terça-feira, 23 de julho de 2013

«As livrarias são fundamentais para sermos um país com níveis de leitura aceitáveis.» (Livreiro Velho)



«ESTAMOS TODOS NUM MESMO BARCO»

As livrarias nunca estiveram tão na ordem do dia como estão hoje. Pelos piores motivos – dir-me-ão. Ainda que seja. Mas antes agora do que mais tarde, porque de há muito deviam estar em topo de agenda.
As livrarias são fundamentais para sermos um país com níveis de leitura aceitáveis. Como foi possível que o desenvolvimento do comércio livreiro não tenha acompanhado a alfabetização do país? Nem sob o aspecto económico, nem sob o aspecto da literacia. Quem devia ter feito florescer por todo o país o comércio livreiro? Antes de quaisquer outros os «fabricantes de livros», expandindo o seu produto, e os responsáveis pela educação e cultura, sendo realmente res-pon-sá-veis.
Até hoje os editores nunca se preocuparam com que prosperassem as livrarias. Salvo raríssimas excepções, as livrarias independentes só por si nunca enriqueceram ninguém. Por regra foram as papelarias que levaram os livros a muitas das nossas cidades e vilas. Os livros, ao lado dos outros, um artigo pobre sob todos os aspectos e diversas razões.
E do lado dos responsáveis pela educação e cultura? Um caso exemplar e relativamente recente...
Considerei uma grande ofensa aos livreiros portugueses e uma falta grave de visão das coisas não se referirem as livrarias entre os parceiros privilegiados no incremento do Plano Nacional de Leitura. É revelador esse pormenor naqueles documentos de 2006, excelentes sob muitos aspectos. Para além do reinvestimento nas bibliotecas escolares, por regra tão mal feito com o o investimento precedente, e a animação dessas mesmas bibliotecas, parece que pouco mais vai ficando... Não quero contar tudo o que vi, até para que não se pense que, lá porque tenho pena de se ter passado ao largo de muitas das virtualidades do Plano Nacional de Leitura, deixei de bater palmas ao trabalho feito.
Não nos desviemos do nosso assunto: as livrarias na ordem do dia. Li agora o post da Rosa Azevedo a propósito do encerramento da centenária Livraria Sá da Costa e já lera outros, nomeadamente os de Sara Figueiredo Costa, António M. Costa, Jaime Bulhosa, Nuno Seabra Lopes. R. I. P.... Lamento, como todos.
«Por outro lado», como agora é uso e abuso dizer-se...
Também desde há uns tempos foram fechando muitas casas centenárias de diversos ramos e não creio que se possa comparar o eco desses encerramentoscom este das livrarias, agora o da Sá da Costa e antes o de outras, por exemplo o da Portugal.
De diversos ramos e também do livreiro. Ao longo do meu percurso, assim de repente: o encerramento da Atlântida, o da Pax, o da Ática, o da Moraes... Já vamos lembrar-nos de outras...
Este eco é novo, salvo melhor opinião. Ficamos hoje por aqui, Preferindo a um longo post voltar ao assunto. Tem muito que se lhe diga um tal eco ao ressoar nesta frase: «estamos todos num mesmo barco».

L.V.

«Livrarias que eram de todos nós ou não eram?» (Jaime Bulhosa)

SÁ DA COSTA 100 ANOS
 
Livrarias fechadas: Portugal, Barateira, Camões, Guimarães, Diário de Notícias. Livrarias a fechar: Olisipo, Artes & Letras, Sá da Costa. Esta é a lista das livrarias que recentemente fecharam ou estão para fechar só na zona nobre da cidade de Lisboa. A Livraria Sá da Costa, dias depois de cumprir cem anos, vai fechar portas este Sábado, é irónico. Livrarias centenárias que de um momento para o outro deixaram de ser viáveis? Livrarias de encontro, de tertúlia, de cultura que já não fazem sentido? Livrarias onde o espaço era público, onde nos podíamos sentar gratuitamente a ler um livro, não têm agora qualquer relevância? Lugares de identidade que nos diferenciavam de outros lugares todos iguais, franchisados, estilizados, aqui, em Madrid ou em Paris, vão ser transformados em sapatarias ou padarias ao estilo francês? Livrarias que eram de todos nós ou não eram?
Alguma coisa estranha se passa nesta cidade ou melhor neste país. Um país onde cada vez menos se gosta de viver. Um país onde as políticas são feitas para o mercado e não para as pessoas. Um país onde a pobreza não nos deixa pensar noutra coisa a não ser como vamos viver no dia seguinte. Um país assim, naturalmente, não tem ânimo para a indignação, nem para a revolta. Um país assim está morto.


