quinta-feira, 29 de março de 2012

«Eu tenho muita esperança no futuro da leitura e do livro, penso que nunca se parará de ler.»


Caríssimos,

antes de mais, muito obrigada por esta oportunidade, uma ideia excelente! O facto de viver no estrangeiro impede-me de estar presente em iniciativas deste género, em Portugal, o que lamento imenso.

Mas vamos ao tema:

Eu tenho muita esperança no futuro da leitura e do livro, penso que nunca se parará de ler. Temos necessidade de sonhar, conhecer novas experiências e sentirmo-nos na pele de uma outra personagem, entre outros aspectos. Por acaso, ainda hoje li uma frase interessante, da autoria de Alberto Manguel, no blogue "O Cheiro dos Livros" do tradutor José Fallorca:

«Ler é um trabalho de memória que nos permite, através das histórias, desfrutar da experiência passada de outros como se fosse nossa.»

Já quanto ao futuro da livraria, é mais complicado. Depende de se os livros convencionais conseguirão conviver lado a lado com os electrónicos e, se sim, durante quanto tempo. Todos receamos o desaparecimento dos livros em papel, mas ainda não estou certa se se trata de um receio legítimo, ou, apenas, da normal insegurança de vermos desaparecer algo que considerávamos perene. Eu diria que quem tem mais de 20 anos não imagina um mundo sem livros convencionais. Mas que dizer das crianças que crescem com "ebooks"?


No caso de os livros em papel desaparecerem por completo, eu teria uma sugestão a fazer que, além do mais, resolveria o problema da pirataria: transformar as livrarias em fóruns, onde qualquer um poderia surgir com o seu "e-reader" e, a troco de pagamento, descarregar os livros que pretendesse. As livrarias seriam os únicos locais onde isso seria possível, tendo, naturalmente, a sua componente "online". Claro que proliferariam as livrarias exclusivamente "online" (o que, aliás, já está a acontecer). A fim de chamar clientela às livrarias "físicas", talvez elas continuassem a ter à disposição alguns livros convencionais, raridades, que se tornariam em verdadeiras peças de colecção. Além disso, poderiam igualmente continuar com iniciativas destas: discussões, palestras, ou outras actividades relacionadas com o livro, não esquecendo apresentações ou outros eventos, em que os escritores estariam presentes. Num mundo que se adivinha cada vez mais virtual e electrónico, penso que será cada vez mais atractivo possibilitar o contacto ao vivo com os escritores.

Lamento dizer isto, mas, na minha opinião, as livrarias convencionais, como hoje as conhecemos, irão desaparecendo. Para muita tristeza minha. Mas penso que o processo será inevitável.

Cumprimentos,

Cristina Torrão

[Mensagem de quem, não podendo ir a Setúbal, também quis participar no III Encontro Livreiro]

Sem comentários:

Enviar um comentário