quarta-feira, 20 de julho de 2011

os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Caro Luís Guerra,


Vou reduzir ao máximo a mensagem mas espero que tenha o sumo suficiente para reflectirem:

A profissão de livreiro está ameaçada? Não seria bom a criação de formação a nível superior?
A concentração editorial será boa para os novos autores?
A distribuição está condenada?
O mercado de retalho tradicional deverá estar sossegado quando assiste a diferentes condições de fornecimento e de alguma arrogância por parte de alguns grupos editoriais?
Será que os livreiros não são gestores ou será que alguns de nós fazem bem melhor com menos meios?
O que interessa neste mercado, a quantidade (D. Branca) que alguns praticam em prejuízo da qualidade e rendibilidade das empresas?
Porque razão as editoras não fazem todas as feiras do livro e só pretendem realizar aquelas que servem para outros fins?
Quando as ditas feiras potencialmente rentáveis deixarem de o ser serão entregues aos Livreiros?
Enfim, força e tenha-se a coragem de clarificar o nosso sector sem receios. Por mim, como sempre, nada me assusta e penso que os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Um abraço de ânimo e força
,

Antero Braga

Mensagem de Antero Braga, livreiro (Lello - Porto) com larga experiência, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

terça-feira, 19 de julho de 2011

cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura

ENCONTRO-LIVREIRO-L.GUERRA

12 De Julho.2011

CHAPITÔ

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

SESSÃO DE 13 DE JULHO.2011

SOCORRO, ONDE ESTÁ O MEU LIVREIRO?

Caro amigo Luís Guerra.

Espero que a sua dedicação à realização do Encontro-Livreiro em Setúbal e em cada ano no último domingo de Março e que sob a sua batuta já vai para a 3.ª edição no próximo ano de 2012, lhe proporcione uma noite inspirada para falar sobre um dos nossos temas de referência: o lugar do livreiro e da livraria independente no desenvolvimento da leitura no nosso país e as perspectivas de entendimento e convergência das Gentes do Livro para a abertura de novos horizontes, como resultado de uma intensa reflexão sobre as problemáticas que a todos nos dizem respeito.

Se lhe for possível recolha-me opiniões fundamentadas e inteligentes que me tirem desta sensação de que muito do que por aí se diz sobre o futuro do livro releva de um conservadorismo evidente quando nos pomos a pensar em que o ponto de partida correcto é a reflexão crítica sobre o evoluir da necessidade e dos hábitos de leitura na sociedade em construção.

Muito lhe agradecerei a si e a todos os que me convencerem de que estou errado, se realmente errado estou: alguma fuga ao presente e portanto alguma alma de profetas, como os define Espinosa, tenho sempre sentido, ao longo dos anos, da parte dos sapientes do nosso futuro livreiro.

Catastrofismo é o tom mais comum nas profecias. Tratemos mas é de construir este presente, o nosso presente, de modo a que dele nasça o melhor futuro, qualquer que ele seja. Viver o que está em acontecimento é que dá a correcta perspectiva do futuro. Fugir a construir presente pode ser cómodo, pois depende mais de imaginar do que de saber.

Que importa que acabe ou não o livro em papel, se a leitura se desenvolver? Que importa que se extinga a fauna e a flora que se alimenta do livro, quando visto, redutoramente e simplesmente, como um suporte e um negócio, se a escrita e a leitura forem cada vez mais comuns e proporcionarem um entendimento do mundo e da condição humana dignos de mais respeito do que aquele que hoje temos uns pelos outros e sobretudo por «eles»?

Amigo Guerra,

Sabe muito bem quanto gostaria de estar consigo e com todos, mas preciso de aprender quanto a sucessão nos traz a riqueza das novas gerações.

Francamente lhe digo:

Estou por acreditar em que os merceeiros de livraria, por mais respeito que tenha pelos merceeiros, mas os de mercearia, cada vez têm menos hipóteses e que cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura.

