domingo, 27 de março de 2011

A escrita, o livro, a leitura: um mundo!

«A escrita, o livro, a leitura: um mundo! Vasto e complexo mundo! Quem encontrarei disponível para me acompanhar num breve olhar sobre ele?

Mundo habitado. O olhar encontra imediatamente os escritores e os leitores. Depois, entre a escrita e o livro, está o editor com o seu trabalho emérito. Entre o livro e a leitura estou eu, o livreiro. O escritor publica a escrita, o editor publica o livro, o livreiro “publica” a leitura.

Para publicar a escrita e o livro basta um escritor e um editor. Para publicar a leitura nem só o livreiro, muito menos um livreiro. (…) sou apenas um livreiro entre muitos, um livreiro em fim de carreira, que não consegue fugir à consciência do modo concreto como a sua vida foi marcada pelo mundo da escrita, do livro e da leitura.»

Resendes Ventura, Papel a Mais, Esfera do Caos, 2009, pp. 20-21.

O Encontro em imagens (1)












Letra Pequena

(clicar na imagem)

Porque há coisas que acontecem

há lugar para todos

«É hoje!

E o tempo? Madrugava. Fui ver e sorri… Chovia uma chuva silenciosa, apropriada ao ditado:
MARÇO, MARÇAGÃO:
DE MANHÃ CARA DE CÃO,
À TARDE VERÃO!»

O Cheiro dos Livros

sexta-feira, 25 de março de 2011

JL

«ENCONTRO LIVREIRO EM SETÚBAL

A Livraria Culsete, em Setúbal, acolherá o II Encontro Livreiro, no próximo dia 27, domingo, a partir das 15. Escritores, livreiros, editores e bloggers estão por detrás da iniciativa que se concretiza no último domingo de março de cada ano, em prol da "respeitabilidade e continuidade do setor livreiro e do seu trabalho". E porque atualmente as conversas à volta dos livros dão-se sobretudo na blogosfera, a organização (através do blogue "Isto Não Fica Assim!") está a receber textos sobre "esta coisa de as pessoas se encontrarem para conversar sobre o mundo dos livros", de onde sairão motes para o convívio.»


JL de 23 de março a 5 de abril de 2011, p.2

A volta do parafuso

«Foi na Culsete que aprendi muito do que hoje sei sobre os livros.», diz Luís Ricardo Duarte, do blogue «A volta do parafuso». Mas vale a pena ler todo o texto. Pena que o Luís não possa estar presente neste II Encontro Livreiro. Fica o convite para o III Encontro, no último domingo de Março de 2012.

o café dos loucos

(clicar na imagem)

Obrigado, Hugo. Será um grande prazer ver-te em Setúbal no próximo domingo. E o Encontro terá muito a ganhar com isso.

Já?


JÁ?


Sim... é possível.


quarta-feira, 23 de março de 2011

A importância que tem ou que pode ter?

A importância que as coisas têm, e igualmente as pessoas e os acontecimentos, é a que lhes damos.
Não é que coisas, pessoas e acontecimentos não tenham a sua própria importância, mais relevante ou menos relevante.
Apesar disso vou repetindo:
têm a importância que lhes damos. E, se o repito, é para aplicar ao acontecer, no próximo domingo,
do nosso II Encontro Livreiro.
Muito longe de ser um acontecimento subjugante, em que se vai participar porque «como é que se pode
passar ao lado?». Apesar disso a simpatia que tem despertado nas últimas semanas é significativa.
Significa que? É o que procurarei perceber melhor, desde já,
pelas adesões que por estes dias se forem confirmando ao convite em que insistimos, com muito gosto, para um Moscatel de Setúbal na Culsete.
Feito com muito gosto e sem pretensiosismos, é um convite
para um acontecimento sem nada de subjugante,
que há-de ter, no entanto, a importância que lhe dermos.

Manuel Medeiros
Livreiro, Poeta, Fundador do Encontro Livreiro

segunda-feira, 21 de março de 2011

27 de Março de 2011

Um lembrete [apenas para os mais distraídos]: é já no próximo domingo, dia 27 de Março de 2011, a partir das 15 horas, na Livraria Culsete (Setúbal).

