quinta-feira, 28 de julho de 2011

Também quero ter a minha livraria, na verdade já a tenho, em tamanho pequenino, muito apertadinha no meu coração.

Quando li o teu email foram muitas as imagens que me vieram à cabeça. Imagens, sons, cheiros... Sorri, "é fácil dizer porque gosto tanto disto de ser livreira".
A verdade é que não é. Porque pôr tudo isto em palavras é tarefa complicada, porque ser livreiro tem muito que se lhe diga, é muito mais coração do que outra coisa qualquer. É muito mais prazer do que trabalho. Ser livreiro é comover-se com uma criança, com pouco menos de 3 anos, que entra no nosso mundo e faz "aaaawwwww tantos livros" e sorri! É aconselhar aquele livro, que beijámos em segredo quando terminámos, e um leitor nos dizer: "eu vim ter consigo porque há dois anos atrás me recomendou um livro muito bonito". É recomendar outras livrarias, porque nisto dos livros somos todos amigos! É frequentar outras livrarias (TODAS as livrarias!), e ter ânsias por não ir há tanto tempo às que nos são especiais! É não ter estantes que cheguem, NUNCA, nem na livraria, nem em casa... e no entanto... "é só mais este!".

O Livreiro é, como se já tem dito, uma espécie em vias de extinção. Um bicho que causa estranheza. Alguém que dá valor aos livros pelo que eles são, e não pelo seu valor monetário. Lembro-me sempre daquela frase do Sr. Medeiros:

"Ninguém quer ser livreiro, por duas razões. Primeira, não tem estatuto social. Segunda, porque quem se mete nisto está perdido, tem de ser um carola, sempre com as calças na mão, sem conseguir pagar aos editores."


E no entanto... é como te dizia, não trocava a minha profissão por nenhuma deste mundo! Soube disso a primeira vez que entrei na Galileu, não sei quantos anos já passaram... foi mágico! Até então nunca vira tantos livros juntos, tão apertadinhos uns nos outros... o cheiro era inigualável.
Apaixonei-me instantaneamente por aquela figura de lenço ao pescoço, fumando o seu cigarro e falando, falando, falando... Apetecia sentar e ficar ali a ouvi-lo durante horas! E eu queria mesmo isso! Ficar ali... Anos mais tarde, quem diria, foi lá que comecei a ser livreira.

Também quero ter a minha livraria, na verdade já a tenho, em tamanho pequenino, muito apertadinha no meu coração. Tem sítio para o gato e até já tem o sininho pendurado atrás da porta. Só falta a Livreira, uma livreira que ainda tem muito de aprender para, um dia, ser esta espécie em vias de extinção, como o Sr. Medeiros da Culsete, ou como o Sr. Nuno da Galileu, ou como tantos de que não falo, tantos que ainda não conheço...

Já reparaste como as pessoas dos livros têm todas um brilho especial?! :)

Um beijinho enorme para ti, "Luís da Assírio".

E um sincero agradecimento por estares sempre tão perto! Amigo e 'pessoa dos livros' que admiro muito!

Inês Espada

Mensagem da livreira Inês Espada, da CELivrarias - Oeiras, enviada a Luís Guerra para ser lida (o que não foi possível, tendo referido apenas a sua recepção) no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Vamos fazer todos um manguito à crise?


«(...) têm bom remédio: em vez de irem comprar produtos com páginas impressas ao hipermercado da zona, rumem ao centro da cidade para se abastecerem de livros. (...)»


Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire.

domingo, 24 de julho de 2011

As novas gerações vão chegando finalmente à noção de livraria. É preciso que cheguem a tempo de travar o pessimismo e o desânimo dos livreiros.


SERÁ QUE AINDA VAI A TEMPO?

1
As novas gerações vão chegando finalmente à noção de livraria. É preciso que cheguem a tempo de travar o pessimismo e o desânimo dos livreiros. Contar com quem, a não ser com os mais novos, a quem já se proporcionou alguma familiaridade com os livros, a partir das bibliotecas públicas e das bibliotecas escolares?

2
«As novas gerações vão chegando…», posso contar muitos episódios que o provam. Mas muito mais lentamente do que era bom, possível e urgente. Porque quem está a fazer o seu melhor para que os mais novos desenvolvam o gosto pelos livros não teve livros nem em casa, nem na escola, já foi muito bom ter aprendido a ler e a escrever e acabado por tirar um curso no secundário ou no universitário. Temos de ser compreensivos com as pessoas que têm a responsabilidade de promover a leitura. Se pensarmos no atraso imenso em que foram educadas… Como consequência, os níveis de leitura das camadas sociais que a si mesmas se consideram cultas não chegam para justificar um trabalho livreiro bom e suficientemente compensador.