Jaime BulhosaPó dos Livros

«E é nas bibliotecas e nas livrarias que se celebram os livros» (Nuno Seabra Lopes)


RIP S.Cos. CCXIII

Dizem que o livro é para todos, mas só alguns fazem dele parte como o dia. Gente que ama, que cuida, que lê, que dá as mãos às capas, gente para quem o pensamento escrito tem a realidade das emoções tácitas, expressas no seio do casal.

Daí que não me venham com tretas e dizer que a Feira é a festa de celebração do livro. Tal como numa família, é no dia-a-dia que a festa se faz, que a relação se constrói; é nos altos e baixos, nas conversas e dúvidas, é no pó e na confusão do tempo que temos de gastar. No fundo, é na solidão e na conversa com as personagens, os amigos ou os livreiros que sentimos, de repente, que amamos os livros.

E é nas bibliotecas e nas livrarias que se celebram os livros, é aí que diariamente se comunga o sabor das páginas, as histórias que entretecem e enternecem os leitores; o resto são farturas, fanfarras, sol e passeatas por entre esta coisa gira que todos chamam Livro. No fundo, uma bela tarde de namoro de início de verão.

Daí que me enfurece que se mate uma familiar casa centenária de livros na Garrett, mesmo que outra nasça para aplacar; jovem e bendita em local impossível de amar, local de passagem, flirt de aeroporto, onde em 5 minutos se escolhe um livro que não seja pesado, que dê para despachar num voo de umas horas.

Bem sei que o tempo não está para as famílias, que quem ama não tem tempo para pagar a renda, mas é triste ver perder este mundo palpável que faz de nós humanos, para um tempo fugaz de coisas que nos perdem.

É triste saber que a loja que na Garrett surgirá não será criada para durar 10 anos, quando mais 100. É triste saber que os lugares históricos viram só fachada: palácios com franchises dentro e música de elevador. Num mundo de aparência e ilusão nem o espaço da literatura salvam para dar consistência à vida.

Nuno Seabra Lopes, Edição Exclusiva

Fonte de Letras, agora em Évora


Inauguração da Fonte de Letras em Évora
Sábado, 27 de Julho, 18h.
Rua 5 de Outubro, nº51 
(a rua que liga a Praça do Giraldo do à Sé)
 
Força, Helena!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

«o dia em que se falou do fecho da Sá da Costa»

