sexta-feira, 30 de abril de 2010

AINDA O DIA MUNDIAL DO LIVRO

«O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor 2010 foi muito especial na Livraria Culsete.»

Ler texto de Fátima Ribeiro Medeiros (com reportagem fotográfica) em Chapéu e Bengala, onde se encontram alguns textos recentes do Livreiro Velho cuja leitura também recomendamos vivamente.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

DIA MUNDIAL DO LIVRO

«Entre o livro e a leitura estou eu, o livreiro. O escritor publica a escrita, o editor publica o livro, o livreiro "publica" a leitura.»

Resendes Ventura, Papel a Mais - Papéis de um livreiro com inéditos de escritores, Esfera do Caos, Lisboa, 2009, p. 21.

terça-feira, 20 de abril de 2010

LIVROS

Hoje sugerimos que dê uma saltada ao blogue da livraria A das Artes, em Sines desde 4 de Julho de 2003, e que ouça ISTO.

Obrigado Joaquim!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

ECOS DO ENCONTRO LIVREIRO (2)

«Isto não fica assim!

Isto não fica assim! é um blogue que transporta para a blogosfera os debates e ideias de «Encontro Livreiro», que decorre anualmente no último domingo de Março, na Livraria Culsete, em Setúbal.»

Blogtailors, 19 de Abril de 2010

DIA MUNDIAL DO LIVRO 2010

CONVITE
TERTÚLIA DE LEITURA

A Culsete convida-o a comemorar o Dia Mundial do Livro 2010 participando numa tertúlia de leitura que decorrerá no espaço da livraria (Av. 22 de Dezembro, 23 A-B, em Setúbal) no próximo dia 23 Abril, sexta-feira, às 21:30 h.

Serão lidos textos de
Alexandrina Pereira - António Gedeão - António Ramos Rosa - Arlindo Mota - Basarab Nicolescu - Camilo Castelo Branco - Edgar Morin - Fernando Bento Gomes - Fernando Gandra - Fernando Paulino - Italo Calvino - João Santiago - Joaquina Soares - John Steinbeck - Jorge de Sena - José Gomes Ferreira - José Luís Peixoto - Lima de Freitas - Luís de Sttau Monteiro - Luís Filipe Estrela - Lurdes Pólvora da Cruz - Manuel António Pina - Maria Clementina - Maria Ondina Braga - Nuno Fonseca - Rui Belo - Sándor Márai.

Leitores
Anita Vilar - Arlindo Mota - Fernando Bento Gomes - Fernando Gandra - Fernando Guerreiro - Fernando Paulino - Francisco Abreu - Joaquina Soares - Luís Filipe Estrela - Lurdes Pólvora da Cruz - Maria João Trindade - Maria José Rodrigues - Margarida Braga Neves - Margarida Costa - Nuno Fonseca - Nuno Ribeiro de Medeiros.

Venha até cá viver um serão de Abril com livros e traga outros amigos.


É este o teor do convite que a Livraria Culsete nos fez chegar.
Convidamos outras livrarias a enviarem-nos as suas iniciativas para divulgação neste blogue. Ficamos a aguardar.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

ECOS DO ENCONTRO LIVREIRO (1)

«ISTO NÃO FICA ASSIM

O blog do encontro livreiro em Setúbal, na mítica Culsete com o livreiro Manuel Medeiros já está disponível aqui. Desta vez não consegui mesmo ir, fico à espera do próximo.

No blog está disponível o maravilhoso texto que o Luís Guerra escreveu sobre o Hermínio Monteiro. Vale a pena ler e vale a pena falar do Hermínio.»

Estorias com livros (Rosa Azevedo), 13 de Abril de 2010

«o amigo Luís garante

Isto não fica assim!»

Poesia Incompleta (Changuito), 14 de Abril de 2010

«Isto não fica assim
Não, não é um desabafo meu. É o título do blog que nasceu do encontro livreiro promovido por Manuel Pereira Medeiros, livreiro da Culsete, em Setúbal. O encontro, que se quer anual e realizado no último domingo de Março, reuniu uma série de gente ligada aos livros e promete tornar-se num centro de onde partirão pensamentos e reflexões várias sobre a área do livro, partilhados por quem não olha para isto como um sector de negócio, mas antes como uma espécie de ofício, com tudo o que de ‘nobre’ o termo implica. O blog mora aqui e o próximo encontro já está agendado: 27 de Março de 2011.»

Cadeirão Voltaire (Sara Figueiredo Costa), 14 de Abril de 2010.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

«FALAR DO HERMÍNIO», um editor que veio da rua...

