sábado, 2 de julho de 2011

As livrarias e a leitura


(clicar na imagem para a aumentar)

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

Socorro, onde está o meu livreiro?
Quarta, 13 de Julho, 21h30, no Bartô - Chapitô, em Lisboa


No metro, nos correios, junto da banca das couves no supermercado, ele é ver livros brotar dos recantos mais insuspeitos e, estranheza maior, leitores que chegam ao balcão dos correios empunhando contas de electricidade e sérios tomos de auto-ajuda.
Restam poucas dúvidas de que pisámos, aqui, uma linha limítrofe. Mas limítrofe de quê? Que princípios culturais são estes que regem a compra e venda de livros?
As vendas tomaram de assalto a indústria do livro e o leitor foi elevado à condição de consumidor. A quantos de nós, leitores, nos perguntaram editores, livreiros ou autores, o que gostaríamos de ler? Será que nos revemos verdadeiramente nos escaparates atolados de novidades ou que as nossas escolhas estão, hoje, mais condicionadas que nunca pela abundância de oferta e ausência de aconselhamento. Onde está o meu livreiro? Quem é o meu editor? Por que comprei este livro?

Convidados com presença já confirmada
Ricardo Ribeiro, Joaquim Gonçalves, Pedro Vieira, Luís Guerra

Moderação
Rosa Azevedo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Livreiro Velho escreve a Sara Figueiredo Costa


Caríssima Sara,
os nossos e os meus amigos ficaram contentes com o que ontem, no Portugal Ilustrado - http://portugalilustrado.com/ – publicaste como entrevista construída a partir da gravação da longa, desordenada e muito agradável conversa que tivemos, já lá vão uns mesinhos, aqui na Culsete.


Começa assim, mas continua AQUI.

sábado, 4 de junho de 2011

Gentes do Livro - Livreiro Velho homenageia Jovem Editor


rabiscos vieira

«Dez anos!
Já dez anos sobre o desaparecimento de um «jovem editor» com obra feita. Por feita (per-feita), a prometer o valor da que, por causa desse desaparecimento ficou e… não ficou por fazer, pois quem deixa aberto um elevado caminho ao futuro participa da autoria de tudo o que nele se constrói»


Ler texto completo AQUI

A ilustração é de Pedro Vieira, jovem autor, mas sobretudo, entre muitas outras aventuras em que já se (e nos) envolveu, um LIVREIRO (sem ex-).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

a leitura na escola e a ameaça da pirataria


«A poucos dias das eleições, a ministra da cultura propõe que o IVA dos livros eletrónicos seja idêntico ao dos livros em papel (taxa reduzida). A ideia é antiga e os editores têm discutido o assunto, porque ele não é pacífico. Em Espanha, por exemplo, os e-books são taxados a 15,2% enquanto aos livros em papel são aplicados 3,4%. Mas a questão não é essa nem se resolve com uma “proposta agradável” à boca das urnas. O problema está em como manter os atuais níveis de literacia sem prejudicar a economia do livro, que nunca teve apoios do Estado e lutou, solitária, para conquistar autonomia e dignidade. Pensar o mercado do livro, hoje, inclui uma discussão sobre a leitura na escola e a ameaça da pirataria. De contrário, é apenas um assunto para os novos-ricos se entreterem.»

FJV - 1 de Junho de 2011

O poder da leitura

«(...)
Não se deve olhar para trás, mas de vez em quando acontece, além de que não se pode ser velho sem contar, contar, contar até ficar em silêncio.


Não se deve olhar para trás, mas às vezes…
E o que se revive comove-nos.

Princípio 7, a cultura geral.
A grande revolução de um povo é a cultura geral e desde criança. Como é indispensável compreender e promover, COM LIVROS, essa cultura geral.
Indispensável.
Livros competentemente escolhidos.
(...)

que competência e dedicação em literatura infanto-juvenil e à animação de leitura, digo, aproximação infalível das crianças e jovens aos livros e ao "poder da leitura"! »

L. V.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Esperança, na Madeira

«Tenho 165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus».

Açores em Setúbal

Açores em Setúbal.

Culsete, 28 de Maio de 2011, sábado, 16h30.

Vá «atabernar» à livraria Culsete.

Vai ver que é muito bem recebido, como a Fátima e o Manuel tão bem sabem fazer, e que adorará passar uma inesquecível tarde de sábado, saboreando uns bons nacos de conversa.

sábado, 21 de maio de 2011

Sines não é só o FMM e o FMM não é só música


FMM SINES 2011 Feira do Livro e do Disco

A livraria A das Artes, em colaboração com o FMM, participa na Feira do Livro e do Disco que decorrerá entre 22 e 30 de Julho na Capela da Misericórdia, junto ao Castelo.

Para além das muitas novidades editoriais o visitante poderá encontrar fundos de catálogo tudo com preços abaixo do preço do editor.

Paralelamente decorrerão no Centro de Artes encontros com alguns autores. A entrada é gratuita e será uma boa oportunidade para, pessoalmente, convivermos e trocarmos impressões com alguns nomes importantes do nosso meio editorial.

Enquanto aguardamos outras confirmações estão, para já, agendadas as seguintes sessões:

Sábado, 23 - 17h. - ANTÓNIO PIRES

Domingo, 24 - 17h. - LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO

Terça, 26 - 18,30h. - LÍDIA JORGE

Quarta, 27- 17h. - SÉRGIO GODINHO

Sexta, 29- 17h. - JOSÉ DUARTE

Sábado, 30 - 17h. - CARLOS CLARA GOMES e JOSÉ MOÇAS


sexta-feira, 20 de maio de 2011

«Não. Não vale a pena correr tanto como correm por aí.»

No desassossego que é tentar ler o máximo possível dos livros novos que são publicados, e que nos interessam, vão ficando para trás projectos de leitura que se prolongam até ao insuportável.

Valeu, neste caso, a reedição, em boa hora, de alguns dos diários de Miguel Torga.

Não se lêem como um romance porque não são um romance. Mas há poesia pelo meio como seria de esperar.