hoje foi o dia de irmos à sá da costa, que vai fechar. as largas dezenas de pessoas impediam-nos de ouvir com clareza o que se discutia. mas era claro que a "reunião" não era apenas um espaço de lamúrias mas uma tentativa de arranjar soluções para que a livraria não tenha de fechar.
hoje, sendo o dia de pensar a sá da costa, foi também o dia de pensar as livrarias.
as livrarias são um negócio. e como qualquer negócio que fecha, várias são as condicionantes que levam a este desfecho. apesar do amor que criamos aos livros não o criamos da mesma forma com todas as livrarias. começo já por dizer que aquilo que me atrai a uma livraria não é, de todo, a "simpatia" das pessoas (argumento para muito boa gente frequentar ou não as livrarias). os "meus" livreiros não são fontes de simpatia. são pessoas que me deixam confortável naquele espaço. a Trama, a Pó dos Livros ou a Culsete são casas onde me habituei a viver e trabalhar. costumamos dizer que os livros não são mercearias mas podemos sofrer tanto com o fecho de uma livraria como da mercearia onde costumávamos gastar a mesada e onde o merceeiro era pai do amigo da escola primária e onde passávamos as tardes. é aqui que as livrarias têm de ser competitivas. encontrar o espaço que os clientes procuram. porque não basta os clientes quererem livros - têm de se sentir confortáveis no espaço.
mas nunca será suficiente. é o mais angustiante em todo este panorama. a questão que se colocava hoje numa conversa sobre este assunto era que seriam o "eles" que nos fecharam a sá da costa, de acordo com o cartaz. ou que fecharam qualquer uma das outras livrarias. os "eles" somos nós todos, em primeiro lugar - quem não comprou lá, quem preferiu comprar livros noutros locais. depois são estes novos grupos editoriais com opções que não valorizam nem apoiam as pequenas livrarias, deixando-as na cauda da distribuição e das boas margens ou abolindo-as em absoluto. e depois desta tão falada crise, de impostos duríssimos, de novas leis das rendas, do tirar poder de compra a quem antes ainda tinha nos livros um objecto de compra quotidiano.
é preciso perceber aqui o que podemos fazer. nós todos podemos apoiar pequenas livrarias, comprar lá os livros em vez de os comprar em outros locais. e volto a frisar, porque nada disto é novo a quem me conhece, que as grandes superfícies e fnacs e bertrands também têm muitos e bons livreiros, não está aí a falha destes espaços comerciais. a venda dos livros em nada os favorece a eles e sim uma lógica empresarial assassina para a qualidade literária dos livros e por isso essas livrarias têm de ser retiradas do nosso horizonte.
não apoio em tudo os textos que correm por aí sobre os fechos progressivos das livrarias. temos de ser realistas e perceber o que aqui deve ser criticado, alterado e em que é que a nossa atitude pode mudar este panorama. mas um aspecto é incontornável. não há cidade sem livrarias. os livros são os objectos culturais físicos e insubstituíveis e infelizmente neste país cada vez mais há cidades e regiões inteiras sem uma única livraria. e em nada compensa nessas cidades essa falha. e eu que vivo e trabalho no Chiado tenho dificuldade em encontrar o meu espaço de conforto. perfiro atravessar a cidade e ir à Pó dos Livros ou até ir a Setúbal e ter a sensação incrível de que a Culsete é um espaço de pertença como se sempre os tivesse conhecido e não apenas em 2011. tenho a Letra Livre ao lado de casa, mas pouco mais. tenho a A das Artes que nunca conheci pessoalmente mas que acompanho diariamente com admiração.
não consegui o manifesto vou buscá-lo na semana que vem e voltarei então a falar do dia de hoje. hoje fico com a sensação de tristeza pelo fecho da livraria e algum calor ao lembrar como foi bom subir a calçada do combro sozinha para lá chegar e saber que lá encontraria dezenas de amigos. estamos todos num mesmo barco. temos é de saber o que fazer para que ele não se afunde mais. é deixarmo-nos de lamúrias e começarmos a pensar em soluções. o Encontro Livreiro tem exactamente esse objectivo e cada ano que passa faz mais sentido.

Rosa Azevedo, Estórias com Livros

sexta-feira, 19 de julho de 2013

«É a minha última recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os meus gatos que são lembranças de vivências.» (Isabel Castanheira)


