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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

III Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro | 23 de Fevereiro de 2014 | Livraria Rosa d’Ouro, em Bragança



«A escrita, o livro, a leitura: um mundo! Vasto e complexo mundo! Quem encontrarei disponível para me acompanhar num breve olhar sobre ele?
Mundo habitado. O olhar encontra imediatamente os escritores e os leitores. Depois, entre a escrita e o livro, está o editor com o seu trabalho emérito. Entre o livro e a leitura estou eu, o livreiro. O escritor publica a escrita, o editor publica o livro, o livreiro “publica” a leitura.»

Manuel Medeiros, o Livreiro Velho (da livraria Culsete, Setúbal)

O III Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro já tem data e local definido: será realizado no dia 23 de Fevereiro de 2014, domingo, pelas 15h00, na Livraria Rosa d’Ouro, em Bragança.

O I Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro realizou-se no dia 24 de Março de 2013, no espaço da livraria Traga-Mundos em Vila Real. Nesta primeira realização, procuramos privilegiar o encontro de livreiros que possuam uma livraria nesta região, para nos conhecermos melhor, partilharmos experiências e expectativas, procurarmos colaborações e parcerias.

Se nem todas puderam marcar presença, algumas livrarias «responderam afirmativamente ao convite para se sentarem à mesma mesa e debaterem preocupações comuns e sinergias possíveis para uma melhor estratégia de afirmação das livrarias ditas “tradicionais”.

Os livreiros deixaram o seu testemunho e algumas preocupações derivadas da própria conjuntura actual, mas do encontro saíram já algumas intenções de conciliação de esforços, nomeadamente ao nível da partilha de novidades editoriais de cada concelho, da cooperação na apresentação de livros de autores na região e da permuta de informação sobre eventos que cada uma realiza na sua região.»

O II Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro aconteceu no dia 2 de Junho de 2013 desta feita na Poética - Livros, arte e eventos, em Macedo de Cavaleiros.

«No centro do encontro esteve o debate em torno do tema "O futuro das livrarias tradicionais: Que estratégias?", e a continuação do trabalho de reforço das sinergias entre as livrarias com o propósito de dar mais voz mas também de repensar formas alternativas e concertadas de viabilização económica deste sector numa dimensão regional.»

Neste III Encontro, para além do grupo central e organizador – Casimiro Fernandes, Livraria Rosa d’Ouro, Virgínia do Carmo, Poética – livros, arte e eventos, e António Alberto Alves, Traga-Mundos –, reiteramos o convite a todas as livrarias da região para participarem, no sentido da criação de um movimento o mais abrangente possível.

Estamos a convidar editores em cujos catálogos se incluam obras e autores da região.

Estamos a convidar os escritores, nomeadamente endereçando um convite à Academia de Letras de Trás-os-Montes, com sede em Bragança.

Estamos a alargar os convites à comunidade: professores, bibliotecários, leitores, etc.

Para além de uma reflexão livre e espontânea, iremos solicitar alguns textos que sirvam de mote ao encontro – não esquecendo os objectivos que foram traçados no anterior: «conciliação de esforços, nomeadamente ao nível da partilha de novidades editoriais de cada concelho, da cooperação na apresentação de livros de autores na região e da permuta de informação sobre eventos que cada uma realiza na sua área.».

Também iremos organizar a participação no Encontro Livreiro da Livraria Culsete, em Setúbal.

Neste sentido, convidamo-lo para estar presente neste Encontro, trazendo o seu testemunho como livreiro, editor, autor, professor, bibliotecário, LEITOR, etc.

Na expectativa de um acolhimento positivo e de uma participação empenhada, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

António Alberto Alves

Nota: Recordamos que esta iniciativa surge na sequência do Encontro-Livreiro nacional, que acontece uma vez por ano (sempre no último domingo de Março) em Setúbal, na Livraria Culsete [e cujo o debate e a troca de ideias continuam no Isto Não Fica Assim!]

Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00
259 103 113 | 935 157 323 | traga.mundos1@gmail.com

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

E um sorriso abriu-se na sua cara




Caros amigos, 

Em Agosto de 2011 reiniciei actividade em Portugal, depois de uma ausência de 4 anos em Kiel (Alemanha) e de 5 anos como voluntário em Cantchungo (Guiné-Bissau), com a ideia de abrir uma livraria regional (temática) em Vila Real (Trás-os-Montes e Alto Douro). 

Nos preparativos e pesquisas para organizar e montar o projecto, procurei solicitar informação e aconselhamento nas livrarias independentes e deparei com o blogue Encontro Livreiro. Telefonei para a livraria Culsete e falei com Manuel Medeiros. Para quem conhece o Livreiro Velho, sabe que recebi uma doutrinação crua e pertinente, lúcida e sem rodriguinhos – também me remeteu para Bruno Malheiros, pela sua experiência recente de abrir uma livraria: a Capítulos Soltos, em Braga. Foi assim que, a 5 de Novembro de 2011, abri pela primeira vez a porta da Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro... 