Luís Guerra, a quem telefonei logo após a sessão em que leu o seu «Texto sobre Hermínio Monteiro», teve a simpatia de mo enviar. Li-o e comoveu-me. É um documento, precioso a vários títulos. Sinto-me feliz por Luís Guerra aceder ao meu pedido de divulgação no ISTO NÃO FICA ASSIM! do Encontro Livreiro. Estou certo de que lhe ficarão gratos todos os que aqui lerem este precioso texto. E quantos comentários ele suscita!

Manuel Medeiros



Quero em primeiro lugar agradecer o convite do André Godinho para participar no seu filme sobre o Manuel Hermínio Monteiro e à Midas o amável convite para colaborar nesta iniciativa de lançamento. Não podia recusar porque se trata do Hermínio, uma pessoa que estará para sempre ligada à minha vida e ao rumo que ela tomou tinha eu vinte e poucos anos. Esta iniciativa, além do mais, realiza-se numa livraria e no Dia Mundial da Poesia e, portanto, num local e num dia especialmente bem escolhidos para falarmos do Hermínio, um amigo das livrarias e da poesia, por vezes tão maltratadas e desrespeitadas.

O Hermínio dizia repetidamente, referindo-se aos livros que então iam construindo o catálogo da Assírio & Alvim, que o importante era que falassem deles e os dessem a conhecer, mesmo que nem sempre de forma elogiosa. Preocupante era e é, penso eu também, o silêncio ou o barulho ensurdecedor que, anunciando a fugaz «banha da cobra», relega para o esquecimento o que de mais perene se vai fazendo.

Falar do Hermínio, mais do que pôr a nu as especificidades e múltiplas facetas de uma personalidade forte, como homem que era (como me custa ainda, passados quase dez anos, conjugar o verbo desta forma), daria para muita conversa e tem dado, felizmente, para muita conversa junto dos muitos amigos que deixou e também daqueles, mais jovens, com quem me tenho cruzado e me pedem muitas vezes informações sobre alguém de quem ouvem falar com tanto entusiasmo.

Falar do Hermínio é falar de um tempo em que a produção editorial em Portugal era mais escassa, em que os livros tinham uma permanência mais prolongada nas livrarias e em que a nossa alegria de ver chegar novos livros (uma festa sempre renovada) era tão grande como a alegria de ver partir, ao longo de anos, os livros do nosso fundo editorial. Esse fundo e as novidades que o passam a integrar e que ultrapassam a voracidade do primeiro impulso, continuo convencido disso, é que fazem verdadeiramente o catálogo de uma editora.

Falar do Hermínio é falar de um editor que veio da rua, do contacto directo com os livreiros e, através destes, com os leitores, reflectindo nas suas escolhas e atitudes o que aprendera enquanto vendedor de livros, uma actividade que muitos, erradamente, ainda hoje confundem com a de meros «anotadores» de pedidos ou, como agora se diz, «repositores de produto». Quero aqui recordar as visitas que comigo fez às livrarias, na passagem de testemunho, e a forma como os livreiros me receberam, sabendo eu que isso se devia muito ao caminho desbravado pelo Hermínio.

Falar do Hermínio é falar de um homem que, vindo do campo, trouxe para a cidade as vivências e os aromas de um espaço e de um tempo prenhe de um imaginário maravilhoso mas em acentuado processo de extinção. De um homem que nunca renegou as suas origens e afirmava «gosto de pensar que edito livros como quem trata de uma vinha», demonstrando uma sageza própria de camponês que sabe dar tempo ao tempo e está sempre sujeito às agruras e à imprevisibilidade do tempo.

Falar do Hermínio é falar de um líder natural que, com o seu entusiasmo, contagiava todos quantos com ele punham a mão na massa da edição e de outros projectos que abraçou.

Falar do Hermínio é falar de um dos pilares, com o Manuel Rosa (actual editor da Assírio & Alvim e já então o grande responsável pela sua imagem), de uma editora que, criada em 1972, se afirmava nos anos oitenta como uma editora de culto com projecção num futuro que continuamos a construir. Com o Hermínio a Assírio passou a ter um rosto.

Falar do Hermínio é falar de alguém que, acima de tudo, tinha um grande amor à vida e às coisas boas e belas que ela nos oferece e que, partindo embora prematuramente, continua presente na obra que nos legou, pelo que o continuo a encontrar diariamente nos vários espaços da Assírio & Alvim, desde o departamento editorial, às livrarias, ao armazém onde ele tanto gostava de descer para se inteirar do andamento das vendas e sentir o movimento dos livros para as livrarias e vice-versa, num repetido vaivém que vai levando os livros aos leitores.

