quarta-feira, 2 de abril de 2014

Livrarias: presente e futuro


O movimento Encontro Livreiro convidou para apresentar o chamado texto oficial do V Encontro o sociólogo Nuno Medeiros que se tem dedicado à análise e reflexão de questões relacionadas com o livro, as livrarias e a edição, tendo publicado vários estudos sobre estas temáticas, entre eles o livro Edição e Editores: o mundo do livro em Portugal, 1940-1970. O texto produzido por Nuno Medeiros abordou e introduziu o tema proposto para reflexão durante o V Encontro Livreiro.


Como lançar o tema “Livrarias: presente e futuro” para o espaço de discussão e reflexão do encontro livreiro, designação que suscita apenas aparentemente uma homologia de sentidos conferida à palavra livreiro, que se deseja antes de mais uma noção alargada em torno do livro e dos seus praticantes: leitores, editores, tradutores, gráficos, distribuidores, capistas, ilustradores, revisores, autores, agentes de representação, formadores, bibliotecários, críticos e, claro, livreiros? 

O desafio que me foi proposto para trazer à fase inicial da discussão do V Encontro Livreiro obriga-me ao confronto com várias armadilhas. Devo evitá-las? E como? Sendo eu filho de livreiros e, durante muitos anos, colaborador de ocasião e de permanência no espaço livreiro, o da Culsete, que nos acolhe, sou também filho de dois promotores iniciais desta ideia: Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros. E tenho vindo a ser, na última década e meia, um estudioso de espaços e campos confluentes, da edição de livros à leitura. É uma declaração de interesses longa e heterogénea, que espero não me tolher o convite que farei para o debate a partir de algumas, poucas, ideias que procurarei delinear. 

Antes de mais, convém abordar a própria categoria, para começar a pensar nela. O que é uma livraria? Como a definir? Quais os parâmetros e critérios da sua delimitação? Entramos em terreno que é mais escorregadio e rugoso do que parece, cujos ângulos se multiplicam a cada passo que damos. De que falamos, então, quando falamos de livrarias? A porta franqueia-se à complicação, diria antes complexificação. Sendo um espaço onde se vende livros, será um espaço onde apenas se vendem livros? Atiremos para a relação os espaços de papelaria onde se apresentam livros, ou de livraria onde surgem artigos de papelaria (assim como esta casa, a Culsete, mesmo que os livros ocupem espaço esmagador na proporção), ou ainda a livraria em que encontramos discos, e máquinas, e jogos, e livros. Juntemos espaços com configurações várias, como a livraria de pequena dimensão, a rede de livrarias culturais e com projecto comercial (veja-se exemplo de Óbidos, com o desígnio da obtenção do selo de Vila Literária através de iniciativas como a da rede de livrarias em elaboração), a livraria independente de maior dimensão (ou em rede), a livraria em rede, a livraria na rede. 

Haverá aqui lugar para os espaços híbridos? Pergunta especiosa, pois como é fácil perceber, o carácter sincrético, misturado, impuro (palavra muito perigosa e que procuro evitar, dada a sua ressonância eugénico-cultural), da livraria, ou melhor, do espaço livreiro, é uma realidade em si mesmo. Como se desenha a linha do que é essencialmente uma livraria, do que não é? E constitui uma ordem física ou não? Visitem-se sítios electrónicos de venda de livros usados e raros e perceba-se que haverá nos seus colaboradores mais livreiros que espaços de livraria. A livraria em casa. De onde, através de cliques e idas aos correios se vai fazendo um negócio e mantendo vivo o sistema de circulação da palavra escrita, impressa e virtual. 

A abordagem, portanto, não se encerra facilmente em gavetas operáveis. O que não quer dizer que se enverede por cair deliberadamente no dédalo da hiper-crítica, em que tudo é questionado até ao limite da inviabilidade de ser operacionalizado e de nos ajudar a pensar, decidir, praticar. Podia ainda ir pegar em aspectos como o da classificação em torno da existência ou não de atributos que legalmente definiriam a livraria, isto é, se um espaço de livraria entendido como espaço livreiro o é à luz de critérios de nomenclatura jurídica e administrativa. Uma parte da dificuldade de pensarmos a livraria de modo automático, logo redutor, virá certamente das transformações pretéritas sofridas pela palavra e pela polissemia que a parece ter caracterizado desde que o livreiro era também editor, distribuidor, vendedor, produtor. Outra parte da dificuldade reside seguramente na perspectiva de quem pensa a livraria, dependendo esta concepção dos seus gostos, hábitos, interesses, preferências. 

