quem saberia rir da coincidência. E brindo a isso.

João Pacheco

Acabado de publicar no site da Fundação José Saramago com a seguinte nota: «E não é que Fernando Assis Pacheco se juntou à festa do Dia das Livrarias, com a ajuda do filho João? Aqui vai a mensagem que o João Pacheco nos escreveu. Com saudades, todos.»

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

«Viemos para ficar, apesar do contexto»


LIVRARIA TRAGA-MUNDOS: 1.º ANIVERSÁRIO

Dar parabéns a António Alberto Alves pela sua Traga-Mundos e apoiar a divulgação do que ontem e hoje nos veio dizer no seu blogue.
Tomo isto por minha obrigação. Podia aduzir vários motivos. Só a um, para que o destaque, vou invocar e em forma de pergunta: porque é que, se uma livraria fecha, as bandeiras são hasteadas, naturalmente que a meia haste, e quando uma livraria nasce ou vem assim confirmando num 1.º aniversário a validade do seu projecto e a decidida vontade de persistir não há bandeira no alto, nem sequer uma palavrinha em pequena notícia? Será que ainda abrem livrarias e livrarias que persistem nos seus projectos tão comerciais quanto culturais?
Parabéns, colega!
E obrigado!
Pela sua capacidade de acreditar no seu projecto e no seu trabalho.
Por nos agradecer os nadas.
E muito por nos dizer: «Viemos para ficar, apesar do contexto».

Livreiro Velho

1 ano de Traga-Mundos: mudamos o verbo ao conceito inicial – de “queremos” para “estamos”...


«1.º Aniversário da Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro em Vila Real

5 de Novembro de 2011 a 5 de Novembro de 2012


1 ano de Traga-Mundos: mudamos o verbo ao conceito inicial – de “queremos” para “estamos”...

queremos [estamos a] construir uma referência quando se pensa na região de Trás-os-Montes, nomeadamente do Alto Douro Vinhateiro, seus autores e cultura, vinhos e tradições, produtos e artesanato...»...

A 5 de Novembro de 2011 abrimos a porta pela primeira vez na Rua Miguel Bombarda 24 – 26 – 28, em Vila Real sem qualquer evento de inauguração – sem qualquer apoio das instituições responsáveis pela cultura nesta cidade nem da Região do Douro e sem direito a qualquer notícia na imprensa local. É de nossa natureza: não apregoamos mais do que temos e/ou não divulgamos mais do que realmente fazemos. Ao longo deste primeiro ano demos prioridade ao trabalho de consolidar o nosso espaço e a nossa oferta, segundo os objectivos que traçamos inicialmente:

[...]

Viemos para ficar, apesar do contexto de generalizada crise económica – continuando sem qualquer apoio das instituições responsáveis pela cultura nesta cidade nem da Região do Douro.

No dia 5 de Novembro de 2012, uma segunda-feira, também iremos abrir a porta, como todas as segundas-feiras e como todos os dias – sem qualquer evento. Os clientes e amigos serão sempre bem-vindos e serão acolhidos com a habitual simpatia, como todos os dias que abrimos a porta. Para Novembro e Dezembro, para além dos eventos já periódicos, temos alinhavado mais algumas iniciativas – que a seu tempo anunciaremos. No(s) próximo(s) ano(s) iremos continuar...

A todos os clientes e amigos, que nos apoiam e incentivam, os nossos reconhecidos agradecimentos.

António Alberto Alves

Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com»


Parabéns, Traga-Mundos!
Parabéns, António Alberto Alves!

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pedro Vieira vence Prémio PEN Clube Primeira Obra


O Prémio PEN Clube Primeira Obra acaba de ser atribuído a 

Última Paragem, Massamá, de Pedro Vieira. 

Parabéns ao autor e à editora!

Li-o de um fôlego e com muito prazer quando saiu. Adivinhava há muito que o Pedro Vieira, o irmão que conhecera nos afazeres livreiros (sim, não esqueceremos nunca que o Autor Pedro Vieira foi – é, para sempre! – Livreiro, de tão variadas experiências magnificamente retratadas em muitos dos textos do «Irmão Lúcia»), apenas adiava o momento de começar a oferecer-nos os livros que guardava, que guarda, dentro da sua multifacetada oficina criativa.

Mando daqui um abraço fraternal ao Pedro, um parceiro comprometido, desde a primeira hora, com este ponto de encontro das gentes do livro. Não esquecemos que são dele os cartazes do Encontro Livreiro, tendo-o também, no ano corrente e apesar da sobrecarregada agenda, enriquecido muitíssimo com a sua presença física e participação activa.