Falar do Hermínio é falar de um editor que sempre viu na Assírio & Alvim, não apenas uma empresa (que foi limitada, cooperativa, novamente limitada e hoje sociedade anónima), mas sobretudo um projecto cultural mais vasto. É falar também de todos os que, no passado e no presente e sem nenhuma excepção, ajudaram a construir e consolidar um projecto editorial que assenta numa permanente escolha de rigor e exigência.

Falar do Hermínio é falar de Cesariny, Herberto, Pascoaes, Ruben A., Fernando Pessoa, Miguel Esteves Cardoso, Agostinho da Silva, João dos Santos, José Agostinho Baptista (que também participa neste filme e tão bem nos fala do lugar dos afectos na vida do Hermínio) e muitos, muitos outros autores cuja obra a Assírio & Alvim «aprendeu a amar e a tratar com rigor e dedicação». O catálogo que deixou e que continuamos a construir está aí e julgo que fala por si. Como diz Manuel António Pina, num belíssimo texto publicado em «Uma rosa para o Hermínio» (uma homenagem da APEL realizada no dia 3 de Junho de 2002), «(…) os livros que o Hermínio editou ao longo da vida desenham (vemo-lo agora nitidamente) o perfil do seu rosto intelectual e afectivo.»

Falar do Hermínio é falar de alguns projectos que muito acarinhou e marcam o seu legado: o Anuário de Poesia de autores não publicados (com um júri que foi sendo integrado, em anos diferentes e entre outros, por José Bento, Fiama Hasse Pais Brandão, José Agostinho Baptista, Fernando Luís Sampaio e Miguel Serras Pereira) que acolheu milhares de poemas e revelou alguns autores que ganharam posteriormente espaço próprio. Veja-se, por exemplo, o caso de Adília Lopes, que publicou nos anuários de 1984 e 1985 e de quem acabámos de lançar, em 2009, Dobra – poesia reunida; A Phala, sucessora de uma efémera publicação chamada Folha, publicação que no primeiro número se propunha ser «uma forma de expressão da Assírio & Alvim» e um «complemento do nosso trabalho cultural» e fechava a sua «Apresentação» desta forma: «(…) projectamos a Assírio & Alvim como espaço de qualidade e diversidade, de quem escolhe e edita livros à revelia dos códigos dominantes de comércio e lucro. Queremos dizer: não fazemos livros para cambiar por patacos. Editamos porque os livros nos dão prazer, e pretendemos colocar à disposição dos nossos leitores o que nos parece ser o melhor: autores, traduções e concepção gráfica.»; A Phala especial, Um Século de Poesia, que em 1988, envolvendo muitos colaboradores e tendo aos comandos o Hermínio, o José Bento, o Gil de Carvalho e o Fernando Pinto do Amaral e no design gráfico Manuel Rosa e Luís Miguel Castro, assinalou o centenário do nascimento de Fernando Pessoa, homenageando a poesia portuguesa como a mais alta expressão cultural desse século; e a última grande aventura, Rosa do Mundo – 2001 poemas para o futuro.

Falar do Hermínio é falar de um editor que não se fechou no seu gabinete, antes se empenhou em movimentos cívicos, associativos e culturais, tendo ainda variada participação escrita em catálogos, jornais e revistas como a Ler, a Epicur, o JL, a K, O Independente, entre outros.

Falar do Hermínio é falar da inovação que, nos anos oitenta, se introduziu nos lançamentos de livros e de que são exemplo: pedir à Rodoviária Nacional um autocarro e enchê-lo de jornalistas, escritores e amigos para ir a Amarante, à casa de Teixeira de Pascoaes, fazer o lançamento de Os Poetas Lusíadas que contou com a leitura integral, na casa, de «Senhora da Noite» por Maria Barroso e pelo poeta Eugénio de Andrade; fazer o lançamento do primeiro volume das obras de Ruben A. no Monte dos Pensamentos, em Estremoz, com muitos amigos do Ruben A. e uma exposição sobre o escritor no museu da cidade (exposição que depois esteve no Porto e em Lisboa); fazer o lançamento d' O Livro de Bem Comer, de José Quitério, com um enorme repasto na quinta de D. Pipas, no Ribatejo; o lançamento de Cartas Portuguesas em Beja, com a exposição das pinturas de Ilda David' que fazem parte do livro, no castelo de Beja, e o lançamento do livro no convento de Mariana Alcoforado, com leitura das cartas pela actriz Inês Medeiros (o livro teve também um lançamento no Porto, com uma peça musical inédita de Paula Sousa, com a cantora Ana Deus e a actriz Ana Bustorf); a «Marcia de Poesia», que durante um mês inteiro levou à livraria da Assírio conversas sobre a poesia portuguesa do século XX, onde participaram dezenas de escritores e críticos, actores e músicos, muitos a despontar, como a Alexandra Lencastre, a Margarida Marinho, a Filipa Pais, outros já a consolidar a carreira, como o Pedro Aires Magalhães, ou os consagrados, como a Fernanda Alves (que leu «Poliptika de Maria Koplas», poema de Mário Cesariny, com banda sonora, que este executou ao piano) a Isabel de Castro, o Luís Miguel Cintra, etc.; ou as iniciativas por todo o país, com exposições, leituras, lançamentos, nos 25 anos da Assírio, numa enorme descentralização bem demonstrativa do quanto o Hermínio amava o país inteiro e tinha amigos de norte a sul; o projecto «Os Poetas» e muitas outras iniciativas que o tempo não nos permite continuar a enumerar.

