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segunda-feira, 22 de julho de 2013

«o dia em que se falou do fecho da Sá da Costa»

hoje foi o dia de irmos à sá da costa, que vai fechar. as largas dezenas de pessoas impediam-nos de ouvir com clareza o que se discutia. mas era claro que a "reunião" não era apenas um espaço de lamúrias mas uma tentativa de arranjar soluções para que a livraria não tenha de fechar.
hoje, sendo o dia de pensar a sá da costa, foi também o dia de pensar as livrarias.
as livrarias são um negócio. e como qualquer negócio que fecha, várias são as condicionantes que levam a este desfecho. apesar do amor que criamos aos livros não o criamos da mesma forma com todas as livrarias. começo já por dizer que aquilo que me atrai a uma livraria não é, de todo, a "simpatia" das pessoas (argumento para muito boa gente frequentar ou não as livrarias). os "meus" livreiros não são fontes de simpatia. são pessoas que me deixam confortável naquele espaço. a Trama, a Pó dos Livros ou a Culsete são casas onde me habituei a viver e trabalhar. costumamos dizer que os livros não são mercearias mas podemos sofrer tanto com o fecho de uma livraria como da mercearia onde costumávamos gastar a mesada e onde o merceeiro era pai do amigo da escola primária e onde passávamos as tardes. é aqui que as livrarias têm de ser competitivas. encontrar o espaço que os clientes procuram. porque não basta os clientes quererem livros - têm de se sentir confortáveis no espaço.
mas nunca será suficiente. é o mais angustiante em todo este panorama. a questão que se colocava hoje numa conversa sobre este assunto era que seriam o "eles" que nos fecharam a sá da costa, de acordo com o cartaz. ou que fecharam qualquer uma das outras livrarias. os "eles" somos nós todos, em primeiro lugar - quem não comprou lá, quem preferiu comprar livros noutros locais. depois são estes novos grupos editoriais com opções que não valorizam nem apoiam as pequenas livrarias, deixando-as na cauda da distribuição e das boas margens ou abolindo-as em absoluto. e depois desta tão falada crise, de impostos duríssimos, de novas leis das rendas, do tirar poder de compra a quem antes ainda tinha nos livros um objecto de compra quotidiano.
é preciso perceber aqui o que podemos fazer. nós todos podemos apoiar pequenas livrarias, comprar lá os livros em vez de os comprar em outros locais. e volto a frisar, porque nada disto é novo a quem me conhece, que as grandes superfícies e fnacs e bertrands também têm muitos e bons livreiros, não está aí a falha destes espaços comerciais. a venda dos livros em nada os favorece a eles e sim uma lógica empresarial assassina para a qualidade literária dos livros e por isso essas livrarias têm de ser retiradas do nosso horizonte.
não apoio em tudo os textos que correm por aí sobre os fechos progressivos das livrarias. temos de ser realistas e perceber o que aqui deve ser criticado, alterado e em que é que a nossa atitude pode mudar este panorama. mas um aspecto é incontornável. não há cidade sem livrarias. os livros são os objectos culturais físicos e insubstituíveis e infelizmente neste país cada vez mais há cidades e regiões inteiras sem uma única livraria. e em nada compensa nessas cidades essa falha. e eu que vivo e trabalho no Chiado tenho dificuldade em encontrar o meu espaço de conforto. perfiro atravessar a cidade e ir à Pó dos Livros ou até ir a Setúbal e ter a sensação incrível de que a Culsete é um espaço de pertença como se sempre os tivesse conhecido e não apenas em 2011. tenho a Letra Livre ao lado de casa, mas pouco mais. tenho a A das Artes que nunca conheci pessoalmente mas que acompanho diariamente com admiração.
não consegui o manifesto vou buscá-lo na semana que vem e voltarei então a falar do dia de hoje. hoje fico com a sensação de tristeza pelo fecho da livraria e algum calor ao lembrar como foi bom subir a calçada do combro sozinha para lá chegar e saber que lá encontraria dezenas de amigos. estamos todos num mesmo barco. temos é de saber o que fazer para que ele não se afunde mais. é deixarmo-nos de lamúrias e começarmos a pensar em soluções. o Encontro Livreiro tem exactamente esse objectivo e cada ano que passa faz mais sentido.

Rosa Azevedo, Estórias com Livros

sexta-feira, 19 de julho de 2013

«É a minha última recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os meus gatos que são lembranças de vivências.» (Isabel Castanheira)