Livraria Sá da Costa

A notícia era esperada. Amanhã sábado, a Livraria Sá da Costa fecha as suas portas. Situada em pleno Chiado, um dos lugares privilegiados da baixa Lisboa, mais uma livraria que encerra.
Como livreira tive contactos assíduos com a editora Sá da Costa, cujos escritórios se situavam um pouco mais acima, no Largo Camões, num velho prédio pombalino, que tinha umas escadas que pareciam que terminavam no céu.
O catálogo da Sá da Costa, era um catálogo escolhido, principalmente, de autores portugueses, de que hoje já não se fala, e que desapareceram completamente do mercado. Alguns, ainda se vão encontrando nos alfarrabistas.
Mas hoje em dia, quem lê? - António Sérgio, Frei Luis de Sousa, Vergílio, Cavaleiro de Oliveira, D. Francisco Manuel de Melo, Albino Forjaz Sampaio, Rodrigues Lobo, João de Barros, Diogo do Couto, Sá de Miranda, Diogo do Couto, e tantos mais … Fernão Mendes Pinto, Bocage, António Gedeão…
Com umas edições sóbrias onde predominava o castanho, as capas dos seus livros possuíam uma linha identificativa, simples e agradável.
Hoje são, na sua grande maioria, autores sem leitores.
Não se passou assim tanto tempo, mas os hábitos de leitura alteram-se radicalmente. Para bem? para mal? Escuso-me de comentar. Como em tudo, há excepções.
Esses livros, não estão na moda; não possuem capas brilhantes, nem títulos enigmáticos a focar a atenção do futuro leitor para conteúdos surpreendentes.
Relembrei algumas edições da Sá da Costa. A partir de domingo, nem livros, nem livraria.
Lamento o desaparecimento de mais uma livraria.Não restam dúvidas que os tempos actuais são mortíferos para com a cultura…
Na minha última visita à Livraria Sá da Costa, feita talvez no início deste ano, encontrei lá a pintar um artista de origem asiática. Pintava gatos com o formato dos símbolos da caligrafia oriental. Comprei um gato. É preto, elegante, de cauda erguida, porte elegante e focinho meigo. É a minha última recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os meus gatos que são lembranças de vivências.

Isabel Castanheira, Cavacos das Caldas

quinta-feira, 18 de julho de 2013

«Duas ou três notas incómodas sobre o lastimável fecho da Livraria Sá da Costa, em Lisboa.»


1. Embora seja uma questão muito mais complexa (e esta da Sá da Costa em particular, até porque se tinha juntado um grupo de pessoas que tinham tornado de novo a livraria um espaço dinâmico e criativo), uma das várias razões por que as livrarias fecham, e de que não podemos alhear-nos, é que as pessoas deixam de frequentá-las (como está também a acontecer, por exemplo, com as salas de cinema). Custa-nos admitir isso, sobretudo a nós para quem livros e filmes sempre fizeram parte da nossa vida. Hoje em dia, as (poucas) pessoas que ainda lêem (não me venham com a conversa de que se lê muito mais hoje; se isso é verdade, o que duvido, lê-se grosso modo “pior”: as tiragens baixaram significativamente por que razão?) encomendam os seus livros on line (ou fazem as suas leituras também on line; se repararmos nas bibliografias dos artigos, trabalhos de investigação, etc., mesmo na área da literatura, já contêm mais links que referências a livros em papel). Depois, o que faz as estatísticas das vendas e dos tops, são os exemplares dos bestsellerzinhos vendidos nos hipermercados;

2. Este manifesto [Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da Cidade de Lisboa no centenário da Livraria Sá da Costa (Letra Livre)], que também apoio, embora não possa estar presente por viver no Porto, poderia não ser apenas um lamento, mas despoletar em todos a vontade de frequentar mais as poucas livrarias que ainda há, porque também depende de nós não as deixarmos desaparecer. As históricas e as outras, que foram surgindo ao longo dos anos, algumas bastante boas e que vivem com muitas dificuldades. Uma observação: li num cartaz: “Se querem livrarias históricas, vão ao Porto…” Isso é pura ilusão. As livrarias no Porto passam por dificuldades tremendas. Das “históricas”, mantêm-se a Lello, a mais antiga, graças sobretudo a ter sido eleita uma das mais belas livrarias do mundo, mas onde certamente há mais turistas a fotografar que a comprar livros, e à persistência e teimosia de um livreiro, o senhor Antero Braga; se nada fizermos, vamos ver quanto tempo ainda podem durar a Leitura e a Latina; há ainda alguns alfarrabistas históricos, como o Sr Canavez ou a livraria Chaminé da Mota;