A 21 de Março de 2012 foi com naturalidade que viajei para Setúbal, para participar no III Encontro Livreiro, uma realização anual na livraria Culsete. Com cinco meses de actividade, foi muito importante ter encontrado um ambiente informal de partilhas e aprendizagens, com diversas personagens do mundo livreiro, sobretudo pelo imenso carisma de Manuel Medeiros – foi como carregar baterias de motivação. 

A 7 de Abril de 2013 voltei a viajar para Setúbal, para participar no IV Encontro Livreiro, na livraria Culsete. Novamente, foi muito importante continuar a apreender o ambiente informal de partilhas e ideias, testemunhos e aprendizagens, convívios e amizades – desta vez fiquei a conhecer um pouco melhor toda a força e perseverança de Fátima Medeiros. 

Hoje, não posso estar presente. É o Dia da Livraria e do Livreiro... e nem sequer posso estar presente no espaço da Traga-Mundos! Depois de ontem terminar a tertúlia “Adolfo Rocha / Miguel Torga: O Médico, o Escritor, o Poeta, o Homem do Doiro” pelo Prof. Dr. Alfredo Mota, fiquei como é habitual a arrumar o espaço da loja: recolher as cadeiras, recolocar as mesas e o estirador, bem como todos os livros e produtos em exposição, no fundo da loja. Fiquei ainda a seleccionar e a embalar todos os livros para a solicitação do dia seguinte. Saí e caminhei para onde tinha o carro estacionado, conduzi para parar próximo da loja e carregar as caixas de papelão. Eram 2 horas da manhã... Hoje, cheguei às 8h30 ao Teatro Municipal de Vila Real, para descarregar as caixas e montar uma banca de livros no evento “O Valor dos ‘Simples’ – A Natureza à Mesa”, onde ficarei das 9h00 às 20h00 – não poderei ser anfitrião nem assistir ao atelier de escrita criativa, que Daniela Costa irá realizar das 17h00 às 19h00 na Traga-Mundos... Pelo que pude depreender nas entrelinhas da leitura de “Papel A Mais – Papéis de um livreiro com inéditos de escritores”, Manuel e Fátima Medeiros viveram incontáveis situações como esta ao longo dos seus 40 anos de Livreiros, também de carregarem livros para inúmeros recantos e eventos, na sua incansável missão de promover o Livro e a Leitura – e hoje por aí, vocês poderão ter oportunidade de ouvir (re)contar dessa infatigável odisseia, sendo sempre um exemplo para todos nós. 

Da minha parte, para declarar a importância do casal Medeiros para o que hoje faço e para o que é a Traga-Mundos, recordo um testemunho que foi deixado pela setubalense Vanessa Amorim: «Em Setembro andava eu por Vila Real quando entrei numa livraria. Conversando com o livreiro eu acabei por dizer que era de Setúbal e, então, a sua reacção imediata foi qualquer coisa como: "A terra da Culsete, do Sr. Medeiros que me incentivou a abrir este espaço!" e um sorriso abriu-se na sua cara. Acho que este episódio diz muito da importância deste grande livreiro setubalense.» 

Daqui, de Vila Real, envio um forte abraço de solidariedade para Fátima & Família Medeiros


Vila Real, 30 de Novembro de 2013

António Alberto Alves (Traga-Mundos - Vila Real)

(Mensagem enviada ao Encontro Livreiro Especial de 30 | Novembro | 2013)


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ser livreiro é criar leitores



O Encontro Livreiro pediu-me que escrevesse este texto neste dia e eu não sou livreira. Aceitei sem hesitar, como sempre, sobretudo porque acredito que este dia não deverá ser, no limite, sobre os livreiros e sim sobre os leitores. É essa a minha condição aqui, de leitora. No entanto há uma definição que o Manel Medeiros dava dos livreiros onde dizia que estes publicam a leitura. Nesse sentido considero-me livreira sim, porque quando me é impossível definir o meu projecto com os livros a única definição possível é que tento criar leitores. Vários tipos de leitores, diferentes tipos de leitores. Mas nunca maus leitores. E não me venham dizer que não há isso de maus leitores, há, claro que sim. Os livros têm connosco um papel fundamental na nossa formação, no nosso pensamento, na nossa forma de agir. Essa responsabilidade é de tal forma gigante e sagrada que seria, no mínimo, um desrespeito dizermos que se pode ler seja o que for que é igualmente bom.

Começa a ser raro vermos quem sinta a verdadeira importância do livreiro nos seus quotidianos. A própria profissão é desconhecida, ainda, para muitos. Na verdade é também difícil de definir, há livreiros que não trabalham em livrarias e há vendedores de livros que não são livreiros. Na verdade os leitores começam a deixar de acreditar que precisam de intermediários para a leitura. Num mundo tão cheio de estímulos, com a internet inundada de opiniões que se dão com a facilidade de um clique, nem sempre os livreiros são vistos como mediadores da leitura. Não podemos esquecer que há mais leitores e mais diversificados. Esse facto também leva a que muitos destes se tenham formado longe da figura do livreiro. Noutros sítios.