Falar do Hermínio é falar de um editor que também experimentou o ensino, tendo deixado marcas pela forma como transmitia o seu amor pela História, em cujo imaginário invariavelmente buscava ensinamentos para a edição.

Falar do Hermínio é falar das colecções que ele via como divisões de uma casa feita de livros. Lembremos a colecção «Rei Lagarto» pela importância que teve, num tempo anterior à Internet, para a divulgação de biografias e de letras de cantores e de grupos que, cá e lá fora (e este lá fora era bem mais longínquo), marcavam a cena musical dos anos oitenta. Lembro, e há por aí ainda muita gente que me acompanha nesta recordação, os lançamentos noite fora em bares do Cais do Sodré resgatados ao lado mais obscuro da noite (o Tókyo, do senhor António, e o Shangri-lá, do senhor Martins, são disso exemplo), mas também no Porto, no Aniki Bóbó do amigo Becas. Lembremos também a «Gato Maltês», a colecção de livros de bolso da Assírio & Alvim que fará trinta anos em Janeiro do próximo ano.

Voltando atrás: conheci o Hermínio no início dos anos oitenta, na Faculdade de Letras de Lisboa, onde estudámos, Filosofia eu, História ele. Conheci o Hermínio por causa do Sérgio Godinho e o Sérgio Godinho por causa do Hermínio. São ambos grandes culpados de ser quem sou hoje.
Sendo eu, por parte da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras, um dos responsáveis (com, entre outros, o António Costa que também participa no filme) pela organização de um espectáculo do Sérgio na Aula Magna, quem é que me apareceu a representá-lo? O Hermínio, o «Meu amigo Manuel» da canção que todos devem recordar. Conversámos, negociámos, e ao fim de demoradas negociações baixámos vinte contos ao cachet inicial (guardo o contrato que ambos assinámos, eu pela AEFLL, o Hermínio pelo Sérgio Godinho) e no dia 10 de Dezembro de 1981, como rezam os recortes de jornais da época «O cantor Sérgio Godinho provocou (…) uma das maiores enchentes de sempre da Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa (…) “Maré Alta” (…), (um dos temas do seu primeiro LP) foi executado “ao vivo” pela primeira vez, merecendo prolongados aplausos da assistência.» (Expresso, 12-XII-1981) e «Sérgio Godinho encheu a Aula Magna (…) uma lição com um brilhozinho nos olhos.» (…) «num show onde o risco se cruzou com o prazer, onde a festa colectiva se misturou com um silêncio comovido» (Se7e, 16-XII-1981).
Numa entrevista ao Letra – Jornal da AEFLL, com a presença e participação do Hermínio (que a certa altura interrompe e chama a atenção para a existência de dois tipos de público distintos, na cidade e no campo), o cantor afirmava: «Gosto do palco. A partir de certa altura senti necessidade, eu e muitos outros, de melhorar um bocado a apresentação das nossas canções. A interpretação pode ganhar com a espontaneidade, com a vivacidade, com o contacto com o público. (…) O palco é, muitas vezes, a finalidade da canção, porque a renova permanentemente».
Alonguei-me um pouco neste aspecto por duas razões: primeiro, porque daqui nasce a minha relação com o Hermínio; segundo, porque este espectáculo marca o início de um tempo em que os chamados «cantores de intervenção» começaram a tomar consciência, depois de um tempo em que imperava o voluntarismo, de que deveriam começar a ter uma exigência mais profissional.