Livraria Sá da Costa

A notícia era esperada. Amanhã sábado, a Livraria Sá da Costa fecha as suas portas. Situada em pleno Chiado, um dos lugares privilegiados da baixa Lisboa, mais uma livraria que encerra.
Como livreira tive contactos assíduos com a editora Sá da Costa, cujos escritórios se situavam um pouco mais acima, no Largo Camões, num velho prédio pombalino, que tinha umas escadas que pareciam que terminavam no céu.
O catálogo da Sá da Costa, era um catálogo escolhido, principalmente, de autores portugueses, de que hoje já não se fala, e que desapareceram completamente do mercado. Alguns, ainda se vão encontrando nos alfarrabistas.
Mas hoje em dia, quem lê? - António Sérgio, Frei Luis de Sousa, Vergílio, Cavaleiro de Oliveira, D. Francisco Manuel de Melo, Albino Forjaz Sampaio, Rodrigues Lobo, João de Barros, Diogo do Couto, Sá de Miranda, Diogo do Couto, e tantos mais … Fernão Mendes Pinto, Bocage, António Gedeão…
Com umas edições sóbrias onde predominava o castanho, as capas dos seus livros possuíam uma linha identificativa, simples e agradável.
Hoje são, na sua grande maioria, autores sem leitores.
Não se passou assim tanto tempo, mas os hábitos de leitura alteram-se radicalmente. Para bem? para mal? Escuso-me de comentar. Como em tudo, há excepções.
Esses livros, não estão na moda; não possuem capas brilhantes, nem títulos enigmáticos a focar a atenção do futuro leitor para conteúdos surpreendentes.
Relembrei algumas edições da Sá da Costa. A partir de domingo, nem livros, nem livraria.
Lamento o desaparecimento de mais uma livraria.Não restam dúvidas que os tempos actuais são mortíferos para com a cultura…
Na minha última visita à Livraria Sá da Costa, feita talvez no início deste ano, encontrei lá a pintar um artista de origem asiática. Pintava gatos com o formato dos símbolos da caligrafia oriental. Comprei um gato. É preto, elegante, de cauda erguida, porte elegante e focinho meigo. É a minha última recordação da Sá da Costa, que vive junto a todos os meus gatos que são lembranças de vivências.

Isabel Castanheira, Cavacos das Caldas

quinta-feira, 18 de julho de 2013

«Duas ou três notas incómodas sobre o lastimável fecho da Livraria Sá da Costa, em Lisboa.»


1. Embora seja uma questão muito mais complexa (e esta da Sá da Costa em particular, até porque se tinha juntado um grupo de pessoas que tinham tornado de novo a livraria um espaço dinâmico e criativo), uma das várias razões por que as livrarias fecham, e de que não podemos alhear-nos, é que as pessoas deixam de frequentá-las (como está também a acontecer, por exemplo, com as salas de cinema). Custa-nos admitir isso, sobretudo a nós para quem livros e filmes sempre fizeram parte da nossa vida. Hoje em dia, as (poucas) pessoas que ainda lêem (não me venham com a conversa de que se lê muito mais hoje; se isso é verdade, o que duvido, lê-se grosso modo “pior”: as tiragens baixaram significativamente por que razão?) encomendam os seus livros on line (ou fazem as suas leituras também on line; se repararmos nas bibliografias dos artigos, trabalhos de investigação, etc., mesmo na área da literatura, já contêm mais links que referências a livros em papel). Depois, o que faz as estatísticas das vendas e dos tops, são os exemplares dos bestsellerzinhos vendidos nos hipermercados;

2. Este manifesto [Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da Cidade de Lisboa no centenário da Livraria Sá da Costa (Letra Livre)], que também apoio, embora não possa estar presente por viver no Porto, poderia não ser apenas um lamento, mas despoletar em todos a vontade de frequentar mais as poucas livrarias que ainda há, porque também depende de nós não as deixarmos desaparecer. As históricas e as outras, que foram surgindo ao longo dos anos, algumas bastante boas e que vivem com muitas dificuldades. Uma observação: li num cartaz: “Se querem livrarias históricas, vão ao Porto…” Isso é pura ilusão. As livrarias no Porto passam por dificuldades tremendas. Das “históricas”, mantêm-se a Lello, a mais antiga, graças sobretudo a ter sido eleita uma das mais belas livrarias do mundo, mas onde certamente há mais turistas a fotografar que a comprar livros, e à persistência e teimosia de um livreiro, o senhor Antero Braga; se nada fizermos, vamos ver quanto tempo ainda podem durar a Leitura e a Latina; há ainda alguns alfarrabistas históricos, como o Sr Canavez ou a livraria Chaminé da Mota;

3. O mesmo está a acontecer com as chamadas salas de cinema de bairro, programadas por exibidores independentes, onde as pessoas também vão cada vez menos (apesar dos esforços continuados de uma programação diversificada e de qualidade, de conversas sobre os filmes, da presença de realizadores, actores, etc.). Tal como muitos leitores deixaram de ir às livrarias, muitos espectadores deixaram de ir às salas de cinema e preferem fazer downloads e ver o filme no écran do computador, apesar da inigualável (como dizia o Pina, que sei eu?) experiência de ver cinema em sala, uma vez que foi para a sala que os filmes foram feitos (todos os realizadores, mais velhos ou mais novos, querem ver os seus filmes a estrear em sala) e só aí se podem usufruir na sua totalidade (Peter von Bagh, historiador e crítico de cinema finlandês e actual director do festival “Cinema Ritrovato”, escreveu que um filme ao ser visto na televisão ou dvd – poderíamos acrescentar hoje o écran do computador – “não penetra profundamente em nós […] não fica na imaginação do espectador da mesma maneira que o verdadeiro filme ficou na imaginação de gerações de espectadores”).
Mas está mais na moda dizer que já não há cinemas (como, aliás, se diz há muito das livrarias, discurso que os media também propagam), e depois, quando mais uma, ou muitas salas, como aconteceu há uns meses, ou livrarias, fecham, chora-se muito, desabafa-se imenso, protesta-se, etc., e tudo como dantes no quartel d’Abrantes até nos revoltarmos outra vez com o fecho da próxima.
Para que não esqueçamos a Sá da Costa, a partir de segunda-feira, todos à Ferin, à Bertrand do Chiado, à Lello, à Leitura, à Pó dos Livros, à Ler Devagar, à Paralelo W, à Utopia, à Poetria, à Centésima Página, à Fonte das Letras, à Culsete, à Esperança, à A das Artes, etc., etc. (perguntemos ao Luís Guerra, que conhece muito bem as melhores livrarias do país e tem batalhado pela sua defesa).
Last but not least, esta maldita crise que nos desanima e que cada vez nos deixa com menos dinheiro para comprar livros. Como dizia o Eduardo Guerra Carneiro, isto anda tudo ligado. Mas a luta continua.