Vender livros não é igual a vender outro produto qualquer. Não o é em nenhum dos sentidos. Um livreiro não vende um produto apenas. Vende ligações a esse produto, vende outros livros. Vende um livro que corresponde a uma ideia, um anseio, uma vontade de conhecimento, uma dúvida pequena. Um livreiro fará um bom negócio (e não podemos esquecer que uma livraria é um negócio) se conseguir que um cliente passe a leitor. Para isso é preciso ensinar a um cliente que nada se lê isoladamente, os livros não existem entre a capa e a contra-capa. Um livreiro torna-se um bom livreiro se for um agente de ligações, se funcionar como o motor que instala no leitor esse vírus das ligações. Quem o consegue são por vezes pessoas improváveis, em livrarias improváveis, noutros sítios que não são livrarias, por pessoas que não vendem livros. Nas estantes dos desconhecidos, nas estantes dos amigos. Em blogs, nas redes sociais ou nas conversas de cafés.

Ser livreiro é criar leitores. Só assim as livrarias podem sobreviver enquanto negócio. Posto isto é fácil afirmar que as livrarias são sítios de crescimento, de criação e aprendizagem. Daí a nossa responsabilidade em mantê-las vivas e a funcionar, quando pensamos onde vamos comprar um livro. São os leitores que as fazem existir mas por trás de cada uma há livreiros que são a porta da livraria. Os nossos agentes de ligações. Aqui na Culsete há dois, a Fátima e o Manel. Hoje esta mais que merecida homenagem é a eles e aos leitores que eles criaram. Não temos de ter muitas palavras porque são 40 anos a mostrar, com esta porta aberta, com o reconhecimento dos subscritores do diploma Livreiro da Esperança Especial, com o nome que tão facilmente é reconhecido em qualquer lado, com o Encontro Livreiro que nasceu aqui, que são livreiros à séria, que deixam e continuam a deixar o melhor de todos os legados, uma fila interminável de leitores.




Culsete, a 30 de Novembro de 2013

Rosa Azevedo

Da Livraria, do Livreiro, do Leitor... da Leitura.



A ideia de que o autor pode dispensar o editor, de que o editor pode dispensar o livreiro, de que o livreiro pode dispensar o leitor, bastando-lhes o último grito da tecnologia e que continue a haver clientes que consumam o livro, mesmo que não o leiam, é uma ideia, a meu ver, completamente errada e que esquece, ou ignora, algo de fundamental: sem leitores não há nem autor, nem editor, nem livreiro, nem livro. E diria até: nem grande futuro!

Partindo desta ideia e da convicção profunda de que, apenas do convívio, do encontro e da troca de ideias entre si, as gentes do livro poderão encontrar os melhores caminhos para fazer da leitura um verdadeiro desígnio em que possa ancorar-se o futuro, em progresso e em liberdade, a experiência do Encontro-Livreiro de 2010, o nosso primeiro encontro-convívio em torno de um moscatel e de muitas ideias, conheceu já quatro edições antes deste Encontro Livreiro Especial de hoje.

Não posso deixar de referir também, neste momento, os Encontros Livreiros Regionais, com duas edições em Trás-os-Montes e Alto Douro que já estão a dar frutos na forma de trabalhar, mais colectiva, das livrarias da região. Parabéns às livrarias e aos seus livreiros! Um abraço muito especial ao livreiro, e dinâmico elemento do nosso movimento, António Alberto Alves, da Traga-Mundos, em Vila Real.

E aproveito para dar aqui uma notícia que me chegou do Norte e que nos dá muita alegria e nos transmite um sinal de esperança para o futuro: no primeiro trimestre de 2014 e ainda antes do nosso Encontro Livreiro aqui na Culsete — como habitualmente na tarde do último domingo de Março, ou seja, no dia 30 de Março de 2014 —, vai realizar-se o I Encontro Livreiro do Porto e Grande Porto, de que daremos oportunamente notícias mais pormenorizadas através do nosso blogue, o ISTO NÃO FICA ASSIM! Parabéns às livrarias e aos livreiros envolvidos, há meses, na sua preparação.

Muitos livreiros lutam hoje pela sobrevivência mas gostam muito do que fazem, querem defender a dignidade da sua profissão e sabem que os leitores podem e devem ser os seus principais aliados. Apesar disso e por isso, estão em festa – a festa do livro e da leitura – e convidam os leitores a visitá-los nas suas casas. Espero, por isso, que os leitores acorram às livrarias num dia que, sendo da Livraria e do Livreiro, é também o dia do Leitor.

Vivemos um tempo agreste de ditadura. A ditadura do efémero, do fugaz, do superficial, do que vende muito e depressa, do espalhafato, e não um tempo do perene, do que perdura para além dos tops, dos holofotes, da fanfarra ensurdecedora que nos distrai e afasta do essencial.

Sendo esta data, a partir deste ano, designada como Dia da Livraria e do Livreiro, faz todo o sentido centrar a nossa reflexão na livraria e no livreiro, mas também no leitor, pois é ele que justifica, no fundo, todos os intervenientes na vida do livro. Se continuarmos apenas preocupados em arranjar clientes, mais clientes, e apenas mais clientes — atraindo-os com as mais variadas formas de folclore ou como se estivéssemos a anunciar a banha da cobra – não vamos conseguir defender e salvaguardar uma rede livreira (e também editorial, acrescento) diversificada e que não retire ao leitor a sua sacrossanta liberdade de escolha.