Passa o tempo e um dia recebo um telefonema do Hermínio (que já tinha deixado vários recados nos sítios por onde eu andava. Lembremo-nos que ainda não havia telemóveis. O fax chegou já eu estava na Assírio) a perguntar-me se queria ir trabalhar para a Assírio. Disse-lhe que ia passar o mês de Agosto em Paris, onde residia a Maria de Lurdes, namorada recente e minha mulher de então para cá, mas que estava interessado sim senhor. E diz o Hermínio: «Vai lá de férias descansado e, quando regressares, aparece». E eu disse que sim! Sem perguntar o que ia fazer e quanto ia ganhar, feliz pela aventura de poder trabalhar numa editora, eu que já fora há muito tocado pelo vírus do livro e da leitura. E aqui estou, depois de muitas, muitas voltas, nossas e da vida.

Perceberão agora melhor a razão pela qual não podia recusar o convite do André Godinho (estes Godinho perseguem-me) para lhe falar do Hermínio. Gravámos a conversa na livraria da Assírio & Alvim, num domingo à tarde, tendo o António Costa viajado propositadamente do Porto, onde reside e trabalha. As coisas que o Hermínio nos obriga a fazer!

Obrigado André por nos falares do Hermínio e por me teres concedido o privilégio de falar sobre alguém que marcou para sempre o meu percurso pessoal e profissional, em suma a minha vida.

Obrigado a todos pela paciência de me ouvirem dizer pobremente algumas palavras sobre um homem acerca do qual nunca conseguiremos expressar cabalmente o quão importante foi no mundo da edição e do livro em Portugal, mas também o quão importante foi para os amigos que tão cedo se viram privados do seu entusiástico, afectuoso e contagiante convívio.

O essencial da obra do Hermínio, os livros que editou e estão vivos no catálogo da Assírio & Alvim, bem como o seu exemplo, continuam hoje na luta diária que mantemos para honrar uma chancela editorial que se soube impor ao respeito de muitos e que continua a ser acarinhada pelos seus leitores, apesar das dificuldades, das tormentas e das «crises» que ciclicamente apoquentam a nossa economia e o mundo do livro.

Espalhem a notícia e continuem a falar do Hermínio.

Luís Guerra
Lisboa, 21 de Março de 2010
[Texto lido na apresentação do dvd MANUEL HERMÍNIO MONTEIRO -MHM, de André Godinho, no auditório da Fnac Chiado]

domingo, 11 de abril de 2010

TRATA-DO-ENTENDIMENTO (1)

A entender-se é que «a gente» conversa!
Subverter o ditado da sabedoria popular!? Um atrevimento, talvez. E, no entanto, talvez sem intenção de vir com uma gracinha de gosto duvidoso.
«A conversar é que a gente se entende»: é muito sábio, respeitabilíssimo. Mas...
Tanta conversa! Mesmo tanta conversa! Nem um surdo deixará de concordar com esta exclamação.
E entendimento? Quanto entendimento? Qual entendimento?
Aqui e agora não se está sequer a olhar para o vasto mundo. Só sobre o mundo do livro e em atitude positiva:
o «Encontro Livreiro» parte de um convite às «gentes do livro» para uma tarde de conversa. Portanto foi criado na crença de que «a conversar é que a gente se entende».
O que é, é que uma conversa de que resulte o desejado e produtivo entendimento, exige prévios entendimentos. De outro modo alguém comentará: «isso é conversa!». Pior ainda, muitos irão virar as costas, dizendo com os seus botões: «isto é só conversa!».
«Gente do livro» a entender-se a si mesma e a entender-se entre si! E a entender muita coisa!
Porque, aí, como resultado da conversa de quem «se entende» e «entende disto», é inevitável: ISTO NÃO FICA ASSIM!

Manuel Medeiros

sábado, 10 de abril de 2010

VENHA DAÍ. ISTO NÃO FICA ASSIM!

Para além dos elementos que integram o núcleo fundador deste
ENCONTRO LIVREIRO,
gostaríamos que este espaço aberto ao diálogo e à troca de ideias fosse crescendo e envolvendo cada vez mais pessoas e instituições ligadas ao
MUNDO DO LIVRO E DA LEITURA.
Para aderir basta enviar um mail para encontro.livreiro@gmail.com, manifestando essa mesma vontade de participar e de divulgar esta nova plataforma.
Iremos dando aqui notícia das adesões que nos forem chegando.
VENHA DAÍ. ISTO NÃO FICA ASSIM!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

NO «CADEIRÃO VOLTAIRE»

A Sara Figueiredo Costa, que queria estar presente mas deixou passar o dia 28 de Março sem se aperceber, também noticiou o Encontro Livreiro AQUI.
E já deixou a promessa de não faltar no próximo ano. Toma nota Sara: 27 de Março de 2011.
Obrigado.