António M. Costa, Programador (Porto) [texto publicado hoje no facebook].

«A Livraria Sá da Costa vai encerrar as suas portas no próximo sábado.»



«[...]
Um dia também vão começar a fechar, diz-me quem sabe de contas e do deve e haver do mercado editorial, e eu respondo que, à excepção do lamento sincero pelos trabalhadores (normalmente com contratos miseráveis e ordenados risíveis) que perderão os seus empregos, não haverá motivos para grandes tristezas. Não é vingança, não, é a certeza de que quando tiverem desaparecido as livrarias históricas da cidade, as livrarias onde as novidades e os bestsellers não são quem mais ordena, as livrarias onde há conselhos, segredos, livreiros que nos conhecem pelo nome e que sabem o que queremos ler, já não haverá motivos para andar por Lisboa. Que meia dúzia de hipermercados do livro continuem a florescer ou passem a murchar nas zonas nobres da cidade não altera nada. Nessa altura, a gente há-de olhar para a Baixa e acreditar que está no Colombo.»


Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire, onde pode ser lido na íntegra.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

«Arruada é festa, é alegria, é música, são pessoas em convívio, tudo na rua. Arruada de livros é tudo isso com livros, tudo isso em redor dos livros.»



«Continuando a comemorar o seu 40.º aniversário, a Culsete organiza, entre 7 e 17 de Julho, das 15.00 h às 22:00 h, no passeio fronteiro à livraria, uma grande arruada de livros, com animação musical, apresentações de livros, palestras, sessões de leitura expressiva de poemas, encontros com escritores e o que mais se verá.», diz a comunicação da livraria.



Estivemos, no passado domingo, no almoço comemorativo dos 40 anos da Culsete e no arranque da Arruada. Que bela tarde!







Consulte o programa e, sempre que puder, dê um salto à Culsete. Vai ver que vale a pena.

Encontro-Livreiro

quinta-feira, 4 de julho de 2013

A das Artes - 10 anos

 
 
Em Sines, desde 4 de Julho de 2003, ao fundo da avenida principal da cidade, onde acabam os prédios e começam as vivendas, volta à esquerda e... chegou!

A DAS ARTES
Avenida 25 de Abril, 8 - loja C 7520-107 SINES
T.: 269630954 F.: 269630955 adasartes@bluemel.pt 
 
Parabéns, A das Artes! Parabéns, Joaquim Gonçalves! 

domingo, 2 de junho de 2013

Carta de uma Livreira sem Livraria ao Prémio Camões 2013



Caro Mia Couto:

Votos de bem-estar e espero que esta mensagem o vá encontrar de boa saúde no seu longínquo e belo país de mar infindo.

O hábito de escrever cartas passou de moda, mas para mim que não sou propriamente uma jovem, a carta ainda é um meio de comunicar com as pessoas de que gostamos e que se encontram lá longe.

Esta semana foi-lhe conferido o Prémio Camões. O mais privilegiado prémio literário em língua portuguesa a ser concedido aos escritores que se expressam nesta nossa tão bela e mal tratada língua. Foi muito bem entregue.

Fiquei muito feliz. Uma alegria forte, bem sentida cá no fundo do meu coração. Porque gosto de si e gosto dos seus livros, que me conduzem a um mundo com os cheiros, névoas e sombras em tudo semelhantes às terras da minha juventude.

Tive a alegria e a honra de o receber por quatro vezes na minha livraria, bem distante da sua terra natal; nas Caldas da Rainha, a Loja 107.

Entretanto as coisas mudaram e muito. Tive que fechar a Livraria, porque se alterou drasticamente todo o negócio do livro. Hoje, este, não é um livro é um produto. Grandes grupos económicos, simultaneamente editores e livreiros, dominam o mercado, juntamente com os supermercados e a Fnac. Os livros publicados são muitos, tantos que até é difícil identificá-los. Quanto aos seus conteúdos abstenho-me de me pronunciar, porque não sendo crítica literária, corro o risco de ser injusta para um qualquer livro menos cinzento… Tornou-se inviável manter uma livraria nas actuais condições de mercado, num país em que a leitura está longe de ser uma prioridade. E a 107, fechou…

A vida neste país está muito difícil ; neste país que também é um bocadinho seu.

Recordo com muita saudade as suas visitas. Lembra-se das frutas exóticas que lhe foram oferecidas ao som de uma música dançada ao ritmo africano?

Ainda tem o gato bordaliano que quis que passasse a fazer parte da sua vida? Ele tem-se portado bem?

Lembra-se de ter tido a ousadia de lhe ter dito que era um homem bonito, o que o fez corar um pouco?

Sabe que vive em minha casa um gato da Danuta Wojciechowska, talvez fugido do seu livro “O Gato e o Escuro”. Acredite ou não, enquanto lambemos as nossa feridas, mantemos grandes conversas sobre o que vamos lendo e muitas vezes não estamos de acordo.

Na última vez que cá esteve, em 2008, dedicou-me um autógrafo muito especial “À Isabel com a promessa de eterno retorno”.

