quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dia da Livraria e do Livreiro


Sérgio Letria, da Fundação José Saramago, falou sobre o Dia da Livraria e do Livreiro

Em 2012, em parceria com a Fundação José Saramago, comemorámos de forma simples o Dia das Livrarias, associando-nos assim a iniciativa similar realizada em Espanha. Do contacto inicial entre a Fundação José Saramago e o Encontro-Livreiro nasceu mais uma iniciativa que muito tem a ver com o espírito e os objectivos deste movimento: a defesa das livrarias como o lugar privilegiado da edição da leitura, como muito bem diz o nosso Livreiro Velho, e como o garante do desenvolvimento da leitura, única forma de defender todos os intervenientes no mundo do livro, do autor ao leitor

Cartaz do Dia das Livrarias 2012


Para além da iniciativa do passado dia 30 de Novembro de 2012, fundamentalmente assinalada com a edição de um cartaz com frases de José Saramago alusivas à leitura, que as livrarias aderentes difundiram e que serviu para assinalar a data através fundamentalmente de blogues e redes sociais - aí difundindo também a mensagem «Todos os dias são bons para visitar uma livraria. Não permita que as livrarias se transformem numa "espécie em vias de extinção!"», continuámos as nossas conversas e, numa reunião realizada há dois dias, acordámos o seguinte:

1. Que fique instituída esta parceria entre o ENCONTRO-LIVREIRO e a FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO

2. Que o dia 30 DE NOVEMBRO se passe a chamar DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO [note-se que, neste dia, se assinala a morte de Fernando Pessoa (1935) e de Fernando Assis Pacheco (1995), este último precisamente numa livraria de Lisboa, a velha Buchholz da Rua Duque de Palmela. Dizia o seu filho João em texto que publicámos no dia 29/11/2012: «Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se.]

3. Que seja constituído em breve um grupo organizador do Dia da Livraria e do Livreiro em 2013, que integrará elementos da Fundação, do Encontro e de  algumas Livrarias.

Temos hoje connosco o Sérgio Letria, director da Fundação, um amigo pessoal e do Encontro-Livreiro, a quem peço que nos dirija algumas palavras sobre este feliz envolvimento entre a Fundação José Saramago, uma entidade ligada a um AUTOR, e o Encontro-Livreiro, que «é simplesmente um movimento de aproximação entre quem, vivendo e trabalhando no meio dos livros, já percebeu que não faz sentido, hoje mais do que nunca, andarmos a esforçar-nos cada um por si, numa guerra que só pode ser vencida em comum, lado a lado. Se é que se pretende merecer que o livro continue a ser uma das mais ricas potencialidades criadas pelo homem civilizado para progredir em direcção a todas as suas utopias e ambições e conseguir que, trabalhando com ele e para ele, se vão colhendo bons proveitos e justos proventos.», como escreveu no texto do III Encontro o nosso querido e incontornável Manuel Medeiros, um entusiasta deste DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO (foi ele, aliás, o proponente desta nova designação, que eu e o Sérgio Letria aceitámos de imediato e pomos à vossa consideração) pelo que ele significa de chamada de atenção para o lugar central da LIVRARIA e para os sinais, cada vez mais evidentes, de que está a nascer, já está aí em várias livrarias pelo país fora, um novo modelo de LIVREIRO, já não necessariamente o proprietário da livraria, já não necessariamente um autodidacta (embora os haja, e vá continuar a haver, e muito bons), mas alguém com uma maior e melhor preparação e exigência, se bem que desejavelmente aberto a colher o saber dos livreiros menos jovens e mais experientes. 

Muitos de nós conhecemos casos de proprietários e administradores de livrarias que, por não saberem aproveitar devidamente os excelentes livreiros que querem apenas a “arrumar livros” e “atrás do balcão”, vêem as suas livrarias a definhar e cada vez mais vazias de livros e de leitores. 

Estou certo que, no futuro, se assistirá a um movimento desses mesmos livreiros, hoje encurralados em livrarias que não alcançam mais além do lucro imediato, rumo a projectos pessoais ou de pequenos grupos (assistiremos ao ressurgir das cooperativas?) onde possam desenvolver verdadeiros projectos livreiros que, não só cumprirão melhor a função de livraria, integrada no grande desígnio que é o desenvolvimento da leitura, como serão economicamente mais rentáveis. 

Mas aqui está mais um tema sobre o qual também seria bom conversarmos esta tarde. 

Passo a palavra ao Sérgio Letria [Falou de improviso. Foto acima]. 

Luís Guerra
Setúbal, 7 de Abril de 2013

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