quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cada vez é mais difícil vender livros. Vende-se papel para entreter as gentes.

Tudo começa com um leitor encantado pela ideia da livraria. Só depois nasce o livreiro. Apaixonado e sonhador, pronto a ser mastigado pelos próprios livros que o seduziram. Cada vez é mais difícil vender livros. Vende-se papel para entreter as gentes. A livraria conquista e apaga o sonho e a paixão. Felizmente, haverá sempre aquele livro que nos salva o sorriso quando tudo o resto parece desmoronar-se.

Luís Filipe Cristóvão (Livrododia - Torres Vedras]

Mensagem do livreiro Luís Filipe Cristóvão , da Livrododia, em Torres Vedras, enviada a Luís Guerra para ser lida (o que não foi possível, tendo referido apenas a sua recepção) no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Caro Luís Guerra,


Vou reduzir ao máximo a mensagem mas espero que tenha o sumo suficiente para reflectirem:

A profissão de livreiro está ameaçada? Não seria bom a criação de formação a nível superior?
A concentração editorial será boa para os novos autores?
A distribuição está condenada?
O mercado de retalho tradicional deverá estar sossegado quando assiste a diferentes condições de fornecimento e de alguma arrogância por parte de alguns grupos editoriais?
Será que os livreiros não são gestores ou será que alguns de nós fazem bem melhor com menos meios?
O que interessa neste mercado, a quantidade (D. Branca) que alguns praticam em prejuízo da qualidade e rendibilidade das empresas?
Porque razão as editoras não fazem todas as feiras do livro e só pretendem realizar aquelas que servem para outros fins?
Quando as ditas feiras potencialmente rentáveis deixarem de o ser serão entregues aos Livreiros?
Enfim, força e tenha-se a coragem de clarificar o nosso sector sem receios. Por mim, como sempre, nada me assusta e penso que os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Um abraço de ânimo e força
,

Antero Braga

Mensagem de Antero Braga, livreiro (Lello - Porto) com larga experiência, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

terça-feira, 19 de julho de 2011

cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura

ENCONTRO-LIVREIRO-L.GUERRA

12 De Julho.2011

CHAPITÔ

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

SESSÃO DE 13 DE JULHO.2011

SOCORRO, ONDE ESTÁ O MEU LIVREIRO?

Caro amigo Luís Guerra.

Espero que a sua dedicação à realização do Encontro-Livreiro em Setúbal e em cada ano no último domingo de Março e que sob a sua batuta já vai para a 3.ª edição no próximo ano de 2012, lhe proporcione uma noite inspirada para falar sobre um dos nossos temas de referência: o lugar do livreiro e da livraria independente no desenvolvimento da leitura no nosso país e as perspectivas de entendimento e convergência das Gentes do Livro para a abertura de novos horizontes, como resultado de uma intensa reflexão sobre as problemáticas que a todos nos dizem respeito.

Se lhe for possível recolha-me opiniões fundamentadas e inteligentes que me tirem desta sensação de que muito do que por aí se diz sobre o futuro do livro releva de um conservadorismo evidente quando nos pomos a pensar em que o ponto de partida correcto é a reflexão crítica sobre o evoluir da necessidade e dos hábitos de leitura na sociedade em construção.

Muito lhe agradecerei a si e a todos os que me convencerem de que estou errado, se realmente errado estou: alguma fuga ao presente e portanto alguma alma de profetas, como os define Espinosa, tenho sempre sentido, ao longo dos anos, da parte dos sapientes do nosso futuro livreiro.

Catastrofismo é o tom mais comum nas profecias. Tratemos mas é de construir este presente, o nosso presente, de modo a que dele nasça o melhor futuro, qualquer que ele seja. Viver o que está em acontecimento é que dá a correcta perspectiva do futuro. Fugir a construir presente pode ser cómodo, pois depende mais de imaginar do que de saber.

Que importa que acabe ou não o livro em papel, se a leitura se desenvolver? Que importa que se extinga a fauna e a flora que se alimenta do livro, quando visto, redutoramente e simplesmente, como um suporte e um negócio, se a escrita e a leitura forem cada vez mais comuns e proporcionarem um entendimento do mundo e da condição humana dignos de mais respeito do que aquele que hoje temos uns pelos outros e sobretudo por «eles»?

Amigo Guerra,

Sabe muito bem quanto gostaria de estar consigo e com todos, mas preciso de aprender quanto a sucessão nos traz a riqueza das novas gerações.

Francamente lhe digo:

Estou por acreditar em que os merceeiros de livraria, por mais respeito que tenha pelos merceeiros, mas os de mercearia, cada vez têm menos hipóteses e que cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura.

Diga-me depois se concorda comigo e mais alguém consigo. E faça-me o favor de a todos os participantes no serão sobre o futuro dos livreiros levar a minha saudação de livreiro velho, uma saudação de quem espera que as iniciativas das Gentes do Livro que vão acontecendo afastem de vez as profecias catastrofistas.