Lanço-lhe um desafio, que é simultaneamente um desejo: quando tornar a Portugal a apresentar um seu novo livro, venha até às Caldas da Rainha. Faça desta cidade uma terra de eterno retorno, porque cá vive uma livreira, que tem pelos seus escritores um carinho muito especial e muitas saudades...

Isabel Castanheira
Ex Loja 107, Livraria Lda. 


Cavacos das Caldas, 2 de Junho de 2013

terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia Mundial do Livro

Um país sem livrarias, não é um país!

«[...] a nova Lei do Arrendamento é uma ameaça, que só a cegueira criminosa dos nossos governantes não vê e que, a não ser rapidamente alterada, irá a breve prazo matar grande parte das nossas pequenas e médias empresas, entre elas variadíssimas livrarias.» [IV Encontro-Livreiro]

Um país sem livrarias, não é um país!

A defesa das livrarias deve ser uma exigência e um imperativo das gentes do livro, do autor ao leitor.

Um país sem livrarias, não é um país!

Encontro-Livreiro
23 de Abril de 2013

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dia da Livraria e do Livreiro


Sérgio Letria, da Fundação José Saramago, falou sobre o Dia da Livraria e do Livreiro

Em 2012, em parceria com a Fundação José Saramago, comemorámos de forma simples o Dia das Livrarias, associando-nos assim a iniciativa similar realizada em Espanha. Do contacto inicial entre a Fundação José Saramago e o Encontro-Livreiro nasceu mais uma iniciativa que muito tem a ver com o espírito e os objectivos deste movimento: a defesa das livrarias como o lugar privilegiado da edição da leitura, como muito bem diz o nosso Livreiro Velho, e como o garante do desenvolvimento da leitura, única forma de defender todos os intervenientes no mundo do livro, do autor ao leitor

Cartaz do Dia das Livrarias 2012


Para além da iniciativa do passado dia 30 de Novembro de 2012, fundamentalmente assinalada com a edição de um cartaz com frases de José Saramago alusivas à leitura, que as livrarias aderentes difundiram e que serviu para assinalar a data através fundamentalmente de blogues e redes sociais - aí difundindo também a mensagem «Todos os dias são bons para visitar uma livraria. Não permita que as livrarias se transformem numa "espécie em vias de extinção!"», continuámos as nossas conversas e, numa reunião realizada há dois dias, acordámos o seguinte:

1. Que fique instituída esta parceria entre o ENCONTRO-LIVREIRO e a FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO

2. Que o dia 30 DE NOVEMBRO se passe a chamar DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO [note-se que, neste dia, se assinala a morte de Fernando Pessoa (1935) e de Fernando Assis Pacheco (1995), este último precisamente numa livraria de Lisboa, a velha Buchholz da Rua Duque de Palmela. Dizia o seu filho João em texto que publicámos no dia 29/11/2012: «Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se.]

3. Que seja constituído em breve um grupo organizador do Dia da Livraria e do Livreiro em 2013, que integrará elementos da Fundação, do Encontro e de  algumas Livrarias.

Temos hoje connosco o Sérgio Letria, director da Fundação, um amigo pessoal e do Encontro-Livreiro, a quem peço que nos dirija algumas palavras sobre este feliz envolvimento entre a Fundação José Saramago, uma entidade ligada a um AUTOR, e o Encontro-Livreiro, que «é simplesmente um movimento de aproximação entre quem, vivendo e trabalhando no meio dos livros, já percebeu que não faz sentido, hoje mais do que nunca, andarmos a esforçar-nos cada um por si, numa guerra que só pode ser vencida em comum, lado a lado. Se é que se pretende merecer que o livro continue a ser uma das mais ricas potencialidades criadas pelo homem civilizado para progredir em direcção a todas as suas utopias e ambições e conseguir que, trabalhando com ele e para ele, se vão colhendo bons proveitos e justos proventos.», como escreveu no texto do III Encontro o nosso querido e incontornável Manuel Medeiros, um entusiasta deste DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO (foi ele, aliás, o proponente desta nova designação, que eu e o Sérgio Letria aceitámos de imediato e pomos à vossa consideração) pelo que ele significa de chamada de atenção para o lugar central da LIVRARIA e para os sinais, cada vez mais evidentes, de que está a nascer, já está aí em várias livrarias pelo país fora, um novo modelo de LIVREIRO, já não necessariamente o proprietário da livraria, já não necessariamente um autodidacta (embora os haja, e vá continuar a haver, e muito bons), mas alguém com uma maior e melhor preparação e exigência, se bem que desejavelmente aberto a colher o saber dos livreiros menos jovens e mais experientes. 

Muitos de nós conhecemos casos de proprietários e administradores de livrarias que, por não saberem aproveitar devidamente os excelentes livreiros que querem apenas a “arrumar livros” e “atrás do balcão”, vêem as suas livrarias a definhar e cada vez mais vazias de livros e de leitores. 

Estou certo que, no futuro, se assistirá a um movimento desses mesmos livreiros, hoje encurralados em livrarias que não alcançam mais além do lucro imediato, rumo a projectos pessoais ou de pequenos grupos (assistiremos ao ressurgir das cooperativas?) onde possam desenvolver verdadeiros projectos livreiros que, não só cumprirão melhor a função de livraria, integrada no grande desígnio que é o desenvolvimento da leitura, como serão economicamente mais rentáveis. 

Mas aqui está mais um tema sobre o qual também seria bom conversarmos esta tarde. 

