quarta-feira, 17 de abril de 2013

«É verdade: ISTO NÃO FICA ASSIM!»

José Gonçalves, falando no IV Encontro Livreiro

Finalmente, duas páginas dedicadas ao IV Encontro Livreiro [Rita Pimenta, «Livreiro - Muito mais que um vendedor de livros», Público, 16 de Abril de 2013]. É bom. Começam a sair as notícias, começam a sair as opiniões, começam a sair as propostas. É verdade: ISTO NÃO FICA ASSIM!
Deste encontro saíram boas propostas de trabalho, que vieram de várias pessoas e de vários sectores. Colocaram-se algumas ideias que terão de ser levadas à prática. O Joaquim [da livraria A das Artes, de Sines] propôs o associativismo, palavra há muito arredada do vocabulário dos resistentes, e deu mesmo ideias práticas para começar a trabalhar.
Os pequenos resistentes, espalhados ao longo do país, não são todos iguais. Talvez começar por aí, por fazer o levantamento das dificuldades existentes em cada zona.
Não vou nomear os que que ainda resistem e os que tiveram de desistir, mas era bom que a solidariedade entre nós todos existisse, o que por vezes não me parece que exista. Penso e tenho a certeza que continuamos a ser ciosos das nossas capelinhas e a não pensar nas capelinhas dos outros, que por vezes estão mesmo ali ao nosso lado...
Do Luís Guerra, diz o artigo e é verdade que trabalha nos livros há mais de 20 anos [faz 30 anos, em 2013, que entrou na Assírio & Alvim] nas áreas comerciais. Eu já vou a caminho dos 50. 
Só hoje começo a ouvir dizer que um Livreiro faz do seu local de trabalho a sua casa. Só hoje se começa a definir o que é um Livreiro. Lê muito, por vezes até compulsivamente, gosta de conversar, sabe o que vende, ajuda o cliente na sua escolha e procura dar informações corretas. Não recorre ao computador apenas para dizer "está esgotado, não conhecemos, a distribuidora faliu, o editor já não existe, desapareceu do mercado." Claro que isto se passa nas lojas de livros e não nas livrarias, como refere Caroline Tyssen, da Livraria Galileu. As máquinas foram criadas para nos auxiliar no nosso dia a dia e não para nos estupidificar e enganar os clientes. É claro que não vou nomear aqui as chamadas lojas de livros, pois para bom entendedor meia palavra basta.
Os monopólios existem e vão continuar a tentar estrangular os resistentes pela via do capitalismo selvagem. Com maiores descontos, com campanhas loucas de baixa de preços e saldos, com o atraso na entrega  das encomendas dos livros de maior rotação, com os cortes de fornecimentos por vezes por causa de quantias irrisórias. Enfim, podíamos continuar a descrever aqui um chorrilho de outros atropelos.
Mas livreiro é livreiro e não é nem nunca será uma espécie em vias de extinção. Talvez os negociantes de livros, esses sim, tenham um fim trágico... as chamadas "LOJAS DE LIVROS E AFINS".
O artigo de hoje dá-nos muitas pistas e muito trabalho para fazer, resta saber COMO, QUANDO E COM QUEM. Caso contrário, mais uma vez... "palavras leva-as o vento".
Obrigado a todos os participantes nestes Encontros, mas desculpem o meu abraço grande, grande para o meu amigo de muitos anos, com quem tenho aprendido muito, MANUEL MEDEIROS, o meu Livreiro Velho.

LIVREIRO É MUITO MAIS QUE UM VENDEDOR DE PAPEL IMPRESSO.

José Gonçalves
Vendedor, mas sobretudo Amante dos Livros e Leitor.

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