Diga-me depois se concorda comigo e mais alguém consigo. E faça-me o favor de a todos os participantes no serão sobre o futuro dos livreiros levar a minha saudação de livreiro velho, uma saudação de quem espera que as iniciativas das Gentes do Livro que vão acontecendo afastem de vez as profecias catastrofistas.

MM

Mensagem de Manuel Medeiros, o escritor Resendes Ventura, o Livreiro Velho, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

É o FIM. É o FIM?

«(...)
Mas se a crise é a principal culpada não podemos também ignorar que a situação acontece pela realidade de um país sem hábitos de leitura, um país onde os agentes da área da edição nunca se uniram em campanhas efectivas de desenvolvimento e angariação de novos leitores. Nunca houve acções integradas e continuadas de impacto nessa área porque a cultura é um bem (muito) acessório. Um país onde, apesar das qualidades notáveis que os portugueses possuem, nunca se tirou delas partido, com um sistema de ensino medíocre que trabalha para a medianização e não para a excelência; (...)»


Hugo Xavier
{ler texto na íntegra}

quinta-feira, 14 de julho de 2011

hoje não me apetece ser fatalista

ontem falou-se de livros no chapitô. mais uma vez. e de livreiros e de leitores. ali éramos todos leitores, alguns éramos livreiros, outros tínhamos sido livreiros, outros queriam ser para sempre livreiros, um certo tipo de livreiro, o nosso tipo de livreiro.
claro que não houve grandes conclusões, nem era para haver. a leitura está bem e recomenda-se. um grande passo para a leitura é haver livros e esses cada vez há mais. e não é correcto, de todo, dizer que há cada vez mais livros maus. há também cada vez mais livros bons. editoras como a Ahab ou a Cavalo de Ferro vieram transformar todo o panorama. há livros mesmo muito bons, e muitos deles, apesar de discretamente, também chegam ao top.
hoje não me apetece ser fatalista porque, primeiro, tento nunca o ser, e, depois, porque ontem levámos uma lição "daquelas". fatal não é acabarem os livros em papel porque como diz o nosso querido livreiro velho "eu não vendo papel", e, no limite, ao haver livros electrónicos para além dos livros em papel, há mais livros.
agora não me lixem, o livreiro tem uma missão. e se bem que ontem essa missão não tivesse sido directamente lançada para o colo dos espectadores apesar de muito se ter especulado sobre ela, a verdade é que o comentário que um espectador fez ia contra premissas que estavam a ser defendidas no tanque: "queremos dar ao leitor o livro que nós queremos ler ou o livro que ele quer ler?". a resposta só podia ser uma: queremos dar-lhe aquilo que ele quer, que muitas vezes é que lhe demos aquilo que queremos ler.
um livreiro tem de vender, será sempre verdade, mas haverá alguma razão para que o joaquim não venda seguros ou maçãs. "apesar de". haverá sempre um "apesar de". apesar de o mercado estar difícil, de as vendas estarem difíceis, e tudo e tudo e tudo. livros são livros, caramba. e isso ninguém lhes tira. nem nos vencem pelo cansaço, que o cansaço às vezes também alimenta. e isso viu-se ontem naquelas 50 pessoas que ouviam e falavam. há ainda muito a dizer, a discutir, a reflectir. "apesar de".
um bem haja a todos os que estiveram, os que quiseram estar e os que hão-de estar. e até setembro!


Rosa Azevedo
Texto originalmente publicado no ESTÓRIAS COM LIVROS

Pronto, já está!