3
Muita gente chega ao topo do estatuto de pessoa com alto nível social sem ter lido quase nada. Não me interessa culpar essas pessoas. Façam a sua vida. A culpa da extensão da nossa falta de nível é colectiva. E dos menos inocentes foram e são os editores e os livreiros do meu país, não considerados individualmente mas como grupo ou grupos profissionais, porque nunca acreditaram em que o desenvolvimento da leitura era sua obrigação e até por uma primeira razão evidente: ganhar para o seu produto a clientela mais vasta e da melhor qualidade possíveis. Nem sequer se entenderam nunca, as Gentes do Livro…

4
Não são possíveis saltos muito grandes em pouco tempo. Mas já são vinte e quatro anos de investimentos continuados no sector do livro e da leitura!… Não são três dias! Acho que deviam ter produzido muito melhores resultados. Eu acho… Estarei a ver mal e a ser injusto para quem fez o que devia e mais um bom bocado? Isso não quero!
Para se resistir já é muito bom podermos olhar para o que está feito. Dar valor a quem o tem, é justo.
Em termos de leitura colectiva já se fez mesmo muito, com deficiências imperdoáveis embora. Recordar as críticas de Francisco José Viegas ao PNL. Etc., etc..

5
Contar com quem, até que desapareçam da sociedade as grandes camadas de néscios? Por mais que se julguem e os tenhamos como sábios, são néscios que sabem tudo sem ter aprendido quase nada…
Uma grande pobreza de cultura geral, em tanta gente que se julga alguém…
- Não digas isso…
-Já disse!

6
Quem tem fome vai à comida. Quem tem nível procura a melhor comida. Quem é culto tem necessidade de boas livrarias e frequenta-as e convive com os livros, alguns que lê e muitos que não chega a ler, mas que fica conhecendo. Até porque acaba por haver encontro e convívio com quem leu o que não se chega a ler. Ninguém consegue, felizmente…, ler tudo.
Prometo que vou reler o que, por estes dias, alguns livreiros nos vieram dizer e que qualquer um pode ler em http://encontrolivreiro.blogspot.com/ .
Apetece-me muitas vezes perguntar a muita gente: há quanto tempo não entra numa livraria? Ou até fazer esta pergunta tão inocente: «ainda sabe ler». Gostava que aparecesse uma que me respondesse: «já não sei ler, mas sei ensinar a ler».
1, 2, 3, 4, 5, 6 e… 7
Será que ainda chegamos a tempo?
Será que aqueles pais, os da prancha tão simpática de mestre José Ruy, aqui reproduzida com a devida vénia, resolvem mesmo dar uma alegria ao filho e à livreira emérita da «Loja-107-Livraria», Isabel Castanheira?
Em Fevereiro p. p. com muita alegria se viu Isabel Castanheira ser distinguida com o Prémio Especial Livreiro Ler/Booktaillors 2010. Aqueles pais terão mesmo de entrar. E… e… e… dar-lhe os bons dias que merece!

L. V.

[copiado integralmente, com muitas e devidas vénias, ao Chapéu & Bengala]

sábado, 23 de julho de 2011

Felicito-vos por ainda arranjarem alento e coragem para discutirem estes problemas.


Caro Luís:

Bom dia e votos de bem-estar.

Felicito-vos por ainda arranjarem alento e coragem para discutirem estes problemas.

Falar sobre:

Livrarias: quase todas com a corda na garganta.
Livros: cada vez mais e de qualidade e interesse muito duvidáveis.
Leitores: ando de lanterna à procura deles.

Quanto à comercialização abstenho-me de mandar palpites.

Mais um pequeno detalhe.
Livreira: Não se lança nas águas sulfurosas, porque o Arquimedes não deixa... seria demasiado o impulso...

Isabel Castanheira (Loja 107 - Caldas da Rainha)

Mensagem da livreira Isabel Castanheira, da Loja 107, em Caldas da Rainha, enviada a Luís Guerra para ser lida (o que não foi possível, tendo referido apenas a sua recepção) no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A livreira emociona-se, chora e ri como qualquer humano, mas tem a certeza convicta que o seu coração é feito de papel.

