terça-feira, 1 de abril de 2014

Entrega do diploma «Livreiros da Esperança» ao livreiro Antero Braga

Depois das palavras de boas-vindas da nossa querida amiga e anfitriã, a Livreira da Esperança Fátima Ribeiro de Medeiros, quero dizer que é também para mim um enorme prazer encontrar-me convosco na Culsete, a casa onde foi concebido, nasceu e continua a crescer o Encontro Livreiro, o lugar onde se concretiza o sonho — que começou por ser de um pequeno grupo de pessoas — de pôr as gentes do livro a conviver e a encontrar-se para melhor se conhecerem, para trocarem ideias e projectos, para viverem o presente e construírem o futuro. No fundo, para fazerem deste movimento um verdadeiro manifesto contra o fatalismo que pretende acabar, a pouco e pouco, com o tradicional derrotismo e com a lamúria. 

Como sabem, o diploma «Livreiros da Esperança» — uma homenagem das gentes do livro aos livreiros portugueses que reconhece o papel central que esta classe profissional desempenha na «publicação» da leitura — é uma iniciativa do movimento Encontro Livreiro e foi instituído e atribuído pela primeira vez em 2012. 

Este ano, o Encontro Livreiro homenageia o livreiro Antero Braga, da Livraria Lello, uma livraria da cidade do Porto, mas também do país e do mundo. 

Pede-me a amiga Fátima que seja eu a entregar este diploma, mas quero convidá-la, bem como à Caroline Tyssen ­—­ ambas Livreiras da Esperança ­— para o fazermos em conjunto e para me acompanharem neste momento. 

Sobre o novo diplomado, e resumidamente, quero dar-vos apenas algumas notas, parte delas já publicadas no Isto Não Fica Assim!, o blogue do Encontro Livreiro. 

Antero Braga é natural da freguesia do Bonfim, no Porto, onde nasceu no dia 17 de Agosto de 1950. 

Desde 1968 (faz 46 anos no próximo dia 16 de Julho), ano em que começou a trabalhar na Bertrand da 31 de Janeiro, na sua cidade natal, desempenhou diversas funções naquela empresa editorial, distribuidora e livreira (no Porto, em Aveiro e em Lisboa, assumindo responsabilidades tanto a nível local e regional como a nível nacional), tendo sido gerente de loja, chefe do departamento de lojas e agências, director-geral e administrador. 

Importa referir que Antero Braga entrou no mundo dos livros e para sempre se apaixonou por eles, pela leitura e pela profissão de livreiro um pouco por acaso, pois tudo parecia indicar que seria um homem dos números. Preparou-se para isso mesmo ao fazer o Curso Geral do Comércio e ao frequentar o Instituto Comercial do Porto. 

Perdemos um contabilista ou um profissional de seguros, outro dos seus destinos prováveis, mas ganhámos um livreiro de referência que tem como lemas considerar que é preciso aprender, aprender, aprender sempre, ir ao encontro dos leitores e não ficar simplesmente à sua espera com a barriga encostada ao balcão e, sobretudo nos últimos anos, resistir à pressão destruidora do poder económico, em defesa de um modelo de livraria que dê ao leitor o máximo de liberdade de escolha, não o submetendo à ditadura da moda, do descartável, do efémero, do que busca apenas o lucro imediato. No fundo, um modelo de livraria que crie, não apenas clientes, mas leitores, um modelo que nós aqui, no Encontro Livreiro, muito admiramos. 

Entre uma saída e um regresso à Bertrand, trabalhou ainda na distribuidora Jardim (grupo brasileiro Abril Cultural), como responsável do departamento de promoções e publicidade, tendo neste âmbito colaborado no programa televisivo «O Passeio dos Alegres», de Júlio Isidro. 

Mas a grande aposta de vida de Antero Braga — contra a opinião de muitos, mesmo dos mais próximos — foi a criação da Prólogo Livreiros e a renovação e dinamização da Livraria Lello, a emblemática livraria do Porto. Mais uma data a festejar este ano, no próximo mês de Maio: os 20 anos da Prólogo Livreiros e da renovada Livraria Lello. 

Não será por acaso que a Lello tem sido, desde 2008 e todos os anos, galardoada com vários prémios e eleita a loja tradicional com mais qualidade do país e a livraria melhor e mais bela do mundo. Recebeu também, em 2011, a medalha de mérito de grau ouro da cidade do Porto e, em 2013, a Secretaria de Estado da Cultura classificou-a como monumento de interesse público. Acrescentamos nós agora, em 2014, um diploma que reconhece o homem por detrás da obra. 

Trocando, a nível profissional, o certo pelo incerto, mas dando asas aos seus sonhos e transformando-os quotidianamente em realidade, Antero Braga fez e continua a fazer de uma livraria que encontrou decadente e em grandes dificuldades uma referência incontornável no conjunto das livrarias portuguesas. 

Antero Braga é, para nós, um exemplo de persistência e um sinal de esperança para o futuro. E é mais do que merecedor desta singela homenagem das gentes do livro e do Encontro Livreiro. Por isso queremos dizer-lhe, agora publicamente e na presença das gentes do livro que hoje quiseram e puderam estar neste Encontro: OBRIGADO, ANTERO BRAGA! 

Peço a Antero Braga que nos conte um pouco do seu percurso e da sua experiência e nos dirija algumas palavras de esperança, mas antes quero referir os nomes dos anteriores homenageados, os para sempre merecedores da nossa gratidão Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança (Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira, da Livraria Galileu (Cascais) e Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros, da Livraria Culsete (Setúbal). 

Peço uma salva de palmas, em jeito de renovada homenagem aos nossos Livreiros da Esperança e termino dizendo, certo de estar a representar cada um dos presentes e também os ausentes que gostariam de ter vindo e não puderam: OBRIGADO, LIVREIROS DA ESPERANÇA! 


Luís Guerra 
V Encontro Livreiro | Setúbal, 30 de Março de 2014

Sem comentários:

Enviar um comentário