É engraçado os convidados para o lançamento da conversa [«Para acabar de vez com a leitura», Chapitô, 13-VII-2011] estarem dentro de um tanque de lavar roupa. E quando se lava roupa é porque ela está suja.
Ontem não lavámos roupa suja, no entanto. A roupa está lavada. Vê-se-lhe a cor. Se alguma mancha persiste também ela dá cor de si.
O que estávamos era a pôr a roupa a corar! Ali! Estendidinha! Para toda a gente ver! E foi bonito de ver. E sentir o aveludado do amor aos livros. Do amor pela leitura.
(A alheira de caça também não estava nada mal!) Às tantas fiquei um pouquito preocupado se não estávamos a dar uma seca a quem com o livros apenas tem uma relação de leitura dado termos entrado, embora de forma ligeira, pela vida do negócio. E esse é um problema dos livreiros e não dos leitores.
A Rosa esteve resplandescente e de parabéns pela força que imprime à coisa.
O Luís Guerra ainda vai ter uma estátua paga em prestações pelos livreiros.
O Ricardo ainda voltará a ter uma livraria com os clássicos todos a caírem-lhe em cima. Se não, pelo menos uma bibliotecazita...
O Pedro só disse merda uma vez e esteve como só ele sabe estar. Faz sempre bem o humor a dar seriedade ao assunto.
O Joaquim, depois de duas garrafas de água - água é o que melhor sabe meter - arrumou as botas e rumou a Sines para preparar as boas-vindas aos visitantes o FMM*.
A Teresa Ricou, uma senhora da cultura, acabou muito bem com uma intervenção que merece a minha chapelada.
Pronto, já está!


Joaquim Gonçalves
A das Artes - Sines

Nota nossa: Sines não é só o FMM [Festival Músicas do Mundo] e o FMM não é só música. Também é livros. Pela mão do Joaquim Gonçalves, da livraria A das Artes.

sábado, 2 de julho de 2011

As livrarias e a leitura


(clicar na imagem para a aumentar)

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

Socorro, onde está o meu livreiro?
Quarta, 13 de Julho, 21h30, no Bartô - Chapitô, em Lisboa


No metro, nos correios, junto da banca das couves no supermercado, ele é ver livros brotar dos recantos mais insuspeitos e, estranheza maior, leitores que chegam ao balcão dos correios empunhando contas de electricidade e sérios tomos de auto-ajuda.
Restam poucas dúvidas de que pisámos, aqui, uma linha limítrofe. Mas limítrofe de quê? Que princípios culturais são estes que regem a compra e venda de livros?
As vendas tomaram de assalto a indústria do livro e o leitor foi elevado à condição de consumidor. A quantos de nós, leitores, nos perguntaram editores, livreiros ou autores, o que gostaríamos de ler? Será que nos revemos verdadeiramente nos escaparates atolados de novidades ou que as nossas escolhas estão, hoje, mais condicionadas que nunca pela abundância de oferta e ausência de aconselhamento. Onde está o meu livreiro? Quem é o meu editor? Por que comprei este livro?

Convidados com presença já confirmada
Ricardo Ribeiro, Joaquim Gonçalves, Pedro Vieira, Luís Guerra

Moderação
Rosa Azevedo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Livreiro Velho escreve a Sara Figueiredo Costa


Caríssima Sara,
os nossos e os meus amigos ficaram contentes com o que ontem, no Portugal Ilustrado - http://portugalilustrado.com/ – publicaste como entrevista construída a partir da gravação da longa, desordenada e muito agradável conversa que tivemos, já lá vão uns mesinhos, aqui na Culsete.


Começa assim, mas continua AQUI.

sábado, 4 de junho de 2011

Gentes do Livro - Livreiro Velho homenageia Jovem Editor


rabiscos vieira

«Dez anos!
Já dez anos sobre o desaparecimento de um «jovem editor» com obra feita. Por feita (per-feita), a prometer o valor da que, por causa desse desaparecimento ficou e… não ficou por fazer, pois quem deixa aberto um elevado caminho ao futuro participa da autoria de tudo o que nele se constrói»


Ler texto completo AQUI

A ilustração é de Pedro Vieira, jovem autor, mas sobretudo, entre muitas outras aventuras em que já se (e nos) envolveu, um LIVREIRO (sem ex-).