Avancemos, pois corro o risco de me perder na velha rábula de Sócrates, que proponha como método certeiro para derrotar alguém pedir-lhe uma definição. As livrarias, na sua pluralidade, enfrentam hoje desafios e obstáculos insofismáveis. Não é possível iludir o encerramento sucessivo de livrarias históricas um pouco por todo o país. E outras, menos históricas, por idade ou estatuto atribuído, também têm perecido. O estado de coisas não é apenas nacional. Mesmo as livrarias de nicho, em Portugal normalmente viradas para a literatura de recepção infantil, enfrentam problemas. O panorama livreiro nacional é um panorama em muito caracterizado pela morte livreira, pelo padecimento, pelo estiolamento de espaços que muitos aprenderam a chamar seu – mesmo que eventualmente nunca lá tivessem ido ou lá fossem arribando apenas a espaços. A luta é constante e de desfecho frequentemente avassalador. 

Por outro lado, como negar a resistência de projectos de criação ou recuperação, ressurreição até, de lugares devotados à venda e animação do livro? Não tenho presente essa contabilidade, a má e a boa, nem sei se está feita de modo sistemático e actual, mas sou confrontado com notícias paradoxais. Há, nesse sentido, um dinamismo, visível em encontros como este, ou como o de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde já decorreram três encontros livreiros. Há aventuras auspiciosas, em locais surpreendentes. 

O ciclo é um ciclo em aceleração, pautado pela velocidade de mudança, em que a morte é contrariada pelo nascimento de novos projectos. O universo corporativo, entenda-se, dos maiores jogadores deste diversificado tabuleiro, também tem demonstrado ritmo de transfiguração. E de onde a morte, o nascimento e a compra e venda não têm estado igualmente ausentes. E o processo continua. Mesmo aqui em Setúbal se prevê a vinda de um espaço de venda de livros para o novo centro comercial em construção. 

O cenário não é, por isso, de apreciação simples nem imediata. Mas está em transformação acelerada nestes últimos anos pela conjugação de factores de todos conhecidos, nos quais a inserção em movimentações igualmente sentidas internacionalmente não desempenha certamente um papel menor. Refiro apenas quatro, provavelmente os factores mais decisivos, se exceptuarmos o contexto geral de contracção económica, com evidentes e duradouras repercussões em tudo quanto tenha que ver com o livro: a) a concentração editorial e, em escala e com contornos diferentes, o seu émulo livreiro; b) a transfiguração tecnológica e a adopção de novos produtos, vias de acesso e práticas de fruição; c) o crescimento dos espaços virtuais de venda, edição e criação autoral (e aqui também a explosão dos serviços de auto-edição e comercialização, mesmo quando maquilhados com chancela); d) o fim provavelmente definitivo do modelo de distribuição assente em empresas de maior ou menor dimensão sustentado num acompanhamento de venda por comissão através da proximidade e de modos de venda não assentes em ritmos vertiginosos de rotatividade editorial nem em compra de espaço de montra e de exposição. 

A livraria tem de encontrar o seu caminho por entre um número alargado e volúvel de indicadores, tanto de entropia como de oportunidade, tanto de impedimento como de possibilidade. É verdade que o alinhamento do universo não é neste momento o melhor, mas o campo mudou inapelavelmente. E continua a mudar. Que fazer, então? 

Não tenho nem quero oferecer um receituário. Não creio que existam panaceias, nem mesmo que cheguem a ser desejáveis. Mas ocorre-me um conjunto de perguntas. Onde tem estado a lógica colectiva, de debate e acção? Multipliquem-se espaços como estes, diversifiquem-se momentos como o que nos levou até à Culsete numa tarde como a do último domingo de Março. Expanda-se o recurso aos jornais e restantes meios de comunicação, até à televisão. Haja uma atenção aos blogues que por aí vão aparecendo. Não resisto a mencionar o da Edição Exclusiva (http://edicaoexclusiva.blogspot.pt/), gerido pelo Nuno Seabra Lopes, perdoem-me a referência interessada, já que sou membro – muito preguiçoso – do mesmo. Mas há muitos outros, onde se procura discutir e pensar o universo do livro e que vale a pena espreitar e usar como recurso. 