No fundo, no mundo do livro não lutamos por nada de muito diferente daquilo por que lutamos na sociedade.

Os tempos são difíceis? São. Mas é na tomada de consciência dos problemas e dos erros das opções e soluções que têm sido seguidas que está a semente de um futuro diferente e melhor. E nós acreditamos que é na promoção da leitura e na procura de mais leitores, cada vez mais leitores – livres e conscientes e com possibilidade de aceder a um fundo editorial diversificado – que está o futuro das gentes do livro (autores, editores, livreiros, bibliotecários, tradutores, professores, investigadores, jornalistas e demais profissões que se relacionam com o livro).

A leitura é, ou pode ser, o elemento agregador das gentes do livro. Vamos então pôr a leitura no primeiro lugar do nosso top.

Este Encontro Livreiro Especial é especial por diversas razões:

1) Acontece no Dia da Livraria e do Livreiro, um dia que, em parceria com a Fundação José Saramago, festejamos desde o ano passado e pretende chamar a atenção para o lugar central que a livraria e o livreiro ocupam no percurso do livro, da ideia e da escrita do autor até à leitura e à reescrita infinitas do leitor, bem como na promoção e desenvolvimento da leitura;

2) Acontece no ano em que a Culsete, a sua anfitriã e principal impulsionadora, comemora quarenta anos, tendo a cidade de Setúbal assistido ao longo do ano a uma série de iniciativas que reuniram — na livraria, à volta da mesa, na rua e em espaços culturais da cidade — muitos amigos e leitores;

3) Acontece no dia em que entregamos formalmente o diploma Livreiro da Esperança Especial Culsete – 40 Anos aos livreiros que construíram e consolidaram esta livraria, Manuel Medeiros e Fátima Ribeiro de Medeiros. Este diploma foi atribuído no dia 1 de Agosto de 2013, à revelia dos homenageados, como não poderia deixar de ser, e proposto a uma subscrição pública que reuniu até hoje cerca de três centenas de subscritores;

4) Acontece já sem a presença física do Manuel, mas com a presença, a determinação, a experiência e o saber da Fátima que, sendo simultaneamente professora e investigadora, é sobretudo livreira e um importante pilar desta casa;

5) E acontece ainda com a nossa firme vontade de manter aqui as reuniões anuais deste movimento inédito das gentes do livro. Que dele possam surgir outros movimentos e iniciativas colectivas, nomeadamente das livrarias, mas também de outros sectores do mundo do livro, é algo que nos dará muito gosto e alegrará os dias cinzentos que persistem e ameaçam ensombrar o nosso quotidiano presente e futuro. E há já por aí, assumindo diversas formas, sinais bem evidentes disso mesmo.

Por todas estas razões, pensámos que este Encontro poderia ter também um figurino diferente, convidando algumas pessoas a escrever e a ler-nos um texto em torno da questão da livraria, do livreiro e da leitura. Todos — entre os quais me incluo — amigos da livraria Culsete que, num texto escrito em Outubro para as comemorações, designei como um rochedo em forma de navio que se soltou dos Açores e aportou a Setúbal, navegando — sem nunca deixar de avistar o Sado e a Arrábida e numa viagem sem fim — rumo ao País da Leitura.

E no final, a livre troca de ideias entre os presentes enriquecerá, estou certo, uma tarde tão especial passada no conforto de uma livraria que muitos sentimos como nossa casa.

E como uma livraria como esta, que guarda maravilhosos tesouros para partilhar com amigos e leitores que a visitam, não se faz sem a participação de muitos, não quero terminar sem deixar uma referência e uma saudação a todos os que trabalharam e trabalham nesta livraria, bem como aos seus leitores e amigos de quatro décadas. Fazem todos parte — e talvez nos possamos incluir também nesse lote — da História da Leitura em Portugal.

Por último, porque muito especial e sentido, deixo aqui o meu abraço, bem rijo e amigo, à Fátima, ao Nuno, ao Damião e à Ana Júlia e, através deles, a toda a família. Obrigado por nos receberem sempre tão bem nesta casa que, sendo muito vossa, que aqui quase nasceram, cresceram, brincaram, leram, trabalharam, propagaram o vírus da leitura e viveram muitos anos das vossas vidas, é também um pouco de cada um dos presentes e de tantos outros que, de uma forma ou de outra, foram irremediavelmente tocados por esta livraria e pelos seus livreiros.

Setúbal | Culsete | 30 de Novembro de 2013

Luís Guerra

domingo, 1 de dezembro de 2013

OBRIGADA!