Confirmações de presença, dúvidas, envio de textos, etc.
encontro.livreiro@gmail.com


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sábado, 19 de março de 2011

O encontro e o convívio

Já houve um tempo em que nos conhecíamos pessoalmente de ouvir falar. Agora passámos a encontrar-nos nos blogues, no facebook e outros sítios da blogosfera, mas sentimos que nada disto substitui completamente o toque físico, pele com pele e cara a cara, do abraço, do aperto de mão, do beijo, de um olá pleno de ar quente dos pulmões, sopro com sopro, palavras de corpo presente, palavras que não sejam levadas, todas, com o vento ou com um delete.
Entre muitas outras, aqui está uma das razões para a urgência do encontro e do convívio, que aquele pode atear, um fogo que se alimenta de afectos, de cumplicidades e de partilhas que exigem um pouco mais do que o simples clic maquinal, este um convívio de maior solidão, bem mais frio e distante.
Encontremo-nos, pois, e convivamos para nos conhecermos melhor e, conhecendo-nos melhor, melhor fazermos o que houver a fazer. E há muito a fazer.

[...]

Estava só a pensar, divagando, no nosso Encontro Livreiro em Setúbal e aqui fica o resíduo de um pensamento à solta que me puxou para aqui.

No próximo dia 27 é muito natural que alguns, que se julgam conhecer há muito, só de ouvir falar, se encontrem pela primeira vez e passem a con-viver mais. E, se isso acontecer, já valeu a pena o sonho do Livreiro Velho a que, desde o passado dia 28 de Março de 2010, demos asas.

Um abraço a todos e até breve,

Luís Guerra
Assírio & Alvim /Fundador do Encontro Livreiro

Poesia Incompleta


Obrigado, Mário (aka Changuito), e venha daí a Setúbal!

sexta-feira, 18 de março de 2011

A Persistência da Visão

Sentado frente ao ecrã, com o frio da noite lá fora, longe deste ambiente vivo e agradável graças a um aquecedor a gás, recordo os lugares de ler da minha infância e juventude. Eram sítios e espaços maravilhosos, de regras claras e distintas, com um imperativo maravilhoso: fruir o livro. Eram lugares onde eu podia largar tudo e mergulhar num livro.

No meu caso, identifico-os bem. A livraria e a tabacaria do meu bairro e, como é natural, a casa de meus pais. Em casa havia livros de todos os tipos, temas e feitios. Não eram muitos mas supriam todas as minhas necessidades e prazeres. Quando descobri que não me chegavam e que lá fora havia um mundo imenso de livros, livrarias e bibliotecas, fiquei maravilhado. Iniciei então uma viagem sem regresso, do tipo que todos reconhecemos (mesmo os que não lêem).

O encontro com o livro e a leitura é por vezes o simples resultado da disponibilidade. De livros e de tempo. É espantosa a quantidade de tempo que existe quando somos mais novos. Todavia, acredito que o mais determinante nesse encontro não é nem o espaço, nem o tempo, nem sequer uma forte presença física de livros.

Por isso, ao desfiar a memória dos lugares onde li livros, reparo subitamente que o importante foram as pessoas que neles estavam.

As pessoas que faziam parte da minha paisagem em qualquer lado que eu estivesse ou fosse eram naturalmente os meus pais e os meus avós. Pessoas que para mim foram e são como lugares num sentido latino. Presenças fulcrais, centrípetas e aconchegantes. Pessoas que me deixaram sonhar e que me mostraram como fazê-lo. Vejo o meu avô sentado no sofá da sala embrenhado num jornal ou num romance. Sinto a minha avó perto de mim, ajudando-me a ler os livros de juventude da minha mãe. Aqueço-me nos serões de leitura dos Lusíadas à beira da cama de minha mãe. Descanso, mesmo nas noites em que acordei estremunhado com algo e dei com o meu pai lendo, sentado na cama.

Mais tarde, saía de casa para ir a lugares com pessoas. Com as senhoras simpáticas da livraria do bairro que não só me aturavam as perguntas, como o hábito de ler sentado no chão ou encostado aos escaparates. A da tabacaria que me deixava manusear dicionários ilustrados e Júlio Verne sem ter de os comprar. O alfarrabista que macambúzio não comentava se eu pegasse num volume de Spengler, noutro de Durrell e num Argonauta. Posso dizer que a primeira coisa que comprei para mim em toda a minha vida, foi um livro e que não me esqueço dos nervos que senti ou do sorriso de lábios cuidadosamente irreflectidos da empregada ao dar-me o troco.

Os livros, apesar de maravilhosos, nada são sem as gentes que o suportam, amam e acarinham, nada sem os que os lêem, que os promovem, que os ensinam e que os tornam, como se costuma dizer hoje, virais. Os livros possuem o péssimo hábito de não serem auto-suficientes. Precisam de pessoas como nós para terem vida, para serem vida.

E quantos mais formos, mais persistiremos contra o apagar da luz.