Torga fala de poesia, da sociedade, da terra, das pessoas, de política e, claro, de literatura.

Vejamos o que ele nos lega, desde Coimbra a 20 de Novembro de 1965, acerca dos livros:

“Não. Não vale a pena correr tanto como correm por aí. Há obras essenciais, e há obras que nunca o serão, mesmo entrando em linha de conta com as variações dos gostos e de critérios de avaliação que o tempo motiva. Obras que nascem para viver, e obras que nascem para morrer. As que renovam a língua e a visão das coisas, que dão às palavras uma força nova, uma vibração original, e as que nada acrescentam ao que já estava. A gente mal concebe que as primeiras não existissem, e passava perfeitamente sem as segundas. Que falta fazem hoje as toneladas de versos do Cancioneiro Geral, e que mão seria capaz de riscar o do mapa literário português? Cada livro é um candidato à eternidade em perpétuo exame. A prova da sua excelência nunca termina. Dissecado à mesa anatómica de todas as gerações, por todas tem de ser aprovado, sem receber de nenhuma o diploma final. Alguns ficam reprovados sem apelo logo ao primeiro interrogatório. Outros prosseguem no concurso, até ver. Daí a inutilidade dos triunfos forjados, dos sucessos publicitários. Na maioria dos casos são derrotas irremediáveis, amanhã. Os cemitérios da glória abarrotam como os da obscuridade. Cada vez há mais cadáveres para enterrar. É impossível subornar júris sucessivos. Lá vem o momento em que tudo depende das forças vitais do próprio examinando. Por isso, quem se arrisca a lançar ao mundo um penitente desses, o melhor que tem a fazer é deixá-lo seguir discretamente o seu destino. A atenção que merece assim desamparado é a única consolação e a única fonte de esperança que o autor pode ter” (pp. 125-6).

Folheando o dia-a-dia daquele que é um dos grandes vultos da literatura portuguesa vamos convivendo com um homem bom, solidário, clarividente, honesto e correcto.

Se alguém duvidava que ler nos torna melhores pessoas, basta ler os diários de Miguel Torga para desfazer as dúvidas e, até, nos envergonharmos de algumas atitudes do nosso quotidiano.

Para terminar, aqui deixamos o poema Mágica, lançado no diário a 1 de Fevereiro de 1966, escrito em Coimbra, poema que nos oferece uma maravilhosa definição de poeta:


Lírica tarde, oculta
No trivial.
Um retalho de céu emoldurado
No caixilho dos olhos,
Um carro de ciganos, lento e majestoso,
Alheio ao frenesim do trânsito da rua,
Um verso recordado
À memória esquecida…
São assim os poetas.
Cobrem as horas de nudez da vida
Dum largo manto de emoções secretas.

Sines, 14 de Maio de 2011

Joaquim Gonçalves
livreiro

[publicado originalmente no blogue d'A DAS ARTES]

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que acontece na Feira para além da venda de livros também costuma fornecer lenha para algumas discussões.

«[...]
Que a Feira possa continuar a ser esta agradável mistura de livros com farturas, de raridades bibliográficas com roulottes de comida suspeita, de criancinhas insuportáveis com encontros inesperados, é o que posso desejar, de preferência com mais fundos de catálogo e menos novidades, que para isso temos o resto do ano.»

Sara Figueiredo Costa

As Feiras do Livro e as livrarias independentes

[...]

Exposto isto, não nos resta a nós, pequenos livreiros, outra alternativa senão criarmos uma Associação de Livreiros Independentes, o que não é fácil, com os escassos recursos que temos e as distâncias geográficas que nos separam.

Talvez seja eu que acabo de ler o Dom Quixote e ande a sonhar com moinhos de vento. Pode ser que seja!…

Jaime Bulhosa

Imperiais, farturas e obras públicas: coisas sobre a 81ª Feira do Livro de Lisboa

«Andam todos a comer-se uns aos outros, como os peixes do Padre Vieira, e não se dão conta disso.»

diz o Gonçalo Mira (um dos fundadores do nosso Encontro Livreiro)... e nós recomendamos a leitura integral de mais este balanço, muito pessoal, da Feira do Livro de Lisboa de 2011 que também fala do futuro, dos livreiros, dos editores e de muitas e importantes coisas mais. Boa leitura e venham daí esses comentários.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Feira do Livro de Lisboa - um balanço

«(...) se a Feira serve exactamente para o mesmo que as livrarias, para que servem as livrarias? Pensarão os editores que, esvaziando as livrarias conseguem melhores resultados financeiros? A curto prazo, talvez, mas a longo prazo, tenho dúvidas. (...)»


Sara Figueiredo Costa
Ler texto completo (vale a pena ler o texto completo) AQUI.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Defendamos e valorizemos o minifúndio

Em nome da diversidade e da liberdade de escolha dos leitores, defendamos intransigentemente a valorização do minifúndio editorial e livreiro!

Luís Guerra
[bebendo inspiração na ideia de "valorização do minifúndio" que lhe chegou num e-mail do Livreiro Velho]

domingo, 1 de maio de 2011

Em abril, águas mil...

«(...)
Embora Santo António não possa estar contente com o vosso calendário e ninguém, portanto, lhe possa atribuir responsabilidades pelo granizo sobre Lisboa, há-de vir bom tempo!
O primeiro fim-de-semana não conta!
Até faz sentido:
respeita-se um velho ditado e fica crédito para se voltar a decidir o prolongamento.

L. V.

Leitura completa AQUI.

sábado, 30 de abril de 2011

«Gosto da feira como uma oportunidade de encontro e de perdição»

(...) Pessoalmente, gosto da feira assim e já lhe vejo demasiadas inovações mas provavelmente estarei sozinho, porque as pessoas, em geral, gostam de “coisas novas”, “animação” e “novo design”. Gosto da feira de barraquinhas onde os livros se amontoam e se procuram. Gosto da feira como uma oportunidade de encontro e de perdição, sem demasiadas “atividades paralelas” a atrapalhar a vida dos passeantes e dos editores. Gosto, enfim, da feira onde os autores são atropelados por leitores curiosos ou apaixonados, sentados onde calha, e não dispostos como fornecedores de autógrafos. Podem mudar, sim, mas esta é a feira de que gosto.»