Venho aqui hoje, como ontem fiz na livraria, em primeiro lugar para agradecer o diploma LIVREIRO DA ESPERANÇA ESPECIAL CULSETE 40 ANOS, atribuído a mim própria e a Manuel Medeiros, meu companheiro de vida e de sonho, pelo movimento Encontro Livreiro. Juntos, lado a lado, ano após ano, atividade após atividade, superando muitos obstáculos e dificuldades, eu e ele fizemos a Culsete. Um sem o outro, não o teríamos conseguido.
Quero agradecer a todos os que ontem estiveram presentes na livraria a viver este momento connosco e com os elementos do Encontro Livreiro que vieram até Setúbal. Desejo ainda agradecer a quem pensou nesta forma de homenagear o nosso trabalho destes 40 anos, trabalho que fez da Culsete o que ela é hoje, uma instituição de caráter cultural, respeitada na cidade e fora dela. Obrigada Rosa Azevedo, Sara Figueiredo Costa, António Alberto Alves, Joaquim Gonçalves, José Teófilo Duarte, Luís Guerra. Obrigada ainda a todos aqueles que deram o seu aval a esta iniciativa, subscrevendo este diploma. Foram centenas. Gente de todo o país e até do estrangeiro. Bem hajam!
Quero partilhar esta distinção com os meus filhos e com os meus atuais colaboradores. Muito do que se construiu também a eles se deve. Muito do que há para criar terá a sua marca.
A decisão de nos atribuírem este diploma foi tomada à nossa revelia e tornada pública no blogue do movimento. Se tivéssemos tido conhecimento prévio desse intento teríamos pedido para que não avançasse, pois não parece justo receber um diploma que nós próprios concebemos e decidimos entregar anteriormente a livrarias independentes com tradição de promoção da leitura.
Eu própria e Manuel Medeiros considerávamos (e eu considero) este diploma um dos melhores galardões que qualquer livreiro pode desejar, por partir de dentro, das gentes do livro. Porque é verdadeiro e não obedece a segundas intenções. Porque sabemos que estamos todos num mesmo barco, como escreveu em devido tempo Rosa Azevedo.
Por isso, depois da surpresa inicial, decidimos aceitar com muito gosto e alegria essa distinção. É gratificante perceber como tanta gente, amigos e conhecidos, mas também desconhecidos, aprecia o nosso trabalho e o apoia.
Em 15 de Setembro de 1989, após uma sessão de apresentação de um livro, Manuel Alegre deixou escrito que nós éramos “os outros livreiros da esperança”, aproximando-nos do livreiro do seu poema incluído em Praça da Canção. Passámos desde então a ver esta frase como uma gostosa distinção que nos fora entregue por um grande escritor. Anos mais tarde, tomámo-la, juntamente com o Luís Guerra, como mote para designar os diplomas que o Encontro Livreiro passou a atribuir. Este diploma agora recebido é a confirmação pública alargada dessa distinção.
Sinto-a como um redobrar de responsabilidade. Se nunca pensámos desistir nem por um segundo do caminho delineado por ambos em 1973, quando eu e Manuel Medeiros decidimos mergulhar de corpo e alma no projeto Culsete, fazendo dele o segundo objetivo da nossa vida (o primeiro foi/é a nossa família), agora, mais do que nunca e por diversas razões, há que redobrar a nossa criatividade e o nosso empenho, já que temos cada vez mais gente a confiar e a acreditar em nós. Tudo farei, em conjunto com a minha equipa, para não desapontar ninguém, para poder continuar a sentir tão grande apoio.
Receber este diploma no dia 30 de Novembro, o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO, tem um sabor especial. Este é o nosso dia, o dia de todos os que se consideram filhos da leitura, todos os que amamos e defendemos a nossa mãe-leitura até às últimas consequências. Livreiros e leitores. Só por si é um grande dia de festa que este ano foi vivido mais intensamente na Culsete em função desta atribuição.
O DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO é de grande importância para todas as livrarias. Trata-se de uma organização conjunta do movimento Encontro Livreiro e da Fundação José Saramago que vai no segundo ano de existência, mas que este ano já teve uma adesão bastante boa e que se quer que continue a chegar nos próximos anos a mais e mais livreiros. É um dia de festa que, como o Encontro Livreiro, veio para ficar. Não nos faltam ideias para ir alimentando este Dia. Algumas estão já na calha para o próximo ano.
Espero que todos tenham tido acesso ao material que foi preparado especialmente para distribuição neste dia, nomeadamente os cartões com as duas frases escolhidas como Leitmotif deste ano, uma de José Saramago e outra de Manuel Medeiros. Gosto bastante do cartaz, mas estes dois cartões estão um verdadeiro primor. Obrigada, Zé Teófilo.
Quero deixar aqui uma vez mais a frase de Manuel Medeiros (inserida no seu livro Papel a Mais, de 2009, mas pensada, escrita e verbalizada muito antes disso) sobre a missão e a paixão que deve animar o livreiro: Entre o livro e a leitura estou eu, o livreiro. O escritor publica a escrita, o editor publica o livro, o livreiro publica a leitura. Esta é uma frase lapidar que devia ter um lugar de destaque em todas as livrarias.