Passo a palavra ao Sérgio Letria [Falou de improviso. Foto acima]. 

Luís Guerra
Setúbal, 7 de Abril de 2013

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Modificar a vida através dos livros


«A Livraria Galileu, em Cascais, com quase 40 anos de existência [completou 40 anos no dia 22 de Dezembro de 2012], assiste actualmente a uma crise grave - que não é económica, segundo Caroline Tyssen, mas de valores. A Galileu sobrevive numa luta constante para recuperar os hábitos de leitura dos portugueses.» [vídeo de Abril de 2011]

quinta-feira, 4 de abril de 2013

«Hoje é dia de regressar à Livraria Esperança.»

«Hoje é dia de regressar à Livraria Esperança. Um ano depois de ter entrevistado o senhor Jorge Figueira de Sousa, livreiro que a nossa memória colectiva fará bem em nunca esquecer, confesso que sinto um aperto no estômago. Regressar à Esperança sabendo-a órfã do seu livreiro não será a mesma coisa, mas quero acreditar que o espaço, o ambiente e a filosofia que sempre definiu a livraria e o trabalho dos seus livreiros estarão iguais. Darei notícias, mais tarde.»

Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire

segunda-feira, 1 de abril de 2013

«ser livreira & as profissões»


já aqui escrevi sobre o ser livreira e vou tentar não me repetir. tenho reflectido muito sobre a minha postura perante o trabalho e tenho pensado num sentido para isto que ando aqui a fazer. é incrivelmente assustador termos um trabalho com o qual não nos identificamos mas que por pagar relativamente bem, a horas, com um bom horário e ter uma situação estável se torna um trabalho a manter. eu sempre tive uma postura muito emotiva perante o trabalho e sou incrivelmente ambiciosa. preciso sentir que há um sentido para o que faço. e do LEVA aos cursos, aos eventos, até aos textos que tenho escrito consigo complementar de forma muito eficiente esta lacuna. mas como afirmei tantas vezes a estabilidade e a normalidade fazem-me alguma comichão por isso estes questionamentos são constantes. "isso é muito bom" dirão alguns. sim, pode ser, mas é um sofrimento muito grande muitas vezes. se tivesse 20 anos e estivesse a começar um percurso talvez não me sentisse assim. quando desisti de ser professora e por isso não terminar o estágio profissional fiquei de repente desempregada e sem qualquer visão do que poderia fazer a partir daí. mas não tinha obrigações, rendas para pagar, objectivos a curto prazo. o início dos vintes é a época de possibilidades e a energia é inigualável e os questionamentos muito mais inconsequentes.
muitas vezes penso no que gostava de fazer se pudesse escolher sem as condicionantes que me deixam neste papel em que vivo hoje. e acho que escolhia ser livreira. já fui, sim, com as condicionantes (que são gigantes) que descrevi no link que disponibilizei em cima. mas se sacarmos o melhor do que isso é fico com o emprego perfeito. ser a ponte entre os livros e as pessoas, estar em contacto com livros desconhecidos todos os dias, saber que cada pessoa que se dirige a mim naquele espaço está a pensar os livros.
por isso sinto-me tão encaixada a preparar o Encontro Livreiro (que não é de livreiros, insisto, mas de gentes dos livros) e com tanta vontade de preparar o Dia das Livrarias que me passou tão ao lado o ano passado. portanto decidi viver como livreira sem livraria. sou livreira, pronto. faço quando posso a ponte entre as pessoas e os livros, tento saber as novidades e os livros desaparecidos, passo o dia no meio deles. portanto serve este texto para vos informar que a partir de hoje a minha profissão é livreira, que se querem ser preconceituosos comigo é a essa caixa que têm de recorrer, e que se em papéis oficiais virem outra profissão é porque o mundo tem pouco sentido de paixão e, disparate dos disparates, a nossa profissão é ainda aquela que nos paga as contas. e para que isto faça ainda mais sentido vim escrever este texto para uma livraria. para verem que estou muito convicta desta minha decisão.

Rosa Azevedo, Estórias com Livros.

quarta-feira, 27 de março de 2013

«O livro democratizou-se, para o bem e para o mal, sustentado por uma estratégia de marketing que entroniza a mediocridade em escaparates onde, se não nos pomos a pau, esbarramos ao entrar da porta.»