Ser Livreira

Vender livros é algo tido como banal. Em todo o lado se vendem livros. Qualquer um está (aparentemente) creditado para o fazer.
Quando abri a livraria alguém me perguntou: "És livreira! O que é ser livreira?" Sem pensar muito respondi: bem... a livreira é aquela que ama os livros. Gosta do cheiro do papel, gosta de acariciar as capas, sentir as folhas a passar pelos dedos. Tem uma paixão doentia pela leitura, fica inclusive indignado quando alguém diz que nunca leu.
A livreira vive num caos organizado de autores, tradutores, ilustradores, títulos, editoras, distribuidoras.
A livreira leva sempre o trabalho para casa. Por vezes pensa que a sua casa é apenas uma extensão da livraria.
A livreira deixou tudo para trás, (estudos, carreira, uma vida confortável), porque acredita que os livros alimentam a alma.
A livreira ouve todos os dias a mesma história de uma família que acha que os livros não se comem. E que assim não se pode viver.
A livreira tem constantemente palavras, frases, páginas de livros dentro da cabeça, coisas que não consegue esquecer.
A livreira dentro da mala não consegue encontrar um comprimido para a dor de cabeça, uma caneta para tirar apontamentos, as chaves de casa... todo o espaço é ocupado por livros que a acompanham por todo o lado, que são para ela mais preciosos que qualquer outra coisa.
A livreira emociona-se, chora e ri como qualquer humano, mas tem a certeza convicta que o seu coração é feito de papel.

E agora, será mesmo que qualquer um pode ser livreiro? Será que os livros se vendem sozinhos ou existe necessidade de alguém que ame os livros para os vender?


Marta Peixoto, Capítulos Soltos (Braga)

[texto publicado originalmente no blogue Os Livros Tristes]

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cada vez é mais difícil vender livros. Vende-se papel para entreter as gentes.

Tudo começa com um leitor encantado pela ideia da livraria. Só depois nasce o livreiro. Apaixonado e sonhador, pronto a ser mastigado pelos próprios livros que o seduziram. Cada vez é mais difícil vender livros. Vende-se papel para entreter as gentes. A livraria conquista e apaga o sonho e a paixão. Felizmente, haverá sempre aquele livro que nos salva o sorriso quando tudo o resto parece desmoronar-se.

Luís Filipe Cristóvão (Livrododia - Torres Vedras]

Mensagem do livreiro Luís Filipe Cristóvão , da Livrododia, em Torres Vedras, enviada a Luís Guerra para ser lida (o que não foi possível, tendo referido apenas a sua recepção) no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Caro Luís Guerra,


Vou reduzir ao máximo a mensagem mas espero que tenha o sumo suficiente para reflectirem:

A profissão de livreiro está ameaçada? Não seria bom a criação de formação a nível superior?
A concentração editorial será boa para os novos autores?
A distribuição está condenada?
O mercado de retalho tradicional deverá estar sossegado quando assiste a diferentes condições de fornecimento e de alguma arrogância por parte de alguns grupos editoriais?
Será que os livreiros não são gestores ou será que alguns de nós fazem bem melhor com menos meios?
O que interessa neste mercado, a quantidade (D. Branca) que alguns praticam em prejuízo da qualidade e rendibilidade das empresas?
Porque razão as editoras não fazem todas as feiras do livro e só pretendem realizar aquelas que servem para outros fins?
Quando as ditas feiras potencialmente rentáveis deixarem de o ser serão entregues aos Livreiros?
Enfim, força e tenha-se a coragem de clarificar o nosso sector sem receios. Por mim, como sempre, nada me assusta e penso que os verdadeiros editores, distribuidores e livreiros nada devem temer.

Um abraço de ânimo e força
,

Antero Braga

Mensagem de Antero Braga, livreiro (Lello - Porto) com larga experiência, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

terça-feira, 19 de julho de 2011

cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura

ENCONTRO-LIVREIRO-L.GUERRA

12 De Julho.2011

CHAPITÔ

PARA ACABAR DE VEZ COM A LEITURA

SESSÃO DE 13 DE JULHO.2011

SOCORRO, ONDE ESTÁ O MEU LIVREIRO?

Caro amigo Luís Guerra.

Espero que a sua dedicação à realização do Encontro-Livreiro em Setúbal e em cada ano no último domingo de Março e que sob a sua batuta já vai para a 3.ª edição no próximo ano de 2012, lhe proporcione uma noite inspirada para falar sobre um dos nossos temas de referência: o lugar do livreiro e da livraria independente no desenvolvimento da leitura no nosso país e as perspectivas de entendimento e convergência das Gentes do Livro para a abertura de novos horizontes, como resultado de uma intensa reflexão sobre as problemáticas que a todos nos dizem respeito.

Se lhe for possível recolha-me opiniões fundamentadas e inteligentes que me tirem desta sensação de que muito do que por aí se diz sobre o futuro do livro releva de um conservadorismo evidente quando nos pomos a pensar em que o ponto de partida correcto é a reflexão crítica sobre o evoluir da necessidade e dos hábitos de leitura na sociedade em construção.

Muito lhe agradecerei a si e a todos os que me convencerem de que estou errado, se realmente errado estou: alguma fuga ao presente e portanto alguma alma de profetas, como os define Espinosa, tenho sempre sentido, ao longo dos anos, da parte dos sapientes do nosso futuro livreiro.