3. O mesmo está a acontecer com as chamadas salas de cinema de bairro, programadas por exibidores independentes, onde as pessoas também vão cada vez menos (apesar dos esforços continuados de uma programação diversificada e de qualidade, de conversas sobre os filmes, da presença de realizadores, actores, etc.). Tal como muitos leitores deixaram de ir às livrarias, muitos espectadores deixaram de ir às salas de cinema e preferem fazer downloads e ver o filme no écran do computador, apesar da inigualável (como dizia o Pina, que sei eu?) experiência de ver cinema em sala, uma vez que foi para a sala que os filmes foram feitos (todos os realizadores, mais velhos ou mais novos, querem ver os seus filmes a estrear em sala) e só aí se podem usufruir na sua totalidade (Peter von Bagh, historiador e crítico de cinema finlandês e actual director do festival “Cinema Ritrovato”, escreveu que um filme ao ser visto na televisão ou dvd – poderíamos acrescentar hoje o écran do computador – “não penetra profundamente em nós […] não fica na imaginação do espectador da mesma maneira que o verdadeiro filme ficou na imaginação de gerações de espectadores”).
Mas está mais na moda dizer que já não há cinemas (como, aliás, se diz há muito das livrarias, discurso que os media também propagam), e depois, quando mais uma, ou muitas salas, como aconteceu há uns meses, ou livrarias, fecham, chora-se muito, desabafa-se imenso, protesta-se, etc., e tudo como dantes no quartel d’Abrantes até nos revoltarmos outra vez com o fecho da próxima.
Para que não esqueçamos a Sá da Costa, a partir de segunda-feira, todos à Ferin, à Bertrand do Chiado, à Lello, à Leitura, à Pó dos Livros, à Ler Devagar, à Paralelo W, à Utopia, à Poetria, à Centésima Página, à Fonte das Letras, à Culsete, à Esperança, à A das Artes, etc., etc. (perguntemos ao Luís Guerra, que conhece muito bem as melhores livrarias do país e tem batalhado pela sua defesa).
Last but not least, esta maldita crise que nos desanima e que cada vez nos deixa com menos dinheiro para comprar livros. Como dizia o Eduardo Guerra Carneiro, isto anda tudo ligado. Mas a luta continua.

António M. Costa, Programador (Porto) [texto publicado hoje no facebook].

«A Livraria Sá da Costa vai encerrar as suas portas no próximo sábado.»



«[...]
Um dia também vão começar a fechar, diz-me quem sabe de contas e do deve e haver do mercado editorial, e eu respondo que, à excepção do lamento sincero pelos trabalhadores (normalmente com contratos miseráveis e ordenados risíveis) que perderão os seus empregos, não haverá motivos para grandes tristezas. Não é vingança, não, é a certeza de que quando tiverem desaparecido as livrarias históricas da cidade, as livrarias onde as novidades e os bestsellers não são quem mais ordena, as livrarias onde há conselhos, segredos, livreiros que nos conhecem pelo nome e que sabem o que queremos ler, já não haverá motivos para andar por Lisboa. Que meia dúzia de hipermercados do livro continuem a florescer ou passem a murchar nas zonas nobres da cidade não altera nada. Nessa altura, a gente há-de olhar para a Baixa e acreditar que está no Colombo.»


Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire, onde pode ser lido na íntegra.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

«Arruada é festa, é alegria, é música, são pessoas em convívio, tudo na rua. Arruada de livros é tudo isso com livros, tudo isso em redor dos livros.»



«Continuando a comemorar o seu 40.º aniversário, a Culsete organiza, entre 7 e 17 de Julho, das 15.00 h às 22:00 h, no passeio fronteiro à livraria, uma grande arruada de livros, com animação musical, apresentações de livros, palestras, sessões de leitura expressiva de poemas, encontros com escritores e o que mais se verá.», diz a comunicação da livraria.



Estivemos, no passado domingo, no almoço comemorativo dos 40 anos da Culsete e no arranque da Arruada. Que bela tarde!







Consulte o programa e, sempre que puder, dê um salto à Culsete. Vai ver que vale a pena.

