quinta-feira, 24 de maio de 2012

«A semente tem de ser espalhada e não concentrada.»



«[…] Ao longo de mais de uma década de livreiro, o que, nos dias de hoje, é obra!, proporcionei a proximidade entre autores e leitores, ouvintes, apreciadores, nas diversas artes, especialmente a da Literatura. Sempre com muita, mas mesmo muita generosidade dos autores. Editoras e departamentos de marketing à parte.
Ouvi palavras [de apreço e contentamento pela possibilidade de contacto com os leitores] de autores que hoje se passeiam pelos 4 cantos do mundo em conferências, apresentações, etc. Que bom para eles!
Lamentavelmente, a alguns deles, subiu a fama à cabeça. A outros, apesar da notoriedade, não. E continuam a oferecer-nos o grande sorriso da amizade e o sacrifício da disponibilidade. Sacrifício, sim, porque esta coisa de escrever tem que se lhe diga. Não basta carregar no “botanito”!
Lamentavelmente, ainda, esses tais serviços de marketing, comandados pelas Editoras, só vêem coisas grandes: superfícies, cadeias, etc., esquecendo-se que Grande é o povo. E o Povo está em todo o lado, mas espalhado. A semente tem de ser espalhada e não concentrada. O vaso que a acolhe, na província (sim, província e cada vez mais!) são as livrarias, serviço público não reconhecido estrafegado até à medula. São a montra de quem as estrafega.
[Caro Autor disponível para o contacto com os seus leitores em livrarias fora dos grandes centros] espero que não mude a sua maneira de estar no mundo e cá o espero, um dia, no modesto vaso que é a livraria A das Artes, em Sines.»

Livreiro de Sines
Adaptação de um comentário no blogue http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/126367.html

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