sexta-feira, 3 de junho de 2011

a leitura na escola e a ameaça da pirataria


«A poucos dias das eleições, a ministra da cultura propõe que o IVA dos livros eletrónicos seja idêntico ao dos livros em papel (taxa reduzida). A ideia é antiga e os editores têm discutido o assunto, porque ele não é pacífico. Em Espanha, por exemplo, os e-books são taxados a 15,2% enquanto aos livros em papel são aplicados 3,4%. Mas a questão não é essa nem se resolve com uma “proposta agradável” à boca das urnas. O problema está em como manter os atuais níveis de literacia sem prejudicar a economia do livro, que nunca teve apoios do Estado e lutou, solitária, para conquistar autonomia e dignidade. Pensar o mercado do livro, hoje, inclui uma discussão sobre a leitura na escola e a ameaça da pirataria. De contrário, é apenas um assunto para os novos-ricos se entreterem.»

FJV - 1 de Junho de 2011

O poder da leitura

«(...)
Não se deve olhar para trás, mas de vez em quando acontece, além de que não se pode ser velho sem contar, contar, contar até ficar em silêncio.


Não se deve olhar para trás, mas às vezes…
E o que se revive comove-nos.

Princípio 7, a cultura geral.
A grande revolução de um povo é a cultura geral e desde criança. Como é indispensável compreender e promover, COM LIVROS, essa cultura geral.
Indispensável.
Livros competentemente escolhidos.
(...)

que competência e dedicação em literatura infanto-juvenil e à animação de leitura, digo, aproximação infalível das crianças e jovens aos livros e ao "poder da leitura"! »

L. V.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Esperança, na Madeira

«Tenho 165 anos de prática de livraria - 50 do meu avô, 50 do meu pai e 65 meus».

Açores em Setúbal

Açores em Setúbal.

Culsete, 28 de Maio de 2011, sábado, 16h30.

Vá «atabernar» à livraria Culsete.

Vai ver que é muito bem recebido, como a Fátima e o Manuel tão bem sabem fazer, e que adorará passar uma inesquecível tarde de sábado, saboreando uns bons nacos de conversa.

sábado, 21 de maio de 2011

Sines não é só o FMM e o FMM não é só música


FMM SINES 2011 Feira do Livro e do Disco

A livraria A das Artes, em colaboração com o FMM, participa na Feira do Livro e do Disco que decorrerá entre 22 e 30 de Julho na Capela da Misericórdia, junto ao Castelo.

Para além das muitas novidades editoriais o visitante poderá encontrar fundos de catálogo tudo com preços abaixo do preço do editor.

Paralelamente decorrerão no Centro de Artes encontros com alguns autores. A entrada é gratuita e será uma boa oportunidade para, pessoalmente, convivermos e trocarmos impressões com alguns nomes importantes do nosso meio editorial.

Enquanto aguardamos outras confirmações estão, para já, agendadas as seguintes sessões:

Sábado, 23 - 17h. - ANTÓNIO PIRES

Domingo, 24 - 17h. - LUÍS FILIPE CRISTÓVÃO

Terça, 26 - 18,30h. - LÍDIA JORGE

Quarta, 27- 17h. - SÉRGIO GODINHO

Sexta, 29- 17h. - JOSÉ DUARTE

Sábado, 30 - 17h. - CARLOS CLARA GOMES e JOSÉ MOÇAS


sexta-feira, 20 de maio de 2011

«Não. Não vale a pena correr tanto como correm por aí.»

No desassossego que é tentar ler o máximo possível dos livros novos que são publicados, e que nos interessam, vão ficando para trás projectos de leitura que se prolongam até ao insuportável.

Valeu, neste caso, a reedição, em boa hora, de alguns dos diários de Miguel Torga.

Não se lêem como um romance porque não são um romance. Mas há poesia pelo meio como seria de esperar.

Torga fala de poesia, da sociedade, da terra, das pessoas, de política e, claro, de literatura.

