quarta-feira, 15 de agosto de 2012

«IREMOS CONTINUAR»




Foi o nosso e-mail do Encontro Livreiro que me trouxe à notícia e reportagem do livreiro António Alberto Alves sobre o assalto de sábado à sua livraria Traga-Mundos. Creio que posso tirar daí argumento para, pedindo licença, vir em «Isto não fica assim» saudar o meu colega por terminar o seu post de alto nível de comunicação com um «iremos continuar».

O assalto foi sábado, mas o post é de hoje, 13 de Agosto. Em 13 de Agosto de 1974, em últimos dias da nossa Feira do Livro integrada na Feira de Sant’Iago, a Culsete sofreu o seu segundo assalto no seu primeiro ano de actividade, um início de actividade bem difícil, dada as responsabilidades assumidas, não apenas de continuar na medida do possível com o projecto cultural da Culdex, S.A., mas… e… mas... de pagar as suas dívidas a troco de um activo que de imediato era de um enorme desequilíbrio. O primeiro fora no 1.º de Maio e não foi bom. No entanto não abalou vontades. O mesmo não aconteceu no segundo… Foi um momento de «o diabo leve isto». Sinto como se fosse hoje aquele como que agarrar-me os dois braços e puxar-me para remediar os estragos e continuar a Feira até ao fim (honra lhe seja, a si, minha querida sócia!). Não contemos quantos assaltos sofremos depois desse, até aos que, seguidos, obrigaram no fim do ano passado à decisão tão desagradável de não ter montras para quem à noite costumava dar um higiénico passeio com paragem habitual a ver os livros.

«IREMOS CONTINUAR»!

Tinha de o vir aqui dizer com franqueza e sentimentos de admiração e solidariedade: esta palavra do nosso livreiro da Traga-Mundos é uma palavra de respeito. Uma palavra de atitude. De homem, sem dúvida. Mas um homem que é dos nossos, é livreiro.

Dito isto, ainda que muito mais havendo a dizer, cumpre não dizer mais nada.

Setúbal
13 de agosto
2012

Manuel Medeiros