ESPAÇOS DE VENDA DE LIVROS OU A LUTA PELA SUBSISTÊNCIA

Embora a efeméride tenha passado injustamente despercebida, comemorei, no dia 21 de Março de 2011, o cinquentenário de compradora de livros. O facto de a escolha da estreia ter recaído sobre um livro de poemas, O Luar de Janeiro de Augusto Gil, foi, decerto, mera coincidência pois, que me lembre, ainda se não comemoravam os dias de tudo e mais alguma coisa. Também me atraiçoa a minha memória regressiva quando lhe bato ao ferrolho como quem lança um S.O.S. De onde me terão vindo os 25 escudos da “Balada de Neve” & Companhia? 
Nunca tive essa coisa gostosa de semanada ou mesada. Argent de poche, limitava-se a uma expressão francesa de que só conhecia o significado. Os meus únicos proventos, que não chegavam a aquecer as mãos, eram uns miseráveis trocos escuros provindos da minha actividade de prestadora de serviços à minha mãe, raramente ultrapassando os cinco tostões, de imediato convertidos em cinco rebuçados de fruta ou num cúbico caramelo de prata colorida. Um consolo!
O acto de ir à Livraria Branco com outro fim que não fosse o da aquisição de material escolar, de passar de um lápis para um livro, constituiu para mim algo muito sério com gostinho a uma maioridade semelhante à de substituir os infantis soquetes pelas adultas meias de vidro.
Depois de Augusto Gil foi a vez de José Régio e de Florbela Espanca, vendidos por aquela altura respeitável do saudoso Sr. Adriano. Gostava de decorar poemas para brilhar, histrionicamente, nas lições nº cem. Também fui atacada pelo vírus dos versos (não da poesia, hélas!) submetidos, subrepticiamente, nas aulas de Português, ao parecer do saudoso Eduardo Guerra Carneiro, o meu primeiro crítico literário…
Pede-me o proprietário desta casa um texto sobre a minha experiência de frequentadora de livrarias na região, pelo que omito a Coimbra do meu Torga e o Porto da Leitura e da Bertrand.
Radicada nesta cidade há mais de 30 anos, é por estas bandas que vasculho a oferta livreira. Guardo, com a Branco, a fidelidade jurada no tal casamento, apenas quebrada com pontuais facadas quando uma força irresistível me empurra para dentro da Bertrand ou quando, numa surpreendente jogada de antecipação, a Traga-Mundos espicaça o meu telurismo com uma edição de comprovinciano ainda a cheirar a tipografia. 
O livro democratizou-se, para o bem e para o mal, sustentado por uma estratégia de marketing que entroniza a mediocridade em escaparates onde, se não nos pomos a pau, esbarramos ao entrar da porta. Quer isto dizer que a oferta visível pode desmotivar quem busque aquilo a que é justo rotular de literatura. A par deste aspecto, temos uma evidência comum a várias vilas e cidades pouco populosas. Com meia dúzia de leitores/compradores, como haveriam de sobreviver os comerciantes que teimam em reservar, nas suas lojas, um espaço para a cultura? Surge assim um hibridismo de oferta onde umas estantes alojam os escritores de maior ou menor (ou nenhuma) procura para onde nem olha quem vai à procura da última Caras, de uma raspadinha, de bugigangas, de uns produtos de beleza, de uns brinquedos, de produtos artesanais ou outros.
Longe de ser uma crítica, resulta esta achega da observação de uma realidade que veio para ficar. E também encerra uma palavra de reconhecimento e admiração por quantos teimam em manter vivo um património indispensável ao aconchego intelectual de quantos buscam na leitura uma prazer, uma companhia em horas solitárias, uma inesgotável fonte de aprendizagens, um meio de melhor conhecer a psicologia humana e o mundo que os rodeia.
O espaço onde nos encontramos é o exemplo vivo e singular de tentativa de fixação de leitores através de uma estratégia comercial. Com a particularidade, assumida orgulhosamente, de se constituir como um polo da complexa identidade transmontana nas suas várias vertentes, o António Alberto apostou na variedade e qualidade de produtos da região, hierarquizando-os, de modo a garantir o protagonismo à literatura que por cá se vai publicando, dela fazendo a rainha deste “país do vinho e do suor”, como disse António Cabral. A acrescentar o intimismo do local onde gente de cultura se reúne, sem mordomias nem salamaleques, antes num espírito de convívio com sabor a serão familiar, em roda de amigos. Para assistir a apresentação de livros, a sessões temáticas, a exposições de artes plásticas, a provas de vinhos e a um sem número de iniciativas nascidas da dedicação e do empreendedorismo de um bem intencionado vila-realense. Sem grandes ambições nem falsas ilusões quanto à procura de bens do espírito, tem vindo a conquistar o seu espaço, passo a passo. 
Penso que é esta coexistência pacífica entre produtos para diferentes públicos a opção para a continuidade do comércio do livro. Como diz o povo, deste modo dá a risa para a chora… 
Mais intolerante me manifesto com as secções de livros das grandes superfícies. Misturada com feiras de queijos, de vinhos, de fumeiro e outras, a literatura perde a sua dignidade. Se as receitas culinárias das apresentadoras de televisão ou as biografias dos futebolistas não ficam mal no cesto das compras com chouriços, repolhos, cervejas ou com material desportivo, não acredito que se sintam confortáveis Lobos Antunes e companhia ao alombarem com a areia do gato, o garrafão de azeite em promoção, o leve três pague dois de qualquer coisa e ao chegar-lhes ao nariz o cheiro do bacalhau e de seus colegas isentos de molho…
Os tempos que vivemos são pouco consentâneos com o consumo de bens não essenciais, mas bom seria que todos tivéssemos a capacidade de afogar em linhas e letras angústias presentes, numa espécie de evasão no tempo, um pouco como diz Padre António Vieira: “O fim para que os homens inventaram os livros foi para conservar a memória das coisas passadas contra a tirania do tempo e contra o esquecimento dos homens, que ainda é maior tirania.”

M. Hercília Agarez, professora aposentada e escritora

[texto solicitado à autora para servir de mote ao I.º Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro e apresentado pela própria no dia 24 de Março de 2013 (domingo), pelas 15h00, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real].

Publicado originalmente no blogue da Traga-Mundos.


terça-feira, 26 de março de 2013

«Entre quem é».

«O prazer de perder a conta ao tempo...