Cada vez mais os livreiros independentes têm de se unir, precisam de se unir, de criar formas de união que ultrapassem o querer e o dizer, para poderem agir como um bloco contra todas os ataques e investidas que chegam de muitos lados. Precisamos também de ter o leitor do nosso lado. Temos de ser todos a uma só voz. Sem medos. A nossa situação há muito que é conhecida e reconhecida. Não me refiro apenas à situação financeira, mas também quero falar nela. Não é de agora que as grandes cadeias de venda de livros andam a comprometer a saúde financeira das livrarias independentes com políticas de venda sem a mínima ética. Mas este ano refinaram a sua estratégia. E nós unimo-nos, como é do conhecimento público. Sem medos. E estamos aí a enfrentá-los, a mostrar-lhes que vender livros não é o mesmo que vender batatas, ou maçãs, ou enlatados. Que vender livros é uma atitude cultural e civilizacional.
Nós, livreiros independentes, não queremos ser daqueles que se lamentam, dos que põem as mãos à cabeça e falam sem dar um passo. Nós somos aqueles que de forma muito consciente e criativa, queremos agir, queremos arranjar soluções para atenuar e alterar este estado de coisas. E agimos.
Anteontem mesmo, Jaime Bulhosa deu conta no seu blogue da resposta da Inspeção Geral das Atividades Culturais, IGAC, à queixa apresentada àquela instituição por várias livrarias independentes, entre elas a Culsete. A queixa, efetuada sobre as recentes campanhas de Natal praticadas pelas cadeias de vendas de livros Bertrand e Fnac, denunciando a violação da lei do preço fixo, já recebeu uma resposta daquela instituição que vai de encontro às nossas pretensões. Será que vamos ter alguma justiça? Esperemos que sim.
Já disse e escrevi algures que apenas uma livraria independente oferece uma verdadeira bibliodiversidade. Disse-o e reafirmo-o agora. Dias como o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO também ajudam a refletir sobre estas questões.
Deixem-me agora acrescentar algumas palavras sobre o tema de debate proposto para este Encontro Livreiro Especial, A Livraria, o Livreiro, a Leitura. É impossível pensar em LIVRARIA sem pensar em LIVRO e LEITURA. Esta relação direta pode não ser evidente para todos, não é certamente simples, mas é, a meu ver, determinante para enquadrar a livraria no contexto social e cultural. Numa sociedade dominada pela economia há que lutar contra a subversão de valores e a degradação do sentido das coisas. Só a partir do entendimento dos problemas da leitura se podem situar os problemas do livro e só o entendimento de uns e outros poderão determinar uma correta conceção da LIVRARIA e da sua posição relativa no complexo mundo da cultura e da civilização, ao lado da editora, do escritor, da escola, da biblioteca e de tudo o mais, naturalmente.
É esta, em traços largos, a minha visão desta problemática. Foi a partir dela que eu e Manuel criámos esta livraria.
Talvez alguns dos nossos leitores e amigos não se lembrem ou não saibam, por já terem esquecido ou por aqui terem chegado depois disso, mas esta casa abriu em 1 de Outubro de 1973. No dia 1 de Abril de 1974 comecei a trabalhar na Culsete a tempo inteiro, tendo abandonado uma situação profissional estável e economicamente muito compensadora. Vim aqui para me ocupar do sector administrativo, mas uma semana depois já tomava conta da livraria, já era a responsável pelas suas vendas e pela gestão de stocks. Manuel Medeiros ocupava-se da administração e tratava das vendas de artigos de papelaria e de algumas representações exclusivas para o distrito que a Culsete detinha, passando a maior parte do tempo fora. Nos documentos oficiais da livraria eu era a gerente de loja, ele o gerente da empresa. Ocupei essa função durante 16 anos.
Quando achei que a livraria já não precisava de mim a tempo inteiro, até porque Manuel já passava cá muito tempo, dividindo comigo o trabalho na livraria, decidi despedir-me e voltar-me para outros amores, o ensino e a investigação.
Mas nunca deixei de tomar parte ativa em todas as decisões da empresa. Sempre colaborei com a livraria, fazendo de tudo um pouco, como fizera até 1990, do acompanhamento das vendas à contabilidade, da arrumação à animação, promoção e mediação de leitura, aquilo de que sempre gostei mais. Levar alguém a ler um livro de que gostamos e que achamos importante e receber posteriormente o feedback positivo dessa leitura é algo de muito forte e compensador, servindo de conforto e apoio nos momentos de desalento e incompreensão que sempre nos vão batendo à porta.
A promoção do livro e a mediação de leitura em escolas foram por mim concretizadas de forma sistemática durante esses 16 anos, tendo-as levado comigo para outros compartimentos da minha vida.
Todo o trabalho realizado pela Culsete foi sempre feito a quatro mãos. As minhas estiveram sempre juntas com as de Manuel Medeiros. Talvez nem todos as tenham visto, mas estiveram sempre pela livraria. Por isso, hoje, quando ele já não pode estender as suas mãos para receber este diploma, eu estendo as minhas sem medo e com a plena consciência de que, se o merecemos, é em resultado desse trabalho de equipa. Não vou parar por aqui. Ainda há muitos sonhos que sonhámos juntos que é preciso concretizar. E novos desafios já se desenham no horizonte. Estou/estamos e estarei/estaremos preparada/preparados para os novos desafios que se desenham. Contem connosco! Contamos convosco!
A Culsete reafirma-se e reassume-se aqui e agora como defensora dos valores que a nortearam ao longo destes 40 anos: um espaço de promoção, mediação, animação e venda do livro que todos os dias procura contribuir para o desenvolvimento cultural da região onde se encontra inserida, ajudando a formar cidadãos mais informados, mais cultos, mais reflexivos, mais atuantes, mais livres.