Vejamos o que ele nos lega, desde Coimbra a 20 de Novembro de 1965, acerca dos livros:

“Não. Não vale a pena correr tanto como correm por aí. Há obras essenciais, e há obras que nunca o serão, mesmo entrando em linha de conta com as variações dos gostos e de critérios de avaliação que o tempo motiva. Obras que nascem para viver, e obras que nascem para morrer. As que renovam a língua e a visão das coisas, que dão às palavras uma força nova, uma vibração original, e as que nada acrescentam ao que já estava. A gente mal concebe que as primeiras não existissem, e passava perfeitamente sem as segundas. Que falta fazem hoje as toneladas de versos do Cancioneiro Geral, e que mão seria capaz de riscar o do mapa literário português? Cada livro é um candidato à eternidade em perpétuo exame. A prova da sua excelência nunca termina. Dissecado à mesa anatómica de todas as gerações, por todas tem de ser aprovado, sem receber de nenhuma o diploma final. Alguns ficam reprovados sem apelo logo ao primeiro interrogatório. Outros prosseguem no concurso, até ver. Daí a inutilidade dos triunfos forjados, dos sucessos publicitários. Na maioria dos casos são derrotas irremediáveis, amanhã. Os cemitérios da glória abarrotam como os da obscuridade. Cada vez há mais cadáveres para enterrar. É impossível subornar júris sucessivos. Lá vem o momento em que tudo depende das forças vitais do próprio examinando. Por isso, quem se arrisca a lançar ao mundo um penitente desses, o melhor que tem a fazer é deixá-lo seguir discretamente o seu destino. A atenção que merece assim desamparado é a única consolação e a única fonte de esperança que o autor pode ter” (pp. 125-6).

Folheando o dia-a-dia daquele que é um dos grandes vultos da literatura portuguesa vamos convivendo com um homem bom, solidário, clarividente, honesto e correcto.

Se alguém duvidava que ler nos torna melhores pessoas, basta ler os diários de Miguel Torga para desfazer as dúvidas e, até, nos envergonharmos de algumas atitudes do nosso quotidiano.

Para terminar, aqui deixamos o poema Mágica, lançado no diário a 1 de Fevereiro de 1966, escrito em Coimbra, poema que nos oferece uma maravilhosa definição de poeta:


Lírica tarde, oculta
No trivial.
Um retalho de céu emoldurado
No caixilho dos olhos,
Um carro de ciganos, lento e majestoso,
Alheio ao frenesim do trânsito da rua,
Um verso recordado
À memória esquecida…
São assim os poetas.
Cobrem as horas de nudez da vida
Dum largo manto de emoções secretas.

Sines, 14 de Maio de 2011

Joaquim Gonçalves
livreiro

[publicado originalmente no blogue d'A DAS ARTES]

terça-feira, 17 de maio de 2011

O que acontece na Feira para além da venda de livros também costuma fornecer lenha para algumas discussões.

«[...]
Que a Feira possa continuar a ser esta agradável mistura de livros com farturas, de raridades bibliográficas com roulottes de comida suspeita, de criancinhas insuportáveis com encontros inesperados, é o que posso desejar, de preferência com mais fundos de catálogo e menos novidades, que para isso temos o resto do ano.»

Sara Figueiredo Costa

As Feiras do Livro e as livrarias independentes

[...]

Exposto isto, não nos resta a nós, pequenos livreiros, outra alternativa senão criarmos uma Associação de Livreiros Independentes, o que não é fácil, com os escassos recursos que temos e as distâncias geográficas que nos separam.

Talvez seja eu que acabo de ler o Dom Quixote e ande a sonhar com moinhos de vento. Pode ser que seja!…

Jaime Bulhosa

Imperiais, farturas e obras públicas: coisas sobre a 81ª Feira do Livro de Lisboa

«Andam todos a comer-se uns aos outros, como os peixes do Padre Vieira, e não se dão conta disso.»

diz o Gonçalo Mira (um dos fundadores do nosso Encontro Livreiro)... e nós recomendamos a leitura integral de mais este balanço, muito pessoal, da Feira do Livro de Lisboa de 2011 que também fala do futuro, dos livreiros, dos editores e de muitas e importantes coisas mais. Boa leitura e venham daí esses comentários.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Feira do Livro de Lisboa - um balanço

«(...) se a Feira serve exactamente para o mesmo que as livrarias, para que servem as livrarias? Pensarão os editores que, esvaziando as livrarias conseguem melhores resultados financeiros? A curto prazo, talvez, mas a longo prazo, tenho dúvidas. (...)»


