quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Existem livrarias. Muito poucas. Cada vez menos. E locais de venda de livros.



Existem livrarias. Muito poucas. Cada vez menos. E locais de venda de livros.

A Culsete pertence, sem dúvida, à primeira categoria. Aí podemos encontrar — e este é um dos traços identificadores de uma livraria — fundos de catálogo, assim como um número bastante razoável de pequenas editoras representadas.

Para além disso, a Culsete tornou-se definitivamente reconhecível através de um nome: Manuel Medeiros. O sr. Medeiros, como eu o tratava. O incansável livreiro, dinamizador de múltiplos encontros em torno do livro e da leitura que transformaram a Culsete num ponto de referência obrigatório.

Devo considerar bastante estimulante o diálogo que mantive ao longo de anos com este homem singular. Fomos amigos. Nem sempre de acordo, embora no essencial não creio ter havido qualquer divergência.

A Fátima Medeiros, sua mulher, agora que ele partiu, não veio substitui-lo, até porque, de um modo ou de outro, todos somos insubstituíveis. Ela limita-se a retomar o que ambos iniciaram e isso é o que verdadeiramente importa.

"Livreiro da Esperança" é uma expressão que me parece bastante adequada quando nos referimos a Manuel Medeiros. Compete-nos agora não deixar extinguir esssa esperança e tentar contrariar todos os indicadores que tentam persuadir-nos da inutilidade de lutar pela preservação daquilo que julgo absolutamente imprescindível: livrarias.

João António Dias

Texto escrito após participação no Encontro Livreiro Especial de 30 de Novembro de 2013

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