quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

LUIS ALVES DIAS, O LIVREIRO DA ESPERANÇA 2015

Este ano o Encontro Livreiro resolveu homenagear não só um grande livreiro, Luís Alves Dias (1932 - 2015) da livraria Ler em Campo de Ourique, Lisboa, como também a continuidade dada ao seu projecto pelo seu filho, Luís Alves, que herdou do pai a resistência e dedicação aos livros, sendo, além de livreiro, também editor.




Luís Alves Dias começou a trabalhar em livraria na Aillaud & Lello da Rua do Carmo quando tinha apenas 13 anos. Aí se apaixonou pelos livros e pelo trabalho de livreiro. Foi essa, segundo palavra suas, a sua universidade. Aí conheceu grande parte dos intelectuais que frequentavam os   meios livreiros naquele tempo. Em 1959 foi trabalhar para a Livraria do Diário de Notícias, no Rossio, e em 1963 integrou o grupo que fundou o Centro do Livro Brasileiro, compatibilizando o trabalho de livreiro com as encomendas de livros para o Brasil.

Em Fevereiro de 1970 abre ao público a livraria Ler e aí viverá um longo historial de luta contra a censura. Muita gente, de muitos lados, aí acorria para comprar os livros apreendidos que sempre soube esconder, não sem alguns riscos.

A Ler, que nunca deixou de ser considerada pelos moradores de Campo de Ourique como uma livraria de bairro, dada a proximidade com as pessoas que ali viviam, viu, com o passar dos anos, a sua influência espalhar-se a toda a cidade tornando-se uma livraria de referência em Lisboa, um exemplo de resistência e persistência a seguir. Foi também uma livraria com um forte papel social, ajudando muitos que não conseguiam comprar os livros a ter, ainda assim, acesso à leitura.

Luís Alves Dias foi um exemplo de persistência e verticalidade. A Livraria Ler foi e continua a ser um sinal de esperança, “uma pequenina luz bruxuleante / não na distância / aqui no meio de nós”.

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