sábado, 10 de março de 2012

A IMENSA OPORTUNIDADE

«ACHAS PARA UMA FOGUEIRA QUE ILUMINE E AQUEÇA A ESPERANÇA»
(5)

As «nossas» (?!) profecias sobre a extinção das livrarias e também sobre a morte do livro não podem, nas suas projecções extensivamente fundamentadas, ser omissas sobre o que sucede/sucederá com a leitura. De outro modo fica-se com a sensação de que agora é que estamos a chegar ao mundo em que nascemos e por isso ainda só vemos em horizonte de berçário.
Livros, sim. Livrarias, sim; mas muito menos para imortalizar escritores ou eternizar editoras e livrarias do que para servir a causa da leitura. Há/houve/haverá Gentes do Livro vivendo do livro. Mas não é aceitável andarem em circuito fechado. Eficácia na defesa do livro ou da livraria exige a consciência de que o consumo do livro, o fundamental consumo, se chama LEITURA.
Uma percentagem muito pequena do nosso grande mundo é que já chegou ao livro ou o livro se lhe chegou. Sempre por sempre!
O nosso mundo-leitor é um mundinho! Nunca passou dum mundinho.
O mundo ou universo de leitores vai ampliar-se ou reduzir-se ainda mais na perspectiva do que vai sucedendo com as novas condições de difusão da obra escrita? Como se vai reflectir toda esta problemática quer no que diz respeito à edição do livro em papel quer à sua comercialização?
Porque se me disserem que estamos a perder leitores e não se quiser olhar para a imensa oportunidade que é a descoberta do benefício e do prazer da leitura por tão grande percentagem da população que nem por livrarias nem por supermercados nem por internet chegou ao livro, ficarei…
Não sei como ficarei!
Se me disserem…
Se não se quiser…
- Mas não é isso o que tem de ser feito pelo Plano Nacional de Leitura?
- Podemos voltar a falar disso, podemos!
Posso até adiantar, em cara e cruz, uma proposta de discussão:
- No Plano Nacional de Leitura como se entendeu/entende o papel do comércio livreiro numa política de desenvolvimento da leitura?
- O comércio livreiro como discutiu, desde 2006, o seu papel no Plano Nacional de Leitura, primeiro em sua própria casa e depois publicamente nos areópagos da política e da competência?
Ainda se vai a tempo de discutir? Ainda vai valer a pena?

Livreiro Velho
Setúbal, 4 de Março de 2012

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