E a componente associativa? Seja para defender os interesses de representação de uma classe que nunca foi só uma, seja para dinamizar e forçar a associação existente, APEL, a abraçar novos rumos de intervenção no que concerne à questão – ou questões – livreira. Seja ainda para pensar em formas de ultrapassar condicionamentos antigos, como o reduzido poder negocial de compra e encomenda de entidades o mais das vezes fragmentadas, de tamanho reduzido e actuando isoladamente. 

A capacidade de acção colectiva pode encontrar barreiras difíceis de ultrapassar em termos de uma agenda comum e de âmbito alargado, pois as prioridades e os interesses nem sempre são possíveis de harmonizar institucionalizadamente, através de uma nova associação, por exemplo, ou até da transformação da APEL numa federação de associações ou centros de representação distintos entre editores, distribuidores e livreiros. Mas a prática já demonstrou que é possível agitar as águas, pelo menos a julgar por casos recentes como a da intervenção de um conjunto de livreiros independentes (à falta de outro termo) junto das autoridades para obrigar ao respeito da Lei do Preço Fixo por outras entidades de venda do livro, algumas das quais assumidamente livrarias. Neste caso não foi necessária uma acção organizada em torno de um elemento de associação, mas apenas de mobilização concertada em torno de um desiderato específico. 

Mas, por outro lado, o exemplo que aduzi acaba – e reconheço-o provocatoriamente – por contribuir para um reforço da heterogeneização do campo livreiro (não que isso seja mau ou indesejável), já se trata de uma espécie de luta intestina, livrarias contra livrarias, habitando embora lugares muito diferentes, como diferente e hierárquico é o seu posicionamento geoestratégico no circuito de comercialização do livro. 

O tempo é pouco e as ideias muitas e em atropelo mútuo. Termino por aqui, nem sem antes fazer breve alusão ao terceiro termo, não formulado, da equação inicial: o passado das livrarias. O fecho de muitos destes espaços também encerra a potencial perda ou dissipação de material imprescindível ao conhecimento da cultura impressa e da circulação do livro em Portugal nos últimos cem anos. Essa potencial perda ou dissipação têm sido, aliás, a regra. Tal como para o património editorial, documental e não documental, fará muita falta continuar a alimentar um esforço de discussão e mobilização para a salvaguarda e estudo desse património livreiro, que engrossa, afinal, o património geral do que se convencionou chamar de História Contemporânea de Portugal. Sugiro uma incursão no sítio electrónico, pioneiro, sobre o arquivo histórico da editora e livraria Romano Torres (http://fcsh.unl.pt/chc/romanotorres/).

Nuno Medeiros, professor e investigador em Ciências Sociais

terça-feira, 1 de abril de 2014

Entrega do diploma «Livreiros da Esperança» ao livreiro Antero Braga

Depois das palavras de boas-vindas da nossa querida amiga e anfitriã, a Livreira da Esperança Fátima Ribeiro de Medeiros, quero dizer que é também para mim um enorme prazer encontrar-me convosco na Culsete, a casa onde foi concebido, nasceu e continua a crescer o Encontro Livreiro, o lugar onde se concretiza o sonho — que começou por ser de um pequeno grupo de pessoas — de pôr as gentes do livro a conviver e a encontrar-se para melhor se conhecerem, para trocarem ideias e projectos, para viverem o presente e construírem o futuro. No fundo, para fazerem deste movimento um verdadeiro manifesto contra o fatalismo que pretende acabar, a pouco e pouco, com o tradicional derrotismo e com a lamúria. 

Como sabem, o diploma «Livreiros da Esperança» — uma homenagem das gentes do livro aos livreiros portugueses que reconhece o papel central que esta classe profissional desempenha na «publicação» da leitura — é uma iniciativa do movimento Encontro Livreiro e foi instituído e atribuído pela primeira vez em 2012. 

Este ano, o Encontro Livreiro homenageia o livreiro Antero Braga, da Livraria Lello, uma livraria da cidade do Porto, mas também do país e do mundo. 

Pede-me a amiga Fátima que seja eu a entregar este diploma, mas quero convidá-la, bem como à Caroline Tyssen ­—­ ambas Livreiras da Esperança ­— para o fazermos em conjunto e para me acompanharem neste momento. 