Francisco José Viegas


«qualquer dia deixamos de ter "feira do livro", passamos a ter "shopping de conteúdos e conceitos"»

«em dia de inauguração lá fui fazer o reconhecimento ao entardecer como naqueles filmes muito romantizados, sondar tudo antes do amanhecer, antes do anoitecer, que aquele parque é zona de caça grossa quando se cerram as barracas, e lá cumpri os primeiros sobe e desce (...)»

Ler texto completo, de Pedro Vieira, AQUI.


Comentário de Joaquim Gonçalves [A das Artes - Sines] a 30 de Abril de 2011 às 11:53
«Olha, Pedro. Se fosse para dar estrelas à classificação do teu post dava-lhe o firmamento. De noite, claro. Sem as luzes aluadas do Parque, of course


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dias de Feira

«(...) Será conservadorismo da minha parte, mas gostava mais da Feira quando esta permitia passear desordenadamente por entre pavilhões, conversando com editores e folheando livros sem me sentir fechada em áreas vedadas ou enormes caixotes. Sim, às vezes chove e é aborrecido, outras vezes está muito calor e para isso estão lá as árvores e os relvados do Parque, mas substituir a sensação de subir e descer as alamedas em passeio livresco pela necessidade de entrar e sair de sítios não me alegra os dias de Feira.» (...)

Sara Figueiredo Costa, in «Cadeirão Voltaire».

Uma pergunta, somente, e depois se verá:
- O que significaram e o que significam as Feiras do Livro da APEL (não esquecer: são oitenta e um anos de influência!) para o desenvolvimento do comércio livreiro e para o desenvolvimento da leitura no Portugal que somos?

L. V. , in «Chapéu e Bengala»

sábado, 23 de abril de 2011

«... o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos...»

CULSETE-23 de Abril–DIA MUNDIAL DO LIVRO-2006
Mensagem do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Autoria de Urbano Tavares Rodrigues

Dia 23 de Abril de 2011

Dos mais antigos e preciosos manuscritos, por vezes maravilhosamente iluminados, ou seja cobertos de ricas ilustrações, à descoberta da imprensa, que inicia um processo de democratização da leitura, ao aparecimento dos primeiros jornais, ainda de reduzida circulação, ao surto da imprensa moderna, o livro, de começo destinado a um escol de leitores, não tarda a chegar às massas devido ao ruído social e até ao escândalo de obras como as de Victor Hugo, que trazem ao público o milagre, o mistério, a aventura prodigiosa.

O Germinal e outras obras de Zola foram extremamente motivadoras para a conquista de um círculo muito abrangente de leitores. Só tarde se vulgarizou o subproduto romanesco, a partir de obras com certa qualidade, que foram imitadas, vulgarizadas, estereotipadas.

O livro, que às vezes provinha do folhetim, ganhou cor, beleza, tornou-se umas vezes discreto, outras vezes berrante para chamar a atenção do público mais simplório. Suportou a concorrência do cinema e da televisão, com os quais estabeleceu relações íntimas de interpenetração.

Já muito mais tarde sofreu a concorrência da Internet e resistiu-lhe. O modelo de globalização neo-liberal, que não afecta a grande literatura, marcou profundamente os subprodutos muito vendáveis, contendo lixo literário. Há por vezes o que parece ser uma concessão a processos um pouco fáceis de sedução do leitor. Mas continua a fazer-se muito boa literatura. A digitalização dos livros lançados na Internet preocupa alguns puristas, mas a verdade é que o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos ou é enfiado debaixo do travesseiro, companheiro querido, onde por vezes se escrevem anotações, juízos, comentários, críticas ou pequenos elogios, que o valorizam aos olhos dos bibliófilos.

O livro tornou-se um amigo, foi nele que em muitos casos, nos descobrimos, com ele crescemos e nos transformamos, permanecendo fiéis ao mais profundo da nossa natureza. Lembro-me sempre do que foi para mim, como descoberta íntima do meu ser, a leitura de L’exile et le royaume, de Albert Camus. Camus, de quem vim a tornar-me amigo, morreu cedo, abruptamente, num acidente de automóvel. Restam-me dele retratos e os seus livros, palpitantes de vida, anotados por mim, desde O mito de Sísifo, que traduzi para português, aos outros, tão vivos, alguns cobertos de gatafunhos como La chute, que me inspirou o comportamento de um mentiroso compulsivo numa curta novela.

A terminar esta breve série de considerandos sobre o livro, a sua trajectória no tempo, a sua magia glorificada como resistência do espírito, que é e será contra a barbárie economicista, que reduz tudo a dinheiro. Desejo que brilhe com a suprema luz da paz e da fraternidade universal este novo dia do livro.

Urbano Tavares Rodrigues

Mensagem retirada de Chapéu e Bengala que a retirou de http://www.spautores.pt/destaques

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A tradição catalã de fazer uma festa cívica à volta do livro chega a Lisboa

«O dia de Sant Jordi (São Jorge), que se celebra sábado na Catalunha, tem como tradição oferecer um livro e uma rosa à pessoa amada e vai ser pela primeira vez celebrado nas ruas de Lisboa. A iniciativa é da associação cultural CatalunyApresenta e do Instituto Ramon Llull, que organizam a tradição catalã de fazer uma festa cívica à volta do livro, sábado no Miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa»

Continua AQUI.

E na barra da direita do blogue da Pó dos Livros lê-se:

«23/Abril/11, das 11h00 às 19h00: A Pó dos Lvros vai estar no Jardim de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, com a Associação Catalunya Apresenta, para festejar o Dia Internacional do Livro.»

O que apetece festejar na Fonte

Ir às livrarias

"Ir a la librería [...] es un signo de humanismo, de humanidad, y es la pérdida de ésta la gran amenaza".

[...]