Boas leituras!


Fátima Ribeiro de Medeiros
Docente, investigadora e livreira


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO | 2013

No próximo dia 30 de Novembro vamos festejar o Dia da Livraria e do Livreiro.

Depois de, no ano passado, ter sido assinalada a primeira edição do Dia das Livrarias, inspirada por ventos vindos do país vizinho e assinalando o aniversário da morte de Fernando Pessoa e de Fernando Assis Pacheco (este último, precisamente numa livraria de Lisboa), a Fundação José Saramago e o movimento Encontro-Livreiro estabeleceram uma parceria que passará a assumir a organização e a dinamização do a partir de agora designado Dia da Livraria e do Livreiro, tornando-o mais abrangente e destacando sobretudo o lugar central que o livreiro ocupa no percurso do livro e na promoção da leitura.

O Dia da Livraria e do Livreiro é um dia de Festa! Festa da livraria! Festa do livreiro! Festa do leitor!

O leitor, que para nós não é apenas um cliente, é o convidado de honra deste e de todos os dias e quem verdadeiramente justifica a livraria e o livreiro e garante, não só o futuro do livro e das gentes do livro, mas também o progresso, esclarecido e em liberdade, do(s) país(es).

Apelamos a que todas as livrarias, que queiram fazer deste dia o seu dia de festa, comecem, desde já, a preparar uma iniciativa especial para assinalar a data.

Apelamos a todos os leitores que, nas suas agendas, assinalem o dia 30 de Novembro como um dia de visita a, pelo menos, uma livraria, associando-se à festa do(s) seu(s) livreiro(s).

Vamos encontrar formas de divulgar todas as iniciativas que surjam neste âmbito e com este espírito e voltaremos com mais notícias.

Boas leituras e até breve!


Lisboa | Setúbal, 1 de Novembro de 2013

Fundação José Saramago | Encontro-Livreiro

quarta-feira, 10 de julho de 2013

«Os 40 anos da Culsete», por Sara Figueiredo Costa

Manuel Medeiros (Setúbal, 7-VII-2013). Foto de Luís Guerra

No Domingo passado, a livraria Culsete celebrou os seus 40 anos de actividade com um almoço onde se juntaram as gentes do livro, como Manuel Medeiros, um dos livreiros da casa, gosta de chamar aos que lêem e dão a ler. Quatro décadas de vida não são coisa pouca para uma livraria independente que, situada no centro de Setúbal, tem sabido reunir clientes e amigos a partir do gosto comum pela leitura. Isso mesmo se percebeu à mesa, com gente de todas as idades, alguns vindos de longe (dos Açores, por exemplo, terra natal de Manuel Medeiros), todos com alguma história para partilhar à volta das memórias ligadas à livraria. Fátima Medeiros, também livreira da Culsete, fez as honras da casa, e a sala cheia confirmou aquilo que já se sabia: que a Culsete é um espaço especial, capaz de reunir pessoas muito diferentes e de encontrar para cada leitor o livro que lhe está destinado – ou, melhor ainda, capaz de desencantar os livros que os leitores nem sabiam que queriam ler.
A minha primeira memória da Culsete não é muito antiga, mesmo que já conhecesse a livraria de ouvir falar a outros. Foi há poucos anos, numa tarde ensolarada, que rumei a Setúbal para visitar a livraria e conhecer Manuel Medeiros, o Livreiro Velho que tanta gente me garantia que tinha de conhecer. E tinha. A conversa, que era para ser entrevista (tê-la-ei algures no computador, mas guardo para mais tarde), durou um dia inteiro, começando na livraria e acabando em casa do livreiro, com derivas, pausas para uma ida à estante à procura de um ou outro livro, algumas gargalhadas e muita admiração da minha parte. E se a primeira visita à Culsete confirmou todos os elogios que a livraria parecia merecer por parte de quem já a conhecia, foi a conversa com Manuel Medeiros que me deixou com a certeza de que há pessoas que é mesmo preciso conhecer, porque nos fazem ver o mundo de outro ângulo, nos desarrumam as ideias para melhor as ordenarmos e, sobretudo, porque a empatia é uma coisa que nos faz bem à alma, mesmo que não se explique.
As comemorações dos 40 anos da Culsete prosseguem até ao final do ano e até ao próximo dia 17 acontecem sob a forma de arruada, todos os dias, na Av. 22 de Dezembro, em frente à livraria (das 15h00 às 23h00).

Sara Figueiredo Costa
, Cadeirão Voltaire

quarta-feira, 5 de junho de 2013

II Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro reforça sinergias

Reproduzimos aqui a "Nota aos Livreiros" que saiu do II Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, felicitando os seus organizadores pelo encontro e pelas iniciativas que anunciam, reforçando aquilo que tem sido um ideia central do nosso movimento: o Encontro-Livreiro é um ponto de encontro, de debate e de reflexão das gentes do livro e ultrapassa, por isso, o espaço privilegiado da sua realização, a LIVRARIA, rumo ao país da LEITURA, sendo que esta é que deve ser o desígnio nacional agregador de quantos fazem dela e do seu desenvolvimento um dos motores fundamentais do progresso do nosso país.