Sobre o novo diplomado, e resumidamente, quero dar-vos apenas algumas notas, parte delas já publicadas no Isto Não Fica Assim!, o blogue do Encontro Livreiro. 

Antero Braga é natural da freguesia do Bonfim, no Porto, onde nasceu no dia 17 de Agosto de 1950. 

Desde 1968 (faz 46 anos no próximo dia 16 de Julho), ano em que começou a trabalhar na Bertrand da 31 de Janeiro, na sua cidade natal, desempenhou diversas funções naquela empresa editorial, distribuidora e livreira (no Porto, em Aveiro e em Lisboa, assumindo responsabilidades tanto a nível local e regional como a nível nacional), tendo sido gerente de loja, chefe do departamento de lojas e agências, director-geral e administrador. 

Importa referir que Antero Braga entrou no mundo dos livros e para sempre se apaixonou por eles, pela leitura e pela profissão de livreiro um pouco por acaso, pois tudo parecia indicar que seria um homem dos números. Preparou-se para isso mesmo ao fazer o Curso Geral do Comércio e ao frequentar o Instituto Comercial do Porto. 

Perdemos um contabilista ou um profissional de seguros, outro dos seus destinos prováveis, mas ganhámos um livreiro de referência que tem como lemas considerar que é preciso aprender, aprender, aprender sempre, ir ao encontro dos leitores e não ficar simplesmente à sua espera com a barriga encostada ao balcão e, sobretudo nos últimos anos, resistir à pressão destruidora do poder económico, em defesa de um modelo de livraria que dê ao leitor o máximo de liberdade de escolha, não o submetendo à ditadura da moda, do descartável, do efémero, do que busca apenas o lucro imediato. No fundo, um modelo de livraria que crie, não apenas clientes, mas leitores, um modelo que nós aqui, no Encontro Livreiro, muito admiramos. 

Entre uma saída e um regresso à Bertrand, trabalhou ainda na distribuidora Jardim (grupo brasileiro Abril Cultural), como responsável do departamento de promoções e publicidade, tendo neste âmbito colaborado no programa televisivo «O Passeio dos Alegres», de Júlio Isidro. 

Mas a grande aposta de vida de Antero Braga — contra a opinião de muitos, mesmo dos mais próximos — foi a criação da Prólogo Livreiros e a renovação e dinamização da Livraria Lello, a emblemática livraria do Porto. Mais uma data a festejar este ano, no próximo mês de Maio: os 20 anos da Prólogo Livreiros e da renovada Livraria Lello. 

Não será por acaso que a Lello tem sido, desde 2008 e todos os anos, galardoada com vários prémios e eleita a loja tradicional com mais qualidade do país e a livraria melhor e mais bela do mundo. Recebeu também, em 2011, a medalha de mérito de grau ouro da cidade do Porto e, em 2013, a Secretaria de Estado da Cultura classificou-a como monumento de interesse público. Acrescentamos nós agora, em 2014, um diploma que reconhece o homem por detrás da obra. 

Trocando, a nível profissional, o certo pelo incerto, mas dando asas aos seus sonhos e transformando-os quotidianamente em realidade, Antero Braga fez e continua a fazer de uma livraria que encontrou decadente e em grandes dificuldades uma referência incontornável no conjunto das livrarias portuguesas. 

Antero Braga é, para nós, um exemplo de persistência e um sinal de esperança para o futuro. E é mais do que merecedor desta singela homenagem das gentes do livro e do Encontro Livreiro. Por isso queremos dizer-lhe, agora publicamente e na presença das gentes do livro que hoje quiseram e puderam estar neste Encontro: OBRIGADO, ANTERO BRAGA! 

Peço a Antero Braga que nos conte um pouco do seu percurso e da sua experiência e nos dirija algumas palavras de esperança, mas antes quero referir os nomes dos anteriores homenageados, os para sempre merecedores da nossa gratidão Jorge Figueira de Sousa, da Livraria Esperança (Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira, da Livraria Galileu (Cascais) e Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros, da Livraria Culsete (Setúbal). 

Peço uma salva de palmas, em jeito de renovada homenagem aos nossos Livreiros da Esperança e termino dizendo, certo de estar a representar cada um dos presentes e também os ausentes que gostariam de ter vindo e não puderam: OBRIGADO, LIVREIROS DA ESPERANÇA! 