«Las librerías y las bibliotecas de una ciudad deben ser parte del centro de la vida cotidiana de los barrios y un indicador de su calidad como lugares para residir.»

Ler artigo «¿Qué será de las librerías?» AQUI e comentar, adaptando-o à nossa realidade.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A mais antiga livraria em actividade

«Desde que abriu em 1732, a Livraria Bertrand do Chiado nunca deixou de funcionar. É por isso que entrou para o Guiness como a livraria mais antiga do mundo ainda em actividade.» {Público}. Referências, entre outras, nos blogues {Cadeirão Voltaire} e {Blogtailors}

Dia Mundial do Livro na Capítulos Soltos


Embora o Bruno e a Marta não tenham podido estar presentes no Encontro do passado dia 27 de Março, por razões imprevistas e de última hora, a livraria Capítulos Soltos, de Braga, já faz parte do nosso Encontro Livreiro. Se passar por Braga, já sabe...

Ler é ser Feliz

Venha à Arquivo no DIA MUNDIAL do LIVRO: sábado, 23 de Abril. Na compra de um livro, oferecemos uma rosa e um café. E... Ler é ser Feliz!»

Mensagem da livraria Arquivo, de Leiria, colhida no Facebook.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Amar os livros e a leitura


«Ler é um vício saudável.»


diz o livreiro Antero Braga, da Livraria Lello, em entrevista que convidamos a ver e ouvir AQUI.

Antero Braga, um Amigo que já faz parte do Encontro Livreiro e que, não podendo estar presente no II Encontro, realizado no passado dia 27 de Março, mandou mensagem (sms para Luís Guerra) que foi lida, nessa ocasião, a todos os presentes e agora aqui fica registada no nosso blogue:

«Não estou presente fisicamente com enorme pena mas creia que estou com todos vós espiritualmente. Amar os livros só alguns têm esse privilégio. Que continuemos a ter esse desígnio. Transmita por favor a todos os presentes, companheiros desta nobre actividade, que espero no futuro dar a todos aquele abraço. Antero Braga»

Eu leio, tu lês, ele lê...

Ilustração de Gérard Dubois, desviada do blogue «o silêncio dos livros», do livreiro e amigo Hugo Miguel Costa.



E se em vez de dizermos apenas

[...]
Autor
Editor
Distribuidor
Livreiro
Escrever
Editar
Distribuir
Vender
[...]

conjugássemos diariamente o verbo


LER

?

Luís Guerra

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Exigir que «isto não fique assim»

FICAR ASSIM? É IMPOSSÍVEL! (1)

«Os dias correm»
e as citações decorrem...
I. Francisco José Viegas
«Os últimos dias foram, naturalmente, agitados. Por isso, uma explicação aos leitores do blog.
1. Três, quatro dias em «formação a livreiros», Lisboa, Coimbra e Porto. Uma tarefa agradável, entusiasmante — e até comovente. Cerca de 150 livreiros, aproximadamente, com quem se falou de livros. Aprender muito, bastante; ouvir relatos de experiências «do outro lado da barreira», de gente que manuseia livros, arruma livros, vende livros, devolve (com tristeza) livros não vendidos. Acho que a formação foi, realmente, para mim.»: http://origemdasespecies.blogs.sapo.pt/

II. Francisco José Viegas
«A culpa é do livro digital? Não apenas. É sobretudo de uma gestão virada para o “capital financeiro”, que acreditava que podia vender livros da mesma forma que venderia produtos de limpeza, e que poderia impingir eternamente subprodutos infames. Como estava escrito há muito, o livro vingar-se-ia dos seus algozes ignorantes – mas, infelizmente, é um mundo que, tal como se anunciava, termina os seus dias deixando um rasto de desemprego, de desolação e de culpa. É assim.»:
http://fjv-cronicas.blogspot.com/2011/02/blog-798.html

III. Francisco José Viegas
«O debate, vai-não-vai, centra-se(…).
Acontece que a crise das livrarias (…) não começou com (…)
Começou com (…) a imbecilização (…), enfim, uma série de factores que com facilidade nos arrastariam para o ainda mais fácil (e mais perigoso) discurso sobre a decadência da Humanidade. Não é preciso ir tão longe; mas cada um de nós (…).
Talvez se consiga que estes assuntos entrem no debate (…).»:
Ler 101 – Abril de 2011.

IV. Francisco José Viegas
(Fiquemos por aqui, podendo sempre voltar, naturalmente! Por agora baste o convite para ir às fontes: blogues e LER. Por favor, não me peçam é para ser, aqui, mais académico do que…).

V. Luís Filipe Cristóvão
«Deixem-se de merdas, somos todos culpados .
(…)
O problema da Trama somos todos nós. Não sabemos o que andamos aqui a fazer.»: http://luisfilipecristovao.blogspot.com/2011/04/deixem-se-de-merdas-somos-todos.html?spref=fb.

E?...
É natural: exigir que «isto não fique assim».
L. V.


[Copiado integralmente de «Chapéu e Bengala»]

domingo, 17 de abril de 2011

O momento livreiro

Reproduzida, com a devida vénia, do blogue Pó dos Livros

«Ouçam e leiam, por favor, o que vai por aí e vamos ver se temos ideias para trocarmos sobre o momento livreiro, na realidade e na discussão.»

L.V., in «Chapéu e Bengala», depois de ouver programa sobre O Futuro do livro e das livrarias.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Procedimentos

«O que me transtorna é ser informado que uma novidade como Menos por Menos, de Pedro Mexia, está esgotada. Então, senhores, em que ficamos? Não é este um país de reduzidíssimos hábitos de leitura? Não é a poesia, a par do teatro, o género que menos vende, e que em breve estará confinado a edições de 50 exemplares? Não estamos nós mergulhados numa enorme crise?»

Mas vale a pena ler o texto completo AQUI.

«Deixem-se de merdas...»



«Deixem-se de merdas, somos todos culpados»

Luís Filipe Cristóvão


terça-feira, 12 de abril de 2011

O livro interminável


«Porque a pesar de las muchas ventajas del e-book, tiene un problema. Parece que siempre estás leyendo el mismo libro.» Fietta Jarque

Uma grande NOVIDADE!