quarta-feira, 31 de março de 2010

«(...) ANTES QUE TODOS OS LIVREIROS SEJAM SUBSTITUÍDOS POR MÁQUINAS DE VENDING»

© rabiscos vieira
Não podendo estar fisicamente presente, como gostaria, Pedro Vieira noticiou a realização do Encontro Livreiro com um «rabisco» do livreiro Manuel Medeiros (criado originalmente para um artigo de Francisco Belard na revista LER) e o seguinte texto:
«esta tarde decorre o primeiro convívio livreiro na livraria Culsete, em setúbal, gizado pelo mítico manuel medeiros. aberto a livreiros, está claro, e a outros amantes de livros sem sentimentos de culpa. as palavras do manuel podem ser acompanhadas na internet no papel a mais e no chapéu e bengala. e saboreiem-nas, antes que todos os livreiros sejam substituídos por máquinas de vending.»
Obrigado Pedro.

segunda-feira, 29 de março de 2010

NÚCLEO FUNDADOR DO «ENCONTRO LIVREIRO»


Estiveram presentes e constituem o núcleo fundador deste Encontro Livreiro, conforme consta do Livro de Honra da Culsete:

CONVÍVIO LIVREIRO EM SETÚBAL
- ÚLTIMO DOMINGO DE MARÇO DE 2010 -
PELA RESPEITABILIDADE E CONTINUIDADE DO SECTOR LIVREIRO E DO SEU TRABALHO
- UM MANIFESTO CONTRA O FATALISMO! -

Manuel Pereira Medeiros (livreiro, Culsete, Setúbal), Luís Guerra (Assírio & Alvim), Fernando Bento Gomes (escritor), Cristina Rodriguez (tradutora), Artur Guerra (tradutor e professor bibliotecário), Gonçalo Mira (Quid Novi e blogger de «Orgia Literária»), Nuno Fonseca (escritor, crítico e blogger de «Orgia Literária»), Joaquim Gonçalves (livreiro, A das Artes, Sines), Dina Silva (Professora de Português), Adelino Abrantes (Penguin Books), José Augusto Soares Pereira (Livros do Brasil), António Almeida (ex-Editorial Verbo), Fátima Ribeiro de Medeiros (investigadora literária e professora), Hélia Filipa da Cruz Sampaio (leitora), Nuno Miguel Ribeiro de Medeiros (sociólogo), João Manuel Rodriguez Guerra (estudante), José Teófilo Duarte (designer gráfico), Francisco Abreu (editor, Esfera do Caos Editores), José Gonçalves (distribuidora HT - ausente por motivos de saúde, participou na preparação e divulgação).

Nota: compromissos diversos impediram a presença de, entre outros: Francisco Belard (jornalista/revista LER), Carlos Vaz Marques (jornalista/TSF), Damião Medeiros (blogger de «Papel a Mais»), Luís Filipe Cristóvão (Livrododia, Torres Vedras), Jaime Bulhosa (Pó dos Livros, Lisboa), Pedro Vieira (Irmão Lúcia / Almedina/Lisboa), Alexandra Vieira (Arquivo, Leiria), Helena Girão Santos (Fonte de Letras, Montemor-o-Novo), Sérgio Lavos (blogger de «Auto-retrato», Bulhosa/Lisboa), Sara Figueiredo Costa (blogger de «Cadeirão Voltaire»).
Fica, desde já, o convite a todos para o ENCONTRO anual, a realizar no dia 27 de Março de 2011, e a sugestão de se realizarem outros encontros em qualquer uma destas livrarias [um por trimestre, por exemplo, e para analisar um tema específico] e/ou em outras que se venham a associar ao ENCONTRO LIVREIRO.

UM RESUMO DO I ENCONTRO LIVREIRO

Manuel Pereira Medeiros, o livreiro velho, não quer que os seus sonhos morram. Para isso há que os lançar ao mundo. No último domingo do mês de Março de 2010, Manuel Medeiros encontrou a data ideal para aquilo que começou por ser pensado como um convívio livreiro e que acabou por se transformar antes em encontro. A diferença não é tão subtil quanto possa parecer. Convívio houve, mas houve muito mais do que isso neste encontro que, espera-se, seja o primeiro de muitos. A ideia era simples: reunir, para uma conversa, algumas pessoas das várias actividades ligadas ao livro. E houve escritores, editores, comerciais, tradutores, críticos, professores, investigadores, bibliotecários, livreiros...

O local de encontro não podia deixar de ser a Livraria Culsete, a casa de Manuel Medeiros em Setúbal. E a afluência, sem ser arrebatadora, foi mais do que suficiente e a prova disso é o vastíssimo leque de “profissões do livro” representadas.