Luís Guerra 
V Encontro Livreiro | Setúbal, 30 de Março de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

O V Encontro Livreiro em imagens e algumas palavras




No domingo, 30, tivemos na Culsete o anunciado Encontro Livreiro, em quinta edição. Alguns participantes chegaram ainda de manhã, ajudando a dar os retoques finais na sala. Os restantes começaram a chegar pelas 15:00 h, conforme programado. Estiveram representados livreiros, editores, trabalhadores do livro em diversas áreas, investigadores, autores, bloggers, jornalistas, leitores.

Depois das boas vindas e apresentação do programa, passou-se à entrega do diploma Livreiros da Esperança, atribuído a Antero Braga, da Livraria Lello, no Porto, sempre um momento alto do Encontro. De seguida, Nuno Medeiros leu o chamado texto oficial do V Encontro, reflectindo sobre as livrarias no presente e no futuro, dando assim o mote para a discussão posterior, que foi viva e muito participada, mostrando diferentes perspectivas e olhares.

O Encontro começou ao som da voz e da guitarra de Henrique Silva e decorreu entre cálices de Moscatel de Setúbal. Foi positivo, deixou no ar muita coisa para reflectir, para amadurecer, para procurar fazer. O relato oficial será redigido, como sempre desde o terceiro Encontro, por Rosa Azevedo. Ficam aqui apenas as primeiras impressões.



Luís Guerra, um dos “pais” do EL, chega antes das 15:00 h e calmamente aguarda a chegada dos restantes participantes.


Com ele veio o Manuel Guerra, preparado para tirar as melhores fotos do Encontro, deixando estas com vontade de desaparecerem para sempre.


Os livreiros do norte chegaram por volta do meio dia e aproveitaram para almoçar um belo peixe assado. Vieram a Virgínia do Carmo (na foto) e a Alice Pires, da Poética, em Macedo de Cavaleiros, e o António Alves, da Traga-Mundos, em Vila Real.


Pouco depois chegava a delegação de Lisboa, a Andreia Azevedo Moreira, o Francisco Belard e o Nuno Fonseca.


O Joaquim da A das Artes, em Sines, ao chegar encontrou logo o José Francisco.


Francisco Belard aproveita para o último cigarro junto a uma das montras da Culsete.


Henrique Silva prepara-se para nos encantar com…


… os acordes da sua guitarra e a sua voz.


Ainda há tempo para espreitar as estantes.


Baptista Lopes, da Âncora, participa pela primeira vez no EL.


Os sorrisos e olhares brilhantes de Maria Clementina, Rosa Azevedo e António Alves fazem adivinhar um bom Encontro.


Por toda a livraria surgem conversas…


… conversas…


… e mais conversas.


E leituras atentas. A leitora é Marisa Cordeiro Rodrigues, da Livraria Espaço, em Algés, que saudamos especialmente por ser uma estreia no Encontro Livreiro e também pelo 50.º aniversário da sua livraria, um espaço de leitura aberto por seu pai e que Marisa continua a desenvolver com as irmãs.




Há ainda espaço para esperar serenamente, de sorriso nos lábios…


… ou rindo abertamente, como Caroline Tyssen após o encontro com Antero Braga.


Finalmente, o EL vai começar e todos procuram um lugar.


Depois das boas vindas dadas pela anfitriã, Fátima Ribeiro de Medeiros, é a vez de Rosa Azevedo introduzir o programa deste EL…


… passando a palavra a Luís Guerra, que apresenta o primeiro momento alto da tarde…


… a entrega do diploma Livreiros da Esperança 2014 a Antero Braga, da Livraria Lello, no Porto.


O homenageado agradece o Diploma e produz um discurso em que refere algumas questões pertinentes para o debate que se seguirá, ideias que Antero Braga retomará ao longo da tarde.



Rosa Azevedo volta a pegar na palavra para introduzir o segundo momento alto do EL, a leitura do considerado texto oficial do V Encontro, pedido a Nuno Medeiros.


Nuno Medeiros lê o seu texto, uma brilhante reflexão sobre o presente das livrarias e como se pode perspectivar o seu futuro, passando por uma referência ao passado. Depois desse momento a discussão abriu-se a todos os presentes que quiseram intervir.



Joaquim Gonçalves lê a sua divertida e irreverente paródia, uma metáfora inteligente sobre o momento presente.