Pela voz da minha mãe, percebi que ainda antes de saber escrever já espreitava, em bicos de pés, os livros para colorir que, amavelmente, estendiam sobre o balcão da Mário Péricles, uma livraria de referência na cidade de Bragança, que entretanto encerrou portas.
Quando aprendi a ler, não tardei a descobrir o prazer de perder a conta ao tempo, embrenhada em páginas, à cata de histórias, de novos mundos, de sensações e observações colhidas pelo autor.
Não havia, aliás, não há maior alegria do que comprar ou receber um livro. É essencial saber escolher um título numa panóplia imensa, procurar uma obra que não entrou no circuito mediático, dar com uma publicação que não é rabiscada por escritores consagrados, encontrar páginas que nos ensinam algo, que salvaguardam o que nos preenche ou que se revelam o presente ideal para alguém de quem gostamos. E nada como poder contar com a sábia ajuda de um livreiro nestas tarefas.


Assim, nasceu o meu contacto com as livrarias da região, sedimentado no impulso de comprar para ler ou para oferecer, sim, porque, para mim, a melhor partilha ainda acontece na cumplicidade silenciosa de um livro. O atendimento personalizado, o tempo sem urgências, a prioridade à palavra e a vontade de conhecer o cliente, as suas necessidades ou expectativas, povoam a atmosfera destes espaços, tornando-os distintivos.
Para além desta empatia íntima para com os livros, não deixa de ser curioso que a minha primeira reportagem que conheceu a tinta foi, justamente, sobre as livrarias de Bragança, minha terra natal. A inexistência de estabelecimentos que se dedicassem à venda exclusiva de livros foi o enfoque dado. Por uma questão de sobrevivência, conjugavam essa vertente com serviços de papelaria, dos quais, como me asseguraram alguns entrevistados, auferiam mais rendimentos. Só por alturas do Natal é que as vendas de livros registavam um acréscimo. As justificações para essa dualidade de oferta surgiam rápidas e certeiras: a falta de clientes, os primórdios da crise, a concorrência dos hipermercados e a Internet.
Hoje, volvidos oito anos, gostaria de perceber se este cenário, traçado com tanto realismo, se manteve ou se os problemas se agudizaram e, ainda, de que forma é que se perspectiva o futuro do negócio dos livros em Trás-os-Montes.
Dos meus tempos de faculdade, recordo com nostalgia os alfarrabistas de algumas vielas do Porto. Um deles, paredes meias do sítio onde morava, era inclusivamente transmontano, um mirandelense cheio de orgulho nas suas origens. Ali, sentia a hospitalidade com que um conterrâneo, mal sente empurrar a porta, diz sem reservas: «entre quem é». Aquele senhor, já de cabelos brancos, saudava tão afavelmente quem chegava que era como se entrássemos numa casa familiar e, com total à-vontade, podíamos percorrer o olhar pelas estantes, serpentear pelo amontoado de livros no chão, ler as contracapas vagarosamente, optar por levar ou deixar ficar sem que, por detrás do balcão, houvesse uma expressão de censura ou de aborrecimento.
Por cá, fazia-me falta essa proximidade, essa simpatia, essa compreensão tácita, essa conversa fácil e descomprometida. Felizmente, reencontrei tudo isto em terras transmontanas. Nos últimos tempos, assisti, presencialmente ou acompanhando pelas redes sociais, ao surgimento de um novo paradigma de livraria. Atrevo-me a dizê-lo assim. São espaços que nasceram por amor às letras, privilegiando (e bem!) as produções regionais, mas congregando outro tipo de ofertas, capazes de cativar diferentes públicos. São o reflexo do dinamismo e da visão dos seus mentores, gente com uma filosofia de trabalho revolucionária. São eles que programam as actividades dos espaços, promovendo, obviamente, apresentações de livros pela voz dos próprios autores, tertúlias, saraus e encontros com escritores transmontanos, mas não se ficam por aqui. Lançam iniciativas em contracorrente, como sejam workshops (de fotografia, de ilustração científica, de cartonagem, de edição de imagem digital, de como fazer pão em casa ou compotas e geleias tradicionais, entre outros), cursos (de iniciação à prova de vinhos do Douro ou como harmonizar vinho com gastronomia), provas (de méis, de Vinho do Porto), oficinas de escrita, ateliers de expressão plástica, visitas ao património ou passeios pedestres. Também é frequente ver estes espaços prestarem-se a servir de palco a exposições (de fotografia, de pintura, de escultura, de arte digital), a ciclos de cinema, a concertos ou como promotores de produtos regionais, como sejam as peças de artesanato ou os vinhos.
Falo, pois, da Traga-Mundos e da Vila Teca, em Vila Real, da Poética, em Macedo de Cavaleiros, e da Galeria História e Arte, em Bragança. Têm vindo a afirmar-se como pólos de debate de ideias, de aprendizagens incomuns, de convívios e de afectos. Por outro lado, não descuram as ferramentas que a Internet lhes proporciona, aproveitando para dar visibilidade ao que tão bem fazem através dos blogues e das redes sociais.
Não posso terminar sem deixar uma palavra de apreço e de admiração pelas livrarias centenárias, como o caso da livraria Branco, em Vila Real, por conseguirem desafiar o tempo e adaptarem-se, sem nunca perderem o que de melhor têm: pessoas que sabem o que são os livros e que os respeitam em toda a sua dignidade. Afinal, como escreveu, o padre António Vieira: «o livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive».
Da minha parte, continuo a coleccionar livros para, um dia, ter uma pequena biblioteca dentro de portas, por isso, a certeza, também, de que continuarei a vigiar o que se vai fazendo na região a favor do maior benevolente e incondicional companheiro, aquele que nos une todos aqui, hoje: o livro.»


