quinta-feira, 18 de julho de 2013

«A Livraria Sá da Costa vai encerrar as suas portas no próximo sábado.»



«[...]
Um dia também vão começar a fechar, diz-me quem sabe de contas e do deve e haver do mercado editorial, e eu respondo que, à excepção do lamento sincero pelos trabalhadores (normalmente com contratos miseráveis e ordenados risíveis) que perderão os seus empregos, não haverá motivos para grandes tristezas. Não é vingança, não, é a certeza de que quando tiverem desaparecido as livrarias históricas da cidade, as livrarias onde as novidades e os bestsellers não são quem mais ordena, as livrarias onde há conselhos, segredos, livreiros que nos conhecem pelo nome e que sabem o que queremos ler, já não haverá motivos para andar por Lisboa. Que meia dúzia de hipermercados do livro continuem a florescer ou passem a murchar nas zonas nobres da cidade não altera nada. Nessa altura, a gente há-de olhar para a Baixa e acreditar que está no Colombo.»


Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire, onde pode ser lido na íntegra.

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