«À VENDA NAS MELHORES LIVRARIAS


VEJA O VÍDEO DO NOVO BOOK

Cumprimentos,
Bruno Malheiro & Marta Peixoto

Todos os dias são bons para visitar uma livraria. Não permita que as livrarias se transformem numa «espécie em vias de extinção»!

domingo, 10 de abril de 2011

Convite para um copo

Se nada acontece por acaso, talvez que em conjunto consigamos inventar aqui no blogue do Encontro Livreiro alguma forma de o tornar inteiramente correspondente, em vivacidade, aos próprios encontros já realizados: o de 28 de Março de 2010 e de 27 de Março deste ano de 2011.
De facto se a vivacidade é a da fogueira de palha, não te fies. As batatas não chegarão a cozer e cruas só com muita fome... As visitas ao blogue voltaram a números que... Não faço ideia se há que aplicar aquela que diz: «poucos e bons». É sempre verdade, mas neste caso se a fogueira está morta... Antes de mais acusar (mail de ontem, colectivo) o alerta do nosso administrador, o Luís Guerra, amigo excelente de todos os que por aqui já vieram e de muito boa gente mais, a que poderá aparecer quando quiser.
Embora lhe tenha chamado um «pedido», prefiro chamar-lhe simplesmente um «alerta». É por causa da sensação de que a quem nos faz um pedido prestamos um favor, ao corresponder... E isto aqui é para quem quer. Favores, isso fica para outras fases da Lua.
Vou dizendo isto a brincar, mas não brinco com isto: se o Encontro Livreiro partiu de um convite para um copo, talvez um novo convite para um copo se não de Moscatel talvez de ideias e factos nos leve a pagarmos uns aos outros umas boas rodadas aqui à mesa do blogue.
Como por exemplo? Parece-me fácil. Só a «copiar», com a devida vénia, o que em milhentos blogues nos interessa a todos, os quantos nos entendemos pela tal feliz designação de «Gentes do Livro», só isso já é muito e um grande favor para muitos, para mim, por exemplo, que perco tanta informação e interessantíssimos debates de ideias. E se não der para copiar, dar um resumo com um comentário, com uma opinião. Umas boas rodadas!
De entre nós quem já acompanhou de perto esse espantoso convívio de taberna aonde fui buscar a imagem de «umas rodadas»?
Há muito que ando a aprender a ideia de «atabernar as livrarias». Voltei agora a pensar miudamente nesse ponto quando li aqui no blogue: «Todos os dias são bons para visitar uma livraria». Um dia destes talvez a gente pudesse conversar a propósito. Que dizem daí, amigos?

M. Medeiros, o livreiro velho

Dia da Arrábida e de Sebastião da Gama

«Em Azeitão, a 10 de Abril de 1924, nasceu Sebastião da Gama.
10 de Abril:
DIA DA ARRÁBIDA E DE SEBASTIÃO DA GAMA»

domingo, 3 de abril de 2011

Livrarias

Todos os dias são bons para visitar uma livraria.
Não permita que as livrarias se transformem numa «espécie em vias de extinção»!


É dia de folga?
Mas pode sempre espreitar pela montra e voltar lá depois.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Promoção do livro e mediação de leitura

Caríssima/o,

A Culsete vai realizar mais uma actividade de promoção do livro e mediação de leitura.

É já no próximo sábado, 2 de Abril, Dia Internacional do Livro Infantil, e o público preferencial são as crianças e jovens, mas não só.

A data coincide com a comemoração do aniversário de nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

A partir das 15 horas a porta da nossa livraria estará aberta para receber os escritores Luísa Ducla Soares e Fernando Bento Gomes e o ilustrador e autor de banda desenhada José Ruy e todas as crianças e jovens que queiram descobrir centenas de livros, para diversas idades e interesses. Esperamos também que familiares e outros agentes educativos e culturais nos visitem nessa tarde, pois conviver com livros é sempre uma grande festa.

O programa será diversificado. Além do convívio com os escritores, haverá leitura de textos e narração de contos e oportunidade para desenhar o que for ouvido ou simplesmente imaginado. Além de outras surpresas que não vamos revelar agora. Esperem para ver!

Julgamos não ser necessário insistir no facto de que criar hábitos de leitura nos mais novos deve ser um imperativo de todos nós, educadores, mediadores, animadores de leitura, profissionais do jornalismo cultural e do livro, que também somos leitores. Quanto mais uma criança lê ou ouve ler mais se motiva para novas leituras, mais se abre ao novo, mais se desenvolve, mais cresce.

Efectivamente, a interiorização de hábitos de leitura depende em grande parte da frequência e da qualidade das interacções do indivíduo com o livro e quanto mais cedo começar melhor. A todos nós cabe grande parte deste trabalho.

Entendida como algo de que as nossas crianças e jovens não deverão separar-se e que os acompanhará ao longo da vida, a leitura faculta a aquisição de competências fundamentais para a sua formação e integração social e contribui para o seu sucesso escolar.

Enquanto mediadores entre a criança e o livro, precisamos constantemente de encontrar novas respostas para criar leitores competentes e interessados e não deixar que arrefeça o interesse daqueles que já lêem. Daí, serem tão importantes actividades de mediação construídas a partir de um conjunto de metodologias participativas, como a que vamos levar a cabo no próximo 2 de Abril.

Dado o interesse desta actividade, vimos, pois, pedir-lhe que colabore connosco na sua divulgação, a fim de que ela chegue ao maior número possível de interessados.

E, claro, esperamos que apareça e se envolva nas actividades.

Até 2 de Abril.

Fátima Ribeiro de Medeiros

..............................................

Ler também Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, em Chapéu e Bengala.

Embebedemo-nos pois dessa paixão comum.


«ISTO NÃO FICA ASSIM»,
POIS DEVE SUBIR À CABEÇA


Um pedido de Rita Pimenta e Luís Guerra para... Está bem, eu conto!

