quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

«Que ideia? O sector livreiro apanhado pela crise? Se já lá estava...»


FEVEREIRO DE 2012: MAIS DESENCANTO?

Para muita gente o ritmo dos meses conta muito. Pode até dizer-se que para muita gente é o que mais conta. Mais do que o ritmo dos anos, das semanas, das estações. As contas ao mês, é o que é!
- Aonde vais querer chegar com essa conversa?
- Eu a querer chegar a algum lado? Sozinho? Eu? De modo algum!
- Mas alguma estás a querer dizer…
- O que mais me impele a abrir o postigo é perguntar, mais para mim do que para mais alguém:
Fevereiro: outro mês de desencanto?
Porque a andar de roda é como vejo andar as gentes que vão passando por estas encostas e pelos vales que daqui se avistam e se vê que não foram cultivados no tempo propício. Sobre os problemas que já havia, chovem de todos os lados problemas e mais problemas. Anda muita gente à roda deles, mas ninguém dispara o tiro que indique a direcção de um caminho para as soluções.
- Estás a falar do sector livreiro?
- Que ideia? O sector livreiro apanhado pela crise? Se já lá estava…
- Mas melhora ou piora?
- Steiner disse que... Disse até mais, na entrevista publicada na Ler n.º 100:
«Mas não se pode ter medo do futuro. Ter medo do futuro é suicida, uma espécie de suicídio intelectual».
Gostava de saber se muitos de nós damos algum crédito a estas palavras e também a estoutras que antes delas ia eu em citar:
«Quando as coisas estão mal, muito mal, as pessoas começam a ler com seriedade, a ler melhor».
- E tu acreditas nisso?
- Não digo que sim nem digo que não. Será que com a loucura provocada pelo ruído da crise muita gente vai ficar lúcida? Ao ponto de, para não enlouquecer ainda mais, se decidir a fechar os noticiários e a abrir um livro que encante, liberte, esclareça sobre como vamos sair desta, todos e cada um de nós?
Janeiro não deu para ver.
E Fevereiro?
Ter medo do futuro é suicídio:
Pode ser que este novo e segundo mês do ano comece com uma vaga de frio, mas acabe por escrever uma página que nos anime, se a procurarmos, encontrarmos e lermos.
Será que as pessoas irão andar menos às compras, ficando assim com algum tempo para passarem pelas nossas livrarias?
A descoberta dos livros que merecem ser lidos!
«Ler com seriedade»!
«Ler melhor»!

L. V.
«Disparar: "ler com seriedade" - "Ler melhor"», publicado hoje em Chapéu e Bengala.

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