Sara Figueiredo Costa
Ler texto completo (vale a pena ler o texto completo) AQUI.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Defendamos e valorizemos o minifúndio

Em nome da diversidade e da liberdade de escolha dos leitores, defendamos intransigentemente a valorização do minifúndio editorial e livreiro!

Luís Guerra
[bebendo inspiração na ideia de "valorização do minifúndio" que lhe chegou num e-mail do Livreiro Velho]

domingo, 1 de maio de 2011

Em abril, águas mil...

«(...)
Embora Santo António não possa estar contente com o vosso calendário e ninguém, portanto, lhe possa atribuir responsabilidades pelo granizo sobre Lisboa, há-de vir bom tempo!
O primeiro fim-de-semana não conta!
Até faz sentido:
respeita-se um velho ditado e fica crédito para se voltar a decidir o prolongamento.

L. V.

Leitura completa AQUI.

sábado, 30 de abril de 2011

«Gosto da feira como uma oportunidade de encontro e de perdição»

(...) Pessoalmente, gosto da feira assim e já lhe vejo demasiadas inovações mas provavelmente estarei sozinho, porque as pessoas, em geral, gostam de “coisas novas”, “animação” e “novo design”. Gosto da feira de barraquinhas onde os livros se amontoam e se procuram. Gosto da feira como uma oportunidade de encontro e de perdição, sem demasiadas “atividades paralelas” a atrapalhar a vida dos passeantes e dos editores. Gosto, enfim, da feira onde os autores são atropelados por leitores curiosos ou apaixonados, sentados onde calha, e não dispostos como fornecedores de autógrafos. Podem mudar, sim, mas esta é a feira de que gosto.»

Francisco José Viegas


«qualquer dia deixamos de ter "feira do livro", passamos a ter "shopping de conteúdos e conceitos"»

«em dia de inauguração lá fui fazer o reconhecimento ao entardecer como naqueles filmes muito romantizados, sondar tudo antes do amanhecer, antes do anoitecer, que aquele parque é zona de caça grossa quando se cerram as barracas, e lá cumpri os primeiros sobe e desce (...)»

Ler texto completo, de Pedro Vieira, AQUI.


Comentário de Joaquim Gonçalves [A das Artes - Sines] a 30 de Abril de 2011 às 11:53
«Olha, Pedro. Se fosse para dar estrelas à classificação do teu post dava-lhe o firmamento. De noite, claro. Sem as luzes aluadas do Parque, of course


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Dias de Feira

«(...) Será conservadorismo da minha parte, mas gostava mais da Feira quando esta permitia passear desordenadamente por entre pavilhões, conversando com editores e folheando livros sem me sentir fechada em áreas vedadas ou enormes caixotes. Sim, às vezes chove e é aborrecido, outras vezes está muito calor e para isso estão lá as árvores e os relvados do Parque, mas substituir a sensação de subir e descer as alamedas em passeio livresco pela necessidade de entrar e sair de sítios não me alegra os dias de Feira.» (...)

Sara Figueiredo Costa, in «Cadeirão Voltaire».

Uma pergunta, somente, e depois se verá:
- O que significaram e o que significam as Feiras do Livro da APEL (não esquecer: são oitenta e um anos de influência!) para o desenvolvimento do comércio livreiro e para o desenvolvimento da leitura no Portugal que somos?

L. V. , in «Chapéu e Bengala»

sábado, 23 de abril de 2011

«... o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos...»