Toma depois a palavra Virgínia do Carmo, da Poética, em Macedo de Cavaleiros, para falar sobre os Encontros Livreiros de Trás-os-Montes e Alto Douro…


… para voltar a Antero Braga…


… que entrega o microfone a Fernando Alagoa, sob o olhar atento de Caroline Tyssen.


Depois de Rosa Azevedo ter lido mensagens de Dina Ferreira, da Poetria, no Porto, de Maria de Lurdes Santos, da Esperança, no Funchal, de Eduardo de Sousa, da Letra Livre, em Lisboa, e de Francisco Madruga, da Calendário de Letras, em V. N. de Gaia, é a vez de Maria Clementina ler a mensagem enviada por Daniel Melo.


Francisco Belard dá também o seu contributo…


… passando a palavra a José Soares Neves, uma estreia no EL.


Outros foram falando, repetindo intervenções e reafirmando opiniões, até que Caroline Tyssen teve de despedir-se, dizendo breves palavras e encenando um passe de dança com Antero Braga que acabou em abraço.


Ainda houve tempo para ouvirmos José Gonçalves…


… Jónatas Rodrigues…


… e António Manuel Venda.



Demos então por concluído mais um Encontro Livreiro, o quinto. No final ainda houve tempo para as últimas conversas. Depois alguns de nós partiram ao encontro do óptimo choco frito, o que também já é uma tradição, mas disso não temos reportagem.

Até 2015, no último domingo de Março, para o VI Encontro Livreiro.


FRM, Papel a Mais (blogue da Livraria Culsete).

domingo, 30 de março de 2014

Antero Braga recebeu hoje, em Setúbal, o diploma «Livreiros da Esperança»



Antero Braga, livreiro da Lello (Porto), recebeu esta tarde o diploma «Livreiros da Esperança» que lhe foi atribuído pelo movimento Encontro Livreiro. A entrega foi um dos momentos altos do V Encontro Livreiro, ainda a decorrer na Livraria Culsete (Setúbal).

Mais notícias, textos e imagens, nos próximos dias.

ISTO NÃO FICA ASSIM!

HOJE É O DIA DO ENCONTRO



Vem daí e traz outros amigos também!



sexta-feira, 28 de março de 2014

Encontro Livreiro - Um espaço para todos


As tribos do livro são por definição variadas.

Podemos gostar de livros ou obras, de literatura, de autores, de livrarias ou bibliotecas, podemos simplesmente apreciar ou preocupar-nos com tudo o que é processo, objecto ou pessoa deste meio. Cada um terá as suas preferências e inclinações, mas poucos são os espaços por definição aglutinadores, onde os temas tanto se discutem como celebram, onde a diversidade não só é constituinte como teleologicamente definidora.

O Encontro Livreiro é um desses espaços.

Como não poderia deixar de ser, a Orgia Literária faz parte desta iniciativa desde o princípio e este Domingo, dia 30 de Março, lá estaremos de novo a dar o nosso contributo, usufruindo da excelente camaradagem que sempre se gera entre participantes, conhecidos e desconhecidos. 

Esta não é uma época fácil e muitos são os problemas que atingem o sector, tantos que por regra tendemos a esquecer o que de nobre e valoroso entre nós aí existe. E tudo começa e acaba em simples pessoas, que podem e devem juntar-se para falar e celebrar a sua variedade, mas também para sugerir ou pensar em soluções. Sem pessoas e sem que se juntem para resolver os problemas que existem, nada é feito e tudo piora. Esta faceta de resistência e vontade faz parte do Encontro Livreiro desde a primeira hora, e sob tal signo tem crescido e sedimentado a sua acção.

Por isso já sabem, se quiserem um bom programa para Domingo, onde todos são importantes e necessários, podem vir até à Livraria Culsete em Setúbal pelas 15h, e passar uma excelente tarde. Serão bem-vindos.