MM

Mensagem de Manuel Medeiros, o escritor Resendes Ventura, o Livreiro Velho, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

É o FIM. É o FIM?

«(...)
Mas se a crise é a principal culpada não podemos também ignorar que a situação acontece pela realidade de um país sem hábitos de leitura, um país onde os agentes da área da edição nunca se uniram em campanhas efectivas de desenvolvimento e angariação de novos leitores. Nunca houve acções integradas e continuadas de impacto nessa área porque a cultura é um bem (muito) acessório. Um país onde, apesar das qualidades notáveis que os portugueses possuem, nunca se tirou delas partido, com um sistema de ensino medíocre que trabalha para a medianização e não para a excelência; (...)»


Hugo Xavier
{ler texto na íntegra}

quinta-feira, 14 de julho de 2011

hoje não me apetece ser fatalista

ontem falou-se de livros no chapitô. mais uma vez. e de livreiros e de leitores. ali éramos todos leitores, alguns éramos livreiros, outros tínhamos sido livreiros, outros queriam ser para sempre livreiros, um certo tipo de livreiro, o nosso tipo de livreiro.
claro que não houve grandes conclusões, nem era para haver. a leitura está bem e recomenda-se. um grande passo para a leitura é haver livros e esses cada vez há mais. e não é correcto, de todo, dizer que há cada vez mais livros maus. há também cada vez mais livros bons. editoras como a Ahab ou a Cavalo de Ferro vieram transformar todo o panorama. há livros mesmo muito bons, e muitos deles, apesar de discretamente, também chegam ao top.
hoje não me apetece ser fatalista porque, primeiro, tento nunca o ser, e, depois, porque ontem levámos uma lição "daquelas". fatal não é acabarem os livros em papel porque como diz o nosso querido livreiro velho "eu não vendo papel", e, no limite, ao haver livros electrónicos para além dos livros em papel, há mais livros.
agora não me lixem, o livreiro tem uma missão. e se bem que ontem essa missão não tivesse sido directamente lançada para o colo dos espectadores apesar de muito se ter especulado sobre ela, a verdade é que o comentário que um espectador fez ia contra premissas que estavam a ser defendidas no tanque: "queremos dar ao leitor o livro que nós queremos ler ou o livro que ele quer ler?". a resposta só podia ser uma: queremos dar-lhe aquilo que ele quer, que muitas vezes é que lhe demos aquilo que queremos ler.
um livreiro tem de vender, será sempre verdade, mas haverá alguma razão para que o joaquim não venda seguros ou maçãs. "apesar de". haverá sempre um "apesar de". apesar de o mercado estar difícil, de as vendas estarem difíceis, e tudo e tudo e tudo. livros são livros, caramba. e isso ninguém lhes tira. nem nos vencem pelo cansaço, que o cansaço às vezes também alimenta. e isso viu-se ontem naquelas 50 pessoas que ouviam e falavam. há ainda muito a dizer, a discutir, a reflectir. "apesar de".
um bem haja a todos os que estiveram, os que quiseram estar e os que hão-de estar. e até setembro!


Rosa Azevedo
Texto originalmente publicado no ESTÓRIAS COM LIVROS

Pronto, já está!

É engraçado os convidados para o lançamento da conversa [«Para acabar de vez com a leitura», Chapitô, 13-VII-2011] estarem dentro de um tanque de lavar roupa. E quando se lava roupa é porque ela está suja.
Ontem não lavámos roupa suja, no entanto. A roupa está lavada. Vê-se-lhe a cor. Se alguma mancha persiste também ela dá cor de si.
O que estávamos era a pôr a roupa a corar! Ali! Estendidinha! Para toda a gente ver! E foi bonito de ver. E sentir o aveludado do amor aos livros. Do amor pela leitura.
(A alheira de caça também não estava nada mal!) Às tantas fiquei um pouquito preocupado se não estávamos a dar uma seca a quem com o livros apenas tem uma relação de leitura dado termos entrado, embora de forma ligeira, pela vida do negócio. E esse é um problema dos livreiros e não dos leitores.
A Rosa esteve resplandescente e de parabéns pela força que imprime à coisa.
O Luís Guerra ainda vai ter uma estátua paga em prestações pelos livreiros.
O Ricardo ainda voltará a ter uma livraria com os clássicos todos a caírem-lhe em cima. Se não, pelo menos uma bibliotecazita...
O Pedro só disse merda uma vez e esteve como só ele sabe estar. Faz sempre bem o humor a dar seriedade ao assunto.
O Joaquim, depois de duas garrafas de água - água é o que melhor sabe meter - arrumou as botas e rumou a Sines para preparar as boas-vindas aos visitantes o FMM*.
A Teresa Ricou, uma senhora da cultura, acabou muito bem com uma intervenção que merece a minha chapelada.
Pronto, já está!


Joaquim Gonçalves
A das Artes - Sines

Nota nossa: Sines não é só o FMM [Festival Músicas do Mundo] e o FMM não é só música. Também é livros. Pela mão do Joaquim Gonçalves, da livraria A das Artes.