Imaginar o campo de futebol de Angra do Heroísmo. Finais dos anos quarenta ou início dos anos cinquenta
(Século? Ah! Se o digo vou ficar mais velho!):
Está a decorrer um jogo entre os dois rivais, o Angrense (vermelho à Benfica) e o Lusitânia (riscas verdes à Sporting).
Jogo de paixões, um Sporting-Benfica à escala. O episódio passa-se do lado da bancada e nós, os moços estudantes do Seminário Episcopal,
de pé no topo da mesma, por acordo e preço especial. Por isso foi ver e também ouvir. Tudo pequeno e, portanto, próximo.

- «Isto não fica assim!»- diz o do Angrense, que um pouco antes levara do outro uma forte canelada;
- «Não, não! Isso vai inchar!» - responde o Peixoto, do Lusitânia, que fora o autor da dita.

No 28 de Março de 2010, seu dia de anos, terminado o I Encontro Livreiro, contei ao Luís Guerra este episódio
que a memória, ao longo da vida longa, me veio trazendo para muitas circunstâncias, quer pela positiva quer pela negativa.
Vai daí agarrou e, sem aviso prévio, Sua Excelência, ao criar o nosso-BLOGUE, proclamou que «ISTO NÃO FICA ASSIM!».

Na altura, foi mais uma boa ocasião para ouvir num eco: «ISTO NÃO FICA ASSIM!».
E desta vez?
Leram este comentário no «chapeuebengala.blogspot.com»:

Embebedemo-nos pois dessa paixão comum. (Rita Pimenta)?

Se leram, então acho que posso, aqui no blogue de todos, brincar com o Moscatel...
Até porque:
«não gostamos de brincar com coisas sérias, mas temos por muito bom que coisas sérias se possam fazer a brincar».

A brincadeira AQUI é esta:
Depois de bebido o Moscatel de Setúbal,«ISTO NÃO FICA ASSIM!» Não pode!
Vai subir à cabeça! Vai subir à cabeça!
Quer dizer: vai pôr-nos a pensar e daí pode ser que...

Rita Pimenta teve a ousadia de o proclamar:
«Embebedemo-nos pois
dessa paixão comum
»

(comentário, chapéu, 29/3/2011).

Quem está por fazer coro com tão adequada proclamação?

L. V.

quinta-feira, 31 de março de 2011

ComLivros - Teresa

E assim se divulga o Encontro Livreiro.
Obrigado, Teresa. Esperamos ver-te em Setúbal no dia 25 de Março de 2012 e, sempre que quiseres, por aqui. Aguardamos os teus textos e comentários.

quarta-feira, 30 de março de 2011

a quem livros e leitura enchem e preenchem a vida.


III ENCONTRO LIVREIRO - 25.MARÇO.2012

- Já a falar num novo ENCONTRO?
- Se já tem data, por que não?
Bom, tratar do passado olhando o futuro!

A data foi marcada no passado domingo, no II Encontro Livreiro Anual em Setúbal.
No próximo ano, 2012, o último domingo de Março é o dia 25:
vai haver nesse dia III Encontro Livreiro.
E nesse dia o acontecimento já completará dois anos. Muito novo! Mas, se crescer ao ritmo do seu primeiro ano, é preciso cuidar-lhe das asas.

O tempo voa!
E o «espantalho»?
Sabe-se lá se vai voar ou se continua no seu lugar! De pouco a pouco envia sinais de partida, mas vai ficando…

Quem daí nos quer trazer de novo à leitura daquele poema que ontem partilhámos, no nosso «encontro e convívio», e que é parte integrante de O Espantalho Voador de Fernando Bento Gomes?
Tenho de repetir! Ao menos o «ponto» final :
A vida de uma cidade
nasce das mãos das pessoas.

O II Encontro Livreiro, que ao longo de todo o mês despertou um interesse e teve uma divulgação que deverão, talvez, merecer um cuidadoso momento de reflexão, atingiu os seus objectivos de encontro e agradável convívio de Gentes do Livro. Com os quarenta a cinquenta participantes que se previra (Cf. notícia da Lusa que pode ser lida no DN de sábado, 26). Participantes fisicamente, porque não foram poucos os que quiseram e não puderam vir e muitos mais foram os que não pretendendo vir acompanharam com interesse o modo como o acontecimento se propôs.
Quem foi participando e sentindo crescer a satisfação de estarmos uns com os outros em intervenção, em troca de ideias, em ficarmos a conhecer-nos, a aperceber-mo-nos do enriquecimento desta troca de pontos de vista muito diferentes, saiu contente… e, e, e… e tarde da Culsete e (muitos) de Setúbal.
EU VI!

E o livreiro velho? Que tal?
Está aqui para agradecer a todos e a muitos: os que participaram e os que não-mas…
Ora, digam! Façam o favor de se porem no lugar dele: não se sentiriam gratos a quem participasse num acontecimento assim, nas vossas casas, a vosso convite?
Quando sentiu que o pretendido ambiente já estava a acontecer, o livreiro velho rejubilou. E foi tão bem tratado!
O II Encontro Livreiro Anual em Setúbal acabou deixando a sorrir todos os que foram ficando até se acabar a tarde e a noite chegar com uma chuvinha bem semelhante à da madrugada:
«Março, marçagão!…».
Até a metereologia!
Muito simpática, ao longo da tarde!

Contente, muito contente que estava o livreiro velho. E não o escondeu!
Então ficou satisfeito?
Depende do que se entender por satisfação.
Tudo podia ter sido ainda melhor. É preciso crescer, aprender a tirar todo o proveito da experiência que se vai adquirindo. À medida que se cresce mais fácil é perder a espontaneidade e afabilidade que proporcionam conhecimento e bom entendimento.
Conhecimento e entendimento: a base da possível, necessária e urgente cooperação.
Como Pedro Vieira apelou, ao enviar pelo seu blogue o seu-nosso cartaz: GENTES DO LIVRO, UNI-VOS!