Patrícia Posse, jornalista (n.º 9322)

[texto solicitado à autora para servir de mote ao I.º Encontro Livreiro de Trás-os-Montes e Alto Douro e apresentado pela própria no dia 24 de Março de 2013 (domingo), pelas 15h00, na Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro, em Vila Real]

Publicado originalmente no blogue da Traga-Mundos.

sexta-feira, 15 de março de 2013

«De um lado do mundo ou do outro, somos muito mais iguais do que diferentes, e as livrarias confirmam-no.»

«A barreira da língua é inultrapassável, mas vale a pena deambular pelas livrarias de Macau. Visitei duas, a Pin-to, assim mesmo com tracinho, no Largo do Senado, e uma outra cujo nome terei de recuperar mais tarde, na Rua do Campo. A primeira é uma livraria independente, a segunda totalmente comercial, e para perceber a diferença do conteúdo das prateleiras, do ambiente e do atendimento não é preciso saber cantonense. De um lado do mundo ou do outro, somos muito mais iguais do que diferentes, e as livrarias confirmam-no

Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire [sublinhado nosso]

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«Teimosia de uma pessoa em superar-se para manter uma livraria com melhor função do que servir fast-books…»



«PARA QUE SERVEM OS POETAS EM TEMPO DE INDIGÊNCIA?»



É um privilégio que compensa o preço a pagar por ter ido além do razoável.
Teimosia de uma pessoa em superar-se para manter uma livraria com melhor função do que servir fast-books…
Ouvir a notícia da atribuição do Prémio Correntes d’Escritas a Hélia Correia, estender a mão e aqui tenho o livro para só agora, em despertadas atenção e curiosidade, o abrir: A Terceira Miséria.

 
Trinta e três poemas curtos, mesmo relendo uns quantos, lêem-se em pouco tempo. Valeu a pena. Expectativa excedida. Praticamente só o título me deixou em reticente. Para meu uso pessoal reduzi-o a subtítulo e para substituí-lo alcancei essa preciosidade com que abre o primeiro poema, portanto o livro, e que aparece repetido no início do nono:
«para que servem/ os poetas em tempo de indigência?»

Não é que não tome como também precioso o poema vigésimo terceiro, donde…
Até compreendo a escolha, ao sentir a sua força. Vai integralmente transcrito.

«A terceira miséria é esta, a de hoje.
A de quem já não ouve nem pergunta.
A de quem não recorda. E ao contrário
Do orgulhoso Péricles, se torna
Num entre os mais, num entre os que se entregam,
Nos que vão misturar-se como um líquido
Num líquido maior, perdida a forma,
Desfeita em pó a estátua».

Talvez agora ir à estante à procura do único romance de Friedrich Hoderlin que levou duzentos anos (!!!) até chegar à tradução e edição portuguesa, apesar da sua beleza e importância na literatura europeia: Hipérion ou o Eremita da Grécia. E talvez baste uma referência explícita à personagem tão metafórica que é Diotima para entrarmos no cerne de A Terceira Miséria. Partirmos do actual caso grego para um reconhecimento de que este conjunto de poemas de desolação, sendo tão localizado, se abre em universal, como acontece com todas as obras de arte que merecem ser premiadas.

E, por fim…
Permitam-me…
Vivam as livrarias em que é possível, apesar de serem poucos os leitores que os procuram, encontrar livros de selecção, como este de Hélia Correia!

As Correntes d’Escritas, cada vez mais importante acontecimento literário nacional e com alguma projecção também a nível internacional, premiando A Terceira Miséria. Em minha modesta opinião, com sensibilidade e muito oportunamente.

R. V.

Texto colhido em Chapéu e Bengala
Ilustração, de Pedro Vieira, colhida em Irmão Lúcia

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

«Eppur si muove.»


Galileu Galilei nasceu em Pisa no dia 15 de Fevereiro de 1564, faz hoje 449 anos, e morreu em Florença no dia 8 de Janeiro de 1642.

No final do ano de 1972 nascia em Cascais a Galileu, uma livraria que persiste e resiste há mais de quatro décadas. Reza assim o texto de apresentação do seu site oficial: «O sonho fez-se carne no dia 22 de Dezembro de 1972, data do nascimento da Livraria Galileu em plena Avenida Valbom - à data uma artéria quase sem comércio, escassamente frequentada. Não faltou, devido a estas circunstâncias (e por causa também da então "astronómica" renda - 12 contos! - que pagávamos pelo espaço), quem nos augurasse um triste e curtíssimo destino. Entretanto já lá vão 40 anos...».

Uma saudação a todos os que trabalharam e trabalham na 
Livraria Galileu.

Uma saudação muito especial aos livreiros e alma da casa, 

Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira.



Encontro-Livreiro

Setúbal, 15 de Fevereiro de 2013

sábado, 15 de dezembro de 2012

Bons Encontros! Boas Leituras! Boas Festas!



DIA DE NATAL
25 de Dezembro
DIA DAS LIVRARIAS
30 de Novembro

Mas, tal como é Natal sempre que um Homem quiser, 

Dia das Livrarias é sempre que um Leitor quiser.

NÃO ESQUECER NUNCA

Todos os dias são bons para visitar uma livraria, 
um lugar de muitos encontros. 
Não permita que as livrarias se transformem numa
 «espécie em vias de extinção».

BONS ENCONTROS! BOAS LEITURAS! BOAS FESTAS
!

são os votos do
Encontro- Livreiro