Nuno Fonseca, Orgia Literária

quarta-feira, 26 de março de 2014

A maior forma de resistência é ainda a palavra


A maior forma de resistência é ainda a palavra. Todos os anos, em Setúbal, reunimo-nos para falar do que implica o livro, a leitura e as livrarias. Em cada ano que passa o encontro torna-se mais necessário e multiplicam-se as ideias, as revoltas, a certeza de que o moscatel e a amizade ajudam a tirar algumas conclusões. Este foi o ano em que se falou de livrarias independentes.O mais importante e que tornou este ano particular no que se relaciona com este tema foi percebermos que se começou a falar de livrarias independentes com pessoas que nunca sequer tinham pensado no tema. Colocaram-se a todas as pessoas questões que nunca antes tinham sido colocadas, tornando claro que a deslealdade da concorrência perturba quem detém o negócio mas também o consumidor final. É altura assim de o Encontro Livreiro pensar estas questões e encontrar uma forma de manter dinâmico este diálogo. Neste V Encontro vamos tentar saber como podemos continuar a justificar a necessidade de manter livrarias independentes não apenas através do discurso sentimental (tão válido quanto fundamental, não nos entendam mal) mas através da prova clara que o fim das livrarias independentes bem como a asfixia cultural por que atravessamos não torna este país um país sustentável e possível.


Rosa Azevedo, Estórias com Livros


domingo, 23 de março de 2014

O V Encontro Livreiro é já no próximo domingo





No próximo dia 30 DE MARÇO, a partir das 15:00, a livraria CULSETE, em Setúbal, acolhe a 5ª edição do ENCONTRO LIVREIRO. 

Momento anual de reunião, o Encontro Livreiro tem sido um espaço privilegiado de debate, partilha e troca de ideias entre as gentes do livro, juntando, entre outros, livreiros, editores, jornalistas, bibliotecários, professores, autores, tradutores e leitores. 

Cinco anos passados sobre a primeira edição, o Encontro, que nasceu da vontade de colocar gente a conviver e a conversar — numa livraria — sobre o livro, algo que os seus fundadores acreditaram ser essencial para um sector tão transversal e fundamental como este, é já um dos momentos essenciais do ano editorial e livreiro. 

Para além do debate e da partilha, o Encontro Livreiro é também um momento de homenagem, com a entrega do diploma LIVREIROS DA ESPERANÇA que este ano distingue Antero Braga, livreiro da mítica Lello, no Porto. Foram já homenageados os livreiros Jorge Figueira de Sousa (Esperança | Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira (Galileu | Cascais) e Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros (Culsete | Setúbal). 

Em parceria com a Fundação José Saramago, o movimento Encontro Livreiro tem vindo também a dinamizar, desde 2012, o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO, e a inspirar ENCONTROS LIVREIROS REGIONAIS, como já acontece com regularidade em Trás-os-Montes e Alto Douro, onde se realizou recentemente o III Encontro Livreiro daquela região. 

De entre as gentes do livro que virão a Setúbal no próximo dia 30, queremos muito que haja uma forte participação de livreiros. Relembramos que neste V Encontro, entre outros assuntos que livremente os participantes queiram tratar, vamos falar de LIVRARIAS, DO SEU PRESENTE E DO SEU FUTURO.

Para mais informações, sugerimos a consulta do ISTO NÃO FICA ASSIM!, o blogue do Encontro Livreiro, ou um contacto através de encontro.livreiro@gmail.com

Até ao próximo domingo, dia 30 de Março, em Setúbal.

ISTO NÃO FICA ASSIM!

Encontro-Livreiro 
Setúbal, 23 de Março de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Livreiro da Esperança 2014 em destaque no JL

Luís Ricardo Duarte entrevista Antero Braga

«Antero Braga - 40 anos de livreiro»
JL, 19 de Março - 1 de Abril de 2014


Errata: Faz este ano, no dia 16 de Julho, 46 anos de livreiro | 1000 visitantes por dia.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Lello - Prólogo Livreiros | Antero Braga


2008
Prémio Mercúrio para a loja tradicional com mais qualidade do país

2009
Eleita a terceira mais bela livraria do mundo e a primeira mais bela livraria de raiz do mundo, pelo jornal The Guardian

2010
Eleita a terceira melhor livraria do mundo pelo Lonely Planet

2011
Medalha de Mérito de Grau Ouro da cidade do Porto

2012
Certificado de Excelência pelo Trip Advisor

2013
Classificação como Monumento de Interesse Público pela Secretaria de Estado da Cultura

2014
Atribuição do diploma Livreiro da Esperança a Antero Braga, o livreiro da Lello

Relembramos que o diploma Livreiro da Esperança 2014 será entregue no próximo dia 30 de Março, dia do V Encontro Livreiro, que se realiza na livraria Culsete, como habitualmente, a partir das 15 horas.

As gentes do livro estão convidadas e convidam-se entre si.

Todos a Setúbal!

Encontro-Livreiro
Setúbal, 17 de Março de 2014