CULSETE-23 de Abril–DIA MUNDIAL DO LIVRO-2006
Mensagem do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor

Autoria de Urbano Tavares Rodrigues

Dia 23 de Abril de 2011

Dos mais antigos e preciosos manuscritos, por vezes maravilhosamente iluminados, ou seja cobertos de ricas ilustrações, à descoberta da imprensa, que inicia um processo de democratização da leitura, ao aparecimento dos primeiros jornais, ainda de reduzida circulação, ao surto da imprensa moderna, o livro, de começo destinado a um escol de leitores, não tarda a chegar às massas devido ao ruído social e até ao escândalo de obras como as de Victor Hugo, que trazem ao público o milagre, o mistério, a aventura prodigiosa.

O Germinal e outras obras de Zola foram extremamente motivadoras para a conquista de um círculo muito abrangente de leitores. Só tarde se vulgarizou o subproduto romanesco, a partir de obras com certa qualidade, que foram imitadas, vulgarizadas, estereotipadas.

O livro, que às vezes provinha do folhetim, ganhou cor, beleza, tornou-se umas vezes discreto, outras vezes berrante para chamar a atenção do público mais simplório. Suportou a concorrência do cinema e da televisão, com os quais estabeleceu relações íntimas de interpenetração.

Já muito mais tarde sofreu a concorrência da Internet e resistiu-lhe. O modelo de globalização neo-liberal, que não afecta a grande literatura, marcou profundamente os subprodutos muito vendáveis, contendo lixo literário. Há por vezes o que parece ser uma concessão a processos um pouco fáceis de sedução do leitor. Mas continua a fazer-se muito boa literatura. A digitalização dos livros lançados na Internet preocupa alguns puristas, mas a verdade é que o livro em papel resiste. É com ele que se adormece à noite e por fim nos cai das mãos ou é enfiado debaixo do travesseiro, companheiro querido, onde por vezes se escrevem anotações, juízos, comentários, críticas ou pequenos elogios, que o valorizam aos olhos dos bibliófilos.

O livro tornou-se um amigo, foi nele que em muitos casos, nos descobrimos, com ele crescemos e nos transformamos, permanecendo fiéis ao mais profundo da nossa natureza. Lembro-me sempre do que foi para mim, como descoberta íntima do meu ser, a leitura de L’exile et le royaume, de Albert Camus. Camus, de quem vim a tornar-me amigo, morreu cedo, abruptamente, num acidente de automóvel. Restam-me dele retratos e os seus livros, palpitantes de vida, anotados por mim, desde O mito de Sísifo, que traduzi para português, aos outros, tão vivos, alguns cobertos de gatafunhos como La chute, que me inspirou o comportamento de um mentiroso compulsivo numa curta novela.

A terminar esta breve série de considerandos sobre o livro, a sua trajectória no tempo, a sua magia glorificada como resistência do espírito, que é e será contra a barbárie economicista, que reduz tudo a dinheiro. Desejo que brilhe com a suprema luz da paz e da fraternidade universal este novo dia do livro.

Urbano Tavares Rodrigues

Mensagem retirada de Chapéu e Bengala que a retirou de http://www.spautores.pt/destaques

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A tradição catalã de fazer uma festa cívica à volta do livro chega a Lisboa

«O dia de Sant Jordi (São Jorge), que se celebra sábado na Catalunha, tem como tradição oferecer um livro e uma rosa à pessoa amada e vai ser pela primeira vez celebrado nas ruas de Lisboa. A iniciativa é da associação cultural CatalunyApresenta e do Instituto Ramon Llull, que organizam a tradição catalã de fazer uma festa cívica à volta do livro, sábado no Miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa»

Continua AQUI.

E na barra da direita do blogue da Pó dos Livros lê-se:

«23/Abril/11, das 11h00 às 19h00: A Pó dos Lvros vai estar no Jardim de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, com a Associação Catalunya Apresenta, para festejar o Dia Internacional do Livro.»