Já estamos no III Encontro Livreiro Anual em Setúbal desde a segunda-feira a seguir a vivermos o II:
ouvi o apelo de Luís Guerra e espero ir ao seu encontro para que o Encontro Livreiro, pela blogosfera, vá decorrendo até 25 de Março de 2012.

Espero!
Ouço-me em eco?
Não, não!

Mais espero e muitíssimo a sério, é de quem levou a sério a percepção que teve do prazer e proveito de nos encontrarmos, nos conhecermos e convergirmos.
Depois do êxito de tão participativa comunicação na blogosfera, durante as últimas semanas, daqui a um ano que todos se «queixem» do Luís Guerra por nos ter pedido que fôssemos «postando» ideias, iniciativas, tudo e de tudo o que é nosso, no nosso blogue «encontrolivreiro.blogspot.com».
Queixemo-nos de nos ter apanhado com o seu reconhecido entusiasmo por uma causa que afinal é a de todos nós!
Nós,
a quem livros e leitura enchem e preenchem a vida.
L. V.

Mais uma vez um P. S.!
É para dedicar este texto aos blogers que…

L. V.

«Os livros ajudam-nos a escolher quem queremos ser e com isso dão-nos liberdade.»


O que dizer do nosso Encontro


Tenho pensado muito no nosso Encontro Livreiro, em Setúbal, na Livraria Culsete. Foi importante a tantos níveis e em tantos sítios do coração. Ouvir o livreiro velho, o Manuel Medeiros, foi bom bom bom e tenho algumas frases dele ainda a ecoar na memória. "Temos de deixar de pintar folhas verdes e começar a regar as raízes". Em época de turbulência política onde a revolução parece urgente e essencial creio que o meu papel (e o dos nossos amigos dos livros, que correram a Setúbal) é muito mais ajudar a uma revolução interior, cultural, que nos direccione a caminho de um conhecimento maior de nós. É isso que os livros fazem, como se concluiu (entre muitas outras coisas) neste Encontro. Que temos de ler, porque é urgente sair das rotinas que o corpo faz sozinho, sem nós, que adormecem o espírito crítico, o discernimento pessoal. Os livros ajudam-nos a escolher quem queremos ser e com isso dão-nos liberdade.
No encontro foi isso que o livreiro velho e todos os outros disseram num ou noutro tom. Que ler é bom, que não é bom ler todos os livros (neste ponto alguns discordaram). Que é bom falarmos uns com os outros com um copo de moscatel. Que temos de saber quem somos porque temos coisas a dizer, muitas coisas. E saímos todos de lá com vontade de ficar, porque ficou um mundo de histórias para contar.
Um bem haja a quem "nos" inventou, Encontro Livreiro. E a quem esteve e a quem se deixou revolucionar, mais um pouco.

Rosa Azevedo
www.estoriascomlivros.blogspot.com
www.arco-iris-de-sombra.blogspot.com

«Descansa e bebe»



[...]
Como é que, dada a minha especialidade, vou deixar de me embebedar destes meus interesses e paixões pelos livros, pela leitura, pela livraria como oficina de leitura, pela cooperação das profissões do livro, pelo entendimento que permita às Gentes do Livro cumprir com a parte que lhes compete e que considero indispensável, no urgente progresso da inteligência, essa intimidade do homem consigo, com os outros e com o Universo…
[...]

L.V.

Para ler o texto completo, dê um salto ao «Chapéu e Bengala».

terça-feira, 29 de março de 2011

A leitura como desígnio nacional e como elemento agregador das gentes do livro?

No nosso I Encontro Livreiro começámos por inventariar problemas. Assim, verificámos que:

1) – As várias profissões do sector livreiro têm vivido permanentemente de costas voltadas e há que pô-las a «viajar no mesmo barco para o país da leitura»;

2) - Os índices de leitura, em Portugal, são baixíssimos e é neste âmbito que há mais trabalho a fazer, até por ser fundamental em toda a cadeia do livro, seja este em que suporte for. Não valerá muito a pena discutirmos a questão dos suportes se não resolvermos o problema da leitura;

3) - A profissão dos tradutores nem sempre tem sido respeitada, assistindo-se a um “salve-se quem puder” e à recorrente utilização do mais barato em vez da qualidade;

4) - O papel dos professores e das escolas, com honrosas excepções, nem sempre tem sido o melhor e não existe verdadeiramente uma política, na educação, de promoção da leitura.

E como alterar isto? Encontrámos, na nossa conversa do ano passado, algumas pistas:

- Reunindo em vez de dividir;

- Ouvindo em vez de impor;

- Convivendo em vez de continuar de costas voltadas;

- Metendo as mãos na massa em vez de esperar que outros resolvam os nossos problemas;

- Tomando consciência de que todos somos poucos para a árdua tarefa de fazer da leitura um desígnio nacional crucial para o progresso e para a nossa identidade e maioridade cultural;

- Contrariando a opinião acrítica e a formatação de um gosto dominante que prima pelo fugaz, pelo efémero e pelo superficial;

Sobre a questão do ENCONTRO e do CONVÍVIO refira-se que foi clara, desde o início, a intenção de manter esta dupla característica, associada ao carácter informal, livre e aberto, transformando o ENCONTRO LIVREIRO num espaço de reunião, de reflexão e de partilha em que não há distinções, em que nos tratamos pelo nome próprio e não por títulos, em que não há «estrelas» nem oradores convidados com uma assistência ou espectadores, mesmo que com direito a uma ou duas questões, em que inventariando e falando dos nossos problemas comuns possamos, com isso, estar já a contribuir para o encontrar de soluções e de caminhos.

Encontro e convívio, dois termos que queremos de mãos dadas para cumprir a vontade de Manuel Medeiros, o Livreiro Velho, que um dia sonhou este espaço das “gentes do livro” e se empenhou com todas as sua forças na sua concretização.

O convívio, melhorando e aprofundando o conhecimento mútuo, melhora e aprofunda o encontro, mas se não nos encontrássemos, como daríamos ao convívio o tão necessário calor humano que a proximidade física proporciona?