Catastrofismo é o tom mais comum nas profecias. Tratemos mas é de construir este presente, o nosso presente, de modo a que dele nasça o melhor futuro, qualquer que ele seja. Viver o que está em acontecimento é que dá a correcta perspectiva do futuro. Fugir a construir presente pode ser cómodo, pois depende mais de imaginar do que de saber.

Que importa que acabe ou não o livro em papel, se a leitura se desenvolver? Que importa que se extinga a fauna e a flora que se alimenta do livro, quando visto, redutoramente e simplesmente, como um suporte e um negócio, se a escrita e a leitura forem cada vez mais comuns e proporcionarem um entendimento do mundo e da condição humana dignos de mais respeito do que aquele que hoje temos uns pelos outros e sobretudo por «eles»?

Amigo Guerra,

Sabe muito bem quanto gostaria de estar consigo e com todos, mas preciso de aprender quanto a sucessão nos traz a riqueza das novas gerações.

Francamente lhe digo:

Estou por acreditar em que os merceeiros de livraria, por mais respeito que tenha pelos merceeiros, mas os de mercearia, cada vez têm menos hipóteses e que cada vez haverá mais lugar para os livreiros que fazem da livraria uma oficina de leitura.

Diga-me depois se concorda comigo e mais alguém consigo. E faça-me o favor de a todos os participantes no serão sobre o futuro dos livreiros levar a minha saudação de livreiro velho, uma saudação de quem espera que as iniciativas das Gentes do Livro que vão acontecendo afastem de vez as profecias catastrofistas.

MM

Mensagem de Manuel Medeiros, o escritor Resendes Ventura, o Livreiro Velho, lida por Luís Guerra no último "encontro livreiro" realizado no Bartô do Chapitô, integrado na iniciativa "Para acabar de vez com a leitura", no dia 13 de Julho de 2011.

É o FIM. É o FIM?

«(...)
Mas se a crise é a principal culpada não podemos também ignorar que a situação acontece pela realidade de um país sem hábitos de leitura, um país onde os agentes da área da edição nunca se uniram em campanhas efectivas de desenvolvimento e angariação de novos leitores. Nunca houve acções integradas e continuadas de impacto nessa área porque a cultura é um bem (muito) acessório. Um país onde, apesar das qualidades notáveis que os portugueses possuem, nunca se tirou delas partido, com um sistema de ensino medíocre que trabalha para a medianização e não para a excelência; (...)»


Hugo Xavier
{ler texto na íntegra}

quinta-feira, 14 de julho de 2011

hoje não me apetece ser fatalista

ontem falou-se de livros no chapitô. mais uma vez. e de livreiros e de leitores. ali éramos todos leitores, alguns éramos livreiros, outros tínhamos sido livreiros, outros queriam ser para sempre livreiros, um certo tipo de livreiro, o nosso tipo de livreiro.
claro que não houve grandes conclusões, nem era para haver. a leitura está bem e recomenda-se. um grande passo para a leitura é haver livros e esses cada vez há mais. e não é correcto, de todo, dizer que há cada vez mais livros maus. há também cada vez mais livros bons. editoras como a Ahab ou a Cavalo de Ferro vieram transformar todo o panorama. há livros mesmo muito bons, e muitos deles, apesar de discretamente, também chegam ao top.
hoje não me apetece ser fatalista porque, primeiro, tento nunca o ser, e, depois, porque ontem levámos uma lição "daquelas". fatal não é acabarem os livros em papel porque como diz o nosso querido livreiro velho "eu não vendo papel", e, no limite, ao haver livros electrónicos para além dos livros em papel, há mais livros.
agora não me lixem, o livreiro tem uma missão. e se bem que ontem essa missão não tivesse sido directamente lançada para o colo dos espectadores apesar de muito se ter especulado sobre ela, a verdade é que o comentário que um espectador fez ia contra premissas que estavam a ser defendidas no tanque: "queremos dar ao leitor o livro que nós queremos ler ou o livro que ele quer ler?". a resposta só podia ser uma: queremos dar-lhe aquilo que ele quer, que muitas vezes é que lhe demos aquilo que queremos ler.
um livreiro tem de vender, será sempre verdade, mas haverá alguma razão para que o joaquim não venda seguros ou maçãs. "apesar de". haverá sempre um "apesar de". apesar de o mercado estar difícil, de as vendas estarem difíceis, e tudo e tudo e tudo. livros são livros, caramba. e isso ninguém lhes tira. nem nos vencem pelo cansaço, que o cansaço às vezes também alimenta. e isso viu-se ontem naquelas 50 pessoas que ouviam e falavam. há ainda muito a dizer, a discutir, a reflectir. "apesar de".
um bem haja a todos os que estiveram, os que quiseram estar e os que hão-de estar. e até setembro!


Rosa Azevedo
Texto originalmente publicado no ESTÓRIAS COM LIVROS