Este primeiro encontro foi, contudo, e como bem sublinhou o anfitrião, uma preparação para a conversa que se queria ter. Discutiu-se muito, concordou-se e discordou-se, mas quando a hora de partir chegou a sensação era a de que se tinham levantado as questões para a discussão a sério. A que viria – e virá – a seguir. Porque «isto não fica assim!»

Havendo gente de tantas actividades diferentes, o primeiro problema identificado foi o de que trabalham todos de costas voltadas uns para os outros. Hoje em dia edita-se muito mais livros com tiragens mais reduzidas e há, consequentemente, menos capacidade de exposição para cada título. Há uma rotatividade enorme de livros nas livrarias, o que faz com que os leitores acabem por não ter capacidade para os ver a todos. Os livros ficam uns meses nas livrarias e são logo devolvidos, o que faz com que as vendas, segundo um dos presentes, não representem um lucro para o editor, porque este vê a factura paga com os livros que anteriormente enviara. Entra-se assim num ciclo vicioso que acaba por ser prejudicial para todos.

Os livreiros – e aqui falamos dos poucos livreiros a sério que existem – sofrem a sufocante concorrência que vem de várias direcções: hipermercados, feiras do livro incessantes, grandes cadeias de livrarias, etc. Muitos destes, se não todos, arranjando forma de contornar a lei do preço fixo, deixando de mãos atadas os livreiros.

Assim, a primeira grande questão que surge é: como regularizar esta situação e como colocar livrarias a trabalhar em conjunto – e não contra – com editoras. Vieram à baila exemplos de Espanha, de França, de Inglaterra. Devemos ou não olhar para estes modelos? A nossa realidade, o nosso mercado, permite a comparação?

A segunda grande questão levantada prende-se com os índices de leitura. Em Portugal lê-se pouco e, muitas vezes, lê-se mal. O problema vem de trás, de uma iliteracia tardia e que ainda hoje nos envergonha. Então, o que se pode fazer para combater isto, para pôr as pessoas a ler, para ensinar as pessoas a ler (bem)?

O governo lançou o Plano Nacional de Leitura, mas isso chega? Está a ser bem feito? Qual o papel que o Plano atribui às livrarias? Há alguns resultados visíveis, mas são muito insuficientes. É preciso motivar as crianças para a leitura desde o berço, mas, mais do que incentivá-las, é preciso formar os pais, que muitas vezes – por mais revoltante que isso seja - são um obstáculo para a formação dos filhos enquanto leitores e, consequentemente, enquanto pessoas mais cultas, mais inteligentes, melhores. Porque todos acreditamos que ler (bem) é fundamental para a formação do indivíduo.

E para que haja muitos e bons leitores é preciso que haja bons escritores, bons editores, bons livreiros. E que estes trabalhem em conjunto. Assim voltamos à primeira discussão e percebemos que está tudo ligado.

É preciso pôr as pessoas que não lêem a ler. É preciso pôr as pessoas que lêem a ler melhor. É preciso pôr as pessoas que lêem bem a discutir. É preciso que todos, em conjunto, pensem em estratégias de promoção da leitura eficazes e duradouras. E é para isso que deverão servir estes encontros. Para que aqui os “especialistas” se encontrem, troquem ideias, saiam daqui pessoas mais intervenientes, capazes de uma mediação e de uma acção em prol do aumento dos índices de leitura mais eficaz, isto é agentes mais capazes de ajudar na mudança que todos precisamos de operar.

Foi ainda aflorada a questão dos tradutores, muitas vezes pouco respeitados e mal pagos, sendo os verdadeiros profissionais frequentemente preteridos e substituídos por outros de duvidosa formação, que aceitam remunerações incompatíveis com o trabalho do técnico de tradução competente, o que prejudica a qualidade das obras traduzidas e vai interferir com a recepção das mesmas, afectando a sua procura.

Não podemos ficar parados a ver o que acontece. Não podemos esperar que outros o façam. Temos todos de nos mexer. De nos unir. De chamar mais um ou dois.

Isto não fica assim!

Gonçalo Mira

UMA FRUTUOSA TROCA DE IMPRESSÕES







O TEXTO QUE DÁ O PONTAPÉ DE SAÍDA

Em busca do maravilhoso país da leitura, aportou hoje a Setúbal o «Encontro Livreiro», dando assim cumprimento ao sonho de um velho livreiro, que sempre desejou ver os profissionais do livro «viajar num mesmo barco para o país da leitura».