«NOTA AOS LIVREIROS
Depois de um primeiro encontro decorrido em Março, em Vila Real, na Traga-Mundos - Livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, promotora da iniciativa, aconteceu no passado dia 2 de Junho o II Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro, desta feita na Poética - Livros, arte e eventos, em Macedo de Cavaleiros.
No centro do encontro esteve o debate em torno do tema "O futuro das livrarias tradicionais: Que estratégias?", e a continuação do trabalho de reforço das sinergias entre as livrarias com o propósito de dar mais voz mas também de repensar formas alternativas e concertadas de viabilização económica deste sector numa dimensão regional.
Do encontro houve resultados práticos, que as livrarias presentes partilham, agora e por esta via, convosco, no sentido da criação de um movimento o mais abrangente possível, consistindo essencialmente, num primeiro momento, da partilha de informação e da coordenação na organização de roteiros de eventos ligados à divulgação de autores e obras. Convidamos, assim, a vossa livraria a fazer parte desta “rede”.
Na sequência de um desafio lançado pela editora Âncora, a que outras editoras poderão vir a juntar-se, durante o mês de Agosto as livrarias que optem por aderir à iniciativa estarão, também, unidas numa mostra regional de livros dedicada aos autores transmontanos e a todas as publicações relacionadas com a nossa região. Para aderirem basta que manifestem essa intenção. Durante esse mês deverão ter nas respectivas livrarias um espaço dedicado ao tema. 
Pedimos ainda que sejam encaminhadas para o e-mail traga.mundos1@gmail.com sugestões de nomes para esta rede ou movimento que agora começamos a sedimentar.
Apelamos e agradecemos a vossa participação.

Para mais informações:
António Alberto Alves (Traga-Mundos) - 935 157 323
Virgínia do Carmo (Poética) - 960039138

Mais sobre o ENCONTRO LIVREIRO nacional aqui : http://encontrolivreiro.blogspot.pt/»


Poética - Livros, arte e eventos
Rua Fonte do Paço, nº 8C 5340-268 Macedo de Cavaleiros

960039138 /  278106420 http://poetica-livros.com/Blog/ A Poética no Facebook Loja online»

domingo, 2 de junho de 2013

Carta de uma Livreira sem Livraria ao Prémio Camões 2013



Caro Mia Couto:

Votos de bem-estar e espero que esta mensagem o vá encontrar de boa saúde no seu longínquo e belo país de mar infindo.

O hábito de escrever cartas passou de moda, mas para mim que não sou propriamente uma jovem, a carta ainda é um meio de comunicar com as pessoas de que gostamos e que se encontram lá longe.

Esta semana foi-lhe conferido o Prémio Camões. O mais privilegiado prémio literário em língua portuguesa a ser concedido aos escritores que se expressam nesta nossa tão bela e mal tratada língua. Foi muito bem entregue.

Fiquei muito feliz. Uma alegria forte, bem sentida cá no fundo do meu coração. Porque gosto de si e gosto dos seus livros, que me conduzem a um mundo com os cheiros, névoas e sombras em tudo semelhantes às terras da minha juventude.

Tive a alegria e a honra de o receber por quatro vezes na minha livraria, bem distante da sua terra natal; nas Caldas da Rainha, a Loja 107.

Entretanto as coisas mudaram e muito. Tive que fechar a Livraria, porque se alterou drasticamente todo o negócio do livro. Hoje, este, não é um livro é um produto. Grandes grupos económicos, simultaneamente editores e livreiros, dominam o mercado, juntamente com os supermercados e a Fnac. Os livros publicados são muitos, tantos que até é difícil identificá-los. Quanto aos seus conteúdos abstenho-me de me pronunciar, porque não sendo crítica literária, corro o risco de ser injusta para um qualquer livro menos cinzento… Tornou-se inviável manter uma livraria nas actuais condições de mercado, num país em que a leitura está longe de ser uma prioridade. E a 107, fechou…

A vida neste país está muito difícil ; neste país que também é um bocadinho seu.

Recordo com muita saudade as suas visitas. Lembra-se das frutas exóticas que lhe foram oferecidas ao som de uma música dançada ao ritmo africano?

Ainda tem o gato bordaliano que quis que passasse a fazer parte da sua vida? Ele tem-se portado bem?

Lembra-se de ter tido a ousadia de lhe ter dito que era um homem bonito, o que o fez corar um pouco?

Sabe que vive em minha casa um gato da Danuta Wojciechowska, talvez fugido do seu livro “O Gato e o Escuro”. Acredite ou não, enquanto lambemos as nossa feridas, mantemos grandes conversas sobre o que vamos lendo e muitas vezes não estamos de acordo.

Na última vez que cá esteve, em 2008, dedicou-me um autógrafo muito especial “À Isabel com a promessa de eterno retorno”.

Lanço-lhe um desafio, que é simultaneamente um desejo: quando tornar a Portugal a apresentar um seu novo livro, venha até às Caldas da Rainha. Faça desta cidade uma terra de eterno retorno, porque cá vive uma livreira, que tem pelos seus escritores um carinho muito especial e muitas saudades...

Isabel Castanheira
Ex Loja 107, Livraria Lda. 


Cavacos das Caldas, 2 de Junho de 2013