Encontro-Livreiro

«Os 40 anos da Culsete», por Sara Figueiredo Costa

Manuel Medeiros (Setúbal, 7-VII-2013). Foto de Luís Guerra

No Domingo passado, a livraria Culsete celebrou os seus 40 anos de actividade com um almoço onde se juntaram as gentes do livro, como Manuel Medeiros, um dos livreiros da casa, gosta de chamar aos que lêem e dão a ler. Quatro décadas de vida não são coisa pouca para uma livraria independente que, situada no centro de Setúbal, tem sabido reunir clientes e amigos a partir do gosto comum pela leitura. Isso mesmo se percebeu à mesa, com gente de todas as idades, alguns vindos de longe (dos Açores, por exemplo, terra natal de Manuel Medeiros), todos com alguma história para partilhar à volta das memórias ligadas à livraria. Fátima Medeiros, também livreira da Culsete, fez as honras da casa, e a sala cheia confirmou aquilo que já se sabia: que a Culsete é um espaço especial, capaz de reunir pessoas muito diferentes e de encontrar para cada leitor o livro que lhe está destinado – ou, melhor ainda, capaz de desencantar os livros que os leitores nem sabiam que queriam ler.
A minha primeira memória da Culsete não é muito antiga, mesmo que já conhecesse a livraria de ouvir falar a outros. Foi há poucos anos, numa tarde ensolarada, que rumei a Setúbal para visitar a livraria e conhecer Manuel Medeiros, o Livreiro Velho que tanta gente me garantia que tinha de conhecer. E tinha. A conversa, que era para ser entrevista (tê-la-ei algures no computador, mas guardo para mais tarde), durou um dia inteiro, começando na livraria e acabando em casa do livreiro, com derivas, pausas para uma ida à estante à procura de um ou outro livro, algumas gargalhadas e muita admiração da minha parte. E se a primeira visita à Culsete confirmou todos os elogios que a livraria parecia merecer por parte de quem já a conhecia, foi a conversa com Manuel Medeiros que me deixou com a certeza de que há pessoas que é mesmo preciso conhecer, porque nos fazem ver o mundo de outro ângulo, nos desarrumam as ideias para melhor as ordenarmos e, sobretudo, porque a empatia é uma coisa que nos faz bem à alma, mesmo que não se explique.
As comemorações dos 40 anos da Culsete prosseguem até ao final do ano e até ao próximo dia 17 acontecem sob a forma de arruada, todos os dias, na Av. 22 de Dezembro, em frente à livraria (das 15h00 às 23h00).

Sara Figueiredo Costa
, Cadeirão Voltaire

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A das Artes - 10 anos

 
 
Em Sines, desde 4 de Julho de 2003, ao fundo da avenida principal da cidade, onde acabam os prédios e começam as vivendas, volta à esquerda e... chegou!

A DAS ARTES
Avenida 25 de Abril, 8 - loja C 7520-107 SINES
T.: 269630954 F.: 269630955 adasartes@bluemel.pt 
 
Parabéns, A das Artes! Parabéns, Joaquim Gonçalves! 

terça-feira, 2 de julho de 2013

Jorge Figueira de Sousa, Livreiro da Esperança 2012, deixou-nos há 1 ano.

 Jorge Figueira de Sousa, Livreiro da Esperança 2012
[ 21-XI-1931 - 2-VII-2012 ]


«Faz hoje 1 ano que partiste,
Não foste nem serás esquecido
Mas sempre lembrado pela tua convicção, devoção, idealismo e até teimosia!
Hoje 1 ano depois estás presente
Pelo que criaste e desenvolveste com a tua força de vontade
e que nós continuamos e melhoramos para manter-te sempre entre nós!
A livraria Esperança continua e continuará sempre contigo no pensamento!!!
Fazes muita falta!»


Os Colaboradores da Fundação Livraria Esperança

Lembramos o seu exemplo e enviamos hoje uma saudação muito especial a D. Maria de Lurdes, sua companheira de Vida e de Esperança, e a toda a sua Família e Colaboradores.

Encontro-Livreiro
Setúbal, 2 de Julho de 2013