Luís Guerra
[ em nome pessoal e do Encontro-Livreiro ]

«Com dois anos e meio este mais novo livreiro do mundo demonstra que a continuidade da «espécie» está assegurada!!!»


I
Antes de mais, documentar fotograficamente. Aqui está ele, o mais novo livreiro do mundo, fotografado em 24 de Março deste ano de 2012, dia em que fez dois anos. Em 24 de Outubro, por conseguinte, passou a ter dois anos e sete meses. Dois dias depois ingressou objectivamente na profissão de livreiro ao fazer uma venda de sua inteira responsabilidade e tão bem sucedida como e quanto se verá na história inteiramente verídica que se vai contar só por graça ou talvez nem só.

II
O Livreiro Velho que esta história vem lançar na blogosfera, sendo que se considera um discípulo de Espinosa ainda que humílimo, não pode gostar de profecias. Não se convence de que a profissão de livreiro esteja em extinção. Razões, isso sim, apenas para ver a profissão em processo de mudança, quer por adaptação quer por aperfeiçoamento. Do baixo estatuto a que tem estado votada, poderá passar a profissão com exigências de alto nível. Isso acontecerá muito naturalmente logo que chegue ao fim a era das tradicionais mercearias de livros, cujo desaparecimento é indispensável para que tal se torne viável. Quando o livreiro, numa das livrarias que serão as únicas livrarias de então, for um perito indispensável, enquanto leitor preparado para o apoio ao público, quantos livreiros haverá, que preparação lhes será própria e que reconhecimento quer de autoridade quer de remuneração lhe virá da sociedade?
Não se está falando de outro, mas do público que cultiva e mais terá de cultivar a leitura em necessidade ou gosto de construir biblioteca própria.
Havendo cada vez mais livros e sendo cada vez mais necessário escolher e sendo cada vez mais necessário acertar e sendo muito bom não só encontrar como também dar-uma-vista-de-olhos-antes-de…
Um cuidado aqui se toma com não reduzir o conceito de apoio ao de aconselhamento. É muito cativante o saber e arte do bom conselho e a sua aceitação. Apoiar leitores e leitura, porém, é e deve ser muito mais.
Razões contra as profecias? É que a inteligência nem está em perigo de se perder nos novos suportes da escrita nem estão por perder-se as eternas e ricas vantagens da leitura em suporte livro. E de qualquer modo a grande questão não é a do livro, mas a da leitura. Também em crise?
O problema da leitura, sendo o problema do livreiro, assegura-lhe um mais que duradouro futuro, porque a expansão da Noosfera é irreversível e ler é-lhe intrínseco. Também de Teillard de Chardin humílimo discípulo...

III
E então a história do «livreiro mais novo»?
O Manuel Henrique veio mais cedo do infantário porque apareceu com febre. Por um bocadinho à espera da mãe teve de ficar na livraria com a avó que o sentou no seu colo enquanto ia conversando com o Sr. Valério. Pedida que lhe foi a ela uma ajuda para a escolha de um livro a oferecer a uma criança, o Manuel Henrique, que desde sempre andou pelo cantinho dos livros infantis, seguiu-a. Percebeu logo do que se tratava. Várias sugestões apresentando a avó e já o Manuel Henrique a chamar a atenção para um dos livros da Série Madagáscar. Deixar o cliente a apreciar e escolher, ir continuar a conversa interrompida. No cantinho dos infantis, ficam cliente e «livreirinho», este insistindo na sua sugestão com o argumento de que conhecia a história e era bonita. Depois também se afastou, mas por pouco tempo. Voltando, ao ver que o cliente ainda não se decidira, levantou o livro e exclamou: «Madagáscar! Madagáscar». Pronto, cliente decidido! Ao vir para pagar, «levo este», um diálogo: «que idade tem este menino?» «Dois anos e meio». «Se a história o encantou, vai também agradar a outra criança». O Manuel Henrique estava tão consciente de que efectuara uma venda que quis que fosse ele a receber o dinheiro. Sabia da profissão. Tinha aprendido. Ele, a prima e o irmão – cinco e quatro anos - desde quando se habituaram aos livros e quantos já «leram», tanto acompanhados como sozinhos? E não só. De há uns tempos para cá, além de irem por hábito ver livros no cantinho próprio, puxam cadeiras para junto do balcão, sobem e brincam a vender. As pessoas acham muita graça. Desta vez aconteceu. As coisas foram mais longe. Com dois anos e meio este mais novo livreiro do mundo demonstra que a continuidade da «espécie» está assegurada!!!

L. V., «O mais novo livreiro do mundo», Chapéu e Bengala