Queremos um encontro e um convívio que, em cada ano, seja sempre uma novidade, uma surpresa, um espaço aberto à participação e à criatividade. Onde, para além do abraço, da palavra, do moscatel, possa também acontecer a alegria e a festa.

Como temos afirmado no nosso blogue ISTO NÃO FICA ASSIM!:

O ENCONTRO LIVREIRO SERÁ O QUE TODOS NÓS, OS QUE AQUI ESTIVERMOS EM CADA ANO, QUISERMOS QUE SEJA.

E cá estamos nós no II Encontro Livreiro, na cidade de Setúbal (nem muito a Norte, nem muito a Sul, esperando que aqui acorram gentes do livro de todos os cantos do país) e numa livraria, a Culsete, que desde há muitos anos tem tido um papel relevante na “edição da leitura” e na intervenção cultural.

No livro Papel a Mais, que assina como Resendes Ventura em homenagem a seus avós paterno e materno, diz-nos Manuel Medeiros:

«A escrita, o livro, a leitura: um mundo! Vasto e complexo mundo! Quem encontrarei disponível para me acompanhar num breve olhar sobre ele?

Mundo habitado. O olhar encontra imediatamente os escritores e os leitores. Depois, entre a escrita e o livro, está o editor com o seu trabalho emérito. Entre o livro e a leitura estou eu, o livreiro. O escritor publica a escrita, o editor publica o livro, o livreiro “publica” a leitura.

Para publicar a escrita e o livro basta um escritor e um editor. Para publicar a leitura nem só o livreiro, muito menos um livreiro. (…) sou apenas um livreiro entre muitos, um livreiro em fim de carreira, que não consegue fugir à consciência do modo concreto como a sua vida foi marcada pelo mundo da escrita, do livro e da leitura.»

Isto deve fazer-nos reflectir sobre o papel central que, neste mundo do livro, ocupam as livrarias e os livreiros.

Resultou esta iniciativa de algumas conversas que fomos tendo, ao longo do tempo, sobre a necessidade de ultrapassar o lamento, a lamúria mesmo, as visões catastrofistas sobre o fim do livro – agora adensadas pelas alterações muito rápidas que se estão a dar sobretudo a nível dos seus suportes materiais – e, acima de tudo, a urgência de deixarmos de alijar responsabilidades sobre as malfeitorias que se vão fazendo neste sector. Um sector que, estranhamente (ou não), tem vindo a despertar apetites a quem vê aí grandes possibilidades de multiplicar rapidamente os seus investimentos. Estranho, não é? Ainda por cima num momento em que se ouvem, vindos de muitos quadrantes, os ecos da Declaração (talvez exageradamente apressada) do Fim do Livro.

Apelo, se me permitem, a todos os presentes para que nos digam de onde vêm, ao que vêm e o que pensam da necessidade de encontro e de convívio das gentes do livro, no fundo o que pensam desta iniciativa e do seu futuro. E que aqui lancem outras pistas para a reflexão e o debate.

E se, para garantir um melhor futuro ao livro, começássemos por dar uma melhor atenção ao problema da LEITURA?

E não acham que para isso há que defender as LIVRARIAS, o lugar privilegiado para o seu saudável desenvolvimento e crescimento?

E para quando os EDITORES a preocuparem-se mais com o que verdadeiramente faz falta na promoção da leitura, a única que pode garantir a sua própria sobrevivência como editores, e menos com a visão estreita de resultados apenas para o agora?

E as BIBLIOTECAS?

E as ESCOLAS?

E…?

E…?

O que é que já fazemos o que é que poderemos fazer mais para que LEITURA seja o desígnio nacional que pode e deve unir as gentes do livro?

Está lançado o debate e a reflexão.

(…)


Permitam-me uma palavra final sobre o blogue ISTO NÃO FICA ASSIM! pela contribuição que pode dar para que o ENCONTRO LIVREIRO, como espaço de reflexão, se mantenha permanentemente aberto. Peço a todos que o promovam, por todos os meios ao vosso alcance, e que aí façam chegar as vossas reflexões escritas, opiniões e propostas.

Conseguimos, este ano, uma maior visibilidade. Aproveito para agradecer publicamente a todos os que colaboraram na divulgação deste nosso Encontro Livreiro que, a partir de agora, não é mais possível ignorar. Ficam, desde já, todos convocados para o III Encontro Livreiro, a realizar aqui em Setúbal no dia 25 de Março de 2012.

Luís Guerra

Texto lido na abertura do II Encontro Livreiro, em Setúbal, Livraria Culsete, no dia 27 de Março de 2011.

«trocar ideias, esse gesto tão simples mas tão pouco praticado»

O II Encontro Livreiro levou à Culsete, em Setúbal, mais de quatro dezenas de pessoas. Foi um sucesso em relação à edição do ano passado, mas o certo é que o sucesso destas coisas não se mede em números, antes em cumplicidades e ideias, e desse ponto de vista o II Encontro Livreiro pode bem ter sido um gigantesco sucesso. Entre livreiros, autores, vendedores, distribuidores, músicos, jornalistas da área, professores, bloggers, leitores e consultores, o que se fez foi trocar ideias, esse gesto tão simples mas tão pouco praticado. Perceber as dificuldades e as vontades de cada sector da área do livro, apontar soluções, descrever modos de trabalho, tudo isso cabe no espírito deste Encontro. Desfilaram queixas, não só porque isso faz parte da nossa natureza como porque há, de facto, queixas a fazer. Mas sobretudo apontaram-se propostas, coisas que podem ser feitas com menos custo financeiro e mais dedicação, e delineou-se uma estratégia possível para o contacto entre todos se manter activo durante o ano. Essa estratégia pode passar, como foi ficando claro ao longo da tarde, pela transformação do blog do encontro, Isto Não Fica Assim!, numa plataforma que agregue informação relevante sobre o sector do livro e da leitura, mostrando o que cada um vai fazendo na sua área e permitindo a discussão. E depois houve Moscatel, ou não estivéssemos em Setúbal.

Sara Figueiredo Costa

Cadeirão Voltaire