Nuno Fonseca

Orgia Literária / Fundador do Encontro Livreiro

Libertad

«E porquê destacar e insistir neste pormenor, que vi na notícia da Lusa, na notícia sobre a abertura da Casa José Saramago? Porque há pormenores que são todo um programa. Manter o equilíbrio entre os diferentes agentes culturais de um determinado espaço, não açambarcar as vendas de livros como se de uma competição se tratasse, oferecer serviços complementares e em diálogo com o que já existe em vez de dominar são gestos que podiam mudar um bocadinho o panorama editorial na sua relação com o mercado. É certo que a referência aos livros em castelhano não é o essencial da notícia, mas como isto não é um jornal e como me permito certos arroubos afectivos quando as coisas assim o exigem, tenho para mim que se algum dia for a Lanzarote para ver a Casa que hoje abre as portas, quererei visitar a Libertad, e o melhor é que não vou precisar de dizer, na loja da Casa de José Saramago, ‘este livro não compro aqui porque prefiro ir comprar ali à livraria’, como às vezes me acontece em grandes superfícies. O mais certo é que na loja da Casa me recomendem a Libertad, e na Libertad me recomendem a loja da Casa.»


Deixamos aqui, para reflexão e comentário, esta reflexão da Sara, a que chegámos - e não é insignificante referi-lo aqui - pelo seu eco em Sines. E que agora se passa a escutar aqui e por aí.

Letra Livre

A Livraria Letra Livre, que também está convidada e convida outras gentes do livro, divulga o II Encontro Livreiro. Obrigado e venham daí até Setúbal.

Dia Mundial da Poesia e da Árvore com Helder Moura Pereira

(clicar na imagem para obter mais informação)

E que tal uma saltada a Setúbal, no próximo domingo à tarde, para aquecer motores e/ou aprender o caminho?
É apenas uma sugestão do ENCONTRO LIVREIRO.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os livros que se publicam, as listas dos mais vendidos, os prémios literários e aquilo que mais interessa

Há épocas do ano em que, apesar da profusão de novas edições que surgem diariamente nas livrarias, não me é muito fácil escolher um livro para ler. Possivelmente porque sou preguiçoso e estou sempre à espera da nata. Talvez seja por isso ou porque já não tenho paciência para o estilo de publicações com que o mercado editorial vai seduzindo não só leitores mas, acima de tudo, não leitores.
São títulos e personalidades que, cada vez mais, interessam a uma parte do sector editorial. Algumas das vezes, infelizmente, àquela parte que tem dinheiro para esbanjar na habituação, no vício, na publicidade e no marketing, para depois ir colher os frutos que quer. Frutos que já não custam tanto dinheiro a produzir. É uma opção de um sistema que valoriza apenas o material, a imagem, o parecer-se com. Daí, muitas das publicações que aparecem nas montras parecerem-se com livros mas serem apenas um produto. Com embalagens vistosas e publicidade em tudo o que é sítio. Não me admira, pois, que se vendam ao lado dos legumes e das mercearias.
Pelo contrário, há publicações que apenas se vendem nos estabelecimentos da especialidade. Como os medicamentos. São livros perigosos, que servem para curar doenças ou alimentar o espírito. Como os remédios deste tipo que só se vendem nas farmácias, são livros que apenas se encontram nas livrarias. Porque são perigosos mas, em geral, não são rentáveis.
Gostaria que António Damásio tivesse vida e saúde para ter tempo de estudar e publicar os motivos que levam a este estado mental. Poderia ser que conseguisse iluminar algumas cabeças pensantes. Pode ser que o seu último livro O Livro da Consciência – A construção do cérebro consciente possa já dar uma pequena ajuda. Até porque o livro, para o género, até se vende bem ocupando mesmo um bom lugar no top da livraria.
Aqui, a nossa lista dos mais vendidos, desta vez, até tem coincidência com as listas dos grandes grupos livreiros. Mas as listas valem o que valem. Há livros dessas listas de grandes vendedores que não saem das prateleiras ou das mesas da livraria de província. Sejam eles publicitados ou mesmo premiados. Por exemplo, sendo um dos autores que até se vende bem por aqui, desde o anúncio do Prémio Nobel da Literatura de 2010, e durante cerca de um mês, só um cliente nos procurou por livros de Mário Vargas Llosa. Há mistérios insondáveis dignos de um estudo sociológico.
E este é o prémio Nobel! Imaginem as dezenas de outros prémios que aparecem anunciados nas capas, prémios de que ninguém ouviu falar senão o Editor quando visitou a Feira de Frankfurt.
Felizmente há quem aposte no prémio da qualidade. Autores, Editores, livreiros e, felizmente, alguns leitores. Esse é o prémio que apenas com a leitura se afere. Somos nós, leitores, que o atribuímos. Ao ler, ao falar do livro, ao divulgá-lo. E isso é o que mais interessa.

Joaquim Gonçalves
A das Artes (Sines) / Fundador do Encontro Livreiro