quinta-feira, 12 de abril de 2012

ouvirmos as opiniões e experiências uns dos outros, de forma a repensarmos estratégias conducentes à sobrevivência e dignificação do livro, do livreiro e do editor.

                                                          João Frada no III Encontro Livreiro

Caro Luís Guerra,

Parece-me que o objetivo deste Encontro era mesmo isto: ouvirmos as opiniões e experiências uns dos outros, de forma a repensarmos estratégias conducentes à sobrevivência e dignificação do livro, do livreiro e do editor. Acho que daquilo que lá foi dito, joeiradas algumas considerações, histórias e experiências sem reflexos ou consequências sobre o dito objetivo em causa, podemos estabelecer uma ou duas conclusões ou ilações:

1. Não há neste momento nenhuma Associação (de editores, livreiros, tradutores, designers e gráficos) que assuma e defenda a bipolaridade fundamental ao equilíbrio e contenção de monopólios desenvolvidos por grandes grupos livreiros. Respeitamos a existência destes grupos, que têm sabido garantir a continuidade da produção do livro  através  de uma união de esforços, sem a qual muita contribuição editorial teria periclitado, mas entendemos que eles não representam todo o mundo do livro em Portugal. E esse equilíbrio, garantido por um outro pólo que falta no mercado livreiro, onde se congreguem livrarias, editoras e demais organismos e interventores na produção e comercialização livreira, cuja ação ainda se situa fora dos mesmos grandes grupos editoriais,  podia assegurar  “mecanismos” para harmonizar custos de produção, distribuição e até de vendas, conquanto fosse criada no seu seio (de tal Associação), entre outras respostas, uma espécie de órgão especializado em definição de tabelas de custos gráficos e de preços de venda comercial. Havendo concorrência, há possibilidade de produzir e colocar no mercado livros mais baratos e mais acessíveis ao leitor, nesta época de crise e austeridade que também toca o livro e se adivinha duradoura.

2. Com preços mais competitivos, com possibilidade de negociação mais facilitada por se tratar de uma Associação, especialmente, defensora dos interesses de livreiros editores, é possível ponderar-se em projetar livros de língua Portuguesa a menor custo e com a possibilidade de maior impacto comercial em todos os espaços e eventos permanentes ou temporários, dentro e fora do País. Um organismo criado e tutelado por essa Associação poderia por exemplo coordenar todas as ações de divulgação, colocação e venda de livros, onde quer que fosse. E sempre que estas se processassem fora do País, caberia apenas aos livreiros/editores diretamente interessados na venda e divulgação das suas obras custear os respetivos gastos com transporte (através de distribuidora ou por outra qualquer via), logística e exposição no local de venda (feira ou outro evento afim), mas sempre sob a coordenação da mesma Associação. Os mecanismos e as cautelas jurídicas necessárias à definição das ações da mesma Associação teriam de ser avaliados e definidos por especialistas nesta área.

4. Muitas são as opiniões sobre a realização das Feiras do Livro. Há vozes discordantes e outras concordantes. Mas, como pelos vistos prevalecem as concordantes, e as Feiras se vão realizando em Lisboa, no Porto, em Coimbra, etc., criem-se as condições ideais para que os visitantes possam usufruir leitura, espaço e tempo lúdicos, enquanto passam os olhos pelos expositores de livros disponíveis nestes eventos tão agradáveis.     
Face às condições atmosféricas frequentemente adversas observadas durante a Feira do Livro de Lisboa (frio, calor e/ou chuva), que, lamentavelmente, se repetem todos os anos naquele espaço aberto do Parque Eduardo Sétimo, sem o mínimo de proteção para o visitante, potencial comprador e dinamizador deste evento, sugere-se que tal evento, de uma vez por todas, se realize em pavilhão ou  recinto coberto, aberto ao público, a fim de se evitarem aqueles transtornos e de não se comprometer o sucesso de vendas, tão importante para a sobrevivência do mundo do livro.

Bem, meu caro Luís, talvez houvesse mais considerações a fazer, mas creio que tu próprio, sempre atento e com um sentido bem ponderado "destas andanças", és capaz de acrescentar outras mais sugestões úteis a este "Movimento de Solidariedade e Rejuvenescimento do Livro, do Livreiro e do Editor em Portugal".

Um abraço muito cordial. 

João Frada 
[Autor e Editor (Clinfontur)]

E gostei muito de conhecer o Manuel Medeiros e a família dele. A livraria Culsete, essa, é um espanto, um verdadeiro "Ex-Multilibris".

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