A bordo, e sob a hospitaleira recepção do livreiro Manuel Medeiros, o também escritor Resendes Ventura, viajam todos quantos puderam e quiseram corresponder ao seu apelo para que com ele passassem a tarde deste último domingo de Março, conversando, convivendo, entre livros e saboreando um moscatel da região, com o seguinte traje obrigatório, segundo reza o convite: «interesse em participar e boa disposição!»

Desejamos que a este porto acorram editores, tradutores, livreiros, vendedores, distribuidores, bibliotecários, professores, blogues, comunicação social, mas também leitores que queiram conviver, conhecer e trocar ideias com aqueles que fazem do livro a sua actividade diária, alguns a actividade e paixão de uma vida inteira.

Do autor ao leitor, muitas são as mentes e as mãos que fazem do livro uma das mais extraordinárias criações humanas e transformam cada livro editado num renovado acontecimento.

É ambição de quem deu os primeiros passos deste empreendimento, pôr todas estas pessoas, comummente vistas como individualistas e sempre à procura de alijar responsabilidades e «sacudir a água do capote», a conversar sobre as formas de se darem ao respeito e, desse modo, dignificarem as suas profissões e o livro.

Essencial ao desenvolvimento cultural do país e ao progresso, o livro, no formato actual ou em quaisquer outros que o futuro nos ofereça, exige de nós uma atitude mais responsável e mais interventiva. Não nos podemos quedar pela crítica destrutiva e lamurienta.

A situação actual do livro, das livrarias, da edição, da distribuição, das bibliotecas, das escolas, da leitura, merece a reflexão atenta de todos e a adopção de medidas e sobretudo de atitudes que contrariem a opinião acrítica e a formatação de um gosto dominante que prima pelo efémero, pelo fugaz e pelo superficial.

Não se pretende encontrar, e muito menos crucificar, «culpados» dos males que atormentam o mundo do livro e da leitura. Se os há somos todos nós, quando não somos profissionais competentes na actividade que desenvolvemos. E uma actividade que visa, em última instância, a leitura, mais exigente se torna com os seus profissionais. Choca, por exemplo, ver profissionais do livro que fogem da leitura como o diabo da cruz!

Há que mudar atitudes e procedimentos e é já com um novo espírito que este Encontro Livreiro deve acontecer: reunindo em vez de dividir; ouvindo em vez de impor; convivendo em vez de continuar de costas voltadas; metendo as mãos na massa em vez de estar à espera que outros resolvam o que a nós cabe resolver; tomando consciência de que todos somos poucos para a árdua tarefa de fazer da leitura um desígnio nacional crucial para o progresso e para a nossa identidade e maioridade cultural.

O país futuro que ambicionamos e que queremos ajudar a construir assenta o seu progresso no desenvolvimento cultural, na leitura e numa verdadeira articulação entre política cultural e educação.

Os participantes no I Encontro Livreiro, constituindo-se como fundadores e impulsionadores destes Encontros, estabelecem a sua realização anual, fixando que o II Encontro Livreiro terá lugar, no mesmo local, no dia 27 de Março de 2011, mantendo o seu carácter aberto.

Será criado um blogue, com a designação de «Encontro Livreiro», onde, para além da publicação, entre encontros, de notícias e textos relevantes relacionados com o Livro em Portugal, se divulgarão textos, propostas e outros documentos que surjam durante a realização de cada Encontro. Em cada sessão anual será designado um grupo de três elementos que se responsabilizará, no ano seguinte, pela manutenção do blogue.


Luís Guerra
Setúbal, Livraria Culsete, 28 de Março de 2010

domingo, 28 de março de 2010

«TEM DE SER UM BRINDE! TODOS EM CONJUNTO!»




COMEÇAM A CHEGAR OS PARTICIPANTES






À ESPERA

                                       I Encontro Livreiro, Culsete - Setúbal, 28-III-2010 (Foto de Luís Guerra)

PREPARANDO O LIVRO DE HONRA PARA AS ASSINATURAS


CONVITE

O convite parte, com muito gosto, do livreiro da Livraria Culsete. Os amigos do ramo livreiro e todos os que se consideram como «gentes do livro» são convidados e convidam-se uns aos outros, para um convívio na tarde do domingo, dia 28 deste mês de Março de 2010, com o único objectivo de nos encontrarmos e conversarmos descontraidamente, saboreando um Moscatel de Setúbal.
O velho livreiro crê que passarmos juntos uma tarde numa simples livraria conversando sobre o que mais nos interessar e agradar é uma forma simpática de prestigiarmos o nosso trabalho e afirmarmos a sua importância no mundo do livro e da leitura.
*Traje obrigatório: interesse em participar e boa disposição!

Setúbal, 4 de Março de